Discurso durante a 130ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Defesa da necessidade de governabilidade do Presidente da República, eleito para o progresso do nação brasileira.

Autor
Guaracy Silveira (DC - Democracia Cristã/TO)
Nome completo: Guaracy Batista da Silveira
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
ELEIÇÕES E PARTIDOS POLITICOS:
  • Defesa da necessidade de governabilidade do Presidente da República, eleito para o progresso do nação brasileira.
Aparteantes
Cristovam Buarque.
Publicação
Publicação no DSF de 08/11/2018 - Página 52
Assunto
Outros > ELEIÇÕES E PARTIDOS POLITICOS
Indexação
  • DEFESA, UNIÃO, PAIS, MOTIVO, CRIAÇÃO, SITUAÇÃO, GESTÃO, ATUAÇÃO, GOVERNO, JAIR BOLSONARO, FUTURO, PRESIDENTE DA REPUBLICA, ENFASE, ESCOLHA, POPULAÇÃO, AUSENCIA, CORRUPÇÃO, APARELHAMENTO, ESTADO, ENSINO, PREOCUPAÇÃO, IDEOLOGIA.

    O SR. GUARACY SILVEIRA (DC - TO. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Srs. Senadores, cumprimento aqui da tribuna um dos homens que mais têm abrilhantado este Senado, o Senador Cristovam, modelo de cultura e educação, homem a quem o Brasil deve muito.

    Quero cumprimentar o Governador Cid Gomes, homem corajoso, desbravador. Aliás, não sei se o Cid é de Pirassununga ou é do... Aliás, de Pindamonhangaba ou de... Ah, V. Exa. é do Ceará. Está certo. É o Governador Ciro que é de Pindamonhangaba.

    E cumprimento também o meu amigo, o Senador Randolfe. Ele, à esquerda; e a gente, mais à direita, mas nada impede de sermos grandes amigos.

    Companheiros, eu vejo com preocupação, Senador Randolfe, um Brasil desunido, um Brasil que se separa em mais do que um grupo.

    No dia em que a Presidente Dilma foi eleita em 2014, naquele mesmo dia, eu elaborei um artigo em que escrevi: "Dilma foi eleita Presidente. Portanto, é dever de todo cristão orar por ela".

    Pois assim diz a palavra de Deus: 1 Timóteo: 2.1: "Exorto, pois, antes de tudo que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças por todos os homens, 2. pelos governantes [...], e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e sossegada, em toda a piedade e honestidade".

    Portanto, nós somos exortados – esta é uma Nação majoritariamente cristã, mas, é lógico, existem também os que não são cristãos, mas uma Nação de gente boa – a abençoar nossas autoridades, mas eu vejo preocupado o que acontece hoje no Brasil, porque fica uma torcida para que as coisas não deem certo. Isso deixa muito a desejar.

    Nós temos uma obrigação com quem quer que seja o nosso Presidente, que nós o tenhamos apoiado ou não, mas a Nação brasileira é mais importante do que qualquer um de nós. Um dia, certamente, todos nós passaremos, porque como carnais não somos eternos, mas, enquanto aqui estivermos, vamos procurar fazer o bem a todos. Esse é o nosso dever. Nós não temos o direito de sermos injustos com ninguém e é muito ruim tentar dividir o País, Senador Cristovam: "Aqueles são meus, aqueles não o são, aqueles estão comigo". Não. Vamos nos somar. Vamos nos somar.

    Bolsonaro foi eleito. Ele é Presidente de todos os brasileiros, quer tenhamos votado nele ou não tenhamos votado, mas, se um governo não tiver governabilidade, é a Nação que sofre, é a Nação que padece, é a Nação que pode ser destruída.

    Meus amigos, meus companheiros, minha gente do Brasil, o patriota americano, herói de guerra, Senador e candidato a Presidente dos Estados Unidos John McCain, em 2008, após perder a eleição presidencial para Barack Obama, mandou ao Presidente eleito a seguinte mensagem: "Senhor Presidente, a eleição terminou e fostes vencedor. Portanto, és hoje o meu presidente, como de todos os que são americanos e os que aqui vivem. Conte comigo para o progresso da América". Essa, senhores, Nação brasileira e classe política, é a atitude distinta de um patriota, de um democrata, de um cristão e de um ser humano.

    Mas que desilusão tenho eu ver atitudes insanas, desequilibradas, apátridas, as infâmias de parte de uma mídia, de políticos e de partidos políticos, talvez em consequência do que perderam ou do que perderão, pois a maioria desses combatentes, desse exército do "quanto pior melhor", só está tendo um sentimento matemático: quanto perderam ou quanto ainda perderão. Não existe nessa coordenada ação destrutiva nenhum altruísmo. Ou pior: é uma ação desprovida de qualquer sentimento que pode enobrecer a espécie humana, mas, sim, que desnuda os mais vis interesses pessoais e corporativos.

