Pronunciamento de Vanessa Grazziotin em 15/02/2017
Discurso no Senado Federal
Comentários acerca dos resultados de pesquisa divulgada pela CNT/MDA sobre a aprovação do Governo Michel Temer e sobre a intenção de voto para as eleições presidenciais de 2018.
- Autor
- Vanessa Grazziotin (PCdoB - Partido Comunista do Brasil/AM)
- Nome completo: Vanessa Grazziotin
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
GOVERNO FEDERAL:
- Comentários acerca dos resultados de pesquisa divulgada pela CNT/MDA sobre a aprovação do Governo Michel Temer e sobre a intenção de voto para as eleições presidenciais de 2018.
- Aparteantes
- Lindbergh Farias, Paulo Paim.
- Publicação
- Publicação no DSF de 16/02/2017 - Página 81
- Assunto
- Outros > GOVERNO FEDERAL
- Indexação
-
- COMENTARIO, RESULTADO, PESQUISA, ASSUNTO, AVALIAÇÃO, MICHEL TEMER, PRESIDENTE DA REPUBLICA, ELEIÇÕES, PRESIDENCIA DA REPUBLICA.
A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão da oradora.) – Muito obrigada, Sr. Presidente, Srªs Senadoras e Srs. Senadores.
Sr. Presidente, vários dos meus companheiros Senadores e Senadoras já ocuparam esta tribuna para falar dos resultados da pesquisa CNT/MDA que foram divulgados agora, no início da tarde do dia de hoje. Uma pesquisa feita, portanto, por encomenda da Confederação Nacional do Transporte, no período de 8 a 11 do mês em curso, ou seja, de fevereiro, que foi feita nas cinco Regiões do País, em 25 Estados, 138 Municípios.
Aqui já foi falado bastante sobre a intenção de votos para as eleições de 2018, sobretudo para Presidente da República, onde Luiz Inácio Lula da Silva, na pesquisa estimulada, lidera em todas as projeções, em todos os cenários. Mas eu quero neste momento me ater à outra parte da pesquisa, àquela que avalia, faz avaliação do Governo de Michel Temer.
Então, foi perguntado à população brasileira sobre a aprovação do desempenho pessoal do Presidente Michel Temer. Qual foi o resultado? Apenas 24% da população aprova o desempenho pessoal do Presidente da República, enquanto que mais de 62% das pessoas reprovam, desaprovam o desempenho pessoal do Presidente Michel Temer.
Nisso, houve uma evolução significativa: em outubro de 2016, quando foi feita a rodada anterior, 31% aprovavam o Presidente Temer, contra os 24% de agora; e desaprovavam 51%, contra os 62% de agora. Isso significa dizer que nós não estamos no País vivendo um momento de tranquilidade, que não está tudo bem no País, conforme muito Senadores têm utilizado esta tribuna para dizer que nós estamos alcançando a calmaria política, que o Brasil está entrando nos eixos, que a economia já dá sinais de melhora. Não é nada disso que está acontecendo no Brasil.
Não adianta fazer um discurso dizendo que tudo está melhorando. É preciso que a população brasileira sinta efetivamente a melhora, e nós temos dito de forma muito aberta e franca: o Governo não vai a lugar algum, não vai melhorar a vida das pessoas enquanto priorizar a pauta que vem priorizando. E qual é a pauta? Reforma trabalhista e reforma previdenciária – essa é a pauta prioritária do Governo.
Nós não estamos aqui a debater uma reforma tributária. Não: nós estamos aqui debatendo reforma previdenciária, cujo único objetivo não é atacar os abusos e os absurdos que envolvem o sistema previdenciário brasileiro, como, por exemplo, a isenção fiscal para parcela importante do empresariado brasileiro. Não, nisso não se toca, apenas se retiram direitos dos trabalhadores, como o direito de uma aposentadoria digna, porque passam pela proposta a exigir 49 anos de contribuição para que o trabalhador possa ter o direito a se aposentar e, mesmo assim, sem o salário integral.
Então, está aqui o resultado. Por que a gente vê tanta notícia de que tudo está ficando bom, tudo está melhorando? É por conta disto: para fazer o contraponto, Senador Paim. O contraponto é essa pesquisa que mostra como vem crescendo a desaprovação do Governo do Presidente Michel Temer.
