Pronunciamento de Eduardo Girão em 03/03/2026
Discurso durante a 7ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Defesa da prorrogação da CPMI do INSS e da instalação de investigação sobre o Banco Master, diante de denúncias de fraudes bilionárias. Contestação de tentativa de anulação de votação que aprovou quebras de sigilo no âmbito da Comissão, com apelo ao Presidente do Senado Federal pela preservação da decisão soberana do colegiado e pela garantia de apuração rigorosa das responsabilidades.
- Autor
- Eduardo Girão (NOVO - Partido Novo/CE)
- Nome completo: Luis Eduardo Grangeiro Girão
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Regime Geral de Previdência Social:
- Defesa da prorrogação da CPMI do INSS e da instalação de investigação sobre o Banco Master, diante de denúncias de fraudes bilionárias. Contestação de tentativa de anulação de votação que aprovou quebras de sigilo no âmbito da Comissão, com apelo ao Presidente do Senado Federal pela preservação da decisão soberana do colegiado e pela garantia de apuração rigorosa das responsabilidades.
- Publicação
- Publicação no DSF de 04/03/2026 - Página 14
- Assunto
- Política Social > Previdência Social > Regime Geral de Previdência Social
- Indexação
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- QUESTIONAMENTO, TENTATIVA, ANULAÇÃO, VOTAÇÃO, QUEBRA DE SIGILO, COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUERITO (CPMI), FRAUDE, DESVIO, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), PRESIDENTE, SENADOR, DAVI ALCOLUMBRE, CONSULTA, ADVOCACIA DO SENADO.
- SOLICITAÇÃO, PRORROGAÇÃO, COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUERITO (CPMI), INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS).
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para discursar.) – Paz e bem, meu querido irmão, Senador Chico Rodrigues. Quero cumprimentar o Senador Jorge Kajuru, o Senador Izalci Lucas, o Senador Paulo Paim, que acabou de subir aqui à tribuna, cumprimentar todos os assessores, os funcionários desta Casa e o brasileiro que está nos assistindo agora. Muito obrigado.
O brasileiro tem despertado, e eu estou feliz. Eu, cada vez mais, tenho fé e esperança de que a virada está próxima e vai ser este ano. Mas o jogo bruto resiste, o jogo bruto não vai largar o osso facilmente, não.
E depois das revelações escandalosas, tanto do maior escândalo do sistema financeiro do Brasil, do Banco Master, como da maior fraude previdenciária do mundo, do INSS, a gente ouve rumores aqui de quererem melar, levar para o tapetão uma votação totalmente democrática, o que eu vou provar aqui, inclusive com precedentes neste Plenário. Soubemos que o Presidente Davi Alcolumbre pediu à Advocacia-Geral do Senado, que tem, claro, sem dúvida nenhuma, os melhores profissionais de advocacia, eu não tenho a menor dúvida, mas, muitas vezes, acontece, e faz parte do jogo, vamos dizer assim, daquela vontade do Presidente de uma linha de recurso prevalecer.
E nós não estamos aqui para brincar. Eu quero alertar que o Brasil espera uma decisão soberana, que a decisão independente e totalmente legítima da CPMI do INSS seja mantida, porque foi totalmente fiel ao Regimento Interno. E, Sr. Presidente, eu vou aqui ler inclusive o precedente que o próprio Davi Alcolumbre leu do lugar em que o senhor está sentado, em 2019, quando nós chegamos aqui.
Então, antes de abordar a imperiosa necessidade de prorrogação da CPMI do INSS, que está mostrando a roubalheira dos aposentados, pensionistas, deficientes, viúvas, mais pobres do Brasil, e antes também de mostrar a necessidade da imediata instalação da CPMI ou CPI do Banco Master, que o Brasil está careca de saber que precisa fazer, e esta Casa tem o dever de fazer isso, eu quero, mais uma vez, explicar o fiel cumprimento do Regimento desta Casa revisora da República na votação que aprovou a quebra de sigilos de Lulinha, filho do Presidente da República, de banqueiros, de planos de voo e de tanta gente poderosa, na última quinta-feira. Por isso, estão querendo blindar de todas as formas.
Naquela sessão, a bancada governista, mais uma vez, adotou uma estratégia com o objetivo de proteger qualquer investigação relacionada ao roubo escandaloso, bilionário, que os menos favorecidos deste país sofreram. Por quê? Porque teme que envolva autoridades ligadas ao Governo e a políticos poderosos. A estratégia foi colocar em votação todos os requerimentos, em bloco, com o objetivo de derrubar a pauta – olha só. Foi então solicitada uma votação nominal e o painel registrou a presença de 31 Parlamentares.
A sessão teve continuidade com a votação de quebra de sigilos de Lulinha e outros requerimentos – foram mais de 80 –, que teve maioria clara, pela votação simbólica. A partir daí, começou a confusão, pela pressão da tropa de choque. E eu tenho que falar tropa de choque mesmo, do Governo Lula, porque partiram para a agressão, para a intimidação do Presidente Carlos Viana, do Relator, brilhante Alfredo Gaspar, e de colegas que estavam ali para proteger o andamento, com civilidade, daquela votação, daquela sessão. O exemplo tem que partir de cima, nós temos que dar o exemplo, e não partir para tabefe, para pontapé, para quebradeira porque houve uma quebra de sigilo. A verdade tem que vir à tona. Quem tem medo da verdade?
