Pela Liderança durante a Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Exposição da grave situação social e econômica enfrentada por grande parte da população brasileira. Argumentação sobre quais devem ser as prioridades do Congresso Nacional para o benefício do País.

Destaque à intervenção federal no Estado de Roraima e ao projeto, de autoria de S. Exª, que prevê a criação da primeira universidade indígena no Brasil.

Autor
Telmário Mota (PROS - Partido Republicano da Ordem Social/RR)
Nome completo: Telmário Mota de Oliveira
Casa
Senado Federal
Tipo
Pela Liderança
Resumo por assunto
DESENVOLVIMENTO REGIONAL:
  • Exposição da grave situação social e econômica enfrentada por grande parte da população brasileira. Argumentação sobre quais devem ser as prioridades do Congresso Nacional para o benefício do País.
EDUCAÇÃO:
  • Destaque à intervenção federal no Estado de Roraima e ao projeto, de autoria de S. Exª, que prevê a criação da primeira universidade indígena no Brasil.
Aparteantes
Jorge Kajuru.
Publicação
Publicação no DSF de 08/02/2019 - Página 41
Assuntos
Outros > DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Outros > EDUCAÇÃO
Indexação
  • COMENTARIO, SITUAÇÃO, CRISE, POPULAÇÃO, DEFICIENCIA, POLITICA SOCIAL, ECONOMIA, QUESTIONAMENTO, PRIORIDADE, PAUTA, CONGRESSO, BENEFICIO, SOCIEDADE.
  • COMENTARIO, CRISE, INTERVENÇÃO FEDERAL, ESTADO DE RORAIMA (RR), REGISTRO, PROJETO DE LEI, AUTORIA, ORADOR, CRIAÇÃO, UNIVERSIDADE, INDIO.

    O SR. TELMÁRIO MOTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PROS - RR. Pela Liderança.) – Sr. Presidente Senador Izalci, Srs. Senadores, Sras. Senadoras, telespectadores e telespectadoras da TV Senado, ouvintes da Rádio Senado, primeiro eu quero parabenizar V. Exa., Sr. Presidente, pela condução do trabalho e toda a Mesa que ontem foi eleita nesta Casa. Com certeza é nesse sentido hoje que nós vamos proferir aqui o nosso trabalho, o nosso discurso.

    Então, Sr. Presidente, Srs. Senadores, Sras. Senadoras, este será o meu primeiro discurso no Senado Federal nesta nova Legislatura, Senadora Leila. Por isso, não vou falar hoje de conjuntura política e de denúncias. Também não vou falar dos muitos projetos que estou estudando com minha equipe para levar para Roraima e para o Brasil. Neste primeiro discurso de 2019, quero falar de Brasil e da situação grave pela qual está passando o nosso povo, especialmente o mais humilde.

    Sr. Presidente, graças a Deus, graças a muitas pessoas que nos ajudaram, tivemos sucesso profissional, material e familiar. O Brasil é uma bênção para os brasileiros que hoje têm uma boa casa, um bom emprego, educação, saúde, cultura e lazer. Mas isso não vale para todos, Senadora Leila, nem mesmo para a maioria. A grande maioria sobrevive diante de uma grave crise econômica. Portanto, Srs. Senadores e Sras. Senadoras, quero falar daqueles brasileiros que nos elegeram, mas que não têm as oportunidades que nós temos.

    Esses brasileiros que nos elegeram são ricos em esperança, alegria e fé. Eles depositaram sua fé na gente como seus representantes. Esses brasileiros são ricos em muitas coisas, porém, Sr. Presidente, são carentes de bens materiais, conforto, segurança, lazer, saúde e educação. Assim vive a maioria do nosso povo. É dessa maioria que eu quero falar, porque estou aqui para trabalhar para ela. Estou aqui para servi-los com muito prazer e dedicação.

    Sr. Presidente, telespectadores, infelizmente esses brasileiros estão sofrendo muito. Vou trazer para vocês alguns números que fazem doer o coração.

