Discurso no Senado Federal

Críticas à suposta seletividade da Polícia Federal nas investigações de corrupção no País e à omissão de informações por parte da imprensa sobre investigações ligadas ao PSDB.

Autor
Lindbergh Farias (PT - Partido dos Trabalhadores/RJ)
Nome completo: Luiz Lindbergh Farias Filho
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
IMPRENSA:
  • Críticas à suposta seletividade da Polícia Federal nas investigações de corrupção no País e à omissão de informações por parte da imprensa sobre investigações ligadas ao PSDB.
Aparteantes
Cássio Cunha Lima, Fátima Bezerra.
Publicação
Publicação no DSF de 03/02/2016 - Página 17
Assunto
Outros > IMPRENSA
Indexação
  • CRITICA, POLICIA FEDERAL, MOTIVO, AUSENCIA, IMPARCIALIDADE, INVESTIGAÇÃO, HIPOTESE, CORRUPÇÃO, COMENTARIO, IMPRENSA, OMISSÃO, INFORMAÇÃO, REFERENCIA, INVESTIGAÇÃO POLICIAL, OBJETO, POLITICO, VINCULAÇÃO, PARTIDO POLITICO, PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA (PSDB), ACUSAÇÃO, MEIOS DE COMUNICAÇÃO, TENTATIVA, DIFAMAÇÃO, LUIZ INACIO LULA DA SILVA, EX PRESIDENTE DA REPUBLICA.

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Presidente João Alberto, eu vim aqui assumir a tribuna, depois dos pronunciamentos do Senador Jorge Viana e do Senador Humberto Costa, também para trazer a minha solidariedade ao Presidente Lula.

    Essa é uma campanha de ódio dirigida por setores da mídia brasileira contra um Presidente que fez um grande processo de inclusão social neste País, um Presidente que saiu com uma aprovação de mais de 80% da população brasileira, um Presidente que rodou todo este País cuidando dos mais pobres, fazendo a inclusão nas universidades - porque, só agora, filho de trabalhador pode entrar na universidade.

    E ele foi o Presidente que fez a organização das instituições para que houvesse investigação no País, Senador Cássio Cunha Lima, porque tucano não gosta de investigação. Na época do Fernando Henrique Cardoso, não havia investigação. O Procurador-Geral Geraldo Brindeiro era conhecido como Engavetador-Geral da República. Ele foi nomeado três vezes. Na quarta vez, houve uma eleição, Presidente João Alberto, e sabe em que lugar o Geraldo Brindeiro ficou? Em sétimo lugar, ficando fora da lista tríplice. Sabe o que fez o Presidente Fernando Henrique Cardoso? Nomeou o sétimo colocado. Se fosse no governo do PT, isso seria um escândalo. Na verdade, foi a partir de Lula que o Ministério Público ganhou autonomia, sempre indicando o mais votado, independentemente de quem fosse.

    Querem ver uma coisa? Voltemos ao governo Fernando Henrique Cardoso. Sabem quantas operações da Polícia Federal houve nos oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso? Foram 48 - 6 por ano. Isso é um escândalo. Hoje, são mais de 2 por dia e, na verdade, 250 por ano. Olhem a comparação! Foram 6 operações da Polícia Federal por ano no governo Fernando Henrique Cardoso; 250 nos governos do PT, no governo de Lula e no Governo da Dilma.

    Primeiro, não havia investigação, como não há investigação em São Paulo, onde o Ministério Público está amordaçado. E eles, há 12 anos, não deixam que se crie uma CPI no Estado de São Paulo.

    Pois bem. Agora, vêm acusar o Presidente Lula nessa história ridícula desse tríplex no Guarujá. O Presidente Lula apresentou a sua declaração do Imposto de Renda, em que estava a sua contribuição, sempre, ano a ano, àquela cooperativa. E ele fez a opção de não comprar o tríplex, mas vemos essa criminalização desse episódio.

    O que eu reclamo sempre aqui é da seletividade. Quero falar sobre Fernando Henrique Cardoso. Eles nunca foram atrás do apartamento do Fernando Henrique Cardoso. Está aqui em Mônica Bergamo, 2002:

O banqueiro Edmundo Safdié, ex-dono do Banco Cidade, é o mais novo sócio de David Zylbersztajn na DZ, a consultoria que o ex-genro de Fernando Henrique Cardoso abriu quando deixou a ANP. Segundo James Corrêa, o terceiro parceiro, Safdié será "sócio investidor".

