Pronunciamento de Zenaide Maia em 28/02/2023
Discurso durante a 2ª Sessão de Premiações e Condecorações, no Senado Federal
Sessão destinada à entrega da Comenda de Incentivo à Cultura Luís da Câmara Cascudo.
- Autor
- Zenaide Maia (PSD - Partido Social Democrático/RN)
- Nome completo: Zenaide Maia Calado Pereira dos Santos
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Homenagem:
- Sessão destinada à entrega da Comenda de Incentivo à Cultura Luís da Câmara Cascudo.
- Publicação
- Publicação no DSF de 01/03/2023 - Página 21
- Assunto
- Honorífico > Homenagem
- Indexação
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- SESSÃO SOLENE, ENTREGA, COMENDA, INCENTIVO, CULTURA, LUIS DA CAMARA CASCUDO.
A SRA. ZENAIDE MAIA (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - RN. Para discursar.) – Quero aqui cumprimentar a nossa Presidente da sessão, minha colega e vizinha, Senadora Daniella Ribeiro; o Senador Chico Rodrigues; a representante da nossa Governadora do Rio Grande do Norte, a Secretária Extraordinária de Cultura do Estado.
Eu queria dizer que a solicitação desta comenda, com o reconhecimento pelo Senado Federal, foi da então Senadora e hoje Governadora Fátima Bezerra, que fez esta grande homenagem a Câmara Cascudo.
Quero aqui cumprimentar também o meu colega Contarato e, na pessoa dele, cumprimentar toda a Mesa.
E quero aqui cumprimentar os nossos homenageados: o Milton Nascimento, que não pôde estar; o Flávio Capitulino, paraibano, a prova viva de que, através da educação e se a gente oferecer oportunidade, as pessoas vão ter cidadania – está aqui o exemplo dele; a Yara Tupynambá – estou vendo aqui que é a única mulher, Daniella, homenageada. No meu estado, lá no Rio Grande do Norte, a gente tem uma tradição de ter um olhar diferenciado para a mulheres. Eu queria dizer que, em 20 anos, o Estado do Rio Grande do Norte só teve quatro anos governado por um homem. Nada contra; eu sou a favor da política "eles por elas". Então, mostrando isso aqui, Yara, eu vi sua emoção ao receber a comenda. E o Instituto Inhotim, que eu não conheço, mas vejo na televisão e fico encantada.
Eu conheci Câmara Cascudo. Era um grupo de estudantes universitários em 1979 – três faziam medicina e outros... Resolvemos que estava na hora de a gente cuidar da música popular brasileira, porque naquela época tinha discoteca, música eletrônica. Então, a gente procurou Câmara Cascudo, e ele deu uma aula de música popular brasileira e se ofereceu para ser o patrono da Casa da MPB. Essa era uma maneira, para os senhores verem, de como ele era detalhista. Ele estudava todas as formas, como foi mostrado aqui na matéria feita pelo Senado; ele tinha todas as formas de expressão artística da cultura popular – como ele dizia, não eram folclore. E a gente convidou – eram dois luíses – Luiz Gonzaga para inaugurar a Casa da Música Popular Brasileira. Ele era o patrono, e o Luiz Gonzaga foi inaugurar.
Eu lembro que, vendo um programa, acho que da Bandeirantes, perguntaram assim: "Seu Luiz, o senhor sabendo que o senhor é uma figura do folclore brasileiro?" Ele disse: "Isso é bom?". "É". "Então, tudo bem". Entendeu? Esses dois luíses inauguram esta casa, e isso deu credibilidade. Nesta Casa da Música Popular Brasileira, nós tivemos Clara Nunes, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Trio Nordestino, Marinês e Sua Gente.
E Câmara Cascudo... Quando a gente teve outras oportunidades, juntamente com Luiz Gonzaga, a gente tinha... E esse grupo fez como um movimento "Vamos preservar a nossa cultura"! E eles deram as mãos a esse grupo de jovens que tinham a noção de que era hora de preservar a cultura. E ele, como brasileiro, durante 20 anos não se limitou a estudar só as outras expressões artísticas, ele estudava a música popular brasileira também... É tanto que algumas vezes a gente encontrou na residência dele Ricardo Cravo Albin, que é o maior estudioso da música popular brasileira e inclusive tem dicionário dele.
Então, Câmara Cascudo, eu vim aqui falar, é do meu estado. Eu tive o privilégio, em 1979 – ele morreu em 1986 –, como ele não podia estar presente na inauguração dessa Casa da MPB, ele gravou essa música lá, ele e o Luiz Gonzaga. Nós tivemos o privilégio de ter dois luíses, cada um com uma representação forte da música popular brasileira. E, como foi falado aí, ele ia ao vivo. Você vê que as expressões, na maioria dos livros dele, mostram a vivência de um povo, aquilo... E a gente tinha certeza, sim; eu sempre tive certeza de que a cultura, falando nos termos de hoje, é a digital de um povo, Chico. Sem a cultura, como vamos saber de onde viemos, onde estamos e aonde queremos chegar?
Por isso, eu parabenizo aqui cada um dos homenageados que tem esse olhar diferenciado para preservar a história do nosso povo, que é riquíssima, que é diferenciada.
Então, parabéns, Daniella, eu queria parabenizá-la mais uma vez. E eu lhe digo o seguinte: eu me sentiria... Claro que não é da minha área e eu não vou receber a Comenda Câmara Cascudo, mas lhe digo que é uma homenagem para a qual tem que se tirar o chapéu: um cara grande, que foi reconhecido internacionalmente antes de o ser aqui. Eu sou do Rio Grande do Norte, mas na nossa educação não se falava em Câmara Cascudo. Precisou-se do reconhecimento externo para poder chegar até a gente. Ele, sim, era um cara grande, e foi estudante de Medicina. Como eu era estudante de Medicina, e mais dois diretores dessa Casa da MPB, aí ele começou a falar e a gente sentiu que ele conversava termos técnicos médicos. Aí a gente estranhou e ele disse: "Eu já fui estudante de Medicina na Universidade da Bahia por uns anos e deixei para vir cuidar da nossa cultura".
Parabéns Daniella, Chico, e parabéns à Governadora Fátima Bezerra, então Senadora. É um reconhecimento do Senado Federal a esse grande homem que fez uma grande história.
Muito obrigada a vocês. (Palmas.)