Autor
Elmano Férrer (PMDB - Movimento Democrático Brasileiro/PI)
Data
19/10/2017
Casa
Senado Federal 
Tipo
Pronunciamento 

    O SR. ELMANO FÉRRER (PMDB - PI. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, hoje comemoramos a data cívica do nosso Estado. Por sua importância histórica, o dia 19 de outubro é festejado como o Dia do Piauí.

    Foi na cidade de Parnaíba, no dia 19 de outubro de 1822, que ocorreu o primeiro grito de independência do Brasil em território piauiense. O Dia do Piauí faz alusão ao primeiro ato do nosso Estado pela libertação do nosso País, quando parnaibanos, liderados por Simplício Dias da Silva, declararam a província independente da Coroa portuguesa.

    Aquele 19 de outubro, Sr. Presidente, foi o estopim para uma série de eventos que culminaram na Batalha do Jenipapo, a maior e mais sangrenta da história do Piauí. Ali, na vila de Campo Maior, em defesa da nossa Nação, as margens do Riacho Jenipapo foram tingidas de vermelho pelo sangue dos bravos piauienses, maranhenses e cearenses que, armados de paus, pedras e facões, enfrentaram heroicamente as tropas portuguesas comandadas pelo Major João José da Cunha Fidié.

    A história do Piauí, Sr. Presidente, entretanto, vem de muito antes.

    No nosso Estado encontram-se os vestígios mais antigos da presença do homem no continente americano, datados de cerca de 50 mil anos, no Parque Nacional da Serra da Capivara. Daí o apelido que a região recebeu, de berço do homem americano.

    Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, enquanto os demais Estados brasileiros foram ocupados a partir de suas praias, no Piauí a ocupação deu-se do interior para o litoral, principalmente a partir do século XVII, quando fazendas de gado se espalharam pelo Sertão nordestino, e portugueses oriundos da Bahia e de Pernambuco chegaram ao Sertão piauiense. Inevitavelmente, Sr. Presidente, este modelo infligiu ao Estado algumas dificuldades a mais em seu desenvolvimento.

    Nosso Piauí tem superado essas barreiras históricas e encontrado, à custa de grandes sacrifícios, o seu caminho, o seu jeito de crescer, de prosperar e de se desenvolver. Somos, entretanto, um povo com características bastante peculiares!

    Sr. Presidente, há poucos dias assisti a um vídeo do nosso João Cláudio Moreno, astro maior do humor piauiense. João Cláudio, Sr. Presidente, tem uma característica admirável: ele é tão genial fazendo graça quanto falando sério. Nesse vídeo, Sr. Presidente, ele pontua que nosso Estado tem um verdadeiro compromisso de originalidade maior e melhor que os demais Estados da Federação, e acredita que, dado o seu potencial, um dia o Piauí será uma referência cultural e econômica no País, e o que precisamos, sim, Sr. Presidente, é de mais autoestima, mais autodeterminação, mais autoconhecimento, mais estrutura agrária, uma economia mais inteligente e autossustentável, e mais educação sobretudo. E finaliza esse grande humor piauiense...

    O Sr. Hélio José  (PROS - DF) – Sr. Senador...

    O SR. ELMANO FÉRRER (PMDB - PI) – Pois não, nobre Senador Hélio José.

    O Sr. Hélio José  (PROS - DF) – Sr. Senador Elmano Férrer, V. Exª é um dos mais destacados Senadores desta Casa. O Piauí nos honra muito porque a população piauiense do Distrito Federal, e eu como Senador de Brasília não podia deixar de citar isso, é uma das maiores populações existente em nosso jovem Estado do Distrito Federal. Nós temos por volta de 400 mil piauienses no Distrito Federal. São pessoas egressas de várias cidades do seu Estado.

    Então hoje, dia 19 de outubro, dia da comemoração do aniversário do Estado do Piauí, é muito importante para mim e para todos os brasilienses, e para nós nos alegra ter V. Exª representando esse rico Estado em que falta realmente é ter mais oportunidades.

    É um rico Estado em condição energética solar, que pode fazer uma geração de energia solar fotovoltaica excepcional; um rico Estado em condições eólicas endométricas fundamentais. Já há a Usina de Pedra do Sal lá em Parnaína, que é uma grande fonte de energia eólica. É um rico Estado com grande produção de alimentos – carnes e outros alimentos também, como, por exemplo, o coco babaçu, etc; um Estado que tem um rio maravilhoso, que é o Rio Parnaíba, que corta o Estado de fora a fora, ladeando o Maranhão; e um Estado que traz um povo generoso, um povo maravilhoso, que tem aqui, nesta Casa, V. Exª, como falei, o Senador Ciro Nogueira e a Senadora Regina Sousa, que é amiga de todos nós e que nos orgulha. Então, quero congratular-me com V. Exª, com os milhares de piauienses que moram no Distrito Federal e dizer que me orgulho muito de ser parceiro e amigo de V. Exª nesta Casa e também amigo do povo piauiense. Muito obrigado, Excelência. E parabéns por essa deferência.

    O SR. ELMANO FÉRRER (PMDB - PI) – Agradeço a generosidade de V. Exª e lembro que muitos piauienses e nordestinos vieram para Brasília, no final da década de 1950, quando este Planalto Central era uma solidão, como disse Juscelino. Vieram para cá, tangidos pelas dificuldades, pela inclemência muitas vezes da seca. Não só piauienses, mas cearenses, nordestinos de outros Estados do Nordeste vieram contribuir com seu trabalho, na busca de emprego e de trabalho, fugindo das adversidades não só do Piauí, mas do Semiárido nordestino.

    Eu incorporo o aparte de V. Exª ao nosso pronunciamento.

