Discurso durante a 16ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Satisfação com o fortalecimento das relações entre o Brasil e a República Cooperativa da Guiana, com destaque para o papel estratégico do Estado de Roraima. Defesa do aprofundamento da cooperação bilateral e das relações institucionais entre os países como vetor de desenvolvimento regional.

Autor
Chico Rodrigues (PSB - Partido Socialista Brasileiro/RR)
Nome completo: Francisco de Assis Rodrigues
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Desenvolvimento Regional, Relações Internacionais:
  • Satisfação com o fortalecimento das relações entre o Brasil e a República Cooperativa da Guiana, com destaque para o papel estratégico do Estado de Roraima. Defesa do aprofundamento da cooperação bilateral e das relações institucionais entre os países como vetor de desenvolvimento regional.
Publicação
Publicação no DSF de 18/03/2026 - Página 41
Assuntos
Economia e Desenvolvimento > Desenvolvimento Regional
Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Relações Internacionais
Indexação
  • COMEMORAÇÃO, RELAÇÕES DIPLOMATICAS, BRASIL, GUIANA, PARTICIPAÇÃO, ESTADO DE RORAIMA (RR), DESENVOLVIMENTO ECONOMICO, DESENVOLVIMENTO REGIONAL, CRESCIMENTO, COMERCIO EXTERIOR.
  • DESTAQUE, CRESCIMENTO ECONOMICO, GUIANA, EXPLORAÇÃO, PETROLEO.

    O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR. Para discursar.) – Meu caro Senador Marcos Cesar Pontes, colegas Senadores e Senadoras, falamos aqui da importância da relação entre o Brasil, Roraima e a República Cooperativa da Guiana.

    Como Senador por Roraima e Presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Guiana, tenho a honra de celebrar a profundidade e a força da relação que une o Brasil e a Guiana – e, de maneira muito especial, o Estado de Roraima. Uma relação que não é apenas diplomática ou comercial, é histórica, geográfica, humana e estratégica para o futuro de toda a nossa região, uma relação de amizade de longa data. Roraima é o portal terrestre entre o Brasil e a República Cooperativa da Guiana. A fronteira que nos separa do mapa é, na verdade, o ponto exato onde nossas economias, nossas culturas e nossas aspirações se encontram. Somos vizinhos não por acaso, mas por destino compartilhado.

    Nos últimos anos, essa parceria transfronteiriça avançou como jamais havia avançado. O comércio entre Roraima e a Guiana ultrapassou US$102 milhões entre 2019 e 2024, consolidando nosso estado como o terceiro maior exportador brasileiro para o país vizinho.

    Em 2025, a Guiana chegou a representar 27% das exportações de Roraima em determinados períodos, tornando-se um dos mercados mais relevantes para o setor produtivo local.

    A relação entre Roraima e a Guiana não é circunstancial: é o resultado de esforço diplomático, diálogo entre governos, articulação entre empresários e integração entre os nossos povos; é a demonstração clara de que o desenvolvimento da Amazônia não se fará de forma isolada, mas em cooperação entre irmãos fronteiriços.

    Hoje, produtos roraimenses, como milho, derivados de soja, carnes, máquinas e equipamentos, abastecem o mercado guianense, fortalecendo assim nossa agricultura e nossa indústria. Do lado guianense, importamos fertilizantes e insumos estratégicos para nossa produção rural, demonstrando uma relação econômica complementar e mutuamente benéfica.

    Estamos vendo surgir um eixo econômico novo na América do Sul, um eixo que passa por Boa Vista, por Lethem e por Georgetown, impulsionado pelo comércio, pela integração e, principalmente, pela visão de futuro. Esse eixo é reforçado agora pela mobilização de ambos os países para finalmente operacionalizar o Acordo de Transporte Terrestre, que permitirá um fluxo mais eficiente e seguro de cargas e pessoas, reduzindo barreiras e aproximando ainda mais nossos mercados.

    Mas a importância dessa relação vai além dos números: ela está no intercâmbio cultural entre os nossos povos, na convivência diária nas cidades de fronteira, na cooperação em segurança, agricultura, energia, infraestrutura e desenvolvimento social; está no reconhecimento de que povos amazônicos têm desafios comuns e soluções construídas conjuntamente.

