Discussão durante a Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Discussão sobre o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) n° 41, de 2026, que "Aprova o texto do Acordo Provisório de Comércio entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e seus Estados-Partes, de um lado, e a União Europeia (UE), de outro, assinado em Assunção, Paraguai, em 17 de janeiro de 2026".

Autor
Nelsinho Trad (PSD - Partido Social Democrático/MS)
Nome completo: Nelson Trad Filho
Casa
Senado Federal
Tipo
Discussão
Resumo por assunto
Comércio, Relações Internacionais:
  • Discussão sobre o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) n° 41, de 2026, que "Aprova o texto do Acordo Provisório de Comércio entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e seus Estados-Partes, de um lado, e a União Europeia (UE), de outro, assinado em Assunção, Paraguai, em 17 de janeiro de 2026".
Publicação
Publicação no DSF de 05/03/2026 - Página 47
Assuntos
Economia e Desenvolvimento > Indústria, Comércio e Serviços > Comércio
Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Relações Internacionais
Matérias referenciadas
Indexação
  • DISCUSSÃO, PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO, APROVAÇÃO, TEXTO, ACORDO INTERNACIONAL, CARATER PROVISORIO, COMERCIO, MERCADO COMUM DO SUL (MERCOSUL), UNIÃO EUROPEIA.

    O SR. NELSINHO TRAD (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSD - MS. Para discutir.) – Antes de iniciar o mérito do discurso, eu queria fazer um agradecimento, Senador Davi, a V. Exa., que confiou na minha pessoa para presidir a Comissão de Relações Exteriores no primeiro mandato – não me conhecia – e reafirmou a confiança depois que V. Exa. voltou à Presidência. Isso me orgulha, me enche de alegria. É um privilégio poder trabalhar dentro daquela Comissão.

    Eu me dediquei muito para que este momento pudesse estar acontecendo. Foram várias viagens para Montevidéu, participando do Parlasul, junto com o Senador Humberto Costa, outro assíduo participante do Mercosul. Viajamos para a Europa. V. Exa. nunca deixou de nos auxiliar no sentido de dar toda a força, a estrutura para a gente poder chegar aonde a gente tinha que chegar. E tudo o que a gente fez tinha um mérito e uma função primordial: fazer com que este momento pudesse acontecer.

    Hoje, estamos diante de uma data histórica para o Brasil, um momento que simboliza décadas de negociações, desafios e persistência, um momento em que o Brasil reafirma sua vocação de protagonismo no cenário internacional.

    Como Chefe da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, como Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e como representante do Estado de Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com um país do bloco, dediquei esforços incansáveis à realização do Acordo Mercosul-União Europeia. E afirmo com convicção: esse acordo não é apenas desejável, ele é necessário. Ele é a chave para dinamizar nossa economia, gerar empregos, atrair investimentos, diversificar nossa pauta exportadora e fortalecer micro, pequenas e médias empresas. Ele é a oportunidade de colocar o Brasil na primeira liga da economia internacional. Trata-se da inserção estratégica do Brasil no mundo, de criar novas cadeias de valor, de projetar a imagem de um país aberto, responsável e inovador.

    Tive a honra de buscar, nesse esforço, uma atuação que não se restringiu ao Brasil. Vivemos todos, e nós sabemos disso, tempos desafiadores. Como Presidente da Comissão Temporária Externa para relações econômicas com os Estados Unidos, defendi a missão desta Casa a Washington, em meio ao tarifaço – e V. Exa. sempre apoiou também –, buscando a interlocução necessária em um momento muito conturbado.

