Pronunciamento de Flavio Azevedo em 02/09/2024
Discurso durante a 126ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
Preocupação com as decisões do STF, em especial quanto ao bloqueio da rede social X, antigo Twitter, pelo Ministro Alexandre de Moraes, e aos possíveis danos à imagem do país e aos investimentos internacionais.
Homenagem ao Sr. Jaime Tomaz de Aquino, destacado produtor de caju no Ceará.
- Autor
- Flavio Azevedo (PL - Partido Liberal/RN)
- Nome completo: Flávio José Cavalcanti de Azevedo
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Atividade Política,
Atuação do Judiciário,
Defesa do Estado e das Instituições Democráticas:
- Preocupação com as decisões do STF, em especial quanto ao bloqueio da rede social X, antigo Twitter, pelo Ministro Alexandre de Moraes, e aos possíveis danos à imagem do país e aos investimentos internacionais.
-
Homenagem:
- Homenagem ao Sr. Jaime Tomaz de Aquino, destacado produtor de caju no Ceará.
- Aparteantes
- Eduardo Girão.
- Publicação
- Publicação no DSF de 03/09/2024 - Página 39
- Assuntos
- Outros > Atividade Política
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
- Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Defesa do Estado e das Instituições Democráticas
- Honorífico > Homenagem
- Indexação
-
- CRITICA, ATUAÇÃO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), MINISTRO, ALEXANDRE DE MORAES, BLOQUEIO, MIDIA SOCIAL, REDE X, ELON MUSK, ABUSO DE PODER, SENADO, IMPEACHMENT, RODRIGO PACHECO, DEMOCRACIA.
- VOTO DE PESAR, HOMENAGEM POSTUMA, PRODUTOR, CAJU, CASTANHA DE CAJU, ESTADO DO CEARA (CE), Jaime Tomaz de Aquino.
O SR. FLAVIO AZEVEDO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RN. Para discursar.) – Cumprimento V. Exa., Senador Chico Rodrigues, demais Senadoras, Senadores que eventualmente estejam online, na plataforma do Senado.
O meu motivo de vir aqui era um motivo simplíssimo. E quase perde o motivo se eu não encontro aqui o Senador Izalci. Como hoje a palavra está fácil de ser dada, e eu ia dar os parabéns pelo belíssimo discurso que o Senador Izalci pronunciou, aqui nesta tribuna, quarta-feira passada. Foi um discurso abrangente sobre a situação nacional, mas, sobretudo, foi um discurso muito firme, muito firme, como poucos, que no pouco tempo que eu estou aqui nesta Casa, eu vi e ouvi. Mas, como o Senador tinha que sair, eu dei os parabéns a ele, enquanto estava aí na Presidência. Então, esse era um dos motivos.
O segundo motivo é externar uma preocupação – eu não vou me estender muito, porque eu pretendo fazer um pronunciamento amanhã, nesta Casa, sobre esse tema, um pronunciamento também mais abrangente e mais objetivo – a propósito do que V. Exa. aqui falou: do risco que o país está correndo vendo decisões jurídicas equivocadas partindo do supremo poder jurídico do país.
É um fato. Quero relatar só um fato: eu tenho um neto que foi convidado pela Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, a participar de um curso de pós-graduação – o meu orgulho é que ele foi convidado. Ele sequer se inscreveu, mas a Harvard procurou, em alguns países em desenvolvimento, pessoas que se destacassem – ele trabalha na nossa empresa, é o nosso diretor financeiro –, e ele foi escolhido, foi convidado, e foi. Viajou antes de ontem à noite... Desculpem-me, na quinta-feira à noite, ele viajou.
Na sexta-feira à noite, Senador Chico Rodrigues, ele me telefona para dizer da preocupação dele, porque, quando chegou, identificou-se que era um brasileiro, um empresário brasileiro. E ali, durante o intervalo, ele foi abordado por dois indianos, dois empresários indianos, que, em tom quase que jocoso, como a Índia faz parte do Brics, disseram: "Acabamos de receber uma grande notícia que nos tira um concorrente em termos de investimentos internacionais – o Brasil –, pois recebemos a notícia do que se passou com relação ao ato cometido contra o X.", o X, o antigo Twitter.
