Pronunciamento de Jorge Kajuru em 04/03/2026
Discurso durante a 8ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Registro de desdobramentos recentes da Operação Compliance Zero, que resultaram em uma nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, além da detenção de outros suspeitos relacionados ao caso do Banco Master.
- Autor
- Jorge Kajuru (PSB - Partido Socialista Brasileiro/GO)
- Nome completo: Jorge Kajuru Reis da Costa Nasser
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Administração Pública Indireta,
Fiscalização e Controle,
Sistema Financeiro Nacional:
- Registro de desdobramentos recentes da Operação Compliance Zero, que resultaram em uma nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, além da detenção de outros suspeitos relacionados ao caso do Banco Master.
- Aparteantes
- Eduardo Girão, Jorge Seif.
- Publicação
- Publicação no DSF de 05/03/2026 - Página 12
- Assuntos
- Administração Pública > Organização Administrativa > Administração Pública Indireta
- Organização do Estado > Fiscalização e Controle
- Economia e Desenvolvimento > Sistema Financeiro Nacional
- Indexação
-
- REGISTRO, LIQUIDAÇÃO, BANCO COMERCIAL, BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN), OPERAÇÃO, POLICIA FEDERAL, PRISÃO PREVENTIVA, BANQUEIRO, EMPRESARIO, DANIEL VORCARO, DECISÃO JUDICIAL, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF), ANDRE MENDONÇA, ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, PARTICIPAÇÃO, SERVIDOR PUBLICO CIVIL, AUTARQUIA FEDERAL, LIGAÇÃO, EMPRESA, CONSULTORIA, EMPREENDIMENTO, MERCADO IMOBILIARIO, COMENTARIO, POSSIBILIDADE, DELAÇÃO PREMIADA.
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Para discursar.) – Obrigado, amigo Chico Rodrigues, que orgulha a nossa amada Roraima.
Brasileiras e brasileiros, minhas únicas vossas excelências, ocupo a tribuna, neste 4 de março de 2026, para tratar novamente do caso Master, que vem mexendo com estruturas de poder no Brasil desde novembro do ano passado, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master S.A. e a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero.
Na semana passada, falei aqui da crise de liquidez, de violações a normas do Sistema Financeiro Nacional e deixei no ar uma pergunta, qual foi? Como Daniel Vorcaro – esse 171 ou 17/1 – conseguiu agir por tanto tempo, de 2018 a 2025, e tecer com tamanha desenvoltura a, entre aspas, "maior fraude bancária da história do país"?
Boa parte da resposta veio hoje, com a prisão preventiva de Daniel Vorcaro e de mais três pessoas pela Polícia Federal mediante autorização do Ministro do STF André Mendonça, que substituiu o Ministro Dias Toffoli na relatoria do inquérito relacionado ao caso Master. Agora, descobre-se que Daniel Vorcaro, mais do que dono de um banco de terceira categoria, é, de fato, líder de organização criminosa.
Segundo uma decisão do Ministro André Mendonça, Daniel Vorcaro emitiu ordens diretas para que fossem praticados atos de intimidação de pessoas, entre as quais concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas – jornalista, Plínio Valério, Senador reeleito do Amazonas, como eu também jornalista –, que seriam estas vistas como prejudiciais aos interesses da organização e com vistas à obstrução da Justiça. Mais grave ainda, o dono do Banco Master teve acesso prévio a informações relacionadas à realização de diligências investigativas, tendo realizado anotações e comunicações relativas a autoridades e procedimentos associados às investigações em andamento.
Isso, sim, gente, é crime organizado, verdadeira máfia, que se autodenominava "A Turma". Segundo a Polícia Federal, Daniel Vorcaro definia as estratégias financeiras da "Turma" e dava todas as ordens. Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro, preso hoje também, agia como operador financeiro. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão – que não tem nada a ver com o nosso Presidente General Hamilton Mourão –, outro preso hoje, executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral – repito, física e moral –, integrava o grupo conhecido como "Sicário". Sabe qual é o sinônimo de sicário? Matador de aluguel.
O Girão assustou. Matador de aluguel.
Por último, foi preso Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado. Vejam só, ele teria usado a experiência e os contatos da carreira policial para obter informações sigilosas e realizar vigilância clandestina de alvos definidos pela organização. Recebia de Vorcaro R$1 milhão por mês.
Além dos quatro presos, outras quatro pessoas foram alvos da Operação Compliance da Polícia Federal. Terão de usar tornozeleira eletrônica e entregar os passaportes. Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, pasmem, eram funcionários graduados do Banco Central, justamente do setor de fiscalização. Atuavam, segundo a Polícia Federal, como dublês de servidores públicos e consultores de Daniel Vorcaro. Foram judicialmente afastados do Bacen, que já havia adotado medida administrativa nesse sentido em janeiro.
Leonardo Augusto Furtado Palhares administrava a empresa Varajo Consultoria, e Ana Claudia Queiroz de Paiva é sócia da empresa Super Empreendimentos. As duas companhias tiveram suas atividades suspensas, assim como outras três, a Moriah Asset, a King Participações Imobiliárias e a King Motors. Essas empresas eram empregadas para formalizar contratos simulados e realizar a movimentação de recursos da organização criminosa.
