Pronunciamento de Daniella Ribeiro em 31/03/2026
Discurso durante a 24ª Sessão de Premiações e Condecorações, no Senado Federal
Sessão de Premiações e Condecorações destinada à entrega do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz.
- Autor
- Daniella Ribeiro (PP - Progressistas/PB)
- Nome completo: Daniella Velloso Borges Ribeiro
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Homenagem,
Mulheres:
- Sessão de Premiações e Condecorações destinada à entrega do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz.
- Publicação
- Publicação no DSF de 01/04/2026 - Página 27
- Assuntos
- Honorífico > Homenagem
- Política Social > Proteção Social > Mulheres
- Indexação
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- SESSÃO DE PREMIAÇÕES E CONDECORAÇÕES, HOMENAGEM, DIPLOMA, MULHER, CIDADÃO, BERTHA LUTZ, PESSOAS, CONTRIBUIÇÃO, PROMOÇÃO, DIREITO, DIREITOS HUMANOS, GENERO.
A SRA. DANIELLA RIBEIRO (Bloco Parlamentar Aliança/PP - PB. Para discursar.) – Bom dia a todos e a todas.
Quero cumprimentar, de forma muito especial, a Presidente dos trabalhos, a Senadora Augusta, e destacar a presença do nosso ilustre Senador Esperidião Amin. Ficamos muito felizes com a presença masculina também à mesa. Então, eu gostaria, na sua pessoa, de cumprimentar a todos os colegas Senadores e o nosso Presidente Davi Alcolumbre, que é um homem extremamente sensível, extremamente ligado às causas das mulheres, inclusive tendo – não é por fala, é por prova – aqui no Senado Federal o primeiro Parlamento do mundo onde nós inauguramos uma Sala Lilás nas dependências desta Casa, ou seja, apenas palavras não significam absolutamente nada, mas ações dizem muito sobre nós.
Eu quero cumprimentar cada colega e só fazer um adendo.
Eu sou muito de trazer também algumas coisas à reflexão, mas... Eu preciso trazer algo à reflexão. Nós não podemos... Alguém falou aqui no início sobre violência política de gênero, e, antes de eu falar da minha homenageada e antes de falar das razões, quero falar de violência política de gênero. Nós não podemos ser seletivas na defesa daquelas que merecem ou não uma fala nossa com relação à violência política de gênero. E eu estou dizendo isso porque eu sofri violência política de gênero dentro desta Casa e não contei com a Bancada Feminina, por parte do Vice-Presidente do Senado Federal. Então, eu estou dizendo isso não é... Amo minhas colegas, a gente tem uma excelente relação, mas isso tem que ser dito. Eu acho que tapinha nas costas, abracinho, foto, Dra. Raquel Branquinho, dizer que mulher é unida... Isso não basta. Eu sou paraibana, cheguei até o Senado Federal como Vereadora, Deputada Estadual, e é a minha forma de fazer política.
Eu acho que a gente precisa dizer o que tem que ser dito. E a verdade é que não dá para a gente dizer: "Não, violência política de gênero, estamos juntas". Não, não estamos juntas. Ainda precisamos estar juntas. Não sei se o fato... Ao Senador, eu fiz uma crítica política a ele com relação às ações de mandato, e o retorno dele foi dizer que eu usava o Senado Federal para desfilar – a Dra. Raquel Branquinho sabe disso porque eu fui até ela para levar todas essas questões para usar... Ao contrário dele, eu usava o Senado Federal para fazer de passarela e para desfilar nos corredores. E, naquele momento, infelizmente, eu não tive o apoio da Bancada Feminina. Então, preciso dizer isso, porque a gente não pode ser seletiva, porque é um vice, porque é alguém que tem poder, e não é.
E, como eu estou saindo do mandato, como eu estou concluindo o meu mandato, estou em um momento de muita emoção. Na quinta-feira, meu filho assume o Governo do Estado da Paraíba, e nós tomamos essa decisão, porque ele vai para uma reeleição. E eu não quero sair daqui sem deixar os avanços que a gente precisa ter.
