Discurso durante a Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Reflexão sobre a possível perda de confiança da população nas instituições nacionais, destacando denúncias contra autoridades por supostas violações aos preceitos éticos e republicanos, bem como preocupação com a dificuldade de avanços em pautas relevantes para o país. Denúncia contra os "penduricalhos" e supersalários no Judiciário. Manifestação de desconforto com conflitos éticos no STF.

Autor
Oriovisto Guimarães (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/PR)
Nome completo: Oriovisto Guimaraes
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Atuação do Judiciário:
  • Reflexão sobre a possível perda de confiança da população nas instituições nacionais, destacando denúncias contra autoridades por supostas violações aos preceitos éticos e republicanos, bem como preocupação com a dificuldade de avanços em pautas relevantes para o país. Denúncia contra os "penduricalhos" e supersalários no Judiciário. Manifestação de desconforto com conflitos éticos no STF.
Publicação
Publicação no DSF de 04/03/2026 - Página 39
Assunto
Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
Indexação
  • DENUNCIA, REMUNERAÇÃO, MAGISTRADO, JUDICIARIO, DESRESPEITO, TETO REMUNERATORIO.
  • DENUNCIA, CONFLITO DE INTERESSES, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), FAMILIA, CONTRATAÇÃO, ESCRITORIO, ADVOCACIA, MINISTRO, ALEXANDRE DE MORAES.
  • COMENTARIO, COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA DE INQUERITO (CPMI), FRAUDE, DESVIO, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), PARTICIPAÇÃO, FILHO, PRESIDENTE DA REPUBLICA, LUIZ INACIO LULA DA SILVA.
  • CRITICA, POLARIZAÇÃO POLITICA.

    O SR. ORIOVISTO GUIMARÃES (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - PR. Para discursar.) – Presidente Plínio, é uma satisfação vê-lo nessa cadeira, sustentando a pouca atividade que temos tido no Senado Federal nestas últimas semanas.

    Presidente, o que me traz aqui hoje é dizer aos nossos eleitores, é dizer ao povo brasileiro o óbvio, o que todo mundo já sabe, mas que é preciso ser dito, que é preciso ser colocado em palavras.

    O Brasil vive um certo mormaço, um clima muito triste, horroroso mesmo, em que ficam claras situações constrangedoras no Judiciário quer seja pelas denúncias feitas pelo próprio Judiciário, o Ministro Dino, em que os penduricalhos reinam país afora, em que milhares de funcionários ganham mais de R$100 mil por mês, se apossam do dinheiro dos impostos e constituem uma verdadeira casta de nobres que vivem às custas do Erário. Não há limite para essa gente. Fazem as próprias regras. E é comum lermos notícias de que o desembargador tal, o procurador tal recebeu R$500 mil, recebeu R$800 mil. Isso acontece todos os dias na nossa imprensa.

    Como se não bastasse, no próprio Supremo, temos questões terríveis como essa questão muito difícil do escritório de advocacia da esposa do Ministro Alexandre de Moraes. Legalmente, nenhum problema, mas, moralmente e eticamente, muito complicado, assim com o esquema do hotel, da renúncia do Ministro Toffoli em relatar esse caso.

    Duas CPIs andam aqui neste Congresso; uma, dos velhinhos do INSS que tiveram as suas aposentadorias roubadas. E quebram o sigilo, e o filho do Presidente Lula, o Lulinha, já admite que teve viagem, já admite que teve hotel pago pelo Careca do INSS. O sigilo ainda não efetivamente quebrado, mas só Deus sabe o que vem por aí. O telefone do Vorcaro ainda não foi liberado pela Polícia Federal, mas só Deus sabe o que vem por aí.

    Então, nós vivemos um clima assim de incredulidade, em que o cidadão começa a perder a fé nas instituições, perder a fé no Judiciário, perder a fé no Executivo, perder a fé no Legislativo. E, de novo, nós caminhamos para uma polarização, quando vamos decidir, de novo, entre Bolsonaro e Lula, não mais o Jair Bolsonaro; agora, Flávio Bolsonaro.

    Passam-se os anos, e o Brasil continua no mesmo diapasão.

    Eu só quero dizer o seguinte: está difícil. Está difícil até ser Senador. Está difícil.

    Os problemas reais da nação não são sequer comentados. E pautas, como o fim da reeleição para Presidente da República, não caminham, e tantas outras pautas importantes que poderiam realmente mudar a cara deste país simplesmente não são discutidas. O que se está fazendo, na verdade, é esperar passar a tempestade e esperar que nada aconteça para ninguém que está envolvido nela.

    Esse é um retrato triste que eu vejo no Brasil de hoje, e, dentro dos meus limites, tento falar sobre o assunto, mas sei que pouco posso. Eu e muitos colegas que estão aqui pouco podemos, mas a gente pode, pelo menos, dizer que está preocupado e que está tentando encontrar um caminho para fazer alguma coisa, mas está difícil. Está muito difícil.

    Era isso, Sr. Presidente.

    Obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 04/03/2026 - Página 39