Autor
Waldemir Moka (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/MS)
Data
22/03/2016
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pronunciamento 

    O SR. WALDEMIR MOKA (PMDB - MS. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Srªs Senadoras, Srs. Senadores, eu venho a esta tribuna encarregado que fui, na sexta-feira próxima passada, pelo Diretório Estadual do PMDB do Mato Grosso do Sul, do qual eu me orgulho de fazer parte, de ler a seguinte nota:

O PMDB de Mato Grosso do Sul reafirma a posição manifestada na Convenção Nacional do Partido de imediato rompimento com o Governo Federal e condena a nomeação do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - um ato que fere a Justiça e é contrário aos interesses do povo brasileiro.

A Presidente Dilma não tem mais as condições políticas nem a credibilidade para conduzir o País através da crise, razão pela qual o PMDB de Mato Grosso do Sul orienta a sua Bancada no Congresso Nacional a votar favoravelmente pelo impeachment.

Nesse sentido, o PMDB de Mato Grosso do Sul requer a entrega imediata de todos os cargos federais de confiança ocupados por indicação do Partido e exige a demissão do Deputado Federal Mauro Lopes ou sua expulsão do Partido por descumprir decisão expressa da Convenção Nacional.

    Essa é a nota que eu me comprometi a ler desta tribuna do Senado. Essa é a nota que representa a posição do meu Partido, o PMDB do Mato Grosso do Sul.

    Sr. Presidente, agora será não uma nota lida, mas exatamente o que penso disso tudo.

    Eu ouço dizer que está em curso um golpe. Toda hora vem aqui "golpe", "golpe", "golpe". Primeira coisa: foi instalada a Comissão da Câmara dos Deputados, e vale dizer que o rito que está sendo seguido foi exarado pela Suprema Corte deste País, ou seja, ninguém vai fazer nada de diferente do que a Suprema Corte deste País determinou.

    O Presidente dessa Comissão é aqui de Brasília, o Rosso, e o Relator é de Goiás, o Jovair. Portanto, em que pese a colocação de alguns de que estaria sendo manobrada pelo Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, há uma comissão especial que vai, no final, dentro dos prazos legais, exarar um parecer e decidir se aprova ou não o impeachment. Qualquer que seja a decisão dessa comissão especial, ela será votada na Câmara dos Deputados e exige quórum qualificado. Vale dizer: para ser aprovado o impeachment na Câmara dos Deputados, é preciso ter o voto "sim" de 342 Srs. Deputados; repito: 342 Deputados!

    Ora, se 342 Deputados, legitimamente eleitos nos seus Estados, não tiverem representatividade para votar isso, não sei mais o que é democracia. A democracia pode ter mil defeitos, o Congresso pode ter um monte de gente com desvio e tal; a única coisa que não tem ali é gente sem voto. Os Srs. Deputados que lá estão foram eleitos democraticamente.

    Depois de aprovado, se é que vai ser aprovado na Câmara dos Deputados, esse documento vem aqui para o Senado, que tem a prerrogativa de dizer se esse processo continua ou não.

    E aí vai haver a manifestação dos Srs. Senadores. E eu pergunto para aqueles que insistem em dizer que isso é golpe: os Srs. Senadores aqui têm ou não têm a representatividade dos seus Estados?

    O que eu acho mais engraçado é o seguinte: para qualquer coisinha que acontecia, invocava-se a posição da Ordem dos Advogados. Pois muito bem, a Ordem dos Advogados se manifestou por 26 votos a 2 favoráveis ao impeachment neste País. Então, quando é favorável a determinado segmento, está tudo bem.

    Aqui se falou muito da igreja e tal, mas há uma declaração do Arcebispo de Nossa Senhora Aparecida de que ninguém se lembra. Ninguém quer lembrar nessas alturas, não é? Mas o Arcebispo tem uma colocação interessante.

    Isso tudo - estou dizendo - é um jogo de palavras, e, quando há esse acirramento político, só há um jeito de a sociedade que se diz democrática dirimir essas diferenças: é no voto! E esse voto tem que ser dado pelo Congresso Nacional. Se não houver o voto, se não for votado aqui pelos legítimos representantes, aí, sim, você poderia estar falando em golpe. Esse não é um golpe. Tanto não é que a Suprema Corte legalizou o processo de impeachment e disse como ele deve ser conduzido.

