Autor
Elmano Férrer (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/PI)
Data
16/08/2017
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pronunciamento 

    O SR. ELMANO FÉRRER (PMDB - PI. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Agradeço a V. Exª, ao tempo em que queria fazer um pronunciamento com relação ao aniversário da nossa cidade, Teresina.

    Então, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, hoje, 16 de agosto de 2017, eu não poderia deixar de ocupar esta tribuna para parabenizar a minha capital Teresina, do meu Estado do Piauí, que hoje completa 165 anos.

    Teresina, criada em 1852, a partir do sonho de José Antônio Saraiva, Presidente da Província do Piauí, foi a primeira capital planejada do Brasil. Depois dela, vieram Belo Horizonte, em 1897; Goiânia, em 1933; Brasília, em 1960 e, finalmente, Palmas, em 1989.

    Conselheiro Saraiva, como era conhecido, nasceu em 1823, em Santo Amaro, na Bahia. Em 1846, formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito de São Paulo e, em 1850, aos 27 anos, foi nomeado Presidente da Província do Piauí pelo Imperador D. Pedro II.

    Após deixar a Província do Piauí, em 1853, Saraiva presidiu as províncias de Alagoas, São Paulo e Pernambuco.

    Foi Ministro da Marinha, dos Negócios do Império, das Relações Exteriores e da Fazenda, e também Senador, em 1890. Falecendo em 1895, aos 72 anos, na cidade de Salvador.

    O plano de Saraiva, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, foi transferir a capital da Província de Oeiras, cidade fundada em 1761 e isolada do interior da Província, para um local às margens do Rio Parnaíba, mais central e mais estratégico, para desenvolver o comércio e explorar a navegação.

    A nova capital provincial não ficou no coração do Sertão, mas também não desceu para o litoral. Foi erguida numa zona intermediária, ribeirinha, conectada com o mundo pela navegação e bem próxima da cidade de Caxias, no Maranhão, de quem amealharia grande parte do vigor de seus negócios.

    Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, a nova capital ficaria mais próxima da cidade de Parnaíba, criada em 1844, no litoral, na desembocadura do Rio Parnaíba. Desse modo, nas palavras do próprio Conselheiro Saraiva, a nova capital poderia "servir melhor ao desenvolvimento da navegação e gozar do grande benefício da facilidade de suas relações políticas e comerciais com a Corte e todos os centros de civilização do Império".

    O nome da cidade foi uma homenagem à Imperatriz Teresa Cristina Maria de Bourbon, que teria defendido junto ao marido, o Imperador Pedro II, a mudança da nossa capital. Teresina, Sr. Presidente, é o diminutivo de Teresa em italiano, idioma nativo da Imperatriz. Um nome bonito, musical, eternizado na bela canção Cajuína, de Caetano Veloso.

    Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, apesar de concebida em meados do século XIX, durante o Brasil Império, o traçado urbano de Teresina é moderno. Ela tem a forma de um tabuleiro de xadrez e é abraçada por dois rios: o Rio Parnaíba e o Rio Poty.

    Poucas cidades do mundo têm a sorte de serem abraçadas por dois importantes rios como os nossos, que se juntam na Zona Norte da cidade, quando o Poty deságua nas águas do Rio Parnaíba, compondo um cenário de rara beleza conhecido localmente como encontro dos rios.

    O crescimento de Teresina nos anos seguintes à sua fundação apontou o sucesso da decisão de Saraiva: em 1872, ano do primeiro censo nacional do IBGE, Teresina, com apenas 20 anos, já tinha 21.692 habitantes, aproximadamente o mesmo contingente de capitais litorâneas bem mais antigas, como Natal, João Pessoa e Maceió e bem superior a Aracaju, com 9.559 habitantes, segundo o registro do IBGE no anuário do ano 2000.

    Teresina, Sr. Presidente, é a única capital do Nordeste localizada no interior, a 343 quilômetros do litoral. Tem uma população estimada de 847.430 habitantes. Está conurbada com a cidade maranhense de Timon, separadas ou unidas pelo rio Parnaíba, compõe ali a Região Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina (Ride) que aglomera 14 Municípios e uma população em torno de 1,2 milhão de habitantes sob sua área de influência.

     Sr. Presidente, Teresina é uma cidade bem estruturada, alegre, povo hospitaleiro, centro regional de prestação de serviços no Meio­Norte do Brasil, especialmente nas áreas de saúde e educação. Nos rankings das melhores escolas do País, Teresina sempre figura nas primeiras posições. Se há concursos nacionais, de outro lado, os teresinenses são presença constante entre os aprovados. Hoje, Teresina conta com 30 instituições de ensino superior, além das universidades públicas, federal e estadual e Instituto Federal de Educação. Os serviços de saúde, Sr. Presidente, são hoje uma referência e, por que não dizer, excelência, no Norte e Nordeste brasileiros.

    Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, o capital humano é, sem dúvida, o maior patrimônio da cidade, responsável pelo empreendedorismo emergente que faz com que ideias brotem nos diferentes segmentos da nossa economia, mas Teresina, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, enfrenta inúmeros desafios como, por exemplo, sua dependência econômica em relação ao setor público; indicadores de investimentos insatisfatórios em sua infraestrutura básica, como seu baixo índice de cobertura de esgotamento sanitário, que é o último lugar das capitais do nordeste, além da necessidade de intervenções em mobilidade urbana, um sério problema enfrentado por muitos teresinenses.

    Somos, Sr. Presidente, a única capital nordestina cujas rodovias de acesso ainda não são duplicadas, como muitas capitais do Nordeste do Brasil, não obstante as obras iniciadas de pequenos trechos nas BRs 316 e 343, mas, para nossa tristeza, custeadas por recursos do Tesouro estadual. Essas, Sr. Presidente, têm sido algumas das minhas bandeiras desde 2010, quando tive a honra, a oportunidade de ser Prefeito da nossa capital, e continuam a ser hoje prioridades não só minhas, mas da própria Bancada Federal com assento aqui, neste Congresso Nacional.

    De outra parte, o Aeroporto de Teresina também é um indicativo da necessidade premente de intervenções. Quando foi implantado, éramos menos de 100 mil habitantes, mas hoje a Grande Teresina ultrapassa 1 milhão de pessoas. Adequar e ampliar o Aeroporto Petrônio Portella é imprescindível.

    Com o crescimento da cidade e de seu entorno, num futuro não muito distante será necessária a construção de outro aeroporto, que atenda a todas as necessidades regionais, quais sejam: negócios, importações e exportações, turismo e multimodalidade com outros meios de transporte.

    Mas como não amar Teresina, Sr. Presidente? Cheguei àquela cidade em 16 de abril de 1966, vindo do Ceará, para exercer minhas atividades profissionais como técnico da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Empreendi, trabalhei muito, exerci cargos públicos, constituí família, tive filhos e netas, criei laços afetivos e profissionais, fui Vice-Prefeito e Prefeito da cidade. Hoje sou um cidadão teresinense cheio de orgulho e amor por aquela cidade.

    Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, a matéria-prima que faz de Teresina uma cidade tão especial é o talento natural dos seus filhos, que herdaram de Saraiva a capacidade de ousar e superar obstáculos.

    Da mesma forma, eu não poderia, Sr. Presidente, deixar de registrar nesta sessão o aniversário de 173 anos da cidade de Parnaíba, comemorado no último dia 14, ocasião em que fui agraciado pelo Prefeito Mão Santa, que passou por esta Casa e também governou o Estado do Piauí, com a medalha do Mérito Municipal.

    Parnaíba, Sr. Presidente, a segunda maior cidade do Piauí, tem uma população estimada em 150 mil habitantes. Com seu enorme potencial turístico, é carinhosamente conhecida como Capital do Delta do Parnaíba, o único em mar aberto das Américas.

    Parnaíba, Sr. Presidente, tem localização estratégica, entre Jericoacoara, no Ceará, e os Lençóis Maranhenses, compondo, com os demais Municípios litorâneos, o belíssimo e ainda pouco explorado roteiro turístico chamado de Rota das Emoções.

    Parnaíba também se destaca pela inteligência, pela coragem e competência de sua gente. Entre tantos piauienses ilustres, podemos destacar o jurista Evandro Lins e Silva, ex-Procurador da República e Ministro do Supremo Tribunal Federal; João Paulo dos Reis Velloso, economista, Ministro do Planejamento da década de 70; o escritor Assis Brasil; os ex-Governadores e ex-Senadores Chagas Rodrigues, Alberto Silva e Francisco de Assis de Moraes Souza, o Mão Santa – todos eles passaram por esta Casa. Aliás, o Mão Santa está como Prefeito, ou seja, como iniciou sua carreira política. Eu gostaria também de citar o ex-Governador Antonio José de Moraes Souza Filho.

    Sr. Presidente, encerro essas minhas palavras deixando um carinhoso abraço a todos os teresinenses e parnaibanos pelo aniversário dessas duas adoráveis cidades do nosso querido Piauí, que tão bem representam as características, as qualidades e as vocações virtuosas do povo piauiense.

    Eram essas, Sr. Presidente, as palavras que tínhamos a pronunciar na noite de hoje.

    O SR. PRESIDENTE (Ivo Cassol. Bloco Parlamentar Democracia Progressista/PP - RO) – Obrigado, nosso colega e parceiro, Senador Elmano.

    Eu gostaria que V. Exª levasse um abraço ao nosso ex-Senador Mão Santa e, ao mesmo tempo, à sua família. Foi uma pessoa que eu conheci há muitos anos, na época em que – fiz agora há pouco o meu discurso – ele era Senador da República e me defendeu muito, como Governador, naquele momento, naquela época difícil quando eu combatia a corrupção no Estado de Rondônia. Então, leve o meu abraço ao Mão Santa, como é conhecido; e que, quando estiver a Brasília, venha me visitar. Eu devo muito a ele, porque foi uma pessoa que me ajudou muito no momento mais difícil.

    O SR. ELMANO FÉRRER (PMDB - PI) – Com muita alegria levarei a mensagem de V. Exª.

    Agradeço.

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