    Finaliza esse humorista, João Cláudio Moreno, dizendo acreditar que um dia nós, piauienses, vamos chegar lá, pois vivemos em uma terra essencialmente diferente, em uma terra muito original.

    Sr. Presidente, eu particularmente comungo, meu nobre Senador Hélio José, em gênero, número e grau desses pensamentos do nosso humorista, mas também um intelectual piauiense, João Cláudio, sobre o nosso Estado. Somos, de outra parte, um povo abençoado, um povo honesto, inteligente, um povo amigo, hospitaleiro e, sobretudo, um povo trabalhador.

    Temos solos férteis, potencial de geração de energia solar, como disse V. Exª, e energia eólica.

    Por falar em energia fotovoltaica, no próximo ano, uma empresa que V. Exª conhece, uma empresa de âmbito internacional, que é a Enel Power, deverá inaugurar o maior parque de energia fotovoltaica da América Latina, energia solar, com 292MW, o que traduz a potencialidade do Estado em energias alternativas, quer a energia eólica, quer, de outro lado, a energia solar.

    Então, Sr. Presidente, além de nossos solos férteis, como dizia anteriormente, há esse potencial energético importantíssimo para o futuro – não para o futuro, mas para o presente do nosso Estado.

    Nossa região, Sr. Presidente, causa inveja a qualquer outra região do globo terrestre no que se refere à energia solar, sobretudo porque temos mais de 3 mil horas de sol durante os 365 dias do ano.

    Temos também, Sr. Presidente, atrações turísticas fantásticas, com destaque para o Delta do Parnaíba, sítios arqueológicos riquíssimos, gigantescos aquíferos subterrâneos de excepcional qualidade de suas águas, imensas jazidas minerais praticamente ainda inexploradas. Nosso povo e nossas riquezas naturais nos permitem sonhar com voos bem mais altos no cenário nacional.

    Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, precisamos destacar que, nas últimas décadas, nosso Estado conseguiu expandir sua matriz econômica para além de suas vocações históricas, basicamente a agropecuária de subsistência.

    Atualmente, o Piauí cresce nas áreas de serviços, indústria e agronegócios, educação, saúde e geração de energia, conforme referi anteriormente. Como exemplo deste fato, podemos citar a já enorme matriz de energia eólica no Estado, hoje com capacidade instalada de 1 giga, de 1.160 megawatts, valor que será duplicado até o ano de 2020.

    Também merece destaque, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, a inauguração que vamos ter no próximo mês no Município de Ribeira do Piauí, do que disse anteriormente, da maior usina de energia fotovoltaica da América Latina, um empreendimento de investimento superior a R$1 bilhão, que ocupa 690 hectares de terra com placas solares, que vão gerar, como disse anteriormente, 292 megawatts anualmente, capacidade superior à usina que V. Exª, nobre Senador Hélio José, conhece, que é a Barragem de Boa Esperança, que gera atualmente 237 megawatts.

    Ainda que tardio, Sr. Presidente, é inegável o gradual desenvolvimento das potencialidades do nosso Estado. Porém o Piauí ainda padece de desenvolvimento econômico e, sobretudo, de justiça social. Não obstante os avanços, nosso Estado mantém baixos níveis de desenvolvimento frente a muitos Estados da Federação brasileira.

    O Piauí precisa de muito mais, meus nobres e estimados Senadores e Senadoras, e isto passa necessariamente por uma maior atenção por parte do Governo central. Há muito, tenho repetido que o Governo Federal tem uma dívida histórica com o Piauí. O nosso Estado tem ficado à margem tem ficado à margem dos grandes investimentos federais. Aliás, não é só o Estado do Piauí. Muitos outros Estados do Nordeste e Norte do Brasil têm ficado à margem dos grandes investimentos feitos em outras áreas do nosso território. Principalmente, precisamos de investimentos federais em saneamento, abastecimento de água, distribuição de energia, saúde, ensino básico e superior, segurança pública, logística, mobilidade urbana, estradas, portos e aeroportos. Essa é uma triste constatação, mas muitas mazelas vividas pelo povo piauiense decorrem do esquecimento a que sempre fomos relegados.

    Precisamos do apoio do Governo Federal no resgate dessa dívida. Por isso, temos envidado esforços junto à administração/na busca de investimentos para diversas ações que trarão dignidade, segurança e qualidade de vida ao povo piauiense.

    Sr. Presidente, Srªs e Sr. Senadores, é com esta motivação, por exemplo, que conseguimos os recursos para a elaboração dos estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental da Adutora do Sertão. Esses estudos já estão em desenvolvimento na Codevasf, são o primeiro passo para a possível implantação de uma imensa, grande e importante adutora que poderá transportar água de excepcional qualidade dos aquíferos subterrâneos do Vale do Gurgueia para mais de 51 cidades, com uma população de 660 mil piauienses, livrando-nos da dependência de carros-pipa ou de caminhadas quilométricas de pessoas que buscam água muitas vezes inservível para o consumo humano. Uma vez implantada, essa adutora representará o fim do problema secular da sede no sertão, especialmente no Semiárido do nosso querido Piauí.

    O maior patrimônio, Sr. Presidente, de uma nação é o bem-estar do seu povo. Por isso, neste festivo dia do Piauí, estas foram as palavras que escolhi para, nesta Casa e no Estado do Piauí, provocar uma reflexão sobre quem somos e o que queremos para nosso futuro!

    Obrigado, Sr. Presidente, e parabéns a todos os piauienses por nosso dia, por nossa história e por nossa grandeza!

    Eram essas as palavras, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, que queríamos pronunciar no dia de hoje, consagrado à independência do nosso Estado.

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