    Sou um daqueles mais discretos, talvez - há uns que gostam mais da tribuna, da televisão -, e, para mim, sempre deu certo, graças a Deus, porque é o meu nono mandato consecutivo, Sr. Presidente. E outra coisa: "Ah, os caras querem parar a investigação". No meu nono mandato, Sr. Presidente, graças a Deus, tenho as minhas mãos limpas.

    Assim, eu me sinto com autoridade para vir aqui e dizer que não tem nada a ver uma coisa com a outra. Eu tenho certeza de que a investigação vai continuar. Tenho certeza de que o juiz Sérgio Moro... Não sei, não sou jurista, vejo que há discordância, mas eu tenho certeza de uma coisa: ele fez pensando no País! Se a gente não soubesse também de um monte de gravações que ali foram colocadas, a indignação não estava correndo solta neste País como está.

    Mas eu quero, democraticamente, conceder um aparte à minha conterrânea, à minha grande companheira Senadora Simone Tebet; logo em seguida, à Senadora - minha amiga também - Ana Amélia.

    A Srª Simone Tebet (PMDB - MS) - Obrigada, Senador Moka. Quero primeiro dizer a todos que estão nos ouvindo, especialmente à população sul-mato-grossense, que V. Exª foi designado emissário da Bancada do PMDB do Congresso Nacional - não só do Senado, mas da Câmara -, para falar e expressar o sentimento, que é um sentimento de unanimidade, de todo o Diretório da Executiva Estadual do PMDB de Mato Grosso do Sul. É importante deixar isso muito claro. Quero também dizer que fico feliz que tenha sido V. Exª. V. Exª tratou da questão da forma como merece ser tratada. Primeiro, devo dizer que, como V. Exª, eu estava extremamente constrangida, aqui no Senado - e isso já vem de algum tempo -, porque não me via no direito de falar de um partido alheio quando tenho tantos senões em relação ao meu próprio Partido. Recentemente, eu ouvi um provérbio que já foi muitas vezes dito na tribuna do Senado: "Na casa onde não há pão, todo mundo briga e ninguém tem razão". Eu diria - pensando hoje no momento em que o País vive, na situação de falta de credibilidade em todos nós, da classe política - que, em causa em que não há retidão, em que não há correção, em que não há ética, todo mundo briga e ninguém tem razão. Vira isto que virou este País: um presidencialismo de coalizão. Um presidencialismo de coalizão que, na teoria, num determinado momento, faz sentido. Numa democracia, os partidos aliados têm que fazer parte mesmo do partido que ganha...

(Soa a campainha.)