    Temos hoje, Senador Luis Carlos, do Rio Grande do Sul, elevado número de desemprego: 13 milhões de pessoas desempregadas – 13 milhões de pessoas desempregadas –; 8 milhões de pessoas desistiram de procurar emprego – são os desalentados, aqueles que resolveram ficar em casa mantidos por outros membros da família –; 6 milhões de brasileiros estão vivendo de bicos eventuais. No total, Sr. Presidente, Srs. Senadores, 27 milhões de brasileiros não encontraram renda ou trabalho fixo.

    Violência e insegurança. Há violência e insegurança. Quase 60 mil pessoas foram assassinadas no ano passado. Qual é a guerra que mata tanto? Você sabe o que isso significa? A pior taxa do mundo! A pior taxa do mundo.

    Falhas na educação. Ah, se há falhas na educação: 12 milhões de analfabetos, 38 milhões de analfabetos funcionais, 2 milhões de crianças estão fora da escola!

    Há, Senador Kajuru, pobreza? Quinze milhões de pessoas estão na extrema pobreza.

    Carência de acesso aos serviços públicos. Um milhão de residências não têm energia elétrica, estão na escuridão. Há, Senador Nelsinho, aproximadamente, 5 milhões de pessoas na escuridão; 100 milhões de pessoas, metade da população, não têm acesso a saneamento básico, não têm saúde; quase 1 milhão de pessoas estão na fila do SUS esperando por cirurgia.

    Sr. Presidente, Srs. Senadores, Sras. Senadoras, eu pergunto: com todos esses dados que lhes trago, quais são as prioridades deste Congresso como representante desse povo? A quem devemos servir como prioridade? O que devemos buscar atender primeiro? Seriam os bancos? Seriam os rentistas? Ou seriam as nossas crianças? Seriam as financeiras que vendem planos de previdência? Ou seriam os idosos, os aposentados? E o trabalhador? Eles estão em primeiro lugar em nossas preocupações? Será que estamos pensando neles? Seriam essas perguntas óbvias?

    Caros telespectadores da TV Senado, quero trazer algumas reflexões. Nos últimos anos, passamos por um dos períodos mais graves da nossa história, a confiança do povo em seus representantes políticos atingiu o nível mínimo, vivemos em meio a uma séria crise política, econômica e social.

    Eu quero terminar o meu discurso perguntando aos meus queridos e nobre colegas: quais devem ser nossas prioridades para este ano legislativo? Será o pobre, a maioria do povo brasileiro, ou serão os rentistas, os bancos, os bilionários?

    Eu confio no povo brasileiro e espero que esta Casa saiba responder às perguntas. Eu confio que esta Casa saberá atender sua missão constitucional de zelar pelos interesses nacionais, que são os interesses dos brasileiros mais carentes do nosso País.

    Sr. Presidente, Srs. Senadores, Sras. Senadoras, Roraima acaba de sair de uma intervenção federal, meu Estado natal e meu Estado querido. Nosso Estado passa pela maior crise da sua história, mas eu vejo motivo para termos esperança. Aqui, no Congresso, pela primeira vez na história, nossa bancada está unida, unida com o objetivo único de estabelecer o diálogo entre o Estado e o Governo Federal. Somente assim, Senador Kajuru, poderemos solucionar os inúmeros problemas que assolam o meu Estado de Roraima.

    Prezados senhores e senhoras telespectadoras, Senadores e Senadoras, meu nobre Presidente, podemos seguir esse exemplo de união para solucionar também os problemas nacionais. Vamos devolver emprego, vamos dar segurança, vamos estabelecer a educação, porque quando se dá educação se dá liberdade, se dá dignidade ao nosso povo; quando se tira educação, quando se tira liberdade, você dá estagnação.

    Vamos devolver a saúde, que tanto é importante para o povo brasileiro. A esperança do povo de Roraima é a esperança do povo brasileiro. O povo depende de nós. Ele deve ser a nossa prioridade.

    Portanto, eu convoco esta Casa, os novos Senadores, que saíram quentinhos das urnas, com o calor do sentimento do povo brasileiro. Vamos nos unir, vamos dar as mãos na reconstrução desta Nação, que tanto vai nos orgulhar.

    Com a palavra, Senador Kajuru.

    O Sr. Jorge Kajuru (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - GO) – Senador Telmário Mota, primeiro, uma curiosidade: o senhor é médico-cirurgião?

