Pronunciamento de Confúcio Moura em 24/03/2026
Discurso proferido da Presidência durante a 20ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Homenagem aos 60 anos do MDB, com resgate histórico de sua atuação na resistência à ditadura militar, reconhecimento do legado do partido e de figuras históricas, especialmente de Rondônia. Críticas à alegada fragmentação partidária atual e defesa de posicionamento político de centro, com valorização do diálogo e da moderação.
- Autor
- Confúcio Moura (MDB - Movimento Democrático Brasileiro/RO)
- Nome completo: Confúcio Aires Moura
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso proferido da Presidência
- Resumo por assunto
-
Eleições e Partidos Políticos,
Homenagem:
- Homenagem aos 60 anos do MDB, com resgate histórico de sua atuação na resistência à ditadura militar, reconhecimento do legado do partido e de figuras históricas, especialmente de Rondônia. Críticas à alegada fragmentação partidária atual e defesa de posicionamento político de centro, com valorização do diálogo e da moderação.
- Publicação
- Publicação no DSF de 25/03/2026 - Página 27
- Assuntos
- Outros > Eleições e Partidos Políticos
- Honorífico > Homenagem
- Indexação
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- HOMENAGEM, ANIVERSARIO DE FUNDAÇÃO, MOVIMENTO DEMOCRATICO BRASILEIRO (MDB), COMENTARIO, ATUAÇÃO, PARTIDO POLITICO, DITADURA, REGIME MILITAR, CRITICA, PULVERIZAÇÃO, REPRESENTAÇÃO PARTIDARIA, PERDA, IDENTIDADE, NATUREZA IDEOLOGICA, DEFESA, DEBATE, NATUREZA POLITICA.
O SR. PRESIDENTE (Confúcio Moura. Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO. Para discursar - Presidente.) – Maravilhoso discurso.
Bem, antes de o Senador Cleitinho fechar a tarde, aqui nos discursos, eu vou fazer uma breve saudação daqui mesmo, da mesa da Presidência.
Hoje é dia 24 de março de 2026. Em 24 de março de 1966 – portanto, há 60 anos –, foi criado e fundado o MDB (Movimento Democrático Brasileiro).
Então, todos os dias, a gente sai à rua, e, em algum lugar, alguém fala para você: "Tenha um bom dia. Que Deus te acompanhe. Que tudo de bom lhe aconteça". Aí, às vezes, você fala: "Obrigado"; outra vez, você fala: "Amém"; outra vez, você fala: "Eu recebo".
E eu recebo toda a luta, todo o grito, todo o louvor do MDB da resistência; do MDB que soube enfrentar, no Brasil, os anos de chumbo de uma ditadura cruel; do MDB que não teve medo da resistência; do MDB que teve vários companheiros – como aqui o Fernando Dueire acabou de falar –, como Juscelino, que acabou de fazer o seu discurso – ele não era do MDB – e foi direto para o exílio.
Tivemos muitos brasileiros exilados. Tivemos muitos cantores brilhantes brasileiros exilados. Tivemos poetas, como Ferreira Gullar e tantos outros, exilados na Argentina e em outras partes do mundo, onde fizeram os mais belos poemas da história brasileira, como o Poema Sujo, de Ferreira Gullar, feito na Argentina, de maio a outubro de mil novecentos e... Não lembro o ano exato da ditadura.
Então, a todos eles, arquitetos brilhantes, como o próprio Niemeyer, que também foi exilado, como políticos brilhantes da resistência que não puderam ficar no Brasil pelas suas opiniões contra a ditadura, pela resistência de Ulysses Guimarães, destemido, e de tantos outros que eu teria o direito de louvar neste momento, que não tiveram medo de enfrentar cães raivosos, em Salvador – eles tiveram que saltar muretas, para não serem estraçalhados por dentes caninos de cachorros da polícia...
Então, a todos esses homens e mulheres heroicos, fantásticos, de todos os partidos, que souberam enfrentar, durante 21 anos de resistência, a falta de liberdade, a falta do direito ao voto, a falta do direito à livre expressão, tudo isso, a esses heroicos a gente rende as homenagens.
Aos gritos dos torturados: eu não os recebo; eu apenas recinto. Ao choro das famílias que perderam os seus parentes na ditadura, exilados; à saudade daqueles que foram embora do Brasil e não voltaram mais; aos resistentes que realmente lutaram pela democracia, lá em Xambioá, no extremo do Estado do Tocantins, de Goiás antigo... A todos esses extraordinários militantes, guerreiros, patriotas, as minhas sinceras homenagens.