    A Srª Simone Tebet (PMDB - MS) - ... para governar o País, até para que, democraticamente, haja ideias diferentes e possam contribuir e colaborar na gestão pública. O problema é que esse presidencialismo de coalizão provavelmente é a causa de todos os males que estamos vivendo. Esse presidencialismo de coalizão passou a ter um exagero que chega às raias do absurdo. E, nesse aspecto, eu incluo principalmente o PMDB. Não me sinto confortável em falar do PT, da oposição ou da situação sem antes falar do PMDB do presente. E aí eu quero dizer a todos que estão nos escutando, Senador Waldemir Moka, que, de tudo o que foi dito na nota, entendo que é urgente a entrega de todos os cargos e ministérios do PMDB, para que tenhamos a independência devida para dizermos aquilo que queremos. Esse presidencialismo de coalizão, levado às raias do absurdo, gerou toda esta sorte de corrupção que hoje reina no nosso País - divisão de diretorias, esfacelamento dessa que é a maior empresa estatal do Brasil, uma das maiores do mundo - para ter partidos aliados para comandar este País. Eu falo isso com lamento. Eu falo isso como quem veio de um outro PMDB. Não é este PMDB que me orgulha. Eu lamento pela história presente do PMDB. E esse lamento vem numa forma de angústia. É um lamento que vem do mais profundo sentimento de pesar, porque o PMDB ao qual eu pertenço e onde nasci é o PMDB da história de luta pela redemocratização, de Ulysses Guimarães, de Teotônio Vilela, de Franco Montoro, de Tancredo Neves, mais recentemente de Pedro Simon, de Wilson Barbosa Martins, lá no nosso Estado, e - por que não me referir? - de meu saudoso pai, Ramez Tebet. Esse PMDB que lutou pela redemocratização, pela instituição do habeas corpus, da anistia, dos direitos civis antes ameaçados, esse PMDB histórico não merece o que está acontecendo hoje. Eu peço desculpa por me alongar neste aparte que faço em relação ao pronunciamento de V. Exª nesta tarde de hoje. Mas é preciso que coloquemos o dedo na ferida e possamos perceber que precisamos fazer também um mea-culpa, assumir aí a responsabilidade em relação ao Partido que temos. E começamos com o posicionamento do PMDB no Estado do Mato Grosso do Sul. Vamos entregar os cargos. Vamos entregar os ministérios, para que possamos, com convicção e ouvindo as vozes da rua, as vozes populares, decidir pela implantação, pela abertura do processo de impeachment. E eu concordo com V. Exª: não é golpe. O que nós temos de fazer é analisar. Com muita serenidade e com muita imparcialidade. Mas nunca colocando a forma, os possíveis abusos que possam estar acontecendo acima do mérito. E o mérito tem nome: corrupção. Corrupção talvez não só de determinado partido, mas de muitos. Mas corrupção que o povo brasileiro não mais aceita. Não mais aceita quando morre nas macas dos hospitais, quando não tem segurança pública para garantir que vidas jovens não sejam ceifadas nos centros urbanos deste País, corrupção que está matando a esperança do povo brasileiro em melhores dias. Portanto, é lamentável. Eu não gostaria de, neste momento, estar dizendo isso, e encerro dizendo apenas uma coisa: sou do PMDB, mas não quero o Governo. Sou do PMDB, penso que o processo de impeachment tem que ser instalado, mas isso não significa que quero ver, a todo custo, acima da lei e da Constituição, um Presidente peemedebista. Quero que se faça justiça, que se ouça os clamores das ruas e que possamos com parcimônia, com imparcialidade e, acima de tudo, com o compromisso de unir novamente este País, decidir de acordo com a nossa consciência aquilo que for melhor para o nosso País.

    O SR. WALDEMIR MOKA (PMDB - MS) - Senadora Simone, eu sou muito coerente em meus atos. Eu disse, há pouco mais de um ano, que nós tivemos a oportunidade de começar melhor aqui também, no Senado. Eu fico muito feliz que V. Exª tenha colocado dessa forma, pois me dá a oportunidade de mostrar a coerência de princípios que sempre trouxe comigo. Sempre estive no PMDB, desde 1978, mesmo quando tive que me entrincheirar para combater muitas coisas com que não concordo em meu Partido, pois não acredito que mudando de partido vou consertar a sociedade brasileira. Eu prefiro ficar na minha trincheira, combatendo aquilo de que divirjo. E é o que estou tentando fazer.

    Ainda hoje, para a minha alegria, fui informado de que no dia 29, como foi decidido na nossa convenção, com V. Exª presente, o Diretório Nacional do PMDB vai se reunir para tomar posição se continua no Governo ou se afasta do Governo.

    Nós do Mato Grosso do Sul - não é nenhuma novidade -, nos últimos oito anos ou mais, sempre tivemos um adversário do PT. Nós sempre fomos adversários do PT. Então, para mim, até aqui, não há novidade nenhuma. Eu nunca quis confundir o meu querido Mato Grosso do Sul com a política nacional, mas neste momento, Senadora Ana Amélia, a quem vou conceder um aparte, penso que é necessário um posicionamento firme. E para aqueles que me conhecem, há mais de ano venho dizendo que não podemos mais continuar nessa aliança com o PT.

(Soa a campainha.)

    O SR. WALDEMIR MOKA (PMDB - MS) - Senadora Ana Amélia.

    A Srª Ana Amélia (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP - RS) - Serei breve, Presidente. Senador Moka, quero agradecer o esclarecimento, eu diria, cristalino de V. Exª na didática de explicar que não se trata de golpe, como insistem aqui, repetindo, tantas vezes, para que isso se torne uma verdade, mas não vão conseguir.

    O SR. WALDEMIR MOKA (PMDB - MS) - É lógico.

