Discurso durante a 12ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Críticas à atuação internacional do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com acusação de abuso de poder, desrespeito ao direito internacional e promoção de conflitos armados, além de menção a possíveis repercussões políticas internas nos EUA.

Autor
Jorge Kajuru (PSB - Partido Socialista Brasileiro/GO)
Nome completo: Jorge Kajuru Reis da Costa Nasser
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Assuntos Internacionais, Conflito Bélico:
  • Críticas à atuação internacional do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com acusação de abuso de poder, desrespeito ao direito internacional e promoção de conflitos armados, além de menção a possíveis repercussões políticas internas nos EUA.
Publicação
Publicação no DSF de 12/03/2026 - Página 39
Assuntos
Outros > Assuntos Internacionais
Outros > Conflito Bélico
Indexação
  • DENUNCIA, CRITICA, DONALD TRUMP, PRESIDENTE, ESTADOS UNIDOS DA AMERICA (EUA), ABUSO DE PODER, GUERRA, CONFLITO, SEQUESTRO, NICOLAS MADURO, VENEZUELA, HOMICIDIO, LIDER, IRÃ, ALI KHAMENEI, PREJUIZO, PREÇO, PETROLEO, CONSEQUENCIA, ELEIÇÕES.

    O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Para discursar.) – Abraço, querido e voz respeitada do nosso amado Pernambuco, Senador Humberto Costa.

    Brasileiras e brasileiros, minhas únicas vossas excelências, a minha fala na tribuna nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, é sobre o cidadão que vem bagunçando a ordem mundial com ações recorrentes que caracterizam abuso de poder e absoluto desrespeito ao direito internacional – isso porque eu não quero usar adjetivos mais pesados –, mas eu odeio até quando o vejo na TV.

    Ele age com deliberada ignorância às regras civilizatórias, num misto de desvario, soberba e prepotência.

    Refiro-me a Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, homem que se diz merecedor do Prêmio Nobel da Paz enquanto ele atua como um senhor da guerra.

    Quando empossado, em janeiro de 2025, declarou que, ao fim do mandato, o legado do qual mais vai se orgulhar é o de "pacificador". Como coerência não é um de seus atributos, em menos de 14 meses na Presidência da nação mais poderosa do mundo, já autorizou ações militares em sete países. Só em 2026, já determinou o sequestro de um chefe de Estado, o Presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, e o assassinato de outro, o Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Parece querer sinalizar que, como no velho oeste norte-americano, agora estamos em tempos de bangue-bangue, e dane-se o resto do mundo, como acontece agora por causa da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

    O conflito no Oriente Médio – onde ficam cinco dos dez países que mais produzem petróleo – afeta os preços dos combustíveis e causa impactos negativos na economia global, mas Trump procura mostrar que não está nem aí e segue confortável no papel a que se atribuiu.

    Mesmo em meio à guerra no Oriente Médio – onde o conflito pode se prolongar mais do que queria e imaginava –, Trump já faz ameaças a outro país: Cuba, na América Central. Há dias, enfatizou que o país caribenho "está em seus últimos dias de vida". Anunciou, sem detalhes, uma grande mudança para Cuba e, no habitual tom ameaçador, concluiu – abro aspas –: "Pode ser uma tomada de controle amigável ou não" – fecho aspas.

    Aos sobressaltos, o mundo se pergunta até aonde vai a índole autoritária do narcisista Donald Trump. Existiriam limites para o candidato a imperador do mundo, que se mostra capaz de usar qualquer instrumento de poder – econômico, político ou militar – em busca da consolidação da supremacia da nação mais poderosa da Terra? Para ele só existe um, como declarou há dois meses em entrevista exclusiva ao jornal The New York Times – abro aspas –: "Sim, há uma coisa: minha própria moralidade, minha própria mente é a única coisa que pode me parar" – fecho aspas. Difícil, porque não tem mente.

    Eu discordo. A meu ver, quem pode frear Trump é o povo norte-americano. As pesquisas mostram que menos de 30% dos norte-americanos apoiam a ação militar contra o Irã, independentemente do fato de o país ser uma teocracia autoritária e sanguinária, ou seja, a maioria está contra.

    Isso quer dizer que não está dando certo a estratégia de colecionar inimigos externos para colocar em segundo plano as dificuldades internas, que são muitas, da decepção com a condução da economia até a rejeição à política violenta de imigração, sem contar o suposto envolvimento dele no escândalo do caso Jeffrey Epstein, o financista que comandou uma rede de abuso sexual de menores, da qual teriam participado personalidades das artes, do esporte e da política. Trump correria sério risco de derrota nas eleições de meio de mandato em novembro, quando serão renovadas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 cadeiras do Senado – tomara que perca –, sobretudo porque se esqueceu da promessa principal feita em campanha: a de não envolver mais os Estados Unidos em conflitos armamentistas.

    E o senhor da guerra não esconde que teme o resultado da futura disputa eleitoral entre democratas e republicanos – aspas –: "Se não vencermos as eleições legislativas, sofrerei impeachment". Tomara, Trump! Sem querer me imiscuir em assuntos internos de outro país, o que para Donald Trump é rotina, à distância, sim, senhoras e senhores, torço ardorosamente para que, desta vez, o seu vaticínio se concretize.

    Agradecidíssimo.

    Deus e saúde.

    Obrigado, Presidente Humberto.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 12/03/2026 - Página 39