Safdié é o dono do apartamento [porque o Fernando Henrique Cardoso tinha um apartamento em Higienópolis de professor universitário; aqui não] de 470 metros quadrados [não estou falando desse "triplexzinho" no Guarujá] na rua Rio de Janeiro, em Higienópolis, que FHC pretende comprar por R$1,1 milhão. O imóvel tem quatro suítes e cinco vagas na garagem.

    Isso aqui, sim, merecia ser investigado.

    Agora, Senador Cássio, o que o senhor acha de um Presidente da República, no seu mandato - isto aconteceu, e hoje tem uma coluna de Mario Sergio Conti -, em 2002, que reúne empreiteiros, empresários no Palácio da Alvorada - no Palácio da Alvorada! - e passa o chapéu para o seu Instituto Fernando Henrique Cardoso dentro do Palácio da Alvorada?

    Está aqui o Mario Sergio Conti, que diz claramente hoje, na Folha de S. Paulo:

Fernando Henrique saiu de um apartamento na Rua Maranhão, em Higienópolis, para outro a uma quadra, na Rio de Janeiro. O apê atual, amplo e classudo [...], foi decorado por Ruth Cardoso.

Ele trocou o escritório, no Bixiga, pelo instituto com o seu nome no Anhangabaú, onde ficava o Automóvel Clube. Ocupa um andar e tem mobiliário modernista. Quem o comprou foi um grupo de empreiteiras, reunidas por FHC com esse intuito num jantar no Palácio da Alvorada, quando ainda morava lá. A Odebrecht, cujo dono foi preso na Lava Jato, ajudou a mantê-lo.

    Está aqui.

    O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco Oposição/PSDB - PB) - Concede-me um aparte, já que fui citado três vezes?

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - É claro que concedo a V. Exª. É um prazer.

    O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco Oposição/PSDB - PB) - Senador Lindbergh, o Brasil vive um momento extremamente importante da sua trajetória. Este é o instante em que todos nós devemos ter muita responsabilidade naquilo que afirmamos, temos que ter

    muita coragem naquilo que fazemos, porque o que está em jogo são as instituições, o futuro do Brasil. E é impressionante como, diante da gravidade do momento, assuntos que deveriam ficar na polícia - e são assuntos de polícia - passam a ter conotação na política. Eu particularmente acho que tudo que vem sendo anunciado em relação ao ex-Presidente Lula são assuntos de polícia que não devem ser tratados na política, até porque nós outros do PSDB sempre confiamos na Justiça, no poder de investigação da Polícia Federal e do Ministério Público, no funcionamento da Justiça; jamais atuamos na direção de descredenciar decisões judiciais, nem tampouco de transformar em heróis nacionais aqueles que são condenados pelas instâncias do Poder Judiciário. E é óbvio que é pueril o argumento de V. Exª quando faz comparações entre o volume de processos ou de investigações no governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso com o atual período, porque, naquele tempo, não se praticavam tantos crimes como se pratica hoje.

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - Ah! V. Exª acredita nisso! Ah!

    O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco Oposição/PSDB - PB) - Não se praticavam tantos crimes como se pratica hoje...

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - Senador!

    O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco Oposição/PSDB - PB) - ... quando você tem revelado...

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - Compara: 6 operações por ano...

    O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco Oposição/PSDB - PB) - Eu pedi... Eu pedi... Porque não havia...

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - ... contra 250!

    O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco Oposição/PSDB - PB) - Porque não havia uma organização criminosa comandando o Brasil, Senador.

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - V. Exª acredita nisso, Senador Cássio?

    O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco Oposição/PSDB - PB) - Existe hoje uma organização criminosa comandando o Brasil, que está ruindo.

    A Srª Fátima Bezerra (Bloco Apoio Governo/PT - RN) - O que havia naquela época era o Engavetador-Geral da República, isso, sim!

    O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco Oposição/PSDB - PB) - Sr. Presidente, eu estou com a palavra...

    O SR. PRESIDENTE (João Alberto Souza. Bloco Maioria/PMDB - MA) - Senador, eu concedo a palavra no aparte...

    O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco Oposição/PSDB - PB) - Os petistas ocuparam hoje o plenário...

    O SR. PRESIDENTE (João Alberto Souza. Bloco Maioria/PMDB - MA) - Foi um aparte.

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - Sim.

    O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco Oposição/PSDB - PB) - Falou Jorge Viana, falou Humberto Costa, está na tribuna Lindbergh.

    O SR. PRESIDENTE (João Alberto Souza. Bloco Maioria/PMDB - MA) - Foi o aparte que o Senador...

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - Na verdade, a fala é minha. Eu deixo V. Exª falar, mas saiba que a fala é minha.

    O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco Oposição/PSDB - PB) - Estou inscrito como Líder do PSDB para poder falar em defesa...

