Autor
Gleisi Hoffmann (PT - Partido dos Trabalhadores/PR)
Data
08/11/2017
Casa
Senado Federal 
Tipo
Para discursar 

    A SRª GLEISI HOFFMANN (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PR. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão da oradora.) – Obrigada.

    Senadora Rose, que preside esta sessão, Srs. Senadores, Srªs Senadoras, quem nos ouve pela Rádio Senado e nos assiste pela TV Senado e também pelas redes sociais, eu queria falar de duas notícias muito ruins, alarmantes, que hoje circulam na imprensa. Aliás, todos os dias, nós estamos tendo notícias ruins para o povo brasileiro, mas eu acho que essas devem ter por nossa parte uma atenção especial.

    A primeira se refere ao aumento do botijão de gás de cozinha. O botijão subiu novamente 6,5% a partir de ontem. O problema é que, desde que este Governo do Michel Temer assumiu – este Governo que os Senadores aprovaram aqui, tiraram a Dilma para ele entrar, esse mesmo golpista –, o aumento do botijão de gás ultrapassa 66%. Vou repetir: desde que esse golpista assumiu, colocado por este Senado no Palácio do Planalto, o botijão de gás já subiu mais de 66% e está na faixa de R$90.

    Eu falar isso aqui no Senado pode não ter impacto nenhum, pois R$90 para os Senadores não é algo relevante – acho que V. Exªs nunca nem compraram um botijão de gás, não sabem nem onde se encomenda um botijão de gás –, mas R$90 para uma família que ganha dois salários mínimos ou dois salários e meio representam muito, representando mais de 6% da renda dessa família.

    Eu lembro que, quando o Presidente Lula assumiu a Presidência da República em 2003, muita gente não tinha dinheiro para comprar botijão de gás. Nós tínhamos fome no Brasil, uma pobreza imensa, e as pessoas faziam fogo em fogareiros com serragem, com pedaço de madeira para poder cozinhar o seu alimento. E uma das coisas que o Presidente Lula fez, e prometeu isto na campanha, foi deixar mais barato o botijão de gás e congelar o preço, para que as famílias de baixa renda pudessem adquirir um botijão de gás e cozinhar decentemente o seu alimento. Pois bem, durante 11 anos, o botijão de gás aqui no Brasil custou menos de R$15. Foram 11 anos. As pessoas se lembram disso de que estou falando, quem é mais velho se lembra disso. Durante 11 anos, o preço do botijão de gás ficou menos que R$15. "Ah, mas isso foi uma política artificial do Presidente Lula?" Não, não foi. Primeiro, o Presidente Lula tomou uma decisão que é muito importante: a decisão de que não iria fazer a recomposição dos preços de gás e de combustível pelo preço internacional do petróleo. E por que isso era importante? Porque isso não podia atrelar nossa economia. Se sobe o petróleo, o combustível num determinado núcleo produtor, ele vai ter que subir no Brasil, mesmo que não precise? Ele tomou esta decisão: "Não vou alinhar. Gás de cozinha, botijão de gás, não vou alinhar". E ajudou com subsídio, sim.

    Isso foi uma decisão política, uma decisão política importante que melhorou a vida de milhões de brasileiros, que fez com que as pessoas tivessem decência para cozinhar o seu alimento, evitando o uso de fogareiro, de queimar serragem ou de fazer com madeira. Foram milhões de famílias que foram beneficiadas.

    Esse Governo agora também usa a política de subsídios, mas não é para milhões de famílias brasileiras. É para poucas. Por exemplo, esse Governo que está agora recentemente perdoou uma dívida de um banco, do Itaú, de R$25 bilhões, R$25 bilhões.

    Esse Governo que está aí mandou aqui, para este Senado, que ajudou a botar esse Governo que está aí, um projeto de lei dando perdão de 90% das multas para os empresários que estavam devendo para o Fisco.

    Esse Governo que está aí, que foi colocado por este Senado, também mandou um projeto de lei aqui perdoando dívidas, parte das dívidas dos ruralistas com o Funrural.

    Agora, esse Governo que está aí é incapaz de segurar um aumento do botijão de gás. Vou repetir aqui, o botijão de gás de cozinha – que os senhores não compram, eu sei disso; quando muito, terceirizam, pedem que a pessoa que trabalha na casa de V. Exªs compre – está custando R$90. Isso corresponde a 6% da renda de uma família que ganha um pouco mais de dois salários mínimos, que é a imensa maioria do povo brasileiro.

