Pronunciamento de Marcio Bittar em 22/03/2023
Discurso durante a 18ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Apoio ao Senador Sérgio Moro em virtude de ameaças a sua vida e de sua família. Reprovação da atuação estatal contra as facções criminosas nos últimos anos. Defesa dos projetos de lei de autoria de S. Exa., que tratam de combate ao crime, destacando proposições de aumento de pena máxima e proibição de audiências de custódia.
Críticas às recentes falas do Presidente Lula em desfavor do Senador Sérgio Moro e do Banco Central.
- Autor
- Marcio Bittar (UNIÃO - União Brasil/AC)
- Nome completo: Marcio Miguel Bittar
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Atividade Política,
Direito Penal e Penitenciário,
Segurança Pública:
- Apoio ao Senador Sérgio Moro em virtude de ameaças a sua vida e de sua família. Reprovação da atuação estatal contra as facções criminosas nos últimos anos. Defesa dos projetos de lei de autoria de S. Exa., que tratam de combate ao crime, destacando proposições de aumento de pena máxima e proibição de audiências de custódia.
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Governo Federal:
- Críticas às recentes falas do Presidente Lula em desfavor do Senador Sérgio Moro e do Banco Central.
- Publicação
- Publicação no DSF de 23/03/2023 - Página 14
- Assuntos
- Outros > Atividade Política
- Jurídico > Direito Penal e Penitenciário
- Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Defesa do Estado e das Instituições Democráticas > Segurança Pública
- Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- APOIO, SENADOR, SERGIO MORO, VITIMA, AMEAÇA GRAVE, VIDA, FAMILIA, DESAPROVAÇÃO, ATUAÇÃO, GOVERNO, COMBATE, CRIME ORGANIZADO, DEFESA, PROJETO DE LEI, AUTORIA, ORADOR, OBJETIVO, REDUÇÃO, CRIME, ENFASE, PROPOSTA, AUMENTO, PENA, PROIBIÇÃO, AUDIENCIA, CUSTODIA.
- CRITICA, DISCURSO, PRESIDENTE DA REPUBLICA, CONTRADIÇÃO, AMEAÇA, VITIMA, SENADOR, SERGIO MORO, AUTONOMIA ADMINISTRATIVA, BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN), ALEGAÇÕES, GOLPE DE ESTADO, DESRESPEITO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF).
O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - AC. Para discursar.) – Senador Kajuru, muito obrigado pelas palavras sempre generosas, carinhosas; muito obrigado! A recíproca é verdadeira.
Eu fui informado de que o nosso colega Senador Sergio Moro iria abrir, hoje, os trabalhos. Por isso, eu vim aqui para me solidarizar. Mas, às quatro, ele estando aqui no Plenário, eu venho aparteá-lo.
Sr. Presidente, colega Kajuru, o ataque ao Senador Sergio Moro, por si só, é indefensável e o Estado brasileiro precisa agir com o maior rigor que a lei permite. Ela é frouxa, a lei. V. Exa. sabe disso; eu também. Mas o ataque ao Senador Sergio Moro não é apenas a ele. Todos os 80 Senadores, os outros 80 Senadores devem se sentir atingidos, porque hoje é com ele, é com a instituição e, principalmente, salta aos olhos. É claro, todos os Poderes são preenchidos por seres humanos, portanto, todos têm erros, cometem excessos, mas, se você anular a Justiça, se você passar por cima das leis que nós temos hoje, embora sejam frouxas, você vai para o caos total. E é evidente que o papel cumprido por ele na magistratura está na origem dessa ameaça que o Comando Vermelho faz a um Senador da República.
Eu, hoje, mencionei ao Líder Efraim que, em nome da Bancada do União Brasil, emiti uma nota de solidariedade e de atenção ao Governo Federal no sentido de que faça o que puder fazer para desbaratar essa organização.
E, por falar nisso, Senador Styvenson, venho, agora há pouco, do seu estado de origem, o meu estado, que eu tenho orgulho de representar, que é o Acre. Criei a impressão, nos últimos tempos, de que o sentimento do Estado brasileiro com as facções criminosas, ao que me parece, mudou. Há 20 anos, nós tínhamos a impressão de que nós venceríamos as facções. Essa era a impressão: mais cedo ou mais tarde, as forças de repressão, o Poder Judiciário, a segurança pública, o Estado brasileiro vão derrotar as facções. Isso não aconteceu. E o que me choca, quando eu ando no meu estado – vim de lá ontem –, é que me parece que há uma espécie de acordo, claro, não falado, não escrito, não divulgado, mas parece um acordo tácito pelo qual, em determinado nível, o Estado passou a aceitar que as facções criminosas, ao que parece, vieram para ficar. E a origem disso, se não está toda aqui no Parlamento, tem a nossa culpa.
Eu quero mencionar alguns projetos que apresentei, inclusive coincidindo com o de V. Exa., que estão parados na Casa. É claro: a legislação brasileira, que imputou limites de pena, foi feita há 40, 50 anos. As pessoas viviam 60, menos do que isso; e, até por isso mesmo, nós devemos adequá-la. É de minha autoria o PL nº 651/2019, que altera o Decreto-Lei nº 3.689, o Código de Processo Penal, para vedar a realização de audiência pública, que é uma humilhação a milhares de policiais que arriscam suas vidas, prendem o bandido, às vezes, uma vez, duas, três vezes, e, daqui a pouco, ele está no meio da rua do mesmo jeito.