    O SR. PRESIDENTE (João Alberto Souza. Bloco Maioria/PMDB - MA) - Senador Lindbergh, o aparte concedido.

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - Claro.

    O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco Oposição/PSDB - PB) - Eu concluo o aparte apenas dizendo que esse argumento é pueril, é um argumento que não se sustenta, porque, dos últimos anos para cá, infelizmente - e é com tristeza que se revela isso, é com perplexidade que a população brasileira se depara diante dessa realidade -, uma organização criminosa tomou conta do Estado brasileiro e lançou os seus tentáculos por todas as áreas. Daí o volume impressionante de investigações e de apurações, porque, no governo de Fernando Henrique Cardoso, houve operações, sim, daquilo que era investigado àquela época. Mas o que está sendo dito hoje, que eu vou repetir para deixar claro - e concluo meu aparte, porque estou inscrito como Líder do PSDB na sequência dos petistas que ocuparam a tribuna na sessão de hoje, e esse debate será prolongado -, é que assunto de polícia deve ficar no âmbito da polícia, que nós confiamos na Polícia Federal como confiamos no Ministério Público Federal e que tudo aquilo que tenha que ser investigado que seja investigado. E apenas comento que, quando o Presidente Fernando Henrique Cardoso faz, no Palácio da Alvorada, um jantar para arrecadar doações para o instituto que leva o seu nome, é o sinal mais claro de transparência, de seriedade e de honestidade de quem não tem o que esconder. E as doações foram feitas absolutamente na forma legal - a lei brasileira permite essas doações -, usando de toda a transparência e não de subterfúgios de doações ocultas, de doações com caixa dois, como infelizmente vem sendo revelado nas fraudes e nas práticas de corrupção bilionárias da Lava Jato. Então, Senador Lindbergh, nós vamos continuar fazendo o debate, vamos continuar fazendo essa discussão. O que existe é um País estarrecido, perplexo e chocado com tudo o que está sendo revelado de que não há precedentes na história do Brasil, nem mesmo no mundo. Agora, não vão conseguir tentar trazer todo o mundo para a vala comum e apagar a luz do quarto para que, na escuridão, todos fiquem iguais. Nós do PSDB continuaremos defendendo as investigações contra quem quer que seja e continuaremos acreditando que a lei, numa República, tem de ser aplicada desde o mais humilde trabalhador rural à mais graduada autoridade da República, seja ele ministro ou Presidente da República, seja quem quer que seja. Vamos continuar defendendo as investigações, vamos continuar defendendo a Justiça, vamos continuar fazendo esse combate em nome da verdade e, sobretudo, defendendo o império da lei, para que a lei seja para todos.

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - Sr. Presidente, Senador Cássio, nós é que queremos que a investigação seja para todos, inclusive para o seu colega Senador Aécio Neves, que foi citado pela segunda vez por delatores. O Ministério Público vai ter de abrir. Por que isso? Tucano não se investiga? Tem de abrir. Cerveró falou que foram 100 milhões de propina no governo Fernando Henrique. Tem de ser investigado.

    O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco Oposição/PSDB - PB) - Senador Lindbergh, o Senador Aécio sequer está no plenário para se defender.

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - A palavra está comigo agora.

    O Sr. Cássio Cunha Lima (Bloco Oposição/PSDB - PB) - É impressionante a deslealdade de V. Exª.

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - A palavra está comigo.

    O SR. PRESIDENTE (João Alberto Souza. Bloco Maioria/PMDB - MA) - Não foi concedido o aparte.

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - Só quero dizer o seguinte: temos de acabar com essa história, no Brasil, de que tucano não é investigado. Pau que bate em Chico bate em Francisco. Isso tem de acontecer.

    Fernando Henrique, no livro dele, disse: "Benjamin Steinbruch me procurou, me fez uma revelação". Disse Benjamin Steinbruch: "Há um escândalo na Petrobras". Está escrito no livro de Fernando Henrique, que não tomou nenhuma medida. Paulo Francis morreu falando dos escândalos da Petrobras. E agora essa do Cerveró. O que queremos é que investiguem todos deste País. Não pode ser uma investigação seletiva. É disso que nós estamos reclamando.

