Pronunciamento de Humberto Costa em 12/02/2019
Discurso durante a 5ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Manifestação contra a condução dos trabalhos do Governo Federal. Expectativas em torno de uma melhor gestão do Presidente da República.
- Autor
- Humberto Costa (PT - Partido dos Trabalhadores/PE)
- Nome completo: Humberto Sérgio Costa Lima
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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GOVERNO FEDERAL:
- Manifestação contra a condução dos trabalhos do Governo Federal. Expectativas em torno de uma melhor gestão do Presidente da República.
- Publicação
- Publicação no DSF de 13/02/2019 - Página 20
- Assunto
- Outros > GOVERNO FEDERAL
- Indexação
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- CRITICA, GESTÃO, GOVERNO, JAIR BOLSONARO, PRESIDENTE DA REPUBLICA, MOTIVO, AUSENCIA, DIREÇÃO, ORGANIZAÇÃO, COMPETENCIA, MINISTRO, COMENTARIO, NECESSIDADE, ATUAÇÃO, OBJETIVO, ALTERAÇÃO, SITUAÇÃO, FALTA, PLANEJAMENTO.
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE. Para discursar.) – Muito obrigado, Senador.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores, telespectadores da TV Senado, ouvintes da Rádio Senado, internautas que nos acompanham pelas redes sociais, Sr. Presidente, o atual Governo teve início há quase 45 dias e, até agora, não se sabe a que veio.
Neste último mês e meio, o que se viu de fato foi um bate-cabeça sem fim, disputas intestinas e tantas idas e vindas em decisões tomadas que a soma total e final foi zero.
Uma imensa sensação de paralisia toma conta do Brasil, enquanto o atraso é a única coisa que avança.
O Presidente, que ainda parece em campanha, nada apresentou para debelar um resistente desemprego, consolidado na casa dos 13 milhões de brasileiros. Faz de conta que governa pelo Twitter e sua desconfiança com o Vice-Presidente e algumas pessoas que o cercam é tão grande que, nem mesmo internado, aceitou passar o bastão, deixando, nestes dias, o País num imenso vácuo de comando.
Esse primeiro mês foi uma continuidade da campanha de outubro. O inconstitucional decreto que facilita a posse de armas, num país que é campeão mundial em mortes por armas de fogo, é o exemplo mais bem-acabado desta jogatina eleitoral sem fim.
O mercado segue vendo essa administração com extrema reticência, porque ela é absolutamente sem norte.
O Presidente disse que ia aumentar impostos e foi desmentido por assessores. Sua primeira viagem internacional a Davos, na tentativa de vender essa sua fake news de um novo Brasil, foi um enorme vexame, um tremendo fiasco, como ademais todos os passos que temos dado em política externa.
O que nós estamos vendo são ações sistemáticas contra o direito dos trabalhadores e medidas extremamente danosas ao setor produtivo, como o fim das tarifas antidumping sobre a importação de leite em pó que o Presidente mandou derrubar, mas que todos estão dizendo que não é uma coisa simples, que envolve um largo tempo suficiente para quebrar a nossa cultura leiteira. E agora essa majoração de 58% nos pedágios das rodovias, que vai provocar uma alta direta do preço de combustíveis e alimentos.
É um Governo absolutamente sem bússola, errante, em que a Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos passa os dias dizendo aberrações e mentiras que causam constrangimentos internacionais. Ladeada em suas bobagens pelo Ministro da Educação, para quem o brasileiro turista é um bandido e universidade é uma instituição reservada somente à elite intelectual.
O Mais Médicos, Sr. Presidente, que atendia 70 milhões de brasileiros, foi praticamente extinto. O Farmácia Popular segue o mesmo caminho. E a grande novidade do Ministério da Saúde é reinstaurar manicômios e adotar práticas terapêuticas, em grande parte, superadas.
Todo dia é um show de horrores que parece interminável. E ainda temos para as próximas semanas essa reforma da previdência, que, da forma como está proposta, é um ataque brutal aos direitos dos trabalhadores, aposentados e pensionistas, e uma pauta de costumes absolutamente retrógrada.
Desde 1º de janeiro, o País está paralisado, em ponto morto. Quando faz um movimento, é para dar marcha à ré: retrocessos que remontam à época da ditadura. Basta ver, Sr. Presidente, a notícia não desmentida, ao contrário, confirmada, de que o Governo, por intermédio da Agência Brasileira de Informações, está espionando o trabalho de bispos, de padres da Igreja Católica, com o argumento de que a Igreja Católica faz coro com a esquerda, como se o Papa fosse comunista, como se os bispos fossem socialistas, como se estivéssemos na época da ditadura. E por que essa espionagem está sendo feita?
O argumento é de que a Igreja Católica promoverá em outubro um sínodo da Amazônia. Primeiro, a Amazônia não é uma região exclusiva do Brasil. Outros países latino-americanos têm a sua região amazônica. Portanto, o debate é mais amplo. Segundo, os chamados temas esquerdistas, pasmem, é o meio ambiente, é a questão indígena, é a questão quilombola. São temas universais, são temas da modernidade, a defesa desses direitos elementares dessas populações, a defesa do meio ambiente, tão castigado por repetidas tragédias e crimes ambientais, como foi o caso de Brumadinho.
E aí, vejam bem aqueles que nos estão ouvindo, vem S. Exa., arauto da inteligência e da cultura nacional, o Ministro das Relações Exteriores, desculpe a expressão vulgar, um verdadeiro bobo da corte – um verdadeiro bobo da corte –, que fica reproduzindo bobagens e diz que vai usar o episódio da prisão do Cesare Battisti para pedir à Itália para pressionar o Vaticano. Não é possível que esse cidadão não saiba que o Vaticano é um Estado independente, que a Itália não tem nenhuma ingerência sobre as decisões que o Vaticano toma, até porque o Vaticano tem as suas próprias instituições.
Ora, ou o Presidente da República dá um choque de arrumação neste Governo, elimina esses delírios que existem dentro da estrutura dos seus ministros, de outras pessoas, ou o Brasil vai cair na galhofa. Vai cair não, já caiu, mas vai se aprofundar na galhofa internacional.
É por isso, Sr. Presidente, que hoje faço esse pronunciamento mais para chamar a atenção, mais para mostrar ao Governo a necessidade de um choque de arrumação...
(Soa a campainha.)
O SR. HUMBERTO COSTA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PT - PE) – ... para que em muito breve o Governo não tenha contra si índices de avaliação tão ruins quanto teve Michel Temer. Quem não lembra? No comecinho, depois do golpe, a expectativa é de que tudo ia ser bom, mas o governo entrou numa roda-viva de acusações de corrupção, de problemas de incompetência, de decisões equivocadas, de posições internacionais inaceitáveis, e, de repente, se viu na situação de um governo absoluta e completamente sem poder, desmoralizado.
Como nós não queremos o quanto pior melhor, esperamos que o Presidente Bolsonaro efetivamente dê rumo ao Governo, comece a governar e comece a tratar dos temas de que o povo precisa, que é educação, que é saúde, que é emprego, que é moradia, que é a melhoria de vida, por dias melhores para todos nós.
Muito obrigado, Sr. Presidente, inclusive pela tolerância.