Discurso durante a 21ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Cobrança de um plano de recuperação econômica para o País, em benefício especialmente das mulheres, a maioria da população.

Críticas aos bancos estatais e privados devido a exorbitante cobrança de juros no cartão de crédito.

Autor
Zenaide Maia (PROS - Partido Republicano da Ordem Social/RN)
Nome completo: Zenaide Maia Calado Pereira dos Santos
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
ECONOMIA:
  • Cobrança de um plano de recuperação econômica para o País, em benefício especialmente das mulheres, a maioria da população.
ECONOMIA:
  • Críticas aos bancos estatais e privados devido a exorbitante cobrança de juros no cartão de crédito.
Publicação
Publicação no DSF de 14/03/2019 - Página 38
Assunto
Outros > ECONOMIA
Indexação
  • COMENTARIO, NECESSIDADE, REALIZAÇÃO, PLANO, ECONOMIA, OBJETIVO, CRESCIMENTO, PAIS, AUMENTO, OFERTA, EMPREGO, ENFASE, SITUAÇÃO, MULHER, REPRESENTANTE, MAIORIA, POPULAÇÃO, BRASIL.
  • CRITICA, INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, MOTIVO, COBRANÇA, EXCESSO, JUROS, CARTÃO DE CREDITO.

    A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PROS - RN. Para discursar.) – Queridos Senadores, é o seguinte: hoje nós nos inscrevemos – nós, as 12 mulheres – para falar sobre o Mês da Mulher, o dia, mais o mês, que deve ser o ano. E eu escolhi o seguinte: mulher empoderada é mulher que tem conhecimento. Então, por isso que o tema que escolhi, Sr. Presidente, é falar sobre economia e sobre tributação, e vi o nobre colega sair daqui já falando sobre a tributação.

    Não teria maior presente para nós, mulheres brasileiras, que somos mais de 50% da população, que nos fosse apresentado um projeto, um plano de recuperação da economia deste País, porque já estaria beneficiando a nós, que somos mais de 50%.

    E queria dizer o seguinte: infelizmente, a gente está vivendo um momento que é só de ajustes fiscais; não se fala em um plano econômico. E eu costumo dizer, porque eu conversava muito com pessoas agropecuaristas, quando era Deputada no ano passado, na Legislatura, que não é o momento que a gente vê agora. De repente, os trabalhadores e os servidores públicos são os vilões, são considerados os vilões. E eu gostaria de chamar a atenção para que mesmo os grandes, os megaempresários, só ficam ricos porque têm pessoas trabalhando para eles.

    Então, nós, esta Casa, o Congresso, como também os empresários deste País, que eu defendo, o setor que gera emprego e renda, mas tem que olhar por nossos trabalhadores, os nossos servidores, não como se eles fossem inimigos, como se o pouco direito que os trabalhadores têm fosse o motivo de uma queda da economia deste País, que não é. Você, para enricar, precisa botar gente para trabalhar para você. E não é aquela agricultora e aquele agricultor que estão no campo, com um chapéu na cabeça, colhendo frutas oito horas por dia, no mínimo, dando uma vida muitas vezes nababesca aos seus patrões, criando um patrimônio até sua décima geração, que são os vilões, Presidente.

    Nossos empresários têm que entender, como o nosso saudoso Zé Alencar já dizia, que os inimigos de nossas empresas são os juros, são os bancos, com lucros exorbitantes, permitindo que as famílias brasileiras e nós, mulheres, sejamos extorquidas, cobrando juros de cartão de crédito, de cheque especial, de até 300% ao ano. Isso é um absurdo! Então, enquanto os empresários de outros países conseguem recursos nos bancos a menos de 1% ao ano, aqui os nossos empresários pagam juro caro. E o que é que a gente vê? Os próprios bancos estatais com lucros grandes, como a Caixa Econômica, praticamente 12 bilhões. Estatal. Quer dizer, do povo. Criada para investir nos setores que geram emprego e renda.

    Aqui é uma mulher que está falando, porque, na hora em que estou falando isso, eu estou defendendo o emprego de mais de 50% da população. Em vez de investir na construção civil, que é quem gera emprego mais rápido, na agricultura familiar e em todos os outros projetos, porque isso é simples.

    Eu sou médica de formação, mas, se tira o poder de compra do trabalhador, você tira o poder de venda do comércio, você tira o poder de venda da indústria. E o Governo não arrecada, gente. Isso é um ciclo vicioso, e a gente tem que quebrar.

    Nenhum país sai de uma crise econômica sem o maior investidor, que se chama Estado brasileiro, não investir. Eu citaria aqui o exemplo dos Estados Unidos, em 2008. Quebrou literalmente a indústria automobilística e a construção civil. O que é que o Governo fez? Não tem nenhum banco fomentador. Tirou do tesouro nacional, na época, US$3 trilhões. Chamou empresas e bancos, 2% de carência e 1% ao ano. Agora, eu quero meus empregos de volta. Foi assim que saiu.

