Discurso durante a 15ª Sessão Especial, no Senado Federal

Sessão Especial destinada a celebrar e promover o lançamento do Guia da Candidata, em alusão ao Mês da Mulher, com foco na prevenção e no enfrentamento à violência política de gênero. Diagnóstico da desigualdade partidária, apontando que a baixa representação feminina não decorre de falta de vocação, mas de obstáculos práticos, como o acesso restrito a financiamentos e a ausência de redes de apoio nas cúpulas dos partidos. Defesa de que o ataque às parlamentares coloca em risco a própria democracia, pois priva o país da sensibilidade e da liderança necessárias para enfrentar desafios nacionais.

Autor
Leila Barros (PDT - Partido Democrático Trabalhista/DF)
Nome completo: Leila Gomes de Barros Rêgo
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Eleições e Partidos Políticos, Mulheres:
  • Sessão Especial destinada a celebrar e promover o lançamento do Guia da Candidata, em alusão ao Mês da Mulher, com foco na prevenção e no enfrentamento à violência política de gênero. Diagnóstico da desigualdade partidária, apontando que a baixa representação feminina não decorre de falta de vocação, mas de obstáculos práticos, como o acesso restrito a financiamentos e a ausência de redes de apoio nas cúpulas dos partidos. Defesa de que o ataque às parlamentares coloca em risco a própria democracia, pois priva o país da sensibilidade e da liderança necessárias para enfrentar desafios nacionais.
Publicação
Publicação no DSF de 18/03/2026 - Página 24
Assuntos
Outros > Eleições e Partidos Políticos
Política Social > Proteção Social > Mulheres
Matérias referenciadas
Indexação
  • SESSÃO ESPECIAL, CELEBRAÇÃO, LANÇAMENTO, MANUAL, CANDIDATO, MULHER, PREVENÇÃO, COMBATE, VIOLENCIA, NATUREZA POLITICA, GENERO, MES, MARÇO.
  • NECESSIDADE, AUMENTO, REPRESENTAÇÃO, MULHER, POLITICA, ACESSO, RECURSOS FINANCEIROS, APOIO, PARTIDO POLITICO, IMPORTANCIA, DEMOCRACIA.

    A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF. Para discursar.) – Somos suspeitas – né? –, até porque a recíproca é verdadeira.

    Eu gostaria de cumprimentar a Presidente desta sessão e Procuradora Especial da Mulher – uma querida surpresa, uma surpresa maravilhosa para a nossa Bancada Feminina –, Senadora Augusta Brito; também a Ministra dos Povos Indígenas e Deputada Federal, Sonia Guajajara, que é uma grande companheira de luta – realmente, né, Sonia? –, seja na pauta ambiental, seja tratando os nossos povos originários, seja falando das mulheres, estamos sempre nesse front; a Sra. Coordenadora-Geral dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados e Deputada Federal, Jack Rocha; a Sra. Presidente do Instituto E Se Fosse Você e que tem uma linda trajetória também na política, Manuela d'Ávila.

    Queria cumprimentar, de forma muito carinhosa também, a Raquel Branquinho, que é a nossa Procuradora Regional da República da 1ª Região e Diretora da Escola Superior do MPU – seja muito bem-vinda, Doutora –; e a todas as mulheres que estão aqui presentes. Que alegria ver este Plenário recheado de mulheres com uma trajetória linda – nossas Deputadas, Senadoras e mulheres que representam entidades, também a nossa sociedade civil. Enfim, sejam todas muito bem-vindas.

    Hoje o Senado Federal realiza um ato que tem um significado profundo para a democracia brasileira, que é o lançamento do Guia da Candidata, em plena celebração do Mês da Mulher.

    Eu quero começar saudando a nossa Procuradoria Especial do Senado, na pessoa da Senadora Augusta, pela iniciativa e pela liderança na construção dessa ferramenta tão necessária.

    O Guia da Candidata é mais do que uma publicação; ele é um instrumento de orientação, de proteção e, acima de tudo, de encorajamento, para que mais mulheres participem da política brasileira, porque precisamos reconhecer uma verdade que ainda marca o nosso país: a política brasileira continua sendo um espaço profundamente desigual para as mulheres. As mulheres são maioria da população brasileira, mas ainda ocupam uma parcela pequena dos espaços de poder e de decisão. Isso não acontece por falta de competência, não acontece por falta de vocação pública; acontece porque ainda existem barreiras estruturais que dificultam o acesso das mulheres à política, como menor acesso a financiamento de campanha, menos rede de apoio, menos visibilidade e menos oportunidades dentro das próprias estruturas partidárias – nós somos o maior exemplo disso e nós sabemos as dificuldades que enfrentamos diariamente –, mas há uma barreira ainda mais grave: muitas mulheres que decidem entrar na política passam a enfrentar a violência política de gênero, violência que se manifesta em ataques pessoais, tentativas de desqualificação, campanhas de desinformação, agressões nas redes sociais e, muitas vezes, tentativas explícitas de silenciamento.

    Estudos internacionais mostram que a violência política contra as mulheres é hoje uma das principais barreiras, claro, para ampliar a participação feminina na política brasileira. E infelizmente nós sabemos que o Brasil aparece entre os países com índices preocupantes desse tipo de assédio contra as mulheres Parlamentares. Ora, diga-me aí quem de nós não sofreu esse tipo de assédio. É bem tranquilo, acho que 100%. É difícil ter uma mulher que não tenha sofrido um assédio nesse sentido.

    Isso não é apenas um problema das mulheres; isso é um problema da democracia brasileira, porque, quando as mulheres são atacadas ou silenciadas na política, o que está em risco é a própria qualidade da nossa democracia.

    O Guia da Candidata surge exatamente como uma resposta a esse cenário. A publicação oferece orientações claras sobre o funcionamento do processo eleitoral, os direitos das candidatas, o acesso aos recursos de campanha e os instrumentos legais disponíveis para enfrentar irregularidades e, é claro, denunciar abusos. Mas talvez a mensagem mais importante desse guia seja outra: ele diz às mulheres brasileiras que a política também é o seu lugar.

    O país precisa da participação das mulheres, precisa da sensibilidade, da experiência, da liderança e da coragem das mulheres para enfrentar os grandes desafios nacionais. Cada mulher que decide disputar uma eleição, participar de um partido ou ocupar um espaço de decisão ajuda a ampliar os horizontes da nossa democracia e para as futuras gerações. E é por isso que iniciativas como esta são tão importantes. Elas ajudam a transformar a política em um espaço mais justo, mais plural e mais representativo da nossa sociedade brasileira.

    Neste mês da mulher, o lançamento do Guia da Candidata representa um passo importante na construção de uma democracia em que nenhuma mulher seja desencorajada a participar da política por medo, por violência ou por discriminação.

    Que esse guia circule, Senadora Augusta, por todo o nosso país – essa é a nossa esperança! –, que ele chegue às mulheres que já estão na política e também àquelas que ainda estão pensando em dar esse primeiro passo, e que ele ajude a abrir caminhos para uma nova geração – essa é a minha esperança, e é por isso que nós estamos aqui –, para uma nova geração de lideranças femininas no nosso país.

    Quero mais uma vez parabenizar a Procuradoria da Mulher do Senado e todas as pessoas, todos os órgãos do Senado, todas as estruturas do Congresso Nacional – e fora dele – que estão envolvidas nessa iniciativa.

    Fortalecer a participação política das mulheres não é apenas uma pauta de gênero. É uma pauta de democracia, de justiça e, acima de tudo, uma pauta importantíssima para o futuro do nosso país.

    Muito obrigada.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 18/03/2026 - Página 24