    Tenho ouvido, pasmado, desvirtuados discursos em que, num exercício de distorções matemáticas, as pessoas afirmam que Bolsonaro foi rejeitado por 90 milhões de brasileiros.

    Mas vamos às verdades indesmentíveis pela exata ciência: o que de fato houve como resultado da eleição presidencial foram 160 milhões de brasileiros presentes ou representados que disseram um rotundo "não" aos que governam o Brasil desde 2003.

    Os brasileiros disseram num som retumbante: "Não queremos mais corrupção, não queremos mais o aparelhamento político do Estado, não queremos mais o imoral patrocínio estatal a serviço da destruição cristã e familiar, não aceitamos mais o viés ideológico implantado em nossas escolas, não queremos mais um partido que se comporte como dono do País, não aceitamos mais dizer que o 'Estado é laico' quando se fala em cristianização, mas, ao mesmo tempo, fomentar o ensino do ateísmo e de outras religiões em nome da cultura".

    Os brasileiros democraticamente aceitam ter qualquer partido e até um partido qualquer, mas claramente proclamaram que não aceitam que o Brasil seja de um partido. Não aceitaremos jamais a indigna pretensão de um partido ser o senhor desta Nação.

    Invoco neste momento a carta testamento do Presidente Getúlio Vargas, que diz em um dos seus trechos: "a Nação da qual eu fui escravo nunca mais será escrava de ninguém". Em 2018, a Nação brasileira autoproclamou a sua alforria. Nunca mais seremos escravos de um partido político.

    Tal qual um saci, sobrevive hoje com uma só perna o PT, sustentado talvez nas dificuldades de nossos irmãos nordestinos, pois, em 14 anos de governo, não gerou uma só ação libertária estruturante que tivesse potencial de gerar emprego, trabalho e renda para a sofrida região. Preferiu politicamente a sustentação simplesmente por uma Bolsa Família.

    Mas lembremos a história, e eu recorro à história. O Senador Cristovam deve lembrar isso, porque é um homem que conhece a história do Brasil e sabe: em 1982, acabou-se o PDS praticamente em toda a República brasileira; ficou sustentado apenas nos Estados nordestinos.

    Lembro o prefácio do Manifesto do Partido Comunista de Karl Marx: "A história se repete pela primeira vez como drama ou tragédia. A segunda vez, como farsa".

    Nós libertaremos o Nordeste. O Nordeste não será escravizado por nenhum coronelismo, nem por Bolsa Família. O Nordeste será livre, o progresso e o desenvolvimento que temos o dever de implementar – com a ajuda de Deus faremos isso – será a alforria definitiva para a brava gente nordestina. Queremos dar aos nossos irmãos nordestinos...

(Soa a campainha.)

    O SR. GUARACY SILVEIRA (DC - TO) – ... todo o poder de prosperidade. Mais um momento, Senadora, para concluir. E isso só será conquistado por um povo livre e independente, e dono do seu destino.

    Temos que mudar o impuro ideário político, pois a política deve ser a forma de exercer o poder para abençoar a Nação, e não a forma de sustentarmos vaidades e ambições.

    Faço um apelo aos políticos brasileiros e à grande mídia: amem o Brasil. Vamos respeitar a soberana vontade demonstrada pela Nação em 7 e também em 28 de outubro: deem tempo ao Presidente eleito para que ele monte seu governo, para que implemente seus projetos, reordene os caminhos, e vamos torcer juntos para que o Brasil dê certo.

    Se, de início, falhar, vamos ajudá-lo a corrigir os rumos, vamos dar estabilidade. Mas se ele fizer um governo desastroso, daqui a quatro anos trocamos. Se caminhar por caminhos escusos, não terá nosso apoio, pois 80% dos verdadeiros cristãos e pessoas de bem brasileiras votaram por um Brasil melhor. Cristãos e pessoas de bem também zelam pela moral, pela decência, pela honestidade, pela competência, pela família, pela propriedade e pela fé.

    E os cristãos verdadeiros não darão sustentação a nenhum bandido, a nenhum imoral, a nenhum devasso. Não temos bandidos de estimação.

    Mas o momento é de trégua, é momento de quem ama o Brasil altruisticamente, autenticamente, estender as mãos e dizer: se é para o bem do Brasil, estamos juntos, conte comigo.

    Mas não dar apoio, não dar sustentação, não dar governabilidade antes de o governo se iniciar é simplesmente vindita, é simplesmente inveja, é simplesmente ciúmes, vingança, em suma, sentimentos miúdos, tacanhos, atitudes que não dignificam a espécie humana.

