Pronunciamento de Fernando Dueire em 24/03/2026
Discurso durante a 20ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Breve homenagem ao ex-Presidente da República Juscelino Kubitschek.
- Autor
- Fernando Dueire (MDB - Movimento Democrático Brasileiro/PE)
- Nome completo: Fernando Antonio Caminha Dueire
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Homenagem:
- Breve homenagem ao ex-Presidente da República Juscelino Kubitschek.
- Publicação
- Publicação no DSF de 25/03/2026 - Página 25
- Assunto
- Honorífico > Homenagem
- Indexação
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- HOMENAGEM, ANIVERSARIO DE MORTE, EX-PRESIDENTE DA REPUBLICA, JUSCELINO KUBITSCHEK, COMENTARIO, GESTÃO, ENERGIA, TRANSPORTE, ALIMENTAÇÃO, INDUSTRIA, EDUCAÇÃO, REGISTRO, CONSTRUÇÃO, BRASILIA (DF), DESENVOLVIMENTO, INTEGRAÇÃO, AMBITO NACIONAL.
O SR. FERNANDO DUEIRE (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - PE. Para discursar.) – Obrigado.
Sr. Presidente, Senador Confúcio, é sempre uma honra muito grande chegar a esta tribuna estando V. Exa. presidindo este trabalho.
O SR. WILDER MORAIS (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - GO) – Sr. Presidente, desculpe-me atrapalhar o senhor que está na tribuna, mas eu acabei de fazer aqui um discurso, pedindo que o Presidente pudesse cumprir a sua prisão domiciliar. E, neste exato minuto, quando eu estava terminando de pedir aqui, nós tivemos aí a liberação, e ele vai cumprir na casa dele.
Então, é questão de Deus aí, e as orações nossas prevaleceram.
Obrigado ao senhor, na tribuna.
Obrigado, Presidente.
O SR. FERNANDO DUEIRE (Bloco Parlamentar Democracia/MDB - PE) – Como dizia, Presidente, é sempre uma honra muito grande ocupar esta tribuna, tendo V. Exa. na Presidência desses trabalhos, pela sua história e a sua envergadura moral.
Srs. Senadores, senhoras e senhores, Sras. Senadoras, em 2026, o Brasil recorda os 50 anos da partida de Juscelino Kubitschek de Oliveira, ocorrida em agosto de 1976, em um trágico acidente na Via Dutra.
Sua morte, ainda envolta em debates históricos, não apagou a luz de sua trajetória; ao contrário: fortaleceu a lenda, consolidou o legado e eternizou o estadista, que ensinou o Brasil a acreditar em si mesmo.
Juscelino foi mais que um Presidente, Senador Confúcio Moura. Foi um tempo histórico.
Como Governador de Minas Gerais, entre 1951 e 1955, Senador Cleitinho – V. Exa., que representa o Estado de Minas Gerais –, mostrou que o desenvolvimento não é discurso; é decisão política.
Em 1952, fundou a Companhia Energética de Minas Gerais – a Cemig –, entendendo algo essencial: sem energia, não há indústria; sem indústria, não há emprego; sem emprego, não há dignidade.
Investiu em infraestrutura, fortaleceu a siderurgia e lançou as bases para transformar Minas Gerais em um polo industrial moderno e estratégico.
Ali já estava o construtor.
Na Presidência da República, de 1956 a 1961, o lema "50 anos em cinco" não foi bravata eleitoral. Foi projeto nacional, estruturado no Plano de Metas, que atacava cinco grandes áreas: energia, transporte, alimentação, indústria de base e educação.
O Brasil cresceu, em média, mais de 7% ao ano. A produção industrial avançou cerca de 80%. A indústria automobilística se instalou de forma definitiva no Brasil. O interior foi rasgado por rodovias que integram o território nacional.
E, então, o gesto foi mais ousado.
Erguer Brasília no coração do Planalto Central não foi apenas uma obra de engenharia; foi um ato geopolítico. Foi deslocar o eixo do poder do litoral para o interior. Foi integrar ações esquecidas. Foi transformar o mapa em destino.
Em apenas três anos e dez meses, a nova capital se levantou do Cerrado, provando que o impossível é apenas aquilo, Senador Confúcio, que ainda não foi tentado com coragem.
Mas a história também impôs a JK a face dura da injustiça.
Após o golpe de 1964, teve seus direitos políticos cassados. Foi perseguido, monitorado, forçado ao exílio.
O homem que simbolizava desenvolvimento e democracia tornou-se alvo do regime.
Tentaram apagar seu nome da história, mas não conseguiram apagar sua obra do território brasileiro, porque pontes não se apagam; estradas não se exilam; cidades não se cassam.
Meio século após a sua morte, Juscelino Kubitschek de Oliveira permanece vivo, na memória nacional, como o "Presidente Bossa Nova", expressão que traduzia seu espírito otimista, moderno, confiante, um líder que acreditava na harmonia entre crescimento econômico, desenvolvimento e inclusão.
JK ensinou o Brasil a sonhar grande; ensinou que desenvolvimento exige ousadia; ensinou que liderança é acreditar no futuro, mesmo quando ele parece distante.
Hoje lembramos seus 50 anos de partida, e não celebramos apenas um homem; celebramos uma visão de país. Um país que planeja, que executa, que integra e que constrói.
Que o exemplo de Juscelino Kubitschek nos inspire a recuperar o espírito de grandeza, a coragem das decisões estruturantes e a fé no potencial do nosso povo.
A memória registra, Senador Confúcio, que, deste púlpito, depois de um bravo, corajoso e ousado discurso como Senador pelo Estado de Goiás, ele, ao encontrar sua esposa, que estava no canto deste Plenário, foi informado de que tinha sido cassado pela ditadura militar e que tinha uma escolta na Chapelaria, aguardando para conduzi-lo à sua residência, onde ele, Kubitschek, passou praticamente o resto de sua vida sendo vigiado.
Kubitschek nos lembra que, na história das nações, há líderes que administram o presente e há aqueles também que constroem o futuro. Juscelino Kubitschek pertencerá para sempre àqueles que constroem o futuro.
A Juscelino Kubitschek de Oliveira as homenagens desta Casa. A ele, que foi Governador de Minas, Presidente da República, Senador por Goiás, cassado pela ditadura, mas sempre lembrado e celebrado por todos nós, brasileiros.
Muito obrigado, Senador.