    E eu me lembro, Presidente Davi, de que, quando a gente constituiu a comissão para ir aos Estados Unidos, alguns colegas falaram: "Mas você está louco? Você marcou alguma coisa lá?" – e nós não tínhamos marcado –, "Nós vamos bater na porta deles". "Mas isso é uma missão impossível", falaram. E me lembrei da história que eu li de Walt Disney. Walt Disney, quando anunciou que ia construir a Disneylândia, falaram para ele: "Mas isso é impossível". Sabe qual foi a resposta dele, Presidente Davi? "Prefiro militar no impossível, porque a concorrência é menor", e lá ele foi e construiu. E nós fomos – está aqui a Senadora Tereza, está aqui o Senador Fernando Farias – para os Estados Unidos; chegou no terceiro dia, a gente teve que cancelar agenda, porque não cabia mais, todo mundo queria falar com a gente. E, no dia do nosso regresso, no aeroporto, a gente já soube que, em algumas pautas que a gente levou, já tinha caído a sobretarifa de 700 itens. E tem mais: lá nós ouvimos dos nossos colegas Parlamentares o seguinte: "Vocês vão ter uma surpresa, porque isso vai ser questionado na Suprema Corte e isso vai ser derrubado, porque o instrumento que o Presidente Trump usou para poder fazer o decreto da sobretarifa teria que ter passado no Congresso e não passou". E os Deputados e Senadores falaram para nós: "Isso tinha que ter passado aqui. Vocês vão ver como isso vai cair". E deu no que deu.

    Mas vamos lá. Fomos para Bruxelas, fomos para Estrasburgo, fomos para Lisboa, fui para Varsóvia, fui para Paris, fomos para vários locais da Europa para poder conversar com os eurodeputados. Não foi fácil. Porém uma máxima a gente aprende no nosso Parlamento: o Parlamento é a Casa da divergência, do debate. Era normal que por lá alguns fossem contra, como a gente viu que foram, mas esse é um acordo de ganha-ganha. A expectativa, tanto para o setor da indústria quanto para o setor do agro, é extremamente positiva.

    E quis calhar em toda essa história, o que é a cereja do bolo, que a Senadora Tereza Cristina veio a ser a Relatora. Por quê? Porque, em 2019, quando isso estava adormecido, teve alguém que se preocupou com essa história, pegou aqui um avião e foi para lá para poder debater, desenhar e assinar aquilo que hoje está sendo referendado, que foi a Senadora Tereza Cristina, então Ministra da Agricultura.

    Então as coisas estão começando a se encaixar, estão começando a demonstrar ao Brasil que esta Casa tem pautas positivas, pautas boas, para que a sociedade possa sentir que realmente isso aqui vai diminuir carga tributária de produtos, reduzir impostos e gerar desenvolvimento, emprego e renda para quem quiser fazer negócio com a Europa.

    Quero aqui agradecer também ao corpo diplomático que nos assessora; agradecer ao Itamaraty, nas pessoas do Embaixador Bruno e do Embaixador Fox, que aqui se encontra; dizer que a gente nunca deixou de ter embaixadores do Itamaraty, o apoio de V. Exas.; agradecer ao Juliano, ao Bettarello, à Thaisa, ao Zé Luiz, à Samyra, à Sheyla, a todos que ajudaram a gente a chegar a este momento histórico; ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, na pessoa do Vice-Presidente Alckmin.

    Está aqui a Tatiana Prazeres. Não teve uma reunião de discussão, mesmo que fosse longa, conturbada, em que não estivesse lá a Tatiana acompanhando e vendo ponto por ponto para chegar a este momento.

    Presidente, hoje é um dia de celebração. V. Exa. vai estar com a oportunidade de escolher um dia da semana que vem para a gente fazer a promulgação, um ato festivo de se celebrar esse assunto que com certeza entrou para a história como o maior acordo entre blocos de países que existe na humanidade: Mercosul e União Europeia. Viva esse acordo!

    E aqui fica registrado que nós já aprovamos o acordo de livre comércio com a Efta, que são outros países – Liechtenstein, Suíça, Islândia e Noruega. Precisa ser também assinado com Singapura. Nós temos três acordos, Dra. Tatiana, pendentes para a gente poder fazer com que isso já rode e fique pronto para que a sociedade possa sentir isso.

    Vivam os acordos celebrados e viva o Brasil diante dessa nova perspectiva que tem na economia global!

    Muito obrigado, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 05/03/2026 - Página 47