Pronunciamento de Kátia Abreu em 18/02/2020
Discurso durante a 9ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Solidariedade às mulheres brasileiras, e pedido de tratamento digno a elas, em especial à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo.
- Autor
- Kátia Abreu (PDT - Partido Democrático Trabalhista/TO)
- Nome completo: Kátia Regina de Abreu
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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DIREITOS HUMANOS E MINORIAS:
- Solidariedade às mulheres brasileiras, e pedido de tratamento digno a elas, em especial à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo.
- Publicação
- Publicação no DSF de 19/02/2020 - Página 70
- Assunto
- Outros > DIREITOS HUMANOS E MINORIAS
- Indexação
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- SOLIDARIEDADE, MULHER, ENFASE, JORNALISTA, FOLHA DE S.PAULO, IMPRENSA, MOTIVO, DESRESPEITO, DIGNIDADE, OFENSA, INTIMIDADE SEXUAL.
A SRA. KÁTIA ABREU (Bloco Parlamentar Senado Independente/PDT - TO. Para discursar.) – Obrigada, Sr. Presidente, colegas Senadores.
Eu venho aqui, nesta tarde, para fazer a minha declaração de solidariedade às mulheres do Brasil, aquelas mulheres que, muitas vezes ou rotineiramente, são atacadas, agredidas, vilipendiadas, ofendidas, principalmente no que diz respeito à sua moral.
Graças a Deus, atualmente não se anda podendo falar da competência das mulheres. As mulheres, a cada dia, se destacam mais, fazem bonito, para todo mundo ver, em todos os lugares por onde passam; desde o mais humilde trabalho, o mais simples, de um trabalho remunerado com um salário mínimo, até uma executiva de uma grande empresa. As mulheres estão fazendo bonito pelo Brasil, e nós temos que agradecê-las por isso; nós temos que homenageá-las por isso; por esse trabalho que vem sendo feito, não apenas criando os filhos do Brasil, como mães, como avós, como esposas, mas também na vida profissional.
Sr. Presidente, eu não conheço a Jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo. Nunca tive o prazer de conhecê-la pessoalmente. Se conheço, pode ser, às vezes, de vista, aqui no Congresso Nacional. Mas não a conheço. Mas conheço a sua competência. Eu conheço a fama da sua competência. Mas, mesmo que ela não fosse competente, mesmo que ela não fizesse um bom trabalho como jornalista, ela não merecia passar pelo que está passando.
Essa moça tem pai, tem mãe, deve ter irmãos, familiares, marido ou namorado, eu não sei, companheiro ou companheira, eu não sei dizer. Mas, como mulher que ficou viúva aos 25 anos e que teve que ir para a luta da vida ainda jovem e conviver em um meio masculino, meio de produtores rurais, que são chamados e vistos por muitos como pessoas machistas, eu quero dizer, Sr. Presidente, que comecei como presidente de um sindicato rural da minha cidade de Gurupi, no Tocantins, e cheguei à Confederação Nacional da Agricultura, e cheguei ao Ministério da Agricultura. Nunca fui desonrada, humilhada e ofendida por um produtor rural, e muitos são chamados de machistas, trogloditas, truculentos.
Ao contrário dessa moça, que vive em uma sociedade urbana, de onde nós esperamos, de todos, categoria; que sejam investidos de categoria, de estirpe, de dignidade, de bom comportamento com as mulheres do Brasil.
Essa moça é brasileira, é uma de nós! Como é que nós podemos permitir – jornalista ou não, qualquer profissão – possa ser desrespeitada dessa forma? Mulheres do Brasil, não vamos permitir isso!
Nós não estamos numa disputa política, eleitoral. A eleição, agora, é para Prefeitos. A eleição majoritária ainda é em 2022. Não vamos fazer isso não... Nós estamos precisando dar exemplos positivos para a juventude! Nós precisamos dar exemplos positivos para as crianças, desde a pré-escola, desde a infância, menores ainda, porque o feminicídio, a agressão contra a mulher, é estimulada com esse tipo de comportamento que essa moça está sofrendo, que eu já sofri em algumas circunstâncias – não com produtores rurais. Jamais! Aqueles que o povo chama "da roça", e que "são toscos", e que "são machistas". Nunca fui agredida por um produtor rural. Mas o que essa moça está vivendo, milhões de mulheres neste País estão vivendo também, de forma anônima, silenciosa. E os representantes maiores da Nação – nós Senadores, Deputados, o Executivo, a Justiça – temos que dar exemplo de honradez e mostrar que as mulheres são honradas e merecem o nosso respeito.
Para que fazer isso com essa moça? O que é que estão ganhando com isso?
Ela está no exercício da sua profissão! Ela escolheu ser jornalista; ela escolheu investigar as suas matérias – como tantas outras!
Agora, homem, quando alguém fica com raiva de homem, de jornalista, ninguém fala da moral, ninguém fala da sua vida sexual, ninguém fala das suas coisas íntimas... Por que é que, no caso da mulher, todo mundo se vê no direito de poder ofender as suas questões pessoais, de querer humilhá-la e desonrá-la? Porque não pode falar que mulher é bandida, que mulher é ladra, que mulher é incompetente, porque normalmente não são! E o que anda sobrando, para falar das mulheres, é da sua vida sexual, é da sua vida amorosa, é da sua dignidade, da sua honra, e isso é coisa de país sub, sub, subdesenvolvido!
Eu quero um País subdesenvolvido? Não! Nós não queremos! Eu não quero um País desenvolvido, cheio de dinheiro no bolso; eu quero um País desenvolvido é na cabeça, no coração, na alma, e um País desenvolvido de verdade respeita os seus velhos, respeita os seus jovens, respeita as suas crianças, respeita as mulheres, respeita as adversidades, respeita as minorias! Muitos, na verdade, são maioria em número, mas são chamados de minoria, e pouca gente sabe disso.
As mulheres são uma minoria sim, na luta com relação aos seus direitos, mas são a maioria no número de habitantes deste País. Os negros deste País... Como são tratados com preconceito! Os homossexuais...
Nós podemos ter o nosso comportamento, a nossa escolha, mas nós temos que respeitar a escolha do outro. Quem somos nós para apontar o dedão no nariz de alguém, se Jesus Cristo, há 2 mil anos, num tempo difícil de se viver, num tempo cheio de preconceitos, e de desrespeito, e sem direitos humanos, enfrentou toda a adversidade, para amparar e estender a mão aos que mais precisam?
Na vida de Jesus Cristo, no Evangelho, as mulheres foram as mais prestigiadas, foram as mais citadas, mencionadas as suas histórias. E nós, 2 mil anos depois, ainda estamos apontando o dedo para as mulheres, elas merecendo isso?! O que é merecer? O que é merecer, eu pergunto a todos
Eu peço uma reflexão. Não vim aqui combater pessoas nem CPF de ninguém. Eu vim aqui pedir uma reflexão, como mulher, como mãe, como avó, como Senadora da República deste País, que eu tenho a honra de ser, representando o Tocantins.
Que nós, mulheres, não possamos rir e aplaudir determinadas atitudes! Que por uma questão de brio, de solidariedade, nós possamos defender as mulheres, que são nossas irmãs, nossas amigas, nossas companheiras brasileiras, porque cada uma delas, desde a mais pobre até a mais rica, merece ser tratada com dignidade, principalmente pelas autoridades do País.
Muito obrigada, Sr. Presidente.