É dessa saga que nasceu o MDB da resistência, que foi o maior partido de todos os tempos. Que foi uma federação, um guarda-chuva que recebeu todos os partidos debaixo dele, federados, resistentes.
Depois, esses partidos foram saindo e criando outros partidos. O MDB foi se fragmentando, e hoje a dimensão é de um partido médio, mas ele tem uma história. Essa fragmentação partidária brasileira é ruim hoje, porque realmente as pessoas não têm ideologia, não têm princípios, não têm espírito de luta, não têm educação política, não têm sentimento nenhum, não têm motivação. Essa fragmentação que dificulta governar o país, com tanto partido, com tanto Líder, com tanta coisa, se perde no dia a dia de emendas parlamentares, discursos vazios e outras coisas mais, deixando de lado as verdadeiras causas do enfrentamento das razões que realmente puxam para baixo o desenvolvimento brasileiro.
A esse partido, ao MDB, que completa hoje 60 anos de dignidade, as minhas homenagens. A minha homenagem e o meu abraço a um militante, a um único Deputado Federal de Rondônia que nós tínhamos aqui, no Parlamento, na época da ditadura, que foi Jerônimo Santana, que foi o criador do Estado de Rondônia. A ele, já morto, as minhas sinceras homenagens.
Ao Senador Valdir Raupp, que foi Governador do estado também e foi emedebista; a tantos outros, como Amir Lando, que fez história, Tomás Correia, Clóter Mota, Abelardo Castro, Enjolras Araújo – todos eles –, Prof. Ângelo Angelim, primeiro Governador da transição do Estado de Rondônia, também do nosso partido, Sidney Guerra, lá do Município de Jaru, a todos aqueles que se candidataram nas primeiras eleições livres e perderam em todos os municípios rondonienses, as minhas sinceras homenagens; ao grande herói, extraordinário, agricultor chamado Belizário Coelho, de Ouro Preto, que teve coragem de largar sua roça e se candidatar contra a ditadura – Beilzário Coelho.
Ao evangelista da Assembleia de Deus Joel Eller de Barros, que deixou o seu trombone para enfrentar as ruas, para resistir e se candidatar na primeira eleição do Município de Ariquemes – é lógico que ele perdeu a eleição, mas ele foi um guerreiro extraordinário; a Pedro Kemper, lá do Município de Cacoal, a José Viana, lá do Município de Ji-Paraná, à Paula Araújo, lá do Município de Porto Velho, a todos eles, esses baluartes da democracia, porque, realmente, hoje nós, aqui, podemos usar esta tribuna e falar livremente, e a gente deve a esses pioneiros da democracia e pregadores da liberdade, que foram aqueles membros que não se tutelaram ao regime militar.
O Ulysses falava: eu tenho nojo da ditadura, eu tenho nojo da falta de liberdade, eu tenho nojo de qualquer processo coercitivo, eu repugno a tortura – essa era a pregação nossa.
Jovens que estão aí nas galerias, hoje faz 60 anos da fundação do MDB, o partido da resistência. Se vocês hoje podem estudar, se vocês hoje podem estar em grêmios, se vocês podem falar, escrever, cantar... Naquele tempo não se podia cantar as músicas, não tinha como cantar música de Caetano Veloso, não se podia cantar música de Gilberto Gil, não se podia ler poemas de Ferreira Gullar, não se podia, realmente, fazer a exaltação de qualquer princípio de liberdade. Isso quem trouxe foi o velho MDB de guerra, esse partido hoje ainda resistente, o mais antigo, o mais longevo partido brasileiro, que é o MDB e do qual eu faço parte.
Nunca mudei; eu me filei no início dos anos 80 e nunca mudei de partido. Não mudei, porque não se precisa mudar, nunca senti necessidade de mudar de partido. Eu não entro em onda, onda nova, onda de partido novo, onda de qualquer tipo de extremismo – nem de direita, nem de esquerda. Eu vou em linha reta, eu vou pelo centro, vou abraçando a todos e vou conversando. Esse é o meu trabalho, esse é o meu tributo ao velho MDB de guerra.
Muito obrigado.
Com a palavra, Cleitinho, Senador por Minas Gerais.