    A Srª Ana Amélia (Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP - RS) - A sociedade está se manifestando em relação ao posicionamento majoritário da opinião pública brasileira e das posições e das atitudes dos brasileiros. Quero dizer que, ao explicar que o rito do processo de impeachment foi definido pela Suprema Corte, essa já é a primeira sinalização da legitimidade do processo. A segunda questão, Senador Moka, é que, nesse rito, está escrito e determinado também que o voto será aberto: cada um vai mostrar de que lado está, como está e de que maneira vai votar. A terceira questão é a seguinte, Senador Moka: para mim, golpe é tentar anular o trabalho do Juiz Sérgio Moro; golpe é tentar manobrar a Polícia Federal para que ela seja não um instrumento de Estado, mas um instrumento de um partido político para servir de manobra aos seus próprios interesses, e não aos interesses nacionais. Felizmente, a instituição chamada Polícia Federal está honrando a sociedade e a Nação brasileira. Da mesma forma, em relação à ida do ex-Presidente Lula - um cidadão comum, que apenas foi Presidente da República com feitos que foram reconhecidos pelo País, mas é um cidadão comum e, como cidadão comum, está sujeito às leis do nosso País, não é e não está acima da lei - ao Gabinete Civil da Presidência deixa muito clara também a tentativa dessa manobra. E não adianta subestimar a inteligência do povo brasileiro, Senador Moka. Não adianta subestimar. Isso é que é e pode ser chamado de golpe, e não o que está acontecendo no processo institucional brasileiro, com o Poder Judiciário funcionando com total liberdade e independência e total autonomia, com o Ministério Público, da mesma forma, com altivez, soberania e independência, e a Polícia Federal cumprindo o seu dever republicanamente. Esse é o verdadeiro sintoma da democracia do nosso País nos dias de hoje. É isso que conforta e que dá esperança ao povo brasileiro.

    O SR. WALDEMIR MOKA (PMDB - MS) - Muito obrigado, Senadora Ana Amélia.

    Senador Ataídes e, logo em seguida, Senador José Medeiros. Depois, encerro, Sr. Presidente.

    O Sr. Ataídes Oliveira (Bloco Oposição/PSDB - TO) - Senador Moka, ouvindo V. Exª e pelo pouco que o conheço, percebo que V. Exª está na tribuna falando com a alma e com o coração. Parabéns. A Senadora Simone Tebet fez um belíssimo aparte, falando com o coração e com a alma, e também ouvimos a nossa querida Senadora Ana Amélia. Senador Moka, há aproximadamente 15 dias, eu disse, dessa tribuna que V. Exª ocupa, que o futuro da Nação está nas mãos do PMDB. Eu disse e é verdade. O PMDB, com toda a sua megaestrutura parlamentar, decide o destino deste País, é fato. Agora então, fiquei muito feliz, muito contente de saber que o nosso querido Mato Grosso do Sul vai sair à frente na decisão de romper com o Governo Federal. Muito feliz. Eu espero que, muito em breve, até mesmo antes do dia 29, conforme anunciado, o PMDB Nacional tome a decisão que o Mato Grosso do Sul sabiamente tomou. Que história é essa de golpe? Nós estamos cansados de ouvir essa história de golpe. Golpe é para o discurso dos desesperados, quando não há mais nada em que se apegar. Golpe é tudo isso que a Senadora Ana Amélia disse e muito mais. Hoje, mais de 80 milhões de brasileiros querem o impeachment da Presidente Dilma. Vamos imaginar 160 milhões de brasileiros, tirando as crianças: mais de 50%, na verdade. Saiu a pesquisa: 68% querem o impeachment da Presidente Dilma. Não é a oposição e não é o PMDB que querem dar golpe, de forma alguma. Golpe é exatamente o que o Governo do PT fez com o povo brasileiro. Mais de 20 milhões de pessoas estão desempregadas. Só nos últimos doze meses, com carteira assinada, mais de 2 milhões de brasileiros ficaram sem emprego. Parabéns, Senador Moka. Eu vou continuar admirando V. Exª, a partir de hoje, mais ainda, em razão do discurso feito com o coração e com a alma para o povo brasileiro. Muito obrigado.

    O SR. WALDEMIR MOKA (PMDB - MS) - Muito obrigado, Senador Ataídes.

    Senador José Medeiros.

