Discurso durante a Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Críticas ao período de baixa atividade legislativa no Senado Federal e cobrança pela instalação de CPI para investigar o escândalo envolvendo o Banco Master. Defesa do impeachment dos Ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, sob alegação de afronta à Constituição Federal e extrapolação de competências.

Autor
Eduardo Girão (NOVO - Partido Novo/CE)
Nome completo: Luis Eduardo Grangeiro Girão
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Atuação do Judiciário, Atuação do Senado Federal, Sistema Financeiro Nacional:
  • Críticas ao período de baixa atividade legislativa no Senado Federal e cobrança pela instalação de CPI para investigar o escândalo envolvendo o Banco Master. Defesa do impeachment dos Ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, sob alegação de afronta à Constituição Federal e extrapolação de competências.
Aparteantes
Rogerio Marinho.
Publicação
Publicação no DSF de 25/02/2026 - Página 51
Assuntos
Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
Outros > Atuação do Estado > Atuação do Senado Federal
Economia e Desenvolvimento > Sistema Financeiro Nacional
Indexação
  • CRITICA, AUSENCIA, ATIVIDADE, SENADO, PLENARIO, SESSÃO PLENARIA.
  • DEFESA, ABERTURA, INVESTIGAÇÃO, COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), FRAUDE, BANCO PRIVADO, SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL, DENUNCIA, CORRUPÇÃO, IRREGULARIDADE, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS).
  • REJEIÇÃO, ACORDO, DOSIMETRIA, ANISTIA, TENTATIVA, GOLPE DE ESTADO.
  • DEFESA, ABERTURA, PROCESSO, IMPEACHMENT, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), ALEXANDRE DE MORAES, DIAS TOFFOLI.
  • COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), CRIME ORGANIZADO, NECESSIDADE, CONVOCAÇÃO, QUEBRA DE SIGILO, DEPOIMENTO, VENDA, SENTENÇA JUDICIAL.

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) – Paz e bem, meu querido irmão Senador Chico Rodrigues.

    Quero cumprimentar todos os demais Senadores, Senadoras, os funcionários desta Casa, assessores, equipe aí da TV Senado, Rádio Senado e Agência Senado.

    Sr. Presidente, o brasileiro está ansioso por este dia, por esta semana. Finalmente o Senado, Senador Jaime Bagattoli, volta às atividades. Depois de um longo e tenebroso inverno, o Senado reabre aqui o Plenário. Eu estava com saudade do Plenário, porque é o Parlamento. É aqui onde a gente denuncia, é aqui onde a gente joga luz nas sombras, nas trevas.

    E foi muito estranho o Senado... Eu estou aqui há sete anos – cheguei junto com o senhor – e nunca vi, em sete anos, a nossa Casa revisora da República fechada praticamente no mês todo de fevereiro. Estamos abrindo agora, porque, no início dos trabalhos, geralmente no início de fevereiro, nós tivemos apenas uma sessão, que foi remota ainda – excluindo o debate de escândalos fragorosos que estão acontecendo no Brasil agora, o do INSS, roubando aposentado, pensionista, velhinha, tirando do mais pobre, de deficiente físico, de viúva, e também o do roubo do Banco Master, a maior fraude do sistema financeiro da história do Brasil, com gente poderosa envolvida até a medula. E esta Casa, em vez de se levantar, com 200 anos de história, resolve fechar para balanço!

    Porém, é como a gente vê no comércio: se fechado para balanço, quando reabre, tem novidade. Eu espero que o Presidente do Senado traga hoje aqui, esta semana – vou esperar –, novidade, porque inércia não tem mais como aceitarmos! O Brasil precisa de uma resposta desta nossa Casa. Nós fomos eleitos para isso.

    Foi cozinhado e empurrado com a barriga até agora. Não é de hoje. O Presidente Davi Alcolumbre se comprometeu, ainda em 2019, que acabaria com o segredismo da República – foi o discurso de posse dele. E o que nós vemos é a República do segredismo imperar hoje no Brasil. Até ele, que poderia dar o exemplo, faz o sigilo do Careca do INSS durante cem anos – nunca tinha visto isso no Senado Federal!

    Sr. Presidente, não é culpa dos Senadores não terem vindo aqui durante esse período. Eu deixei claro: é porque não houve convocação do Presidente da Casa.

    E nós precisamos dar uma resposta imediata à sociedade para abrir a CPI, que já tem 51 assinaturas, ou seja, bem mais da metade da Casa. Dos 81, Senador Jaime, 51 assinaram a CPI do Banco Master – está há três meses aqui na mesa, quase; antes do recesso. E tem a CPMI do Deputado Carlos Jordy, que também já conseguiu um número recorde de assinaturas. Não tem como não abrir! Não tem como não abrir, Senador Rogerio Marinho, Líder da Oposição.

