Pronunciamento de Jorge Kajuru em 24/02/2026
Discurso durante a 4ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Indignação com a suposta atuação irregular de autoridades no processo de liquidação do Banco Master S.A., com questionamento sobre as conexões políticas do Sr. Daniel Vorcaro.
- Autor
- Jorge Kajuru (PSB - Partido Socialista Brasileiro/GO)
- Nome completo: Jorge Kajuru Reis da Costa Nasser
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Fiscalização e Controle da Atividade Econômica:
- Indignação com a suposta atuação irregular de autoridades no processo de liquidação do Banco Master S.A., com questionamento sobre as conexões políticas do Sr. Daniel Vorcaro.
- Publicação
- Publicação no DSF de 25/02/2026 - Página 46
- Assunto
- Economia e Desenvolvimento > Fiscalização e Controle da Atividade Econômica
- Indexação
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- DENUNCIA, FRAUDE, IRREGULARIDADE, AQUISIÇÃO, BANCO PRIVADO, BANCO DE BRASILIA (BRB), PREJUIZO, FUNDO GARANTIDOR DE CREDITO (FGC), QUESTIONAMENTO, FISCALIZAÇÃO, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE DEFESA ECONOMICA (CADE), SOLICITAÇÃO, PUNIÇÃO.
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Para discursar.) – Voz respeitada da nossa amada Roraima, Senador Chico Rodrigues de novo na Presidência, que bom revê-lo.
Brasileiras e brasileiros, minhas únicas vossas excelências, o meu assunto na tribuna nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, é o alvoroço que toma conta do país desde 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master S.A., ao mesmo tempo em que a Polícia Federal deflagrava a Operação Compliance Zero para investigar fraudes financeiras no mercado de capitais.
A liquidação foi motivada pela grave crise de liquidez do Master e pelo comprometimento de sua situação econômico-financeira. O Banco Central ainda registrou graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional.
O Banco Central agiu após as suspeitas de fraude envolvendo a venda, pelo Master, de carteiras de crédito ao BRB de Brasília – banco estatal. Ponto final para uma instituição que vivenciou um ciclo caracterizado por crescimento acelerado enquanto apresentava, segundo o próprio mercado, sinais evidentes de desequilíbrio financeiro. No comando, desde 2018, o "cidadão" Daniel Vorcaro – cidadão entre aspas.
Um banco quebrar faz parte do jogo. Já aconteceu várias vezes no Brasil e no mundo sem representar necessariamente riscos para o sistema como um todo – em especial se o banco quebrado é de pequeno porte, como no caso do Master, banco classificado como S3 em volume de ativos, ou seja, da terceira divisão bancária, terceira. A instituição detém apenas 0,57% dos ativos de todo o sistema financeiro; menos de 1%.
Sendo assim, "por que o Brasil, ou o seu sistema de poder, parece ter sido atingido por um terremoto com a quebra do Banco Master?" – pergunto.
A melhor resposta, a meu ver, é de autoria do repórter Álvaro Gribel, que foi preciso em artigo publicado pelo jornal O Estado de São Paulo. Segundo ele, o caso Master "parece inaugurar a categoria de banco 'amigo demais'", entre aspas, "para ter quebrado. Pelo menos de alguns políticos e autoridades."
Daniel Vorcaro revelou-se um mestre na arte de fazer amigos e influenciar pessoas – em todos os Poderes da República. Sabedor, óbvio, de que no Brasil a fronteira entre o público e o privado praticamente não existe quando se misturam dinheiro e poder. Só isso pode responder à pergunta óbvia: Como ele conseguiu agir por tanto tempo e tecer, com tamanha desenvoltura, a "maior fraude bancária" do país – maior do que os tempos do império –, nas palavras do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad?
Não tenho dúvida: Só estamos vivenciando uma crise de proporções gigantescas, porque o dono de um banco de terceira categoria estabeleceu firmes conexões – e algumas certamente comprometedoras – com o primeiro time dos mundos político, jurídico e empresarial. É preciso lembrar que a tentativa de venda do Master ao BRB, Banco estatal do Distrito Federal, foi aprovada pelo Cade, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, zelador, ele, pensávamos, da livre concorrência no mercado brasileiro.
O Banco Central impediu o negócio, mas os aplausos foram poucos. Tivemos mais uma profusão de pressões políticas, decisões jurídicas responsáveis de Ministro do STF e movimentações de bastidores reveladoras de um autêntico salve-se quem puder. Uma coisa é certa. Como manda a regra em nosso país, sabemos quem deve pagar a conta: você. Nós, contribuintes.
O Governo do Distrito Federal, controlador do BRB, vai ter de fazer um aporte na instituição por causa do rombo de R$12 bilhões deixado pelo Master. As estripulias de Daniel Vorcaro levaram o Banco Central a liquidar um total de oito instituições. Só a liquidação dos bancos Master, Will e Pleno deixa um rombo superior a R$50 bilhões no FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, que cobre investimentos de até R$250 mil, por pessoa física ou jurídica, em cada instituição financeira.
Confesso, senhoras e senhores, meus únicos patrões, que estou curioso para ver no que todo esse imbróglio vai dar. A Polícia Federal segue realizando o seu trabalho, e tenho certeza de que a população espera atenta pelos desdobramentos para saber, em detalhes, quem é quem no escândalo do Banco Master.
Finda a investigação, chegaremos à hora da verdade. Teremos punições ou veremos mais um amplo acordo, daqueles que costumam ser feitos no Brasil pelos donos do poder? Fica o ponto de interrogação. Ou seja, aguardemos.
Agradecidíssimo. Ótima semana a todos e todas na TV Senado, na Agência Senado, especialmente aos funcionários, maior patrimônio desta Casa, do Senado Federal, aqui presentes no Plenário e em toda a Casa.
É uma alegria voltar a estar diariamente com os amigos: o Paim, que já fez o seu pronunciamento – o Senador Paulo Paim. E virá, com certeza, o Senador cearense, lá na disputa para o Governo do Estado – tenha o meu apoio, querido amigo, independentemente do meu partido –, Eduardo Girão.
Presidente Chico, com Deus. Obrigado.