    O Sr. José Medeiros (S/Partido - MT) - Senador Moka, muito obrigado pelo aparte. Tenho visto aqui os mais diversos pronunciamentos. V. Exª hoje faz um pronunciamento muito interessante. Não que os outros tenham sido menores, mas geralmente são defesas ou ataques. V. Exª traz uma luzinha no fim do túnel, porque quem decide essa partida é o PMDB. A oposição não tem número suficiente para levar a cabo o término deste Governo, para tocar esse impeachment, depende dos votos do PMDB. Então, no momento que esse partido, que é um partido histórico, que ajudou a construir esta democracia, dá um sinal, e um dos seus diretórios, aliás, um dos mais independentes, representado nesta Casa por V. Exª e pela Senadora Simone, no momento que esse diretório começa a se posicionar, vemos um sinal de que o PMDB está se posicionando, vemos que começa a haver esperança neste País. Ontem, estive no meu Estado de Mato Grosso e vi o desespero da classe produtora, do comércio e da indústria. E nós nos perguntamos: "Mas vai derrubar uma Presidente porque a economia está ruim?". Não, é porque se reuniram as condições necessárias para que haja o impeachment, é porque estamos na tempestade perfeita, em que há uma base legal pró-impeachment e em que há condições de rua, pois ela perdeu a base nas ruas. O apoio popular para o impeachment já existe. Ela também perdeu apoio político. Aliás, o discurso de V. Exª mostra que ela realmente está perdendo apoio político. Nós temos visto discursos aqui de ataque ao PMDB, já antevendo a saída do PMDB, temos visto a ala do Governo começando a atacar o PMDB, dizendo que o PMDB está tramando um golpe, que está havendo um complô. Mas se o PMDB se posicionar da forma como V. Exª diz, ele estará fazendo um bem para Brasil e tendo a responsabilidade de dizer que esta situação não pode continuar. E como tantas outras vezes, nós vamos encontrar uma saída.

(Soa a campainha.)

    O Sr. José Medeiros (S/Partido - MT) - Eu acho que este é o momento, sim, de as oposições e o PMDB já pensarem o pós-Dilma, porque, neste momento, nós estamos numa situação de trocar o pneu com o carro andando. Não dá para esperar a votação do impeachment que vai ocorrer para, então, começarmos a pensar numa economia. Temos que começar a pensar agora, não podemos ser pegos de surpresa. Neste momento, temos visto que o Governo não tem uma política econômica, não tem ao menos onde se agarrar, porque as barras da Justiça estão aí. As palavras aqui são vazias, quando dizem que é golpismo, que o Juiz Moro deveria ter publicado dez minutos antes ou depois. São muito frágeis os argumentos, eles não têm defesa. Tenho dito aqui, perdoe-me a analogia, que a situação do Governo parece falta batida pelo Rogério Ceni: é no ângulo, não tem defesa. Então, V. Exª traz um alento. Sua fala está em consonância com as ruas, e sua cidade, Campo Grande, deu um exemplo de civilidade nos últimos dias. A Avenida Afonso Pena estava lotada de campo-grandenses, as ruas se encheram, as pessoas demonstraram indignação, e V. Exª, como representante daquele povo, e não poderia ser diferente, tem se posicionado nesta Casa de forma muito coerente, sem radicalismo, mas mostrando, acima de tudo, que o Brasil precisa de uma saída, e, neste momento, traz o alento de sabermos que o PMDB já sinaliza, e não é com o golpe. O verdadeiro golpe está sendo perpetrado pelo PT, ao escolher o agora Ministro Lula para substituir uma Presidente no cargo e ao atacar instituições que são os pilares da democracia. Isso é golpe. Muito obrigado, Senador.

    O SR. WALDEMIR MOKA (PMDB - MS) - Eu agradeço e digo que vim à tribuna com o propósito de um discurso até mais light, mas fui precedido por outros oradores. Quero dizer que respeito as pessoas que na sexta-feira foram às ruas porque são contra. É verdade que não havia apenas militantes, muita gente foi. Eu reconheço isso. Mas não podemos ignorar as pessoas que foram no domingo. Se na sexta-feira havia uma parcela expressiva da sociedade, no domingo havia o triplo dessa parcela se manifestando. Eu entendo que democracia é isto: é a maioria. E a maioria se expressou de forma tão dura que - eu lamento - a resposta que o Governo deu foi escolher um daqueles que foi mais hostilizado para Ministro do Governo.

(Soa a campainha.)

    O SR. WALDEMIR MOKA (PMDB - MS) - Aí não há quem aguente! E foi o que nós vimos nas ruas a partir do anúncio.

