Autor
Zeze Perrella (PTB - Partido Trabalhista Brasileiro/MG)
Data
21/11/2016
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pela Ordem 

    O SR. ZEZE PERRELLA (Bloco Moderador/PTB - MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Agradeço de coração, Senador José Medeiros. V. Exª acompanhou o meu drama naquela época. O que aconteceu comigo poderia ter acontecido com um dono de uma empresa de ônibus, cujo motorista coloca droga dentro do ônibus, ou do caminhão. Poderia ter acontecido com todo mundo. Aconteceu comigo. Eu fico realmente triste quando vejo essas inverdades.

    Eu fui investigado, Senador Jucá, durante dez anos pelo Ministério Púbico de Minas Gerais.

    Quebraram 200 contratos de compra e venda de jogador. Não conseguiram formular uma denúncia contra mim. Mandaram arquivar depois de dez anos, mas me deixaram dez anos com a pecha de investigado. Está arquivado esse processo. Não fui denunciado, está tudo certo.

    No episódio do helicóptero, eu fico mais triste, porque atingiu diretamente o meu filho. Era uma empresa do meu filho, cujo helicóptero estava em nome dele. O PT, na eleição passada, colocou foto minha, do Aécio e do meu filho. O que é que o Aécio tem a ver com isso? O que é que o Aécio tem a ver com isso?

    O fato é que ele é meu amigo, como V. Exª é, como a grande maioria aqui é. Nós temos uma amizade de mais tempo, óbvio. Nem do partido do Aécio eu sou, e usaram isso de uma maneira torpe e covarde. A minha bronca maior com o Presidente Lula, Senador Jucá, é porque ele, mesmo sabendo da nossa inocência, nunca esqueceu esse assunto, dizendo que estava escondendo isso e preocupado com o empreguinho do Zé Dirceu.

    Eu digo: foi no governo do PT, foi com o ministro da Justiça do PT que esse episódio aconteceu. Nas gravações do meu piloto, ele diz: "Tem que esperar o Senador viajar, tem que esperar o Deputado viajar para a gente fazer essa parada", porque o meu filho era Deputado lá, em Minas. "Olha, esse fim de semana não deu. Se vocês não puderem esperar, arranjem outro." E os caras do outro lado da linha: "Não, vamos esperar. Vamos esperar."

    Um dia, o meu piloto liga e fala: "Hoje o Senador está em Brasília e o filho dele também. Não vou usar a aeronave." Ele me disse, ele disse para o meu filho que ia fazer um frete para São Paulo, frete usual, que a gente usa para ajudar nas manutenções da aeronave, para pessoas conhecidas. Nós confiamos. Em vez de ir para em São Paulo fazer esse frete de passageiros, ele enfiou 450kg de cocaína no meu helicóptero.

    O senhor não sabe como eu sofri, Senador Jucá. As minhas filhas sofreram. Minhas filhas têm nojo de política por isso. O sonho delas é que eu abandone isso, que eu abandone essa carreira, por causa dessas sacanagens – por causa dessas sacanagens.

    Então, Senador Medeiros, obrigado de coração.

    E outra coisa mais, outra coisa mais: quando esse episódio aconteceu, no Espírito Santo, os promotores de lá fizeram festa: "Agora nós vamos pegar um Senador." A chefe das investigações, que eu vim a conhecer depois, falou: "Perrella, quando saiu lá, foi uma festa para nós. Nós te investigamos seis meses. Não conseguimos arrumar nada."

    Eu tenho gravações do piloto. O próprio piloto – pelo menos nisso ele foi honesto... E olha que o piloto era evangélico, Senador, ficava falando comigo de Deus, que eu tinha que parar de fumar e beber um pouquinho menos, e o desgramado carregando droga no nosso helicóptero.

    Mas o delegado da Polícia Federal deu uma declaração sete dias depois. Saiu uma reportagem seis meses depois, na Record, Domingo Espetacular, contando toda a história. Foi pego todo mundo – os traficantes da Colômbia, Equador, Estados Unidos –, era uma quadrilha de proporções internacionais. Internacionais. Está todo mundo na cadeia e esses sacanas do PT ainda ficam dizendo isso contra mim.

    Muito obrigado.

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