Pronunciamento de Chico Rodrigues em 30/03/2026
Discurso durante a 23ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal
Prestação de contas de ações de S. Exa. no Estado de Roraima, com destaque para a entrega de equipamentos e o fortalecimento da agricultura familiar por meio de emendas parlamentares. Reflexão sobre os efeitos da polarização política, com alerta para possíveis prejuízos ao diálogo democrático, à gestão pública e às relações sociais.
- Autor
- Chico Rodrigues (PSB - Partido Socialista Brasileiro/RR)
- Nome completo: Francisco de Assis Rodrigues
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Agropecuária e Abastecimento { Agricultura , Pecuária , Aquicultura , Pesca },
Atuação do Senado Federal,
Desenvolvimento Social e Combate à Fome,
Finanças Públicas,
Fiscalização e Controle,
Infraestrutura,
Organização Administrativa,
Poder Legislativo,
Saúde Pública,
Serviços Públicos:
- Prestação de contas de ações de S. Exa. no Estado de Roraima, com destaque para a entrega de equipamentos e o fortalecimento da agricultura familiar por meio de emendas parlamentares. Reflexão sobre os efeitos da polarização política, com alerta para possíveis prejuízos ao diálogo democrático, à gestão pública e às relações sociais.
- Publicação
- Publicação no DSF de 31/03/2026 - Página 57
- Assuntos
- Economia e Desenvolvimento > Agropecuária e Abastecimento { Agricultura , Pecuária , Aquicultura , Pesca }
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Senado Federal
- Política Social > Proteção Social > Desenvolvimento Social e Combate à Fome
- Economia e Desenvolvimento > Finanças Públicas
- Organização do Estado > Fiscalização e Controle
- Infraestrutura
- Administração Pública > Organização Administrativa
- Organização do Estado > Poder Legislativo
- Política Social > Saúde > Saúde Pública
- Administração Pública > Serviços Públicos
- Indexação
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- COMENTARIO, ATUAÇÃO PARLAMENTAR, DESTINAÇÃO, RECURSOS PUBLICOS, EMENDA PARLAMENTAR, FOMENTO, AGRICULTURA FAMILIAR, ESTADO DE RORAIMA (RR).
- COMENTARIO, POLARIZAÇÃO POLITICA, CONSEQUENCIA, COMPROMETIMENTO, DEMOCRACIA, DIALOGO, INSTITUIÇÕES, DIVISÃO, FAMILIA, FOMENTO, PARALISAÇÃO, GESTÃO, ADMINISTRAÇÃO PUBLICA, AFASTAMENTO, INVESTIMENTO.
O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR. Para discursar.) – Gostaria de cumprimentar V. Exa., Senador Izalci, ao tempo que agradeço pela substituição na Presidência desta sessão ordinária de hoje, e quero dizer que é importante...
Tem sessões que são, muitas vezes, solitárias, mas que trazem ensinamentos que, em outras ocasiões, você não consegue alcançar. É sempre assim. A curva do rio mais sinuosa é aquela em que você, na verdade, encontra mais força para vencer a correnteza da vida.
Eu gostaria de dizer que, na última semana, tive a oportunidade, no Município de Bonfim, no meu estado, Estado de Roraima, de estar junto com o Prefeito Romualdo, e participar do acompanhamento, fiscalização, controle de ações através do nosso mandato, vendo a operacionalidade de equipamentos, de caçambas, de carregadeiras, de tratores que servem tão bem àquele município, e, juntamente com muitos daqueles que são beneficiários desses programas, entender que é notável quando nós nos encontramos, na verdade, contemplando o fruto do nosso sacrifício, do nosso trabalho, e ali está realmente o resultado latente, beneficiando tantas pessoas.
Ali estavam o Vereador Charlão, amigo nosso, a Vereadora Cleudimar, o Nonato, o Joner Chagas também, ex-Prefeito do município, figuras que, na verdade, marcaram época, como meu amigo Paulo Tiririca, que já foi Prefeito, inclusive, daquele município, e reconhecem o nosso trabalho, a nossa dedicação e os benefícios às dezenas, às centenas de agricultores que têm tido, em função da viabilidade através das emendas parlamentares, para atender essas demandas reprimidas que tem, na verdade, no nosso estado...