No auge da crise da Presidenta Dilma, no auge do processo de impeachment, que não foi impeachment, de golpe aqui, a Presidenta Dilma chegou a alcançar também uma desaprovação de aproximadamente 80%, ou seja, este Governo está muito próximo disso. E, agora, quem pergunta a ele somos nós, quem fala somos nós, porque, se entrarmos na outra pergunta, e vermos, e analisarmos a resposta, o que nós vemos? Apenas 10% consideram o Governo positivo, somente 10%.
E eu me lembro que, quando a Presidenta Dilma tinha esse mesmo índice dos que consideravam o governo positivo, eles perguntavam: "Não pode. Como é que um governo pode governar se alcança um índice de positividade de apenas 10%?" Era isto que diziam da Presidenta Dilma: que não podia continuar governando quem tinha um governo considerado positivo por apenas 10% da população.
Pois bem, questionado sobre a avaliação do Governo do Presidente Michel Temer, qual é a avaliação? Dez por cento somente da população considera o Governo positivo – 10%, contra 14,5% na rodada do mês de outubro de 2016, ou seja, uma avaliação em queda, Senador Garibaldi Alves – em queda.
Repito: no mês de outubro, 14,5% da população brasileira consideravam positivo o Governo de Michel Temer. Agora, 10%. Então, eu é que faço a pergunta: como um governo consegue se sustentar com apenas a consideração positiva de 10% da população?
O Sr. Lindbergh Farias (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RJ) – V. Exª me concede um aparte?
A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) – Pois não. Pois não, Senador. Eu concedo. Agora, antes de conceder o aparte, quero dizer a V. Exª que a perspectiva também é muito ruim. A perspectiva da população é de que está piorando a situação da saúde, piorando a situação da segurança e aí por diante.
Senador.
O Sr. Lindbergh Farias (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RJ) – Senadora Vanessa, primeiro, quero cumprimentar V. Exª. V. Exª pegou muito bem a parte da pesquisa que fala sobre o fracasso do Governo Temer, a avaliação do Governo Temer. Só que tem uma outra parte da pesquisa, que é extremamente importante, que é o Lula liderando em todos os cenários. Com uma diferença muito grande. Olha o primeiro cenário, Senadora Vanessa: Lula, 30,5%; Marina, 11,8%.
(Soa a campainha.)
O Sr. Lindbergh Farias (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RJ) – Bolsonaro, 11,3%; Aécio, 10,1%. Bolsonaro na frente do Aécio.
A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) – E o Michel Temer?
O Sr. Lindbergh Farias (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RJ) – Michel Temer, esse aqui... Eu, sinceramente... A imagem de Michel Temer é tanto desgaste. É algo que considero fora. Não há chance nenhuma no processo eleitoral. Mas vamos ao cenário 2: Lula, 31,8%; Marina, 12%; Bolsonaro, 11%; Alckmin 9%. E por aí vai. Na espontânea: Lula, 16%; Bolsonaro, 6%; Aécio, 2%; Marina, 1,8%. Ganha em todos os cenários no segundo turno. Contra o Temer, 42 a 19. Contra Aécio, 39 a 26. Contra Marina, 38 a 27. Isso aqui, para mim, tem alguma coisa... Tem várias questões importantes. Primeiro, a liderança do Lula, que eu quero comentar. Segundo, o fato do Bolsonaro ter crescido e ter ultrapassado o PSDB. Agora, o maior derrotado em todo esse processo aqui, Senadora, é o PSDB. Se teve um partido que perdeu com o golpe que eles articularam no País, foram eles. O Aécio tinha 35%.
(Soa a campainha.)