    Fala-se aí na mídia que teria um acordo e tudo para o negócio da dosimetria ser votado, e aí tiraria a pressão. Primeiro, eu não ouvi esse acordo em canto nenhum – duvido! – , mas, se tiver, não contem comigo!

    O Sr. Rogerio Marinho (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RN) – O senhor permite um aparte, Sr. Senador?

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Permito.

    Eu só queria deixar claro, Senador Rogerio Marinho, que essa CPI ou CPMI é inegociável. Nós precisamos – temos este dever – abrir, porque não adianta a gente ficar pegando atalho da CPI do Crime Organizado ou da CPI do INSS – de que o senhor é o participante mais ativo ali, combativo – e não ter uma CPI própria do maior escândalo do sistema financeiro do Brasil. Então, é inegociável.

    A dosimetria é algo importantíssimo, legítimo, urgente, porque tem gente inocente pagando pelo que não fez – um processo totalmente irregular. A dosimetria é urgente. Já era para ter sido derrubado o veto do Presidente Lula, o veto vergonhoso da vingança, da revanche.

    Porém, os fins não justificam os meios. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A dosimetria precisa ser votada e derrubada, se Deus quiser, para a pacificação, para a reconciliação nacional, mas essa CPI ou CPMI tem que ser aberta. Não vamos diminuir pressão de jeito nenhum, muito pelo contrário! É isso que, no fechamento para balanço do Senado, até hoje, nós estamos aguardando junto com a população.

    Eu passo primeiro o aparte, se o Presidente me permite, para o Senador Rogerio Marinho, mas depois eu queria concluir uns pontos...

    O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) – Senador Rogerio Marinho.

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... inclusive sobre a CPI do Crime amanhã, que é decisiva para a nação também.

    O Sr. Rogerio Marinho (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RN. Para apartear.) – Agradeço a V. Exa.

    Quero saudar o Senador Chico Rodrigues, que preside aqui o nosso Senado da República, o Senador Jaime Bagattoli e, em especial, o nosso Senador Eduardo Girão, que faz um discurso veemente a respeito de um assunto que certamente interessa ao conjunto da sociedade brasileira.

    Nós estamos falando de um grave crime financeiro, mas, veja, ilustre Senador, isso não é uma exceção; isso é uma regra nos governos do Partido dos Trabalhadores, está no DNA desse partido. Nós estamos, infelizmente, no princípio deste século XXI, em 2026, com quase 20 anos de domínio do PT. Quantas oportunidades perdidas! Quantos problemas causados à sociedade brasileira: o aparelhamento da máquina pública, o compadrio, a dilapidação do patrimônio, a forma desleixada, desavisada e descuidada com que as contas públicas são tratadas, a corrupção generalizada... Tudo isso em nome da perpetuação de um partido no poder, apesar dos brasileiros ou em detrimento dos brasileiros.

    O que a V. Exa. fala tem muita relevância, e vou me deter neste ponto – desculpe o preâmbulo. Os jornais noticiaram, desde ontem, que há uma possibilidade de um acordo. Nós temos um sequestrado no Brasil que é o Presidente Jair Messias Bolsonaro, injustamente preso – preso político –, não por corrupção, não porque roubou, não porque dilapidou o patrimônio público, não porque aparelhou máquina pública, não porque distribuiu benesses com seus apaniguados, mas porque ousou desafiar o sistema. Preso, encarcerado, e com ele centenas de brasileiros que entenderam que o processo eleitoral teve a sua condução viciada. E essa irresignação, que é perfeitamente normal numa democracia, foi externalizada, em alguns casos com vandalismo e com depredação. Isso nós não aceitamos, e as pessoas têm que ser punidas por isso, mas foram condenadas a penas excessivas de 17 anos, de 14 anos, de 12 anos de prisão. Essas pessoas estão sequestradas. E nós estamos vendo aqui este Parlamento, de uma forma reiterada, colocar um preço nesse sequestro: "Ah, nós só vamos votar a anistia se vocês ajudarem a melhorar a questão fiscal", "Nós vamos votar a dosimetria se vocês permitirem que ande aqui o Orçamento", "Nós vamos votar agora a dosimetria...

(Soa a campainha.)

    O Sr. Rogerio Marinho (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RN) – ... se vocês não insistirem na criação de uma Comissão de inquérito para investigar esse escândalo". Esse escândalo, ao mesmo tempo que atinge o sistema financeiro, mostra a promiscuidade do poder, deste Governo que aí está, da classe política e do Judiciário brasileiro, uma instituição que deveria ser isenta e imparcial e que, claramente, tem problemas ligados a esse tema.

    E aí, Sr. Presidente, Sr. Relator, sociedade brasileira que nos ouve agora, é evidente que o sequestrado, por mais atenção que mereça da nossa parte, vai receber a justiça do voto dos Srs. Parlamentares na forma correta e no momento oportuno, mas nós não vamos permitir que ele seja objeto dessa barganha – eu diria – absolutamente hedionda, nefasta, deletéria...

(Soa a campainha.)