Não poderia deixar de registrar aqui, senhoras e senhores, neste pronunciamento, que a Polícia Federal encontrou, no celular de Daniel Vorcaro, mensagens que citam a intenção – e prestem atenção –, a intenção de forjar um assalto contra Lauro Jardim, irretocável jornalista de O Globo, como forma de intimidação. Aspas, "Esse Lauro, quero mandar dar um pau nele, quebrar todos os dentes dele num assalto", disse textualmente o banqueiro. Que audácia! Típica de líder de um grupo criminoso com raízes dentro do Estado brasileiro.
Por tudo o que ficamos sabendo hoje, é de se estranhar a libertação de Vorcaro dez dias depois de sua prisão em novembro. Vamos ver como vai agir daqui para a frente a Procuradoria-Geral da República e ficar atentos aos desdobramentos das investigações, sem deixar de considerar uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro.
Aí eu quero que se registre nos Anais desta Casa, Presidente Chico Rodrigues. Eu cito, a respeito, o trecho de hoje da coluna do ameaçado jornalista Lauro Jardim, aspas, disse Lauro, com a experiência dele: "Se Vorcaro falar o que sabe, o que viu e der os detalhes dos negócios de que participou, meia República vem abaixo."
Repito, de Lauro Jardim, jornal O Globo: se ele fizer a delação premiada, "meia República vem abaixo", ou seja, cai.
Agradecidíssimo.
O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Meu querido Senador...
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – E tomara que caia.
O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Pois é.
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – Aparte ao Senador Eduardo Girão, com prazer, sempre.
O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para apartear.) – Eu queria, Presidente, rapidamente, no um minuto que ele tem...
Senador Kajuru, parabéns pelo seu discurso – talvez um dos melhores. Eu sei que você já fez vários...
(Soa a campainha.)
O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... maravilhosos aqui, e eu sou testemunha...
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Fora do microfone.) – Obrigado.
O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – ... mas esse foi muito forte, muito convicto.
E eu quero lhe dizer uma coisa. Quem falou não foi só Lauro Jardim, que, se Vorcaro falar o que ele sabe, cai metade de Brasília. O próprio Presidente do PL, Valdemar Costa Neto, falou do envolvimento de muita gente no Banco Master, com relação, inclusive, a pessoas... Ele deu a entender que eram Prefeitos, do interior – não sei –, políticos que entraram nessa questão do Banco Master, com letras mortas. Então, que a verdade inteira venha à tona.
Parabéns pelo seu pronunciamento!
Que Deus o abençoe e o guarde, Senador Jorge Kajuru.
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – Obrigado, Girão.
O Sr. Jorge Seif (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Eu queria um aparte, se o Presidente der mais um minutinho.
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – Pois não, Seif.
E a gente fica tranquilo, porque, se cair a metade desta República, nessa metade, Seif, Girão, Paim, eu, Plínio, Chico, nós não estamos. Por isso, tomara que ela caia.
O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Fora do microfone.) – Isso.
O Sr. Jorge Seif (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC. Para apartear.) – Obrigado, Sr. Presidente.
Kajuru, parabéns pelo seu pronunciamento!
Eu entendo que nós... Acompanhando as redes, as tendências, a própria imprensa, hoje existe uma responsabilidade muito grande do Senado Federal, do Presidente Davi, de todos nós enquanto representantes da população brasileira. Nós precisamos abrir uma CPMI do Banco Master com urgência. É uma necessidade. Nós devemos isso à população brasileira, independentemente dos nossos partidos, independentemente de quem seja atingido. Quem tiver que pagar, que pague; quem for inocentado, que seja inocentado, que tenha ampla defesa, mas não dá para o Congresso Nacional se omitir diante de tantas arbitrariedades.
Nós estamos falando de um dos maiores criminosos, recentemente, da história do Brasil. Ou seja: não eram só crimes financeiros contra a nação, contra bancos, contra o Banco Central, servidores envolvidos...
(Interrupção do som.)
(Soa a campainha.)
O Sr. Jorge Seif (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – Obrigado, Sr. Presidente.
Nós estamos falando de uma teia de influência de lobista que atinge o Governo Federal, o Parlamento, prefeituras, Legislativo e Judiciário. Então, não dá para nós ficarmos calados. Eu faço aqui uma conclamação à população que nos assiste e a cada um dos colegas Senadores e Senadoras: nós precisamos sensibilizar, falar com o Presidente Davi Alcolumbre para que seja aberta essa CPMI, para que esse caso do Master venha à tona, assim como tem ocorrido, Kajuru – eu sei que o senhor acompanha –, na CPMI do INSS, que, mesmo com toda a blindagem, mesmo com interferências absurdas de outros Poderes nesta Casa, ainda assim, a verdade está sendo trazida à tona e a população brasileira está fazendo um bom juízo de quem fez os malfeitos, de quem cometeu crimes na nossa nação.
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – Tem toda a razão, Seif.
(Soa a campainha.)
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – Presidente Chico, rapidamente.
Entre as gravações, há uma outra frase desse sujeito, desse Vorcaro, em que ele se dirige a uma funcionária com a seguinte expressão: "Tem que moer essa vagabunda".
Se a gente não entrar com uma CPMI aqui, é passar um recibo à nação. É, sinceramente, pedir renúncia. Não dá vontade nem de comparecer e, muito menos, de falar aqui na tribuna, se a gente não tomar uma providência como essa. Pelo amor de Deus!