O Sr. Lindbergh Farias (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RJ) – Agora tem 10%. Estão atrás de Bolsonaro. Fizeram tudo isto: paralisaram o País; criaram essa crise; não deixaram a Dilma governar e estão pagando o preço pela irresponsabilidade deles. E tem mais uma coisa: sabe por que estão perdendo do Bolsonaro? Porque fizeram passeata junto com eles e não demarcaram campo. Fizeram passeata junto com o pessoal que defendia intervenção militar. Eles tinham que ter demarcado campo com quem faz um discurso de extrema direita como esse. Mas não. Agora, eu encerro dizendo o seguinte: o crescimento de Lula é algo impressionante. É impressionante neste momento do massacre midiático contra ele. O povo brasileiro percebe, porque tem na sua memória. Teve uma pesquisa do Valor Econômico, que falava de pesquisa qualitativa, e eles diagnosticaram uma saudade do Lula, uma nostalgia do Lula. Claro que tem afeto com Lula, mas tem mais, tem a memória daquele momento: foi o período em que o País mais cresceu; foi o período que mais teve inclusão, e agora eles estão desfazendo tudo. O povo brasileiro não é bobo. Eu acho, sinceramente – eu tenho falado isso muito no meu Partido –, que o Presidente Lula está enfrentando um momento difícil com a morte da D. Marisa, mas eu sou um defensor de que, em abril e maio, a gente lance a candidatura de Lula a Presidente da República, com um plano para fazer o Brasil crescer e proteger empregos, como ele fez em 2008/2009. Naquele momento, ele ampliou os investimentos públicos em obras, investimentos sociais; fez a Petrobras investir no País; colocou os bancos públicos como alavanca de desenvolvimento. Eu acho que Lula sabe fazer isso muito bem.
(Soa a campainha.)
O Sr. Lindbergh Farias (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RJ) – Num momento de desesperança, ele vai viajar este País vendendo esperança, mostrando que é possível fazer este Brasil crescer. Muito obrigado, Senadora Vanessa.
A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) – Eu agradeço o aparte e o incorporo ao meu pronunciamento, Senador Lindbergh.
Quero aqui dizer que não apenas existe esse sentimento de saudosismo, mas institutos como o IBGE e outros têm mostrado que o período do presidente Lula foi o melhor momento para a Nação e para o povo brasileiro das três últimas décadas. Por quê? Porque havia efetivamente uma política de inclusão social. Muitos podem dizer: "Mas o Presidente Lula teve sorte, ele passou a governar o Brasil num momento de boom da economia tanto interno quanto do ponto de vista externo". Mas eu já vi também outros governos governarem, atuarem em momentos bons da economia, e a população brasileira não ser tão beneficiada, Senador Lindbergh. Então, de fato, o que diferenciou o governo do Presidente Lula dos demais governos foi o fato de ele ter permitido e iniciado um processo de inclusão social; de interiorização das universidades, das escolas técnicas federais; de programas importantes como o ProUni, o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida, o Luz para Todos. Isso é o que diferencia os governos, o que diferenciou o governo do Presidente Lula dos outros governos; não beneficiou aquela camada já beneficiada da sociedade.
Agora, lamentavelmente, o que nós podemos deduzir – e V. Exª, quando faz o aparte, levanta uma questão muito grave – é o crescimento de candidaturas como as do Deputado Jair Bolsonaro, que não tem o menor respeito, nunca teve, pelos direitos humanos; que foi à rua, Senador Paim – e concedo um aparte a V. Exª –, ajudar a levantar as faixas que pediam intervenção militar no Brasil. Nós não podemos permitir, mesmo num momento de crise, mesmo no momento de descrédito por que passa a política brasileira, de ceticismo por parte da população, que cresça esse sentimento antidemocrático. Porque é verdade, quem recorda com saudosismo o governo militar no Brasil está dizendo...
(Interrupção do som.)
A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) – ...está dizendo: a ditadura é melhor do que a democracia. E jamais a ditadura será melhor do que a democracia. Então, lamento que boa parte da população, até por conta da revolta que tem em relação à política e a tudo o que acontece no Brasil, tenha se voltado equivocadamente para esse lado.
Concedo, Senador Paim, um aparte a V. Exª, com a benevolência do nosso Presidente, e aí concluo.
O Sr. Paulo Paim (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RS) – Presidente Garibaldi, obrigado. Obrigado, Senadora Vanessa. Senadora, a imprensa me perguntava, questão de uma hora atrás, a quem eu debitava o crescimento explosivo do Presidente Lula, ultrapassando 30%. Quem está perto dele fica com 10%, 11%. Eu disse: ao Governo Temer, ao Governo Temer.
(Soa a campainha.)