    O Sr. Rogerio Marinho (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RN) – ... para com o povo brasileiro. Não dá mais para aceitar esse tipo de chantagem! Não dá para aceitar de maneira nenhuma e, dessa forma, principalmente!.

    O Brasil precisa, eminente Senador Eduardo Girão, ser passado a limpo, literalmente.

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Muito obrigado.

    Sr. Presidente, eu peço que o aparte do brilhante Senador Rogerio Marinho seja incorporado ao meu pronunciamento.

    Eu só faria uma pequena correção, se o senhor me permite, Senador Rogerio Marinho: não são centenas, são milhares de brasileiros que foram sequestrados também, junto com o ex-Presidente Bolsonaro. São milhares de brasileiros que estão sequestrados, e não é justo, não é correto e é inaceitável que se use isso para se barganhar qualquer coisa que seja. Isso não é moral...

(Soa a campainha.)

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... e nós vamos lutar para que não apenas essa CPI seja aberta nesta semana – na data limite, na próxima semana –, porque ninguém aguenta mais... Furou a bolha, Senador Jaime Bagattoli! Senador Fernando Dueire, furou a bolha! Hoje o Brasil fala nisso, graças a Deus. A mídia está entendendo o que está acontecendo e está cobrando resultado. A população – de direita, de esquerda, de centro, contra o Governo, a favor do Governo – está cobrando da gente uma investigação profunda sobre isso, e está aqui na mesa, prontinho para abrir e a gente começar a trabalhar. Não dá mais para adiar.

    A esperança, com o retorno dos trabalhos do Senado, renasce para que o Presidente cumpra seu dever. E nós vamos – falo por mim, nem que seja sozinho – às últimas consequências...

(Soa a campainha.)

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... para que a Presidência desta Casa cumpra seu dever com relação a essas barbaridades que estão acontecendo aqui. A solução está aqui! Não adianta jogar problema em outro poder. A solução está aqui, e esta Casa tem que fazer.

    Sr. Presidente, para encerrar: impeachment de ministro. Também chegou a hora! Há o caso do Toffoli, o caso do Alexandre de Moraes. São 129 milhões de razões para agirmos. Pedidos de impeachment estão aí, robustos. Não tem mais como adiar. E não é uma coisa ou outra, não; têm que ser as duas: impeachment e CPI. Chega! Já deu! Já deu!

    Amanhã, Sr. Presidente, nós temos um atalho na CPI do Crime Organizado.

(Soa a campainha.)

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Vários requerimentos foram pautados, mas alguns saíram – aliás, nem entraram –, como o da esposa do Ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci. Foram R$129 milhões com o Banco Master, um contrato que não existe em nenhum lugar do mundo! Em nenhum negócio trilionário do mundo existe um contrato advocatício como esse, que precisa ser explicado! Nós não podemos fazer de conta que não está acontecendo nada! Ou R$129 milhões se encontram na calçada? Tem um requerimento de convocação, mas não entraram com a quebra de sigilo, que eu pedi. Amanhã, vou insistir: tem que ter. É uma cidadã comum que precisa justificar isso.

    Também temos...

(Soa a campainha.)

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... aquele policial, o Sr. Mattosinho, aquele piloto, que cita nomes de Parlamentares, inclusive de gente do Supremo, de gente de outros Poderes. Esse cara tem que ser ouvido na CPI do Crime Organizado, porque ele diz que coisas erradas foram feitas. Ele tem que ser convocado! Não era para terem tirado esse depoimento dele, não era para terem tirado esse requerimento, que tem que ser avaliado. Vou cobrar, também amanhã, assim como o do senhor que denunciou o esquema de venda de sentenças no STJ. Está lá um requerimento meu. Por que não vai ser analisado?! Por quê?! Quem não quiser votar vote contra, mas tem que ser aberto, a população tem que saber quem pensa o quê.

    Sr. Presidente, eu vi na CNN – para encerrar realmente, eu lhe peço já desculpas – que também estava sendo construído um acordo...

(Interrupção do som.)

(Soa a campainha.)

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... para bagunçar. Não é nem um acordo, é para bagunçar o negócio. O Governo Lula estaria – a base dele – dizendo: "Tudo bem, vamos votar os requerimentos na CPI do Crime desses casos escandalosos, sobre o que o Brasil quer saber, mas tem que botar a vinda do Governador Tarcísio, a vinda do Paulo Guedes, a vinda...". O que é isso?! É assim o jogo?! É bafo?! É aquela coisa do toma lá dá cá?! Tem que ter um ataque aqui...? O que é isso?! Se tiver que votar, eu voto também para vir, mas não faz sentido. Se tiver que votar, voto, o que não pode é tirar outro com medo de investigação. Quem não deve não teme. Amanhã vai ser um dia importantíssimo para a República.

    Que Deus abençoe a nossa nação.

    Muito obrigado.

    E muita paz.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 25/02/2026 - Página 51