Embora isso tenha sido dito em tom jocoso, ele compreendeu perfeitamente que aquilo não era uma brincadeira, que aquilo realmente é a preocupação dos empresários estrangeiros em fazer investimentos no país hoje, um país onde um indivíduo, que nunca foi juiz – nunca, isso é o que mais me impressiona: um Ministro do Supremo Tribunal Federal que sequer foi juiz de primeira instância –, tomar uma decisão da responsabilidade que tomou; do alto de sua responsabilidade, tomar a decisão de propriamente fechar o país para investidores, que não acreditam mais na segurança jurídica no Brasil.
Então, eram esses os dois os dois registros.
Como eu disse, vou ser breve, porque eu pretendo me estender um pouco mais amanhã, mas imaginem como está a imagem do nosso país: que imagem terrível e que comprometimento nós temos a enfrentar no futuro – não é para nós, que já temos uma idade um pouco mais avançada; mas o exemplo é esse, do que meu neto passou antes de ontem –, para os nossos filhos e para os nossos netos, diante da absoluta e total irresponsabilidade de decisões que veem só o momento, mas deixam de ver o contexto, deixam de ver o futuro e deixam de ver as enormes potencialidades que tem o nosso país, necessitando, para tornar essas potencialidades reais, de investimentos elevadíssimos que vêm, normalmente, de fora.
Então, essa era a minha preocupação e quero dar meus cumprimentos ao Senador Izalci. Era só isso.
O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) – Muito obrigado.
O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para apartear.) – Se me permite, meu querido irmão, um aparte.
O Senador Flavio Azevedo tem feito um grande trabalho no Senado Federal, desde que chegou, com muita coragem, com muito compromisso, com um povo trabalhador, que é o potiguar, povo vizinho da gente. Eu sou do Ceará e tenho uma admiração muito grande pelo seu povo.
Quero dizer que concordo em gênero, número e grau, com o que o senhor falou aí. Nós estamos em um momento dramático, não tem outra palavra. Você vê que a atmosfera aqui está pesada.
Daqui a pouco, a gente vai ter uma sessão em homenagem ao Rei do Caju. O seu estado é grande produtor na cajucultura, o meu também e o Piauí. Nós vamos, daqui a pouco – o senhor está convidado –, fazer uma sessão solene em homenagem a Jaime Aquino, que foi um grande visionário, chegou a ser o maior produtor de fruta do mundo, a partir do Ceará. Eu, pequenininho, ia para Cione, que era a indústria dele ali na Bezerra de Menezes com a Mister Hull, em Fortaleza, fazer... Hoje em dia, tem carne de hambúrguer de caju, que a JBS está comprando e exportando e aí você sabe: licor, cajuína, doce de caju, brownie de caju. Nós vamos ter agora uma justa homenagem a ele.
Senador Flavio, o senhor está manifestando – há pouco tempo também o Senado Chico Rodrigues e outros colegas aqui – uma indignação que é legítima do povo brasileiro. E aqui não tem mais outro jeito para nós. Desde 2019, eu estou aqui – desde 2019 – denunciando isso. Só que chega um momento em que não adianta denunciar, falar, a gente vai ter que agir. Este Senado não tem mais condição de ficar omisso, não tem mais condição. Nós chegamos ao limite. O Presidente da Casa vai ter que se mover porque furou a bolha, a coisa furou. Não são só os de direita, o pessoal conservador – a perseguição é em cima desses –, mas ele prejudicou 22 milhões de brasileiros, muita gente que trabalha, muita gente cujo entretenimento é estar numa rede social como o X. É uma rede social, Senado Chico Rodrigues, que, diferente das outras, não tem um algoritmo para proteger os poderosos. O algoritmo, que é uma jogada interna – e a gente fica preocupado com até que ponto o TSE e o STF têm esse tipo de parceria com essas outras empresas –, quando você vai criticar Ministro do Supremo, que faz parte de uma democracia, uma decisão, alguma coisa, não entrega as mensagens para os seus seguidores, não flui aquela crítica. O X era o único que mantinha a liberdade de expressão 100%. É por isso que eles estão tirando, porque não aceitam ser criticados.
Outra coisa, nós estamos no período eleitoral. O senhor sabe quem é que mais usa o X?
O SR. FLAVIO AZEVEDO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RN) – Sei.