Portanto, ali no Município de Bonfim, assim como em todos os municípios do estado – da capital aos 14 municípios –, nós temos uma ação permanente, frutífera, acima de tudo, atendendo aqueles que mais precisam. A agricultura familiar, hoje, graças a Deus, deu um grande salto a partir das nossas ações – um trabalho quase que missionário a gente tem feito. Eu já entreguei mais de cem tratores – cem tratores – agrícolas nesses sete anos de mandato de Senador da República, atendendo os pequenos produtores rurais da agricultura familiar, com caminhões também, com equipamentos na área da agricultura – arados, grades, carretas, colheitadeiras, plantadeiras, casas de farinha, tudo que venha realmente beneficiar o pequeno produtor rural do nosso estado.
Então, eu fico muito feliz, muito orgulhoso, porque, entre dezenas e dezenas de projetos e emendas apresentadas, absolutamente todas estão executadas, em execução ou serão executadas a partir das liberações próximas.
Portanto, é o registro que eu gostaria de deixar aqui, tendo como referência o Município de Bonfim, porque foi o último município em que eu tive a oportunidade de fazer entregas parlamentares e acompanhar, fiscalizando essas ações.
Quero dizer que fico muito feliz com a receptividade por parte de todos, pelo reconhecimento, porque nós, quando nos dedicamos a uma ação parlamentar, ficamos felizes quando o reconhecimento vem. Esta é a moeda que nós temos a oferecer: exatamente o nosso trabalho, a nossa dedicação e o nosso amor pelo mandato e, acima de tudo, pelas pessoas do nosso estado.
Eu gostaria também de fazer um breve pronunciamento aqui, Presidente, sobre a polarização e democracia.
Eu trago hoje a esta tribuna uma reflexão necessária sobre o momento político em que nós vivemos no nosso país e faço isso com a devida cautela, para deixar claro, desde o início, que não se trata aqui de apontar culpados nem direcionar críticas a qualquer grupo, instituição ou corrente política específica. Trata-se, acima de tudo, de uma reflexão sobre o fenômeno que, de forma geral, tem afetado todos nós: a polarização política no nosso país.
É natural que, em uma democracia, ocorram divergências, e isso é salutar. É assim que vivem, na verdade, as democracias. O debate de ideias é, inclusive, um dos pilares do regime democrático, mas há uma diferença importante entre o confronto saudável de visões e a radicalização permanente, que transforma adversários em inimigos e inviabiliza qualquer ponto de convergência. Quando a política se reduz a embates ideológicos constantes, perde-se aquilo que deveria ser sua essência: a capacidade de construir soluções para os problemas reais da população – e esses problemas não têm ideologia.
A fila do hospital não tem lado. A falta de saneamento básico e seus impactos diretos na saúde não escolhem quem será afetado. As falhas de acesso à internet atingem a todos. A ausência de pontes e a falta de infraestrutura mínima de estradas interrompem a mobilidade de qualquer cidadão, sem qualquer distinção. A inflação, Sras. e Srs. Senadoras e Senadores, não escolhe partido, a insegurança não distingue corrente política, e a dificuldade de pagar as contas, de sustentar uma família e de garantir um futuro melhor para os filhos é vivida da mesma forma por milhões de brasileiros, independentemente de quem esteja no poder.
Mas os efeitos da polarização vão além do discurso político. Quando levada ao extremo, ela dificulta a busca de soluções de questões práticas na vida dos representados e passa a comprometer as próprias instituições democráticas, que deixam de ser percebidas como estrutura de Estado e passam a ser vistas sob lentes partidárias. Esse processo enfraquece a confiança da população e corrói os alicerces da democracia.
A polarização também alimenta um ambiente de tensão permanente, no qual o debate público se transforma em uma espécie de guerra de torcida, em que o diálogo racional dá lugar à disputa emocional de narrativas. Neste cenário, não é espaço para escuta, apenas para confronto.
Esse clima não fica restrito à política. Ele invade as relações pessoais, divide famílias, rompe amizades e cria conflito dentro dos lares, entre pessoas que antes conviviam com respeito, mesmo – mas mesmo, gente – pensando diferente. A política que deveria unir em torno de soluções, criar pontes, passa a afastar e dividir as pessoas.