    O Estado brasileiro é mais importante que todos nós, mas a Nação brasileira, essa é muito mais importante que o Estado e que todos nós. Portanto, enquanto temos tempo e oportunidade, façamos o bem a todos.

(Soa a campainha.)

    O SR. GUARACY SILVEIRA (DC - TO) – Para concluir.

    O Estado brasileiro e a Nação estão acima de tudo, mas Deus, logicamente, está acima de tudo, de todo o universo, é o único acima de todos eles. E Ele, do alto de sua eternidade, nos contempla.

    E saibamos todos nós que, queiramos ou não, prestaremos contas à história e muito mais a Deus.

    Que os que honram e temem ao único Deus e Senhor sejam alcançados pela graça do Senhor Jesus.

    Deus abençoe a Nação brasileira. Deus abençoe a todos.

    Obrigado.

    A SRª PRESIDENTE (Vanessa Grazziotin. Bloco Parlamentar Democracia e Cidadania/PCdoB - AM) – Pois não, Senador.

    Quer fazer um aparte, Senador Cristovam?

    Pois não.

    O Sr. Cristovam Buarque (Bloco Parlamentar Democracia e Cidadania/PPS - DF) – Um curto aparte ao Senador Guaracy, lembrando que nós precisamos de mais discursos falando de unidade no Brasil. Fico feliz de ver a sua fala em defesa da unidade.

    Nós precisamos fazer uma autocrítica, todos nós. Nós somos responsáveis pela divisão do Brasil. Nós fizemos política tentando atender corporações, grupos, pessoas às vezes, até individualmente, até com corrupção, em vez de ter um discurso para o conjunto da Nação brasileira. Com isso, ficamos sem coesão social e sem rumo histórico. Somos um país em que não há uma coesão hoje; como o senhor bem falou, o País está dividido.

    E não é só a divisão entre Bolsonaro e não Bolsonaro. Do lado do Bolsonaro há divisões, do lado do não Bolsonaro está todo mundo dividido. Além disso, não é só a divisão política, há a divisão de interesses, de grupos, e cada um querendo o seu. Estamos sem liga – os jovens falam isto: "não deu liga". "Não deu liga" quer dizer que não conseguimos costurar uma unidade. Este talvez seja o maior desafio dos próximos anos, obviamente começando pelo Presidente da República novo, mas todos nós, cidadãos e cidadãs deste País, devemos ter como grande desafio a ideia de criar uma liga que nos dê coesão e que formule o futuro.

    E fico feliz de ver o senhor falando, porque traz algo em que já toquei aqui. O novo Presidente está chegando ainda. Não votei nele, mas é o Presidente de todos, como o senhor disse. Eu espero até que ele, de fato, se comporte como de todos, como ele tem dito, aliás.

    Agora eu já vejo grupos se organizando para ser oposição, e eu creio que uma oposição séria, e a democracia precisa... Nós, se pensarmos em ser oposição, devemos começar com a oposição a nós próprios, fazendo uma autocrítica. Onde é que nós erramos? Que erro cometemos? Por que é que o Bolsonaro foi eleito? Temos que começar olhando para nós próprios. Onde erramos? A partir daí, depois disso, devemos nos perguntar qual é o Brasil que queremos. Só então fazer oposição, se o Bolsonaro quiser um Brasil diferente daquele que a gente quer.

    Mas já começar pela oposição eu acho uma temeridade, sobretudo depois de tantos erros que nós cometemos. Por isso, eu fico feliz de ouvir o seu discurso e não perco a oportunidade de dizer isso: quem pensar em ser oposição deve começar pensando por que chegamos a esse ponto, por que queremos ser oposição. Oposição a quê? Para fazer que Brasil? Esse discurso está faltando nos que hoje já querem organizar a oposição: onde erramos, que Brasil queremos e por que discordamos do Brasil que o Deputado Bolsonaro propõe. É isso que eu tinha para falar, a partir da provocação que o seu discurso me fez ao trazer a palavra "unidade" para a tribuna. Esse é o nosso desafio: retomar a coesão neste País e definir um rumo para o nosso futuro.

(Interrupção do som.)

    O SR. GUARACY SILVEIRA (DC - TO) – Senador Cristovam, o senhor ter me aparteado... (Fora do microfone.)

    Um momento só, para eu concluir – ... é uma honra, e talvez todo neófito aqui almejasse ser aparteado pelo senhor. Isso me honra muito. Estão inseridas suas palavras em meu pronunciamento. Muito obrigado, e que Deus abençoe a Nação brasileira. Muito obrigado a todos, meu abraço a todos. Muito obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 08/11/2018 - Página 52