    E nós vamos fazer o quê? Assistir a isso? Não vamos votar nada aqui que seja de interdição desses aumentos abusivos? Vamos deixar isso acontecer? E a Petrobras sendo vendida na bacia das almas para as empresas estrangeiras.

    Pois é, esse mesmo Governo que está aí, golpista, que chegou lá no Palácio do Planalto com a ajuda deste Senado, também tem aumentado a gasolina. Agora, nos últimos dois meses, o aumento foi de quase 20%.

    Michel Temer já deu mais de oito aumentos da gasolina. Não está nem aí, não é? Ele não está nem aí com a produção do País, ele quer resolver o problema do sistema financeiro.

    Esse Governo que está aí também aumentou a luz. Se você pega conta de luz, conta do botijão, você tem um comprometimento de renda das pessoas que ganham até dois salários mínimos, dois e meio, de mais de 11%. Os senhores sabem o que é um comprometimento de renda de 11% dos salários dos senhores?

    Nós vamos ficar quietos olhando isso? Que tipo de Senado nós somos? Nós estamos representando o que aqui? Para que viemos para cá? Para olhar o botijão de gás de cozinha subir 66% e não dizermos nada, para a gasolina subir o que está subindo e nós não dizermos nada?

    Mas a notícia ruim não para por aí, há outra. O Governo mandou, através do seu Ministro da Saúde, o Sr. Ricardo Barros, um projeto de lei aqui, para o Congresso Nacional, para aumentar o plano de saúde dos idosos.

    Não sei se V. Exªs sabem, mas o Estatuto do Idoso proíbe o aumento por idade dos planos de saúde. Nós temos dois tipos de reajuste para plano de saúde: o anual, em que todo ano se reajusta o plano daqueles que pagam; e o por idade, conforme a pessoa vai envelhecendo, o plano vai aumentando. Dizem as seguradoras, as prestadoras de serviço que é pelo risco que corre. A pessoa fica mais tempo doente ou fica mais doente.

    Pois bem, o Estatuto do Idoso, desde 2004, veta essa possibilidade de aumentar por idade, aumentar a partir dos 60 anos, para proteger principalmente as pessoas que precisam de um plano, que não são ricas e que optaram por não atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde) e quiseram fazer um plano.

(Interrupção do som.)

    A SRª GLEISI HOFFMANN (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PR) – O Ministro da Saúde, que é uma pessoa bem de vida – eu o conheço, é Deputado Federal do meu Estado o Ministro Ricardo Barros – e que com certeza não tem problema em aumentar plano de saúde, está propondo que haja reajuste por idade.

    Veja, é mais um atentado contra a pessoa idosa, porque, na semana passada, já houve o atentado do BPC. Na semana passada, não; há, desde julho de 2016, um cadastro. Estão chamando para recadastrar quem ganha Benefício da Prestação Continuada, que é um salário mínimo: as pessoas com deficiência e os idosos pobres. Mas não se divulga, então nem 10% estão se recadastrando, vão perder esse dinheiro.

    Agora vão cortar o plano de saúde ou vão aumentar o plano de saúde para as pessoas idosas – viu, Ministro da Saúde? Que vergonha isso. E um aumento sem precedentes no botijão de gás de cozinha...

(Soa a campainha.)

    A SRª GLEISI HOFFMANN (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PR) – ... assim como está havendo também na gasolina, assim como está havendo também na conta de luz.

    Que Governo é esse? Esse foi o Governo que os senhores colocaram lá. Tiraram a Dilma e os senhores disseram que ia melhorar.

    Quantos Senadores subiram aqui, fazendo o discurso entusiasmado de que tudo ia melhorar. Tudo piorou para o povo. Tudo piorou para o povo mais pobre deste País – não só para o mais pobre, mas para o povo de classe média também, porque a educação está sendo desestruturada.

    Vamos ter decência, Senadores. Nós temos que fazer alguma coisa, para não deixar isso continuar acontecendo. Não é possível que continuemos vendo a pobreza ser massacrada no nosso País. Nós temos que nos levantar contra esse Governo, que só tem um compromisso: com o andar de cima da sociedade.