E aí fica esta reflexão para cada uma de nós, inclusive para mim – inclusive para mim –: ou nós realmente fazemos aquilo que a gente deseja que aconteça e que parta de nós, ou, então, isso não vai mudar.
Então, esse registro eu aproveito para fazer no dia de hoje, que eu acho que é um dia extremamente importante.
Eu queria também aproveitar para dizer que eu escolhi... E, dentro dessa luta, Damares, querida amiga, de dizer em quem nós vamos pensar, quem vamos escolher...
(Soa a campainha.)
A SRA. DANIELLA RIBEIRO (Bloco Parlamentar Aliança/PP - PB) – ... eu fiz uma escolha diferente. Na primeira vez que eu assumi, em 2019, em que eu fui para a ONU Mulheres, me incomodou bastante chegar ali e passar quase uma semana em reuniões só com mulheres, e a gente falando dos nossos problemas, só mulher falando com mulher, quando a gente sabe que a maioria das pessoas que ocupam cargo de poder e que decidem as questões são homens. E ali eu me senti perdendo tempo: "O que eu estou fazendo aqui?". E é por isso que me alegra ter homens aqui, porque eu acho que, dentro do contexto, a gente precisa de unidade de homens e mulheres para que a gente possa mudar a sociedade, porque o problema da violência contra a mulher é um problema da sociedade – não é um problema da mulher e não é um problema do homem; é um problema da sociedade. Quando uma mulher morre, quando uma mulher é assassinada, existe um contexto social por trás de tudo isso. E eu digo isso, porque – muitos sabem disso aqui –, na minha casa, a mãe da minha nora foi vítima de feminicídio. Então, a gente sabe o que é esse contexto dentro das marcas que ficam e que são levadas para dentro da sociedade.
Diante de tudo isso, em 2023, eu tive a oportunidade... E, sim, também porque passei em situação de violência, de abuso psicológico, no segundo casamento. Mesmo Deputada Estadual, compreendendo, achando que sabia das coisas, é interessante o quanto a gente precisa de informação e o quanto a gente precisa informar.
Em 2023, eu tive a oportunidade de estar na Comissão Mista de Orçamento. Não existe política pública sem dinheiro. Não adianta reunião, não adianta discurso, se não tiver recurso. Não existe política pública sem dinheiro. Para você dar um passo, você tem que ter recurso para você fazer uma divulgação, isso aqui: dinheiro.
E aí nós fizemos um levantamento. Nesse levantamento, 0,01% para as mulheres. Era esse o orçamento que estava lá, mas não era em 2023, não: 2022, sempre assim, para trás.
E aí nós nos levantamos, eu, na Presidência, com algumas mulheres que eu faço questão de nominar: a Conselheira Renata Gil; a ex-Ministra Luciana Lóssio; a Diretora do Parque Tecnológico da Paraíba, Nadja Oliveira; e a Deputada Soraya Santos. Levantamos R$130 milhões e colocamos no Ministério da Justiça do Governo Lula, para que a gente pudesse realizar, pela primeira vez, um programa: um programa de políticas públicas chamado Antes que Aconteça.
Esse programa, nós fizemos em 2024, no início de 2024, em parceria com o CNJ, com o CNMP, com a OAB, e saímos atrás das instituições. Por quê? Porque é um problema da sociedade e porque todo mundo tem que se envolver.
A Paraíba é o estado pioneiro; o estado pioneiro, porque, inclusive, na educação, desde o ano passado, quando se disse: "Vamos entrar nas escolas"... A gente não pode dizer que vai entrar nas escolas agora, não, gente. Eu sou pedagoga. Na escola, a gente entra um ano antes, que é para preparar o ano pedagógico.
Então, desde o ano passado, Senadora Zenaide, que nós estamos capacitando, que nós capacitamos os gestores, professores...
(Soa a campainha.)
A SRA. DANIELLA RIBEIRO (Bloco Parlamentar Aliança/PP - PB) – ... e todos aqueles que fazem parte do ciclo escolar para que a gente pudesse trabalhar com a juventude, para que a gente possa, que é o que estamos fazendo lá.