O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – O pessoal que está sendo perseguido implacavelmente, no Brasil, os conservadores, o pessoal de direita, nós. Era a minha principal rede, por exemplo. Então, isso é uma violência. Eu estou me sentindo violentado como cidadão, como Senador. Então, é uma série de abusos.
Nós vamos entregar o pedido de impeachment no dia 9 de setembro, dois dias após a grande manifestação que vai tomar conta do Brasil, não só na Paulista. Lá em Fortaleza já se confirmou; Goiânia, Recife... Eu vou ficar com o meu povo lá em Fortaleza, e acredito que nós temos que estar juntos aqui, entregando esse pedido na Presidência do Senado, às 16h do dia 9 de setembro. E não tem como, não vejo... "Ah, mas..." A gente percebe aí um discurso de que "não vamos levar para frente porque vai perder se for votar; vai desmoralizar o Senado". Para com isso. Desmoralizado o Senado já está, e não é de hoje; agora é que chegou o momento de xeque-mate. Mas o Senado já está, pela sua inércia, desmoralizado perante a população.
E nós, que somos Senadores, que sempre defendemos a liberdade, que sempre questionamos esses abusos de alguns Ministros, de um poder que esmaga o nosso – a gente sempre denunciou – e, mesmo assim, a população já começa a se voltar. "Pô, vocês só fazem falar, cadê a ação?". Então, acho que nós chegamos ao fundo do poço. Eu não vejo mais, eu não vejo mais esta Casa... ou pega, fecha, entrega a chave, mas ficar ganhando salário, vendo esta Casa acabar com a democracia do Brasil... Porque nós somos responsáveis, não são só eles, não; não são só os Ministros poderosos, não. Inclusive, o Presidente da Casa teve uma reunião com o Ministro Moraes, com Ministros do Lula, antes de tomar a decisão. Então, está tudo às claras, às entranhas. Nós vamos ter que ter atitude aqui; não tem como segurar mais. Já foi ao limite.
Então, eu quero parabenizá-lo e que Jesus abençoe este Plenário, abençoe todos os Senadores, para que a gente possa tomar uma posição. É muito claro: ou é pela população brasileira, que muita gente nem gosta de política, mas está revoltada, furou a bolha, ou fica do lado dos poderosos que abusam da nossa Constituição. É só isso. Obrigado.
O SR. FLAVIO AZEVEDO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RN) – Obrigado pela sua referência ao meu nome, Senador. E eu quero dizer que concordo inteiramente com suas palavras, e que Deus nos ilumine.
E agora, eu quero acrescentar o seguinte: por que eu vim tão cedo aqui? É sobre o Jaime Aquino. Jaime Aquino é um norte-rio-grandense cearense. Ele nasceu na fronteira ali entre o Ceará e o Rio Grande do Norte. Ele é primo de minha sogra; pertenço à mesma família. Eu tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente em vida e eu acho que Deus... Ele foi um homem tão bom, tratou com tanta responsabilidade socioeconômica. Você sabe que Jaime tem uma verdadeira cidade, ele fez uma verdadeira cidade dentro da fazenda dele, Presidente, com igreja, supermercado, escolas. Foi um visionário, realmente um visionário.
Eu tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, tanto lá em Natal, em Pau dos Ferros, que é o berço da família lá na fronteira com o Ceará... E passei dois dias na casa dele, na serra, em... Qual o nome da serra? Aquela que faz frio lá em cima, lá no Ceará?
O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Guaramiranga.
O SR. FLAVIO AZEVEDO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RN) – Guaramiranga... Ele tinha uma casa belíssima em Guaramiranga.
Então, eu estou aqui, vim para cá para presenciar esta homenagem ao grande Aquino, um empresário que realmente revolucionou o Ceará com suas ideias, muitas vezes incompreendidas.
Ele, quando comprou um avião para poder fazer pulverização nas fazendas dele, foi chamado de louco. Você imagine isto há 40 anos, ter um avião para pulverizar uma plantação de caju. Isso foi tido como obra de um maluco.
Parabéns pela sua iniciativa, Senador. Ele mais que merece, e está lá em cima, vendo o que vai ser feito com ele hoje aqui, e, felizmente, não vendo, não enxergando o que está sendo feito hoje com a nossa nação.
Presidente, obrigado pela oportunidade.