    Desculpe-me, Senador Cássio, mas pueril é o argumento de V. Exª. Foram seis operações da Polícia Federal, em média, por ano! É porque tinham a determinação para não se investigar. Era isso o que acontecia no País. V. Exª acha que essa relação é normal? Levar ao Palácio da Alvorada empreiteiras e fazer um chapeuzinho para a arrecadação de recursos? Vou ler aqui um trecho de Gerson Camarotti (2002) sobre essa reunião de Fernando Henrique Cardoso:

Foi uma noite de gala. Na segunda-feira, o Presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu 12 dos maiores empresários do País para um jantar no Palácio da Alvorada, regado a vinho francês Château Pavie. Durante quase três horas em que saborearam o cardápio da Chefe Roberta Sudbrack, raviole de aspargos [e por aí vai]

Fernando Henrique aproveitou para passar o chapéu. Após rápida discussão sobre valores os doze comensais do Presidente se comprometeram a fazer uma doação conjunta de sete milhões à ONG que o Presidente Fernando Henrique passará a presidir assim que deixar o Planalto em janeiro, e levará o nome instituto Fernando Henrique.

O dinheiro fará parte de um fundo que financiará palestras, cursos, viagens ao exterior do futuro presidente e servirá também para trazer ao Brasil convidados estrangeiros ilustres. O instituto seguirá o modelo da ONG criada pelo ex-presidente americano Bill Clinton. Os empresários foram selecionados pelo velho e leal amigo Jovelino Mineiro, sócio dos filhos do Presidente na fazenda de Buritis.

    A empreiteira Carmargo Correia asfaltou a estrada para a fazenda do Presidente, se V. Exª não sabia.

    E continua... O Jovelino Mineiro também é aquele dono do apartamento em Paris, na Avenue Foch. Era o grande amigo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, que ficava sempre nesse apartamento.

    E continua:

Entre outros estavam lá Jorge Gerdau, David Feffer (Suzano), Emílio Odebrescht, Luiz Nascimento (Camargo Corrêa), Pedro Piva, Lázaro Brandão...

    E teve uma parte da reunião que foi privada, para discutir.

    Eu estou falando isso aqui porque me impressiona muito a seletividade tanto das investigações quanto do noticiário.

    Essa campanha de alguns órgãos, campanha ridícula...

    A Srª Fátima Bezerra (Bloco Apoio Governo/PT - RN) - Senador Lindbergh.

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - Essa situação da canoa de R$ 4 mil é extremamente ridícula.

    Eu quero que passem a limpo este País, Senador Cássio, vamos atrás dos apartamentos de todo mundo. O seu colega, o Senador Aécio, tem um apartamento no Rio de Janeiro. Quanto custa? Como foi comprado?

    Agora, o que existe é uma perseguição sistemática contra o Presidente Lula. E isso aqui não vamos admitir. Tocar no Presidente Lula é chamar a gente para a luta. Nós não vamos ter covardia nesse momento.

    Antes de passar a palavra para a Senadora Fátima, devo dizer que o Ministério Público de São Paulo, onde esse Promotor se antecipou e procurou a revista Veja antes de citar o Presidente, antes de chamá-lo para depor... Ele foi a uma revista dizer que ia denunciar o Presidente nesse caso do apartamento do Guarujá.

    Esse Ministério Público de São Paulo é a coisa mais desmoralizada do mundo! Está aí o escândalo da organização criminosa do PSDB, do trensalão. Foi a Suíça que descobriu. E sabem o que aconteceu? O Ministério Público de São Paulo nada fez, muito pelo contrário, prejudicou as investigações na Suíça, porque arquivou parte do inquérito.

    É disso que nós estamos falando. O Ministério Público... O escândalo da merenda do Alckmin agora, em São Paulo, envolvendo o Presidente da Assembleia, ex-promotor.

    Desculpem até o tom da minha fala, mas esta é a fala de um Senador indignado pelo ataque ao Presidente Lula e de gente que não aguenta mais isso.

    Nós vamos ter uma postura, sim, mais aguerrida e de enfrentamento, porque não vamos aceitar o que estão fazendo com o nosso Presidente Lula, essa tentativa de linchamento moral de um homem que fez uma grande transformação no nosso País.

    Senadora Fátima Bezerra.