O Sr. Paulo Paim (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RS) – Porque um governo que tem a ousadia de encaminhar uma proposta que acaba com a aposentadoria dos trabalhadores do presente e do futuro. Um Governo, Sr. Presidente... O senhor foi Ministro da Previdência, conhece bem a matéria. Eu achava que vinha uma reforma, mas não tão perversa como essa que veio aí. Sessenta e cinco anos! A pessoa vai se aposentar só com 70 anos.
Eu tenho 66 anos, com 12 anos eu já contribuía. Fiquei um tempo desempregado, fiz o meu cálculo e vai dar 70 anos. Dou o meu exemplo. Quarenta e nove anos de contribuição! A mulher vai ter que contribuir 20 anos a mais do que contribui hoje. E não bastasse isso, que é uma proposta irreal, cruel, ainda apresentou a reforma trabalhista, acabando com os direitos dos trabalhadores. E diz que agora está querendo aqui aprovar também um projeto que proíbe o direito de greve!
(Soa a campainha.)
O Sr. Paulo Paim (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RS) – Quer aprovar a terceirização sem a responsabilidade solidária. Aqui no Congresso, eles não pagam, Senadora Vanessa, os terceirizados – aqui no Senado e na Câmara também –, não pagam, mandam embora, fecham a empresa e não pagam. Há mais de dez empresas que fizeram isso. Ora, num cenário destes aqui: taxa de juros nunca vista na história e continua subindo; o desemprego continua aumentando. Já falam em 20 milhões de desempregados. A crítica era de 11 milhões; agora falam em 20. Só pode despencar! Eu duvido... Eu sempre digo que político tem dois olhares permanentes: um pé no Parlamento, mas o outro nas ruas. Os Parlamentares estão vendo o que está acontecendo, essa indignação do povo brasileiro. E isso aponta, com certeza, Sr. Presidente, que quem entrar nesse barco furado dessas duas reformas terá uma enorme dificuldade em voltar em 2018...
(Soa a campainha.)
O Sr. Paulo Paim (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - RS) – Eu não tenho bola de cristal. Por isso, o sinal está dado agora: o Presidente Lula decola mediante o desastre que é o governo atual. Parabéns, Senadora Vanessa, por trazer este debate ao plenário do Senado.
A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) – Eu agradeço o aparte de V. Exª, Senador, e ao Senador Garibaldi, que está sendo benevolente. Prometo concluir assim que se extinguir a marcação, Senador.
Mas quero dizer que, de fato, Senador Paim, nós vivemos momentos difíceis. Eu creio que algumas pessoas não têm a exata noção do que acontece no País. Nós vivemos um momento preocupante. O Presidente Temer acabou de tomar a decisão, nesses últimos dias, de que as Forças Armadas deverão intervir e agir em qualquer lugar que tenha problema de segurança. A desculpa para isso é enfrentar os motins? Não. Nós estamos vendo o que está acontecendo no Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro, não é motim de presídio ou de presidiário. Não.
(Soa a campainha.)
A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) – No Rio de Janeiro, é a população, são os servidores públicos revoltados, porque não recebem salários. São os servidores públicos revoltados, porque, da noite para o dia, querem privatizar a Cedae, a companhia de água e saneamento. É por isso que aqueles trabalhadores estão nas ruas. Não tem baderneiro na rua, não tem Black Blocs; tem gente lutando pelo seu direito, tem gente lutando pelo seu emprego, pelo seu salário.
(Soa a campainha.)
A SRª VANESSA GRAZZIOTIN (Bloco Socialismo e Democracia/PCdoB - AM) – Então, é esse o momento que estamos vivendo no País, um momento delicado. E o Congresso Nacional tem que ter a exata noção do que está acontecendo.
V. Exª imagine duas reformas acontecendo ao mesmo tempo: a reforma trabalhista e a reforma previdenciária. O que significa isso? Acabar com a CLT? O que significa a reforma previdenciária? A retirada de direitos. Vamos fazer a reforma tributária primeiro e não a reforma previdenciária. Vamos cobrar imposto de quem não paga tributo neste País, que são os ricos. É disso que o Brasil precisa; e não retirar o pouco dos direitos que têm os nossos trabalhadores.
Muito obrigada, Senador Garibaldi.