Então, Sr. Presidente, o Presidente Carlos Viana, nosso colega aqui, procedeu duas vezes à contagem manual dos votos, citando nome a nome, e nenhuma delas atingiu o número de 16 votos que seriam necessários, pois o painel registrou a presença – repito – de 31 Parlamentares. Ele contou sete, e, mesmo que tivesse 14, 15, não interessa, perdeu. Perdeu, tem que aceitar perder, e não querer pegar a bola do jogo e levar para choramingar com o Presidente da Casa, que não deve, jamais, interferir. Seria um precedente terrível, a primeira vez na história do Senado em que uma Presidência da Casa iria interferir numa Comissão soberana.
Espero que isso não vá acontecer, mas olha o precedente de que tem que ser respeitada essa votação simbólica com o painel aberto...
Eu repito, mais uma vez: o Presidente Carlos Viana agiu com serenidade e responsabilidade, seguindo fielmente o Regimento Interno da Casa em seu art. 293, que regula essa questão, exigindo um intervalo mínimo de uma hora entre duas votações nominais. Olha só! Todo mundo sabe disso.
Esse é o critério consolidado e correto para impedir obstrução irregular nas votações, tanto nas Comissões quanto no Plenário. São, portanto, muitos os precedentes, e eu – Senador Jorge Kajuru, Senador Izalci, vocês sabem, nós, juntos, participamos de praticamente todas as CPIs e CPMIs aqui desta Casa – muitas vezes, como titular, já vi várias votações iguais, com o mesmo critério, mas agora querem mudar a regra do jogo na hora do jogo.
Atenção, Brasil!
Vou trazer aqui o precedente clássico. Vale a pena recordar o dia 28 de maio de 2019, durante a votação da Medida Provisória nº 870, que cuidava da restruturação administrativa do Governo com a redução do número de ministérios. Lembram-se? A gente estava começando aqui.
Como o próprio Congresso decidiu alterar a vinculação do Coaf, deixando-o no Ministério da Economia, foi feito um destaque para o órgão ficar no Ministério da Justiça, o que é mais correto. Essa proposição foi rejeitada através do voto simbólico.
Eu, Senador Eduardo Girão, em 2019, no primeiro ano, imediatamente questionei o resultado junto ao Presidente Davi Alcolumbre, no microfone ali perto de onde o Senador Kajuru está, pois tínhamos maioria em Plenário naquele momento.
O Presidente Davi Alcolumbre fez, então, a contagem manual dos votos contrários presentes em Plenário e comparou com o número total registrado no painel, ou seja, fez exatamente como procedeu o Presidente Senador Carlos Viana.
Portanto, é incabível qualquer iniciativa no sentido de anular a votação da CPMI. Ele contou aqui 31 votos...
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... no painel tinham 60.
Eu me lembro de que o nome do Senador Kajuru foi também contado, o meu e de outros colegas aqui, mais de 30, mas nós perdemos mesmo tendo maioria física aqui, clara. Nós perdemos porque, no painel, estavam contando outros que não estavam. Olhe só, Sr. Presidente – para encerrar – essa situação.
É fundamental a prorrogação desta CPMI por, pelo menos, 60 dias. É urgente e inadiável. Apesar de todo o esforço da bancada governista para dificultar os trabalhos, a CPMI do INSS vem avançando porque tem um Presidente e um Relator verdadeiramente independentes. É uma audiência total na TV Senado, na TV Câmara. O povo brasileiro acompanha com sede de justiça. É uma CPMI de sucesso.
Então, Sr. Presidente, demonstrando...
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... a importância da CPMI, que vem atendendo ao clamor da sociedade, o próprio Lulinha já teria admitido publicamente, junto com interlocutores – saiu publicamente no jornal O Estado de S. Paulo –, o seu vínculo com o Careca do INSS que, obviamente, não se resume ao pagamento da viagem a Portugal, tem o hotel de luxo. A gente precisa saber se é muito mais do que isso, porque é citada uma mesada, um "mesadão", de R$300 mil por mês, pela própria Polícia Federal, para o Lulinha, e R$25 milhões de luvas. Como é que a gente não vai fazer o nosso trabalho e nos aprofundar para ver se isso é verdade, quem é culpado e quem não é?
Se o senhor me der um minuto a mais eu me comprometo a encerrar, já agradecendo aos colegas a benevolência. E ao Presidente.
Então, Sr. Presidente, o povo brasileiro não suporta...
(Soa a campainha.)
O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... mais tantos escândalos de corrupção e tanta impunidade.
Esta CPMI pode ser um instrumento histórico para enfrentar a profunda degradação moral que assola a nação brasileira, envolvendo autoridades dos três Poderes da República.
Eu encerro com esse profundo pensamento deixado, há 800 anos, por um dos maiores filósofos e teólogos da Igreja Católica São Tomás de Aquino, abro aspas: "Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é negá-la".
Então, Sr. Presidente, que o nosso Presidente da Casa revisora da República, que daqui a pouco estará aqui, não caia nessa armadilha de tentar anular uma decisão totalmente soberana – que Deus abençoe! –, porque temos precedentes.
Muito obrigado.