No campo da gestão pública, os efeitos também são concretos. A lógica de "nós contra eles" paralisa decisões, dificulta a construção de consensos e, muitas vezes, substitui o compromisso com resultados por uma disputa permanente. Em alguns casos, instala-se até mesmo a ideia equivocada de que quanto pior, melhor, como estratégia de desgaste político desse ou daquele grupo.
E o prejuízo não se limita ao ambiente interno. A instabilidade gerada por esse cenário afeta a imagem do país no exterior, reduz a confiança nas instituições e impacta diretamente a atração de investimentos. Países que não demonstram estabilidade política e institucional tendem a ser vistos com maior cautela, o que compromete a oportunidade de crescimento e geração de empregos.
Mas eu gostaria, neste momento, de sair um pouco da formalidade desta tribuna e me dirigir diretamente a quem nos acompanha. Façamos uma reflexão sincera: pensemos no nosso dia a dia, nas nossas conversas em família, nos nossos grupos de mensagem, nos nossos ambientes de trabalho, nas nossas amizades que se afastaram. Quantas vezes o excesso de polarização já não interferiu nessas relações? Quantas vezes o debate deixou de ser uma troca de ideias para se transformar em um permanente e indevido confronto? Essa não é uma realidade distante; é algo que todos nós, em maior ou menor medida, já vivenciamos.
E enquanto isso acontece, os problemas concretos continuam presentes. As contas continuam chegando, os desafios da saúde, da segurança e da economia continuam exigindo soluções do poder público. A vida real segue acontecendo, independentemente do lado político de cada um. No fim das contas, quem paga o preço é sempre o cidadão, que fica, na verdade, com o algodão e os cristais.
A política não pode se tornar um fim em si mesma, nem um palco permanente de confronto. Ela precisa voltar a ser, acima de tudo, um instrumento de construção de pontes. Isso não significa renunciar convicções, obviamente, nem eliminar as diferenças. Significa reconhecer que, acima de qualquer divergência, existe um compromisso maior, o compromisso com o povo e com o nosso querido Brasil.
Cabe a nós, enquanto representantes da população, reequilibrar esse ambiente, buscar o diálogo quando for possível, substituir muros por caminhos de consenso e, principalmente, recolocar no centro do debate aquilo que realmente importa, que é a vida das pessoas. O Brasil real não vive de disputas ideológicas; vive de trabalho, de esforço, de expectativa por dias melhores – e é esse Brasil que nós devemos seguir.
Portanto, meu caro Presidente, Izalci Lucas, no cotidiano, nós que transitamos por tantos lugares diferentes, nós, principalmente da Amazônia, que vemos os lamentos de todos aqueles que fazem parte do nosso cotidiano, que nos encontramos, seja entre aqueles que trabalham com o suor do seu rosto ou fazendo calo nas mãos, levando, muitas vezes, até um pouco de dose de esperança, o que nós vemos, na verdade, muitas vezes, é que essa polarização em nada está contribuindo para a vida das pessoas. Quando nós olhamos para trás, vemos, por caminhos que também já passamos, pela nossa origem, pelas dificuldades, porque também trafegamos por elas.
E, hoje, parece que o ser humano, parece que os dirigentes, parece que a nossa classe política ainda teima, de uma forma teimosa, em viver mergulhados em conflitos profundos.
Isso não quer dizer que cada um não tenha que ter lado, mas cada um de nós tem que ter, temos que ter a racionalidade, porque o Brasil real é o Brasil no qual nós convivemos no cotidiano e que abomina esse tipo de atitude que em nada soma para a nossa população.
Portanto, talvez por formação, talvez por, muitas vezes, ver o sofrimento das pessoas bem de perto, de dentro, porque é no meio das pessoas mais carentes... Eu costumo dizer que 90%, 95% das pessoas que em mim confiaram ao longo desses nove mandatos são das classes C, D e E, com as quais eu tenho mais convivência, eu tenho mais participação. E o que a gente vê, exatamente, é a reclamação; estão cobrando de nós, políticos, essa harmonização e essa vontade de fazer com que a vida delas melhore. E quando você polariza a um lado, em um extremo ou em outro, você deixa sempre esse mar revolto que não soma nada ou não leva nenhuma esperança para a população brasileira.
Então, era esse registro que eu gostaria de fazer, Sr. Presidente, e que V. Exa. pudesse autorizar a divulgação em todos os veículos de comunicação da Casa.
Muito obrigado.