    A Guiana vive um momento extraordinário de expansão econômica, impulsionada por descobertas energéticas que estão transformando seu papel no mundo – eu costumo dizer que dormimos com uma Dubai ao nosso lado. Com a descoberta de grandes reservas de petróleo e sua exploração iniciada em 2019, a Guiana é o país que mais cresce no mundo. De uma das economias mais pobres da América do Sul de antes, a Guiana está se tornando um dos maiores PIBs per capita da região.

    É fundamental que essa prosperidade alcance também a região de fronteira, criando oportunidades, empregos e inovação, além do crescimento, para guianenses e brasileiros, especialmente para o nosso querido Estado de Roraima. Como eu já disse, é fundamental que essa prosperidade alcance também a região de fronteira, e essa região é uma região que está latejante, está impulsionada por essa possibilidade de as relações se ampliarem cada dia mais.

    No mês passado, nós de Roraima tivemos a oportunidade de receber e homenagear o Presidente da Guiana, Irfaan Ali, com a Medalha da Ordem do Mérito Forte São Joaquim, agraciada pelo Governo e pelo povo de Roraima, na pessoa do seu Governador Antonio Denarium.

    Foi um momento simbólico. Celebramos não apenas a amizade entre dois países, mas a parceria concreta entre dois povos irmãos. Roraima olha para Guiana não como um vizinho distante, mas como um parceiro estratégico com quem construímos pontes comerciais, logísticas, diplomáticas e humanas.

    O que estamos construindo juntos é um novo capítulo da integração amazônica, um capítulo que valoriza a paz, a cooperação, o comércio justo, a segurança nas fronteiras e o desenvolvimento sustentável. Um capítulo em que Brasil e Guiana crescem lado a lado, e em que Roraima se firma como protagonista dessa história.

    No que depender de nós, povo de Roraima, e de seu Senador, Presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Guiana no Senado Federal, seguiremos ampliando nossas exportações, fortalecendo a confiança entre nossas instituições, promovendo reuniões bilaterais, impulsionando missões comerciais, abrindo caminhos para novos investimentos e solidificando essa parceria que honra a história, serve o presente, mas, acima de tudo, prepara o futuro.

    Brasil e Guiana são mais fortes juntos. Roraima e Guiana são mais próximos do que qualquer fronteira pode expressar esta relação de parceria, além de estratégica, de comunhão do mesmo ideário. E o futuro dessa relação, construída com respeito e visão estratégica, será ainda maior do que tudo o que alcançamos até aqui.

    Sr. Presidente, nós temos a oportunidade, o Brasil tem a oportunidade de conviver com a República Cooperativa da Guiana lado a lado, são mais de mil quilômetros de fronteiras. Nós somos o estado mais setentrional do Brasil, Roraima é o estado mais ao norte do Brasil, é o estado mais setentrional do Brasil.

    Temos, num processo de sucção natural, entre ambos os lados – de Roraima para Guiana e da Guiana para Roraima–, alternativas econômicas imensuráveis na área mineral, na área agrícola, enfim.

    Então, tenho certeza de que essas relações que cada vez mais se aproximam, essa comunhão entre a Guiana e o Brasil, através de Roraima, podem, na verdade, nos trazer um novo cenário para a nossa economia. E claro que nós entendemos que o Governo brasileiro precisa cada vez mais criar mecanismos de aproximação com a República Cooperativa da Guiana, porque, como eu já disse aqui antes, é uma nova Dubai, são mais de 15 bilhões de barris de petróleo descobertos e já em exploração, o que, na verdade, mostra a pujança, a fortaleza e, acima de tudo, a perspectiva de um estado desenvolvido com uma interferência genial em toda a região.

(Soa a campainha.)

    O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) – Portanto, eu fico muito feliz em presidir o Grupo Parlamentar Brasil-Guiana, porque temos mantido relações com a nossa diplomacia, através da nossa Embaixadora; com o Presidente da Guiana, Irfaan Ali; com o Vice-Presidente, de quem tenho a honra de ser amigo, o Bharrat Jagdeo, que já foi Presidente por duas vezes da Guiana.

    E temos certeza de que, cada vez mais, essas relações serão impulsionadas pela visão estratégica dos dois povos, Brasil e Guiana, mas especificamente, como eu disse já no início, do nosso querido Estado de Roraima.

    Portanto, deixo aqui esse registro nesta tarde, dizendo que nós queremos cada vez mais fortalecer a relação entre o Brasil e a República da Guiana.

    Obrigado, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 18/03/2026 - Página 41