O outro, que coincide com o de V. Exa... Eu acho que eu estava aqui, ainda quando Deputado Federal pela segunda vez, quando nós tentamos tipificar... Aliás, existia a tipificação de vandalismo, de depredação de prédio público, como acontece no Brasil – e dia 8 não foi a primeira vez. Nós já assistimos, nesta Esplanada, a atos de vandalismo, de depredação muitas vezes, anos passados, mas, àquela época, a bancada da esquerda retirou do texto exatamente aquilo que tipificava o ato terrorista no meio de manifestações tidas como democráticas. Isso porque, naquela época, a esquerda achava que era um movimento específico contra o MST. Não era específico contra o MST, embora o MST seja um movimento de foras da lei, que, infelizmente, o Governo eleito... E eu respeito isso, tanto que me calei depois do resultado das eleições. O que eu tinha que dizer eu disse na campanha. Eu desci do palanque. Mas, infelizmente, o Governo eleito premia o movimento de foras da lei, nomeando pessoas que são coordenadores do movimento para estarem no Poder Executivo. Então, vamos avançar, vamos juntar os projetos, até para coibir o que está acontecendo agora no Rio Grande do Norte, seu estado, estado que V. Exa. representa.
E ainda há outro que aumenta as penas mínimas e máximas para os crimes de homicídio, estupro e crimes sexuais contra vulneráveis, estabelecendo prazos mais longos antes de haver prescrição em todos os crimes. Aumenta para 50 anos o tempo máximo. O tempo máximo de 30 anos foi feito 30, 40 anos atrás, e, com a progressão de pena, o sujeito com dez anos está no meio da rua, por mais bárbaro que tenha sido o crime cometido. Prevê regime inicial fechado e condiciona a progressão ao cumprimento de três quartos da pena nos crimes contra a vida, contra a liberdade sexual e o latrocínio.
O último proíbe as famosas "saidinhas", o que também, ao meu ver, é outra humilhação para a sociedade brasileira, ver pessoas que estão presas, porque cometeram crimes bárbaros, saírem e cometerem crime de novo, na tal "saidinha".
Por fim, Sr. Presidente, eu quero lembrar que o Governo eleito não gosta – e o Ministro da Justiça, Senador da República – já foi agora declarar que seria quase um pecado ligar a ameaça à vida do Sergio Moro e da sua família, dois Parlamentares, ele e esposa, que é Deputada Federal, seria um crime ligar isso a declarações que o Executivo vem fazendo, mas eu não tenho como não ligar uma coisa com a outra, Presidente. E aí eu não vou dizer apenas de uma declaração. Claro, aquele que vence... É daquele que vence, Kajuru, que a gente espera a grandeza. O George Foreman, pugilista norte-americano, num documentário sobre Muhammad Ali, diz que este foi, sim, o maior de todos, ele admite isso.
E aí perguntado sobre o porquê, ele disse o seguinte: na luta que os dois travaram na África, George Foreman e Muhammad Ali, George Foreman disse que Muhammad Ali foi o maior, porque, na luta entre eles, quando ele soca o adversário e este vai caindo – e o vídeo mostra isso com clareza –, o antigo Cassius Clay, Muhammad Ali, espera para ver se aquele golpe já era suficiente para derrotar o George Foreman. De punho cerrado, ele espera. O George Foreman cai, e ele, mostrando a grandeza que o fez o maior de todos, evita outro golpe, ou seja, aquele que está vencendo ou aquele que venceu é deste que se espera a grandeza, e não manifestações que demonstram um sentimento...
A vitória não foi suficiente para amansar o coração do Presidente? Precisa ele, numa coletiva, numa entrevista, dizer as palavras que ele disse para um Senador da República? Será que a vitória não foi suficiente para passar por cima disso?
Somam-se a essa declaração as declarações contra o Banco Central. Vamos lembrar que, quando o Bolsonaro fazia crítica, o que a esquerda dizia de forma uníssona? "É um atentado à democracia, está atentando contra os Poderes."
Quando o Presidente fala e libera Líderes do seu partido na Câmara e no Senado para atacarem a autonomia do Banco Central, não é uma instituição da República Federativa do Brasil que está sendo atacada? Quando o Presidente, Styvenson, anda pelo mundo com representantes do Governo, dizendo que houve um golpe no Brasil...
(Soa a campainha.)
O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar Democracia/UNIÃO - AC) – ... ele está falando contra o Congresso Nacional, contra o Senado da República e contra o Supremo Tribunal Federal. Afinal de contas, quem presidiu a sessão que impitimou a ex-Presidente Dilma Rousseff foi o Ministro do Supremo Tribunal Federal, o Lewandowski. Então, essas declarações nós não podemos continuar assistindo calados: hipocrisia de dois pesos e duas medidas.
Quando o Governo eleito se associa... Se associa não; já é associado a vida inteira ao MST, que deu o ultimato ao Governo. O MST disse que, até o final deste mês, se o Governo não apresentar uma proposta que lhes atenda, eles vão, sim, invadir propriedades e propriedades produtivas, como já fizeram no começo deste ano.
Portanto, Sr. Presidente e colega Kajuru, fica aqui a minha mais total...
(Soa a campainha.)
O SR. MARCIO BITTAR (Bloco Parlamentar União Cristã/UNIÃO - AC) – ... e irrestrita solidariedade. E não é porque é meu colega de bancada, não; é porque é meu colega, é porque é Senador e é porque essa ameaça é contra o Congresso Nacional e ele não pode ficar calado.
Inclusive às quatro da tarde eu voltarei para pedir que o Presidente da instituição, o nosso Presidente... Ele precisa também se manifestar oficialmente.
Fica aqui a minha solidariedade ao colega nosso Sergio Moro e à sua esposa, Deputada Federal, e aqui o alerta: as declarações, o comportamento do atual Governo, que venceu a eleição, quando ele ataca o Supremo Tribunal Federal, porque, quando ele chama que foi golpe, ele está atacando o Supremo Tribunal Federal. Imagina se fosse o Bolsonaro que dissesse isso?
Muito obrigado, Presidente.