Pela Liderança durante a 33ª Sessão Deliberativa Remota, no Senado Federal

Comentário acerca da atuação do Presidente da República no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), contrária ao protocolo da Organização Mundial de Saúde e ao Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Autor
Otto Alencar (PSD - Partido Social Democrático/BA)
Nome completo: Otto Roberto Mendonça de Alencar
Casa
Senado Federal
Tipo
Pela Liderança
Resumo por assunto
GOVERNO FEDERAL:
  • Comentário acerca da atuação do Presidente da República no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), contrária ao protocolo da Organização Mundial de Saúde e ao Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
Publicação
Publicação no DSF de 16/04/2020 - Página 90
Assunto
Outros > GOVERNO FEDERAL
Indexação
  • COMENTARIO, ATUAÇÃO, PRESIDENTE DA REPUBLICA, JAIR BOLSONARO, ORIENTAÇÃO, PANDEMIA, NOVO CORONAVIRUS (COVID-19), SAUDE PUBLICA, ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAUDE (OMS), MINISTRO DE ESTADO, MINISTERIO DA SAUDE (MS), ISOLAMENTO.
  • COMENTARIO, RECURSOS FINANCEIROS, ESTADOS, MUNICIPIOS, COMBATE, PANDEMIA, EQUIPAMENTOS, HOSPITAL, ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAUDE (OMS), UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA (UTI).

    O SR. OTTO ALENCAR (PSD - BA. Pela Liderança.) – Eu quero agradecer a V. Exa., meu prezado e querido amigo Senador Weverton. Realmente o Aú resolveria muitas questões agora.

    E, principalmente, há uma coisa que eu trago comigo há muito tempo: umas das grandes virtudes de um homem é, errando, reconhecer os seus erros. Essa virtude eu não vejo – e eu não vi em nenhum momento – no atual Presidente da República. Ele permanece no erro. O primeiro erro foi citar que as pessoas pudessem, de alguma forma – desconhecendo o protocolo da Organização Mundial da Saúde e do próprio Ministro da Saúde –, permanecer nas ruas, não fazendo a reclusão, o isolamento social tão necessário. E hoje eu percebo que já está para ser demitido o Ministro Luiz Henrique Mandetta. É um grande equívoco do Presidente da República. Ele vai perder toda a equipe que vem trabalhando, com conhecimento de causa, no combate ao coronavírus.

    É uma doença muito grave, que não escolhe onde vai ser grave ou onde vai ser moderada. Ninguém sabe qual é o paciente – e eu falo aqui como médico que sou, professor da Universidade Federal da Bahia por muitos anos – que vai ter menor ou maior sensibilidade.

    E essa doença precisa ser controlada. Enquanto não existir o medicamento curativo ou a vacina, ela vai ficar no ar, como está aí em vários locais do Brasil, contaminando as pessoas.

    Portanto, se tivesse hoje equilíbrio emocional e sentimento de defender o povo brasileiro, o Presidente da República deveria repensar o que ele deseja fazer: demitir e colocar um outro ministro. E não vai ser esse ministro só que foi exonerado, não; que vai ser exonerado, não, de forma incorreta, errada. Já são cinco ministros que deixaram o Governo em um ano e três meses e vários cargos de segundo escalão, mas de alto relevo, como o Diretor da Receita Federal, que foi também demitido, e mais 38 cargos de alto relevo.

    Portanto, eu falo agora com um sentimento de alguém que quer proteger a vida, que acha que a vida deve ser protegida, sobretudo das pessoas de menor poder aquisitivo, que dependem do Sistema Único de Saúde.

    E agora, Sr. Presidente, eu quero fazer um apelo. O projeto aprovado na Câmara veio para o Senado. Ele não vai ser apreciado agora. Conversei hoje com o Líder do Governo, Senador Fernando Bezerra, que me disse que vai editar uma medida provisória para que o dinheiro chegue aos Estados e aos Municípios, que não podem mais esperar. Não chegou dinheiro a quase lugar nenhum. Aqui na Bahia chegou R$147 milhões, para 15 milhões de pessoas. É importante que se proceda agora como o cirurgião: aquele que bota na sala, opera e resolve o problema do paciente. Não dá para esperar, pedir exame para chegar com seis meses, um ano. É agir rápido, porque, se não agirmos rápido, nós vamos ter uma expansão muito grande da epidemia. Já são várias mortes, em vários Estados do Brasil, sobretudo em São Paulo. Portanto, eu pretendo deixar este apelo ao Presidente Davi Alcolumbre, ao Líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra, ao Líder do Governo no Congresso Nacional, Eduardo Gomes, para que levem essa preocupação, que resolvam logo, que coloquem o dinheiro na ponta, nos hospitais, com mais UTIs, com mais respiradores, com a pesquisa que está se fazendo agora, para se encontrar uma saída, para não deixar morrer à míngua tantos brasileiros e trabalhadores brasileiros que precisam da assistência do Estado, Sr. Presidente.

    Esse é um apelo que eu faço, de coração, de alma, de alguém que passou a vida inteira salvando vidas e não gosta de ver o povo brasileiro ficar à mercê da falta de atendimento médico.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 16/04/2020 - Página 90