    A Srª Fátima Bezerra (Bloco Apoio Governo/PT - RN) - Exatamente, Senador Lindbergh, para dizer que nós estaremos aqui, nessa tribuna, quantas vezes forem necessárias para repor a verdade. Veja bem. Eu escutei agora há pouco uma comparação: "Não, porque na época do governo anterior ao Presidente Lula, a chamada era FHC, não se tinha o que investigar". Ora, não se tinha o que investigar porque era a época do abafamento, não se tinha o que investigar porque foi o tempo do "engavetador-geral da República", aqui, inclusive, já mencionado pelo Senador Lindbergh. Aliás, essa época de "engavetador-geral da República", essa narrativa já entrou, inclusive, para os livros de história contemporânea. Já entrou. Na verdade, tinha-se muito o que investigar. A investigação não era realizada porque era um tempo em que se acobertavam as coisas, a partir, repito, do papel lamentável que à época adotou o Procurador-Geral da República, o ilustre Sr. Geraldo Brindeiro, nomeado pelo Governo Fernando Henrique. E por isso mesmo a sujeira, os escândalos, a corrupção, que já vem de muito tempo, desde a época... Inclusive antes da ditadura militar. Por isso essa sujeira, essa corrupção, essa promiscuidade entre o público e o privado ficava lá debaixo dos tapetes palacianos. O que se aumentou no País durante esse período todo não foi a corrupção; o que se aumentou foi o combate a ela. Claro que sim. Claro que sim. Tanto é que, por exemplo, hoje você tem políticos inclusive cassados. Com todo o respeito, o Senador Cássio Cunha Lima foi cassado. Hoje, com todo o respeito, retorna ao Plenário do Senado, evidentemente, com o respaldo do povo paraibano. Mas V. Exª foi cassado, assim como outros. Então, estou isso colocando de maneira clara, de maneira muito clara mesmo. A organização criminosa, tempos de corrupção, isso vem de longe, vem de longe. Por isso nós lutamos tanto para acabar com o financiamento empresarial a partidos e campanhas, etc, porque é um dos alimentadores...

(Soa a campainha.)

    A Srª Fátima Bezerra (Bloco Apoio Governo/PT - RN) - ...dessa questão da corrupção. Então, eu queria só dizer, Senador Lindbergh, que, na verdade, esse homem que hoje é vítima dessa campanha difamatória, tanto ele como Dona Marisa, que vêm sendo alvos de ataques sórdidos, levianos, porque não têm fundamento nenhum... Por isso é que isso não é caso jurídico nem caso de polícia também. Por quê? Porque se trata, na verdade, de uma campanha difamatória - repito -, sem fundamento jurídico absolutamente nenhum. E esse homem está sendo vítima disso tudo. Por quê? Qual foi o pecado que esse homem cometeu? Pecado de não ter nascido na casa grande, assim como eu não nasci. Eu sou paraibana de origem. Não nasci em casa grande, não. Eu nasci lá na senzala, assim como ele, assim como a maioria dos nordestinos. E o pecado que esse homem paga é exatamente por não ser...

(Interrupção do som.)

    A Srª Fátima Bezerra (Bloco Apoio Governo/PT - RN. Fora do microfone.) - Eu vou terminar.

    O SR. PRESIDENTE (João Alberto Souza. Bloco Maioria/PMDB - MA) - Senador, eu vou conceder mais dois minutos a V. Exª para concluir o seu pronunciamento.

    A Srª Fátima Bezerra (Bloco Apoio Governo/PT - RN) - Então o pecado que ele paga é exatamente esse, por não ser um filho da casa grande, por ser um filho de senzala e, ao chegar à Presidência da República, ter ousado fazer o que ele fez, incluindo os filhos da senzala na casa grande, por tudo o que ele fez, pelo legado histórico que ele deixou, ao combater a miséria, a fome e a desigualdade. Portanto, um legado de inclusão social. E no mais, Senador, a oposição continua desesperada. Ela não tira da cabeça essa obsessão. O impeachment não vingou nem vai vingar. E o medo da oposição é este: é Lula, é Lula voltar em 2018. Essa é a obsessão, é o medo da oposição. Mas eu espero que, para além disso tudo, possa prevalecer dentro de nós...

(Soa a campainha.)

    A Srª Fátima Bezerra (Bloco Apoio Governo/PT - RN) - ... a responsabilidade com os interesses do País. Obrigada.

    O SR. LINDBERGH FARIAS (Bloco Apoio Governo/PT - RJ) - Obrigado, Senadora Fátima Bezerra. Eu peço desculpas ao Senador Telmário, porque eu vou ter que concluir a minha fala.

    Esse caso de Lula, de fato, Senadora Fátima, não é um caso de polícia. É o caso de aproveitarem uma estrutura do Estado, o Ministério Público de São Paulo, altamente envolvido com o PSDB, para fazer luta política, atacar a imagem do Presidente Lula, porque sabem da força do Presidente Lula para 2018.

    Eu quero dizer ao Presidente Lula - quero mandar um abraço para ele - que a nossa Bancada está solidária, está firme e vai estar firme na luta, porque nós vamos resistir a qualquer processo em que queiram desgastar, macular a imagem desse grande brasileiro chamado Luiz Inácio Lula da Silva.

    Muito obrigado, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 03/02/2016 - Página 17