    O SR. TELMÁRIO MOTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PROS - RR) – Não, sou economista.

    O Sr. Jorge Kajuru (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - GO) – Economista. Porque seu pronunciamento é tão cirúrgico que chegou agora à questão da educação. Eu penso que educação é prioridade; o resto é perfumaria. Disse a V. Exa. aqui, junto com minha irmã, honradíssima Leila Barros, Senadora.

    Agora, eu quero, rapidamente, me dirigir ao senhor, representante de Roraima, que tanto tem orgulho de V. Exa., que esse seu projeto de lei... Isto aqui é um diploma, na minha opinião.

    O SR. TELMÁRIO MOTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PROS - RR) – Recebeu?

    O Sr. Jorge Kajuru (Bloco Parlamentar Senado Independente/PSB - GO) – Recebi e estou lendo – com dificuldade, por causa da visão.

    Gente, Telmário Mota, projeto de lei: terras Indígenas no Estado de Roraima, universidade indígena.

    Eu penso que a ignorância é a maior multinacional do mundo. Digo a V. Exa., eu não sou ignorante, não: esse seu projeto, quero ser o primeiro a assinar.

    Agradecidíssimo!

    O SR. TELMÁRIO MOTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PROS - RR) – Obrigado, Senador Kajuru. Muito obrigado! V. Exa., com esse gesto... Eu não esperaria outra coisa de V. Exa., homem da comunicação, do rádio, do sonho, da esperança.

    Vocês sabem que a população brasileira, por não ter, às vezes, o acesso – foi agora que as redes sociais democratizaram, Senadora Leila – aos políticos... Porque, normalmente, quando se ganha, eles têm o hábito de dizer que o político some. Eu nasci... Eu estou Senador... Eu sempre digo: este mandato não é meu, eu sou o agente político que ocupa o mandato do meu povo. Entrei aqui com as minhas mãos limpas e assim sairei. Não entrei aqui pelas mãos dos rentistas, de nenhum grupo político nem de um grupo financeiro. Sou filho de uma empregada doméstica com um vaqueiro, sentei num banco de escola aos 11 anos de idade, sou economista, sou contabilista, tenho vários outros cursos, mas nasci na humildade e nela quero prevalecer e morrer. Mas uma coisa é certa: a minha dignidade, a minha honestidade eu não vou entregar para ninguém. Então, tenho total independência de usar essa ferramenta que o povo me deu, que é a tribuna.

    V. Exa., Senador Kajuru, já tinha uma grande tribuna, que eram o rádio, a televisão – um grande profissional.

    A Senadora Leila, sem nenhuma dúvida, é uma dessas pessoas do Brasil privilegiadas pela sua inteligência, pela sua competência e por ser proativa. Sem nenhuma dúvida, um grande exemplo a ser seguido – e que aqui o povo do Distrito Federal soube reconhecer, para colocá-la aqui nesta Casa no momento em que nós tivemos uma baixa, pois nos reduzimos de 13 mulheres para 12. Mas, com muita competência, irão conduzir os trabalhos aqui.

    Então, essa universidade é a primeira universidade indígena no Brasil – em terras indígenas, no Município de Normandia, uma comunidade chamada Placas. Dali nascem o Município de Uiramutã, o Município de Normandia e o Município de Pacaraima, os três são terras indígenas – Raposa Serra do Sol e São Marcos.

    Hoje, indígenas, nós temos quase 100 mil no Estado de Roraima, em uma população de 500 mil; 46% das terras são áreas indígenas; e esse povo não quer mais um processo indigenista da exclusão: ele quer a inclusão social, a inclusão política, a inclusão econômica, porque hoje você não pode mais, para o índio, querer que ele viva da caça, da pesca – e isso não vai tirar os seus hábitos, os seus costumes; muito pelo contrário, vai fortalecê-los. E essa universidade vem para isto: dar um novo rumo, um novo norte, preparar o homem até para usar aquilo que está disponibilizado, que são as terras.

    Eu fico muito feliz em receber o apoio de V. Exa., e abraço essa manifestação de coração.

    Muito obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 08/02/2019 - Página 41