Discurso durante a 10ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Defesa do sistema eleitoral brasileiro. Críticas ao Presidente da República, Jair Bolsonaro, por declarações que colocam em dúvida a transparência do processo eleitoral.

Autor
Jorge Kajuru (PODEMOS - Podemos/GO)
Nome completo: Jorge Kajuru Reis da Costa Nasser
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Eleições e Partidos Políticos:
  • Defesa do sistema eleitoral brasileiro. Críticas ao Presidente da República, Jair Bolsonaro, por declarações que colocam em dúvida a transparência do processo eleitoral.
Publicação
Publicação no DSF de 18/02/2022 - Página 14
Assunto
Outros > Eleições e Partidos Políticos
Indexação
  • DEFESA, SISTEMA ELEITORAL, BRASIL, CRITICA, PRESIDENTE DA REPUBLICA, JAIR BOLSONARO, DECLARAÇÃO, DUVIDA, PROCESSO ELEITORAL, CORRELAÇÃO, TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (TSE), MINISTRO, LUIS ROBERTO BARROSO, LUIZ EDSON FACHIN, ALEXANDRE DE MORAES.

    O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - GO. Para discursar.) – Brasileiros e brasileiras, minhas únicas vossas excelências, Senadores, Senadoras, amigos, colegas, presentes ou remotamente, o meu assunto hoje, como seu empregado público Jorge Kajuru, 17 de fevereiro de 2022, é eleição, mais precisamente, presente amigo Rodrigo Pacheco, é a defesa do sistema eleitoral brasileiro, que vem sofrendo ataques de gente descomprometida com a democracia. Sobretudo falo do Presidente Jair Messias Bolsonaro, que sempre aciona a boca e não liga o cérebro, talvez até porque ele não o tenha.

    Há exatamente uma semana, Jair Messias Bolsonaro voltou a colocar em dúvida a transparência do processo eleitoral – depois de ter dado a palavra de que esse assunto estava encerrado.

    Cabe aqui uma pergunta, pátria amada? Se o dono nega a própria palavra, como acreditar que essa palavra pode conter alguma verdade? Pergunto.

    É mentira atrás de mentira.

    Por isso o verdadeiro apelido deveria ser mitômano, que é quem tem compulsão por mentira.

    Logo que assumiu, o Presidente alardeou fraude na eleição em que saiu vencedor, quatro anos atrás. Foi intimado pelo Tribunal Superior Eleitoral a apresentar provas e nada mostrou.

    Em outra frente, tentou trazer de volta o voto impresso. Em vão.

    Prometeu enviar a viola no saco, mas descumpriu.

    Na semana passada, quis dar uma de alquimista, transformar perguntas do representante das Forças Armadas, na Comissão de Transparência das Eleições, do TSE, em suposto questionamento sobre vulnerabilidades no sistema de votação eletrônica, implantado no país em 1996.

    Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, que, ontem, tornou público o relatório com as respostas, foram perguntas específicas, com pedidos de informações para compreender o funcionamento das urnas eletrônicas, sem comentários ou juízo de valor sobre segurança.

    Curioso é o fato de, uma semana antes, Jair Bolsonaro declarar de público que o TSE teria silenciado sobre o questionamento das Forças Armadas.

    Levou o troco de imediato do Presidente do TSE.

    Em entrevista ao jornal O Globo, Luís Roberto Barroso declarou que Jair Messias, abrem-se aspas, "antecipou a estratégia dele, que é não importa quais sejam as respostas...

(Soa a campainha.)

    O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - GO) – ... eu vou dizer que o sistema eleitoral eletrônico tem vulnerabilidades. Ele não precisa de fatos. A mentira já está pronta". Fecham-se aspas.

    Aplaudo o Ministro Barroso.

    As mentiras vão-se repetir, e, até outubro ou mesmo depois, a carga antidemocrática continuará. Mas não tenho dúvida de que os Ministros do STF Edson Fachin, que assumirá a Presidência do TSE por seis meses, e Alexandre de Moraes, que vai presidi-lo durante as eleições de 2022, saberão enquadrar as tentativas de minar a credibilidade do processo eleitoral.

    Encerro: ambos darão sequência ao trabalho meritório, inquestionável do Ministro Barroso...

(Interrupção do som.)

(Soa a campainha.)

    O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar PODEMOS/PSDB/PSL/PODEMOS - GO) – ... a quem presto homenagem, encerrando minha fala com a frase que ele citou hoje em seu discurso de despedida da Presidência do TSE – aspas –: "Não há remédio na farmacologia jurídica contra maus perdedores". Repito, "contra maus perdedores".

    Agradecidíssimo, Presidente.

    Desculpe se passei um pouquinho do tempo.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 18/02/2022 - Página 14