    Quero dizer que quem me inspirou a vir à tribuna foi essa grande companheira que hoje se soma comigo aqui no Senado, a Senadora Simone Tebet. Sem dúvida nenhuma, para mim, ela vai continuar sendo uma inspiradora, assim como foi seu saudoso pai. Eu tenho orgulho de dizer que foi pelas mãos dele que entrei para o antigo MDB. Ele era o nosso grande chefe e o nosso grande líder.

    Por derradeiro, concedo um aparte ao Senado Magno Malta.

    O Sr. Magno Malta (Bloco União e Força/PR - ES) - Vejo na tribuna o guerreiro que conheci na Câmara, na CPI do Narcotráfico. A Presidente Dilma só não contava com o espírito de Chapolin Colorado das autoridades do Brasil. Só "não contava com a minha astúcia", como Chaves falava. Quem acha que é sabido demais se enrola na língua. O meu Estado tem 78 Municípios e tinha 200 mil pessoas na rua. Se no Estado do Espírito Santo, daquele tamanho, 200 mil pessoas fossem todas da elite, como eles falam, o Espírito Santo seria o único Estado do mundo que só tem elite. Mas, no discurso deles, motorista de ônibus desempregado, cobrador desempregado, ascensorista, empacotador de supermercado, doméstica desempregada, dono de lojinha que quebrou e não tem como pagar aos seus fornecedores, que tinha dois empregados que foram para a rua e não tem como indenizá-los, essa classe agora mudou de nome: são elites, são chamados de elite no Brasil. Percebe-se claramente que eles estão falando para a militância, Senador Moka; eles não estão falando para ninguém. A Presidente Dilma faz discursos para a militância, não está falando para a Nação. Não é porque a Nação não quer ouvi-la, é porque ela não tem o que falar. Hoje eu a estava ouvindo, depois dessa reunião, do café dela com os juristas. Ora, se a OAB vota, quase por unanimidade, onde só há advogados, um jurista pensa de um jeito e o outro pensa de outro. No meio do discurso, ela repete: "É uma indignidade grampear uma Presidente." Ninguém nunca a grampeou. Ela está falando para a militância, tentando confundir a mente do País. Na verdade, havia uma escuta no Lula. Ninguém nunca grampeou ninguém no Brasil. Quem grampeou Dilma foi Obama; Obama a grampeou. E ela nem reagiu com essa valentia toda. Só havia uma agenda marcada nos Estados Unidos e não foi.

(Soa a campainha.)

    O Sr. Magno Malta (Bloco União e Força/PR - ES) - Obama grampeou o e-mail dela, lá dentro do Palácio, grampeou tudo. Mas ela nunca foi grampeada. Ela entrou no grampo do Lula, um cidadão comum que tem uma história bonita. É bonita a história do Lula. Quem é que vai negar isso? A história de um menino retirante, que saiu do Nordeste, torneiro mecânico e que depois vira Presidente da República. Ninguém nunca vai apagar isso, que virou Presidente da República. Mas nem aquilo que ele fez, que, aliás, não foi nem um favor, porque era o Presidente da República, mas aquilo para o que ele teve tino e de fato executou não o autoriza ou dá a ele um salvo conduto para praticar o crime, para fazer o que praticou no escuro, na ilegalidade. E hoje eles querem que o currículo do Lula apague o que foi feito no escuro. A Bíblia diz: "Tudo o que é feito nas trevas, um dia virá à luz." E veio à luz. Mas o para-choque de caminhão fala diferente: "Quem muito cospe para cima, um dia cai na cara." Eles chegaram ao poder cuspindo para cima - todo mundo era corrupto, todo mundo era ladrão. Um dia "pow": a cusparada veio no meio da cara. Então, V. Exª está correto. E agora nós somos obrigados a ouvir discursos de que só eles são defensores da democracia. Eles estão na tribuna defendendo a democracia. Sexta-feira eles foram para a rua defender a democracia. Só eles defendem a democracia; são democratas. Setenta mil no Rio são democratas. Cem mil na sua Campo Grande não são democratas. Está todo mundo comandado por Aécio Neves. Me engana que eu gosto! Coitado de Aécio Neves! Se ele tivesse essa capacidade, já tinha sido Presidente umas três vezes. Não! Eu não tenho lá nada com o PSDB, não sou do PSDB. Eu não tenho nada com o PT, não sou PT. Eu não estou nessa rusga de torcida. Nós temos de pensar neste País. Ora, existem regras e limites! Sim, claro! E elas são estabelecidas a todos. Onde já se viu: "Isso é golpe!". E como é que se encerram as três horas e meia de reunião com juristas? Eu vi o discurso dela todinho. Conheço todos os cartazes e gritos de "não vai ter golpe!". E os Deputados Federais do PT e do PCdoB lá... Então, quer dizer que eles estão chamando de golpistas a maioria absoluta que eles tinham de conquistar agora? Quem vota não é aquela militância. Ministro não vota; aqueles juristas não votam; ninguém ali vota. Então, quer dizer que os que estão ali na Câmara e votam são todos golpistas? Aquela maioria de que ela precisa é golpista? E ela acha que vai resolver isso com aquela minoria do PT e do PCdoB. Então, eles sabem tanto do erro, sabem tanto do que vai acontecer, que eles estão falando para a militância, não estão falando para fora. Era hora de essa mulher ter um gesto de humildade,...

