Pronunciamento de Nelsinho Trad em 15/03/2021
Discurso durante a 16ª Sessão de Debates Temáticos, no Senado Federal
Sessão de Debates Temáticos destinada a debater o uso de tratamento profilático no combate à Covid-19.
- Autor
- Nelsinho Trad (PSD - Partido Social Democrático/MS)
- Nome completo: Nelson Trad Filho
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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SAUDE:
- Sessão de Debates Temáticos destinada a debater o uso de tratamento profilático no combate à Covid-19.
- Publicação
- Publicação no DSF de 16/03/2021 - Página 36
- Assunto
- Outros > SAUDE
- Indexação
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- SESSÃO DE DEBATES TEMATICOS, DESTINAÇÃO, DISCUSSÃO, UTILIZAÇÃO, TRATAMENTO, PREVENÇÃO, COMBATE, PANDEMIA, NOVO CORONAVIRUS (COVID-19).
O SR. NELSINHO TRAD (PSD - MS. Para discursar.) – Bom dia a todos. Primeiramente, parabenizo o Senador Girão por esta iniciativa.
Gostaria de dizer a todos vocês que eu sou médico. Eu me formei no Rio de Janeiro, fiz cinco anos de residência, sou urologista e cirurgião-geral. Fui aluno, durante a Faculdade de Medicina – eu acho interessante falar isso, porque aprendi muito com esse cardiologista, que interpretava como ninguém eletrocardiograma e que chegou a passar pelo Congresso –, do Professor Enéas Ferreira Carneiro.
E eu quero parabenizar o Doutor Porto pela fala que acaba de se instalar na manhã deste dia de trabalho e dizer que, ao observar toda essa situação que nós estamos vivendo no País, também repudio e acho de uma ignorância total aqueles que querem, através do achismo, principalmente aqueles que não são médicos, orientar o que se deve fazer. Eu penso que, e isto eu aprendi na faculdade – e olha que foi um tempo grande para a gente poder assinar, atestar e carimbar uma orientação –, quem tem a legitimidade, o dever e a corresponsabilidade de orientar o seu paciente é o médico que ele procurou.
Nós estamos diante de uma situação que colocou todos nós de joelhos, que foi esse inimigo oculto, esse Covid.
Eu fui o segundo caso diagnosticado em Brasília. O segundo caso. Eu peguei naquele avião que foi lá para os Estados Unidos, na comitiva presidencial. Eu me lembro de que, num determinado dia da minha internação – eu fui internado e muito bem assistido aqui pelo Dr. Alexandre Cunha –, eu cheguei a pedir para ele colocar um soro para que eu pudesse, sob o ponto de vista psicológico, achar que eu estava tomando alguma coisa, porque não havia o que se fazer, não havia esses casos que – e, de forma própria, o neurocirurgião que acabou de falar acaba de testemunhar – se pudessem observar para poder avaliar qual a melhor conduta diante do paciente que você estava sendo manejado. Antes de saírem as drogas da disfunção erétil – esses que a gente, hoje, de forma larga, utiliza para os pacientes que têm esse problema –, cansei de manejar determinados medicamentos para poder ver qual era aquele que mais benefícios levava ao paciente que vinha atrás de mim solicitando auxílio. O médico existe para poder auxiliar, tirar o sofrimento e tentar estabelecer a cura. É lógico que, diante de uma situação como essa, com vários interesses atrás de cada situação falada, não se pode perder, de maneira alguma, a relação legítima que tem que haver entre o médico responsável e o paciente que veio até você na busca do alívio de seu sofrimento.
Então, eu estou aqui para aprender também com os colegas que têm mais casos do que eu no manejo do Covid. E digo a vocês que sou crente, crente naquele que tem uma casuística comprovada de manejo e cujo resultado, consequentemente, é positivo. Quero aprender com esses colegas, porque sou demandado dia após dia – porque eu não larguei ainda minha clínica, meu consultório – por pacientes com esse maldito vírus, porque o médico inspira uma confiança absoluta naquele que vem atrás de você. Ele fala: "Vou procurar o doutor tal porque nele eu confio; com ele eu vou ficar bom".
Então, essa politização na área da saúde... Eu fui Prefeito de Campo Grande, uma capital de 1 milhão de habitantes, e eu nunca deixei isso acontecer quando estive à frente do Executivo. Eu acho-a burra! Eu acho-a ridícula! Eu acho-a inconsequente! Nós temos que abraçar, sim, aqueles que estão na linha de frente dessa história, procurar ver qual é a estatística, a casuística de cada um e ir, através dela, tentando achar a luz para esse caminho.
Então, quero aqui parabenizar os colegas que com coragem conseguem se manifestar nesse sentido e dizer a vocês que a esperança de toda essa história não está só na vacina; está também nas nossas mãos, que temos pacientes para socorrer.
Parabéns, Senador Girão. E digo a V. Exa. que, assistindo aos depoimentos que estão aqui e ouvindo-os, eu vou sair muito melhor do que eu entrei nesta sessão.