    Eu não tenho nada contra ajuste fiscal. Quanto à reforma da previdência, eu acho que começou pelo lado mais carente e vulnerável, que não vai resolver, porque, por exemplo, a insolvência dos Estados faz os ajustes fiscais, privatiza o que o Estado tem, mas se o Governo não alavancar a economia, no próximo ano, esses mesmos governadores vão estar aqui, pedindo socorro, com um agravamento: não há mais nenhum patrimônio para empenhar. Então, Zenaide aqui, como mulher, quero dizer que nós precisamos discutir economia e tributação. Eu queria saber dos colegas se já deram uma olhada na tributação solidária do Sindifisco brasileiro, que é onde eles mostram que os juros estão justamente na cadeia final, no produto de consumo, como foi mostrado agora. Isso é tão cruel, porque o mesmo imposto que eu pago com o meu salário de Senadora, numa lata de leite ninho, é o mesmo imposto, Presidente, que quem ganha um salário mínimo paga. Não se taxa lucros e dividendos neste País; tira-se dos trabalhadores. Então, como mais de 50%...

    Ouviu, Rose? Estou aqui falando da lista das mulheres, de economia e tributação, porque, quando a gente defende um plano econômico para gerar emprego e renda, a gente está defendendo as nossas mulheres do País também.

    Então, Sr. Presidente, quero dizer o seguinte: ninguém é contra. Alguém que esteja lesando a Previdência tem que ser punido, gente. Agora, a gente não pode desmanchar... Eu digo assim: vai chegar a um absurdo de, se você descobrir uma corrupção em alguma coisa... Na minha casa, por exemplo; se roubar a minha casa, em vez de prender o ladrão, tem que derrubar minha casa, para não ser mais roubada? Eu sou contra isso! A gente tem que apurar e punir quem fez o erro.

    Então, quero dizer aqui às mulheres do meu Estado, do Rio Grande do Norte, de Minas Gerais e de todo o Brasil, que Zenaide, Rose, essa Bancada que só são 12, mas a gente está aí: empoderar a mulher não é só dar emprego para ela ter a independência econômica – porque quem não tem a econômica não tem nenhuma independência –, mas é também empoderar com conhecimento sobre economia, tributação. E é para isso que nós estamos aqui.

    Muito obrigada, Sr. Presidente.

    A Sra. Rose de Freitas (Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - ES) – Senadora, permita-me um aparte antes de se retirar da tribuna?

    Presidente, com o seu consentimento.

    Primeiro, eu quero parabenizá-la pela excelente Senadora que é, pela grande responsabilidade que sempre demonstrou ter com as causas públicas, sobretudo com a luta das mulheres.

    E quero dizer que, quando fala do conhecimento, esse é um instrumento de poder. Informação é poder; conhecimento é poder. As mulheres precisam se assenhorar dessa atitude, como V. Exa. bem coloca.

    Nós temos mulheres fantásticas, Presidente Anastasia, no Brasil inteiro, em todas as áreas, administrando o setor privado, o setor público. Temos mulheres administrando a dura realidade de ser chefe de família.

    Então, eu quero parabenizá-la. Eu estou aqui, até ouvi a sua fala, vim para cá e falei: quero ter um momento para participar e, publicamente, dizer que o povo do seu Estado mandou uma guerreira, uma cuidadosa guerreira, generosa nas suas atitudes, comprometida com os seus atos, com o seu mandato.

    Eu quero parabenizá-la e falar que nós, hoje, vamos falar sobre mulher neste Plenário. E o depoimento aqui de V. Exa. só vem reforçar, estimular as mulheres, para que nós possamos estar unidas para mudar este País, em tudo: em relação...

(Soa a campainha.)

    A Sra. Rose de Freitas (Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PODE - ES) – ... às questões econômicas, sociais, e sobre a questão também da violência que assola o Brasil.

    Muito obrigada pelo aparte e parabéns!

    A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PROS - RN) – Obrigada, Rose.

    O SR. PRESIDENTE (Antonio Anastasia. Bloco Parlamentar PSDB/PODE/PSL/PSDB - MG) – Muito obrigado, eminente Senadora Zenaide Maia. Meus cumprimentos pelo pronunciamento!

    Aproveito, abusando da condição de Presidente, para cumprimentar as nossas mulheres Senadoras, a nossa Bancada feminina, aguerrida, trabalhadora e dedicada, na pessoa de V. Exa. e da Senadora Rose, e cumprimentar V. Exa. pelo pronunciamento muito apropriado e extremamente procedente.

    Muito obrigado e meus cumprimentos.

    Com a palavra, pela ordem de inscrição, o Senador Flávio Arns, da Rede do Estado do Paraná. Em seguida falará, pela Liderança do Podemos, o eminente Líder Senador Alvaro Dias.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 14/03/2019 - Página 38