(Soa a campainha.)

    O Sr. Magno Malta (Bloco União e Força/PR - ES) - ... de convidar os Deputados para tomar um café na casa dela, fazer... Se ela não tem... Ela sabe interpretar bem. Ela interpretou bem os textos de João Santana na eleição, para contar aquelas mentiras. Que ela fingisse: "Eu estou humilde agora, graças a Deus! Eu me humilhei, estou descendo do salto, estou pedindo a vocês que me ajudem. O momento do País é grave. Vamos recuperar a economia, vamos não sei o quê, temos que fazer isso e aquilo...". "Então, eu estive lá com ela, rapaz, e ela falou...". Não! Ela faz assim com pescoço, olha de lado e fala: "E eu tenho cara de que vou renunciar?". Olha aqui para a minha mão, filma a minha mão aqui, menino! Olha como é que eu estou ficando velho de preocupação com essa cara feia dela. Olha como é que eu estou cheio de rugas e ficando velho antes da hora. É brincadeira, meu irmão! É brincadeira! Eu quero cumprimentar V. Exª. Mas ouvir uma Presidente que só pega o microfone para falar para a militância e não tem condição de falar para uma Nação é porque é fim de festa!

    O SR. WALDEMIR MOKA (PMDB - MS) - Eu agradeço a parte do Senador Magno Malta.

    Pergunto se eu posso ouvir o Senador Ricardo Ferraço.

    Por favor, Senador Ricardo Ferraço.

    O Sr. Ricardo Ferraço (Bloco Oposição/PSDB - ES) - Senador Moka, muito rapidamente, mas de maneira muito sincera e muito franca, eu gostaria de cumprimentar V. Exª, cumprimentar a Senadora Simone Tebet, cumprimentar o Estado do Mato Grosso do Sul por essas extraordinárias Lideranças que nós temos aqui, no Senado Federal. V. Exª, há pouco, fez menção a um homem que não apenas o Mato Grosso do Sul admira, mas todos nós admiramos pelo seu legado, o ex-Presidente do Senado, o ex-Senador Tebet. Eu convivo com V. Exª aqui, nesta Casa, já vai para quase cinco anos. E a têmpora de V. Exª, a personalidade de V. Exª, o comprometimento de V. Exª com o interesse público o fazem, naturalmente, na condição de Líder do PMDB do Mato Grosso do Sul, assim como a Senadora Simone Tebet, trazer essa manifestação para os seus pares aqui, no Senado. V. Exª, diferentemente de muitos, nunca procurou a sombra; V. Exª sempre procurou a transparência e sempre deixou clara a necessidade de mudanças e de transformações, sobretudo na orientação e no padrão ético e moral deste Governo. V. Exª, mesmo sendo do PMDB, nunca coadunou, nunca conviveu, nunca transigiu com tudo o que nós temos acompanhado ao longo dos últimos anos. De modo que essa notícia que V. Exª traz está compatível com a jornada e a história política de V. Exª e da Senadora Simone, a quem eu faço questão de registrar os meus cumprimentos.

(Soa a campainha.)

    O SR. WALDEMIR MOKA (PMDB - MS) - Muito obrigado, Senador Ricardo Ferraço.

    Eu encerro agradecendo, meu caro Presidente, Dário, a paciência de V. Exª, mas era importante que eu cumprisse essa missão para que fui designado: porta-voz do Diretório Estadual do PMDB de Mato Grosso do Sul.

    Muitíssimo obrigado.

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