Se, em 2006, quando foi sancionada a Maria da Penha, a gente tivesse entrado nas escolas, hoje, os jovens de 20 anos de idade teriam outra cabeça. Hoje, as meninas saberiam como é, nos sinais de namoro, para que não morressem.
Mas, tudo bem, a gente não tem como ir para trás. Então, vamos para a frente. No para a frente, aí eu venho falar do meu homenageado. O para a frente é você encontrar... E aí a grande sabedoria, que cabe a nós, mulheres, que somos minoria nos espaços de poder e maioria no eleitorado e na população... O que é que nos cabe? Onde é que nos cabe? É a inteligência, por exemplo, de eu ter conhecido, Prof. Heleno, um pernambucano, paraibano, quando eu era Deputada Estadual, uma sumidade no direito tributário, que foi logo me contando, naquela época, o que a mulher pagava: "Olha, quando você compra um produto que é cor-de-rosa, ele é tributado diferente do mesmo produto para homem, porque para homem ele é contabilizado como produto de necessidade, de higiene; para mulher é de beleza". Aí, aquilo ali... Eu disse: "É sério isso?". É sério isso, quer dizer, olha o quanto a gente precisava... Ele falando sobre isso, enfim. E aí, eu disse: esse homem é lincado nas coisas relacionadas à mulher.
(Soa a campainha.)
A SRA. DANIELLA RIBEIRO (Bloco Parlamentar Aliança/PP - PB) – E aí, tive a alegria de oferecer o Título de Cidadão Paraibano ao Prof. Heleno Torres.
Anos depois, nós nos encontramos, mais uma vez, e ele abraçou o programa Antes que Aconteça, e ele abraçou de uma forma, gente, de você levar para os homens e de você levar para pessoas e fazer conexões dentro do programa em que parcerias pudessem vir – e essas parcerias estão vindo.
Heleno... Prof. Heleno, eu digo "Heleno" pelo carinho, pela intimidade. Prof. Heleno é o maior tributarista hoje do Brasil, sem dúvida alguma. (Palmas.)
Isso aqui, eu tenho certeza de que é unanimidade para todos nós.
Esta Casa só homenageou dois homens...
(Soa a campainha.)
A SRA. DANIELLA RIBEIRO (Bloco Parlamentar Aliança/PP - PB) – Eu vou terminar... Eu vou concluir, Presidente.
... com o prêmio Bertha Lutz. Um foi o Ministro Carlos Ayres de Britto; e o outro, o Ministro Marco Aurélio Mello. Você é o terceiro homem a ser homenageado. (Palmas.)
É homenageado não só pelo discurso, como eu falei de Davi e como eu falei dos homens que a gente precisa identificar nos lugares onde estamos, porque, na hora que a gente identifica esse tipo de homem, é com eles que a gente se pega, é com eles que a gente vai junto, é com eles que a gente cresce, é com eles que a gente consegue vencer ainda mais essas dificuldades que a sociedade, infelizmente, ainda tem.
Hoje, para minha alegria, é homenagem a você, esse pernambucano, paraibano, paulista, brasiliense... Ele é do Brasil inteiro – do Brasil inteiro.
(Soa a campainha.)
A SRA. DANIELLA RIBEIRO (Bloco Parlamentar Aliança/PP - PB) – Eu diria, Prof. Heleno, que, para mim... A honra é toda minha. Tenho certeza de que não é você recebendo esse prêmio, mas é um reconhecimento de uma ligação que eu recebo de alguém que diz: "O Prof. Heleno me falou sobre o seu programa, sobre o programa que você desenvolveu, está desenvolvendo, eu quero entrar". Então, são reuniões... Então, você vê um homem que, além disso, vai presidir, com muita honra para nós, o grupo de notáveis, de homens, de um conselho que será, em breve, lançado pelo programa Antes que Aconteça.
Eu quero concluir, Presidenta... Talvez a minha fala tenha sido ou vá ser a mais longa, mas eu quero concluir com um vídeo. É um vídeo curto, mas é para que vocês possam entender o que hoje significa o programa Antes que Aconteça, no Estado da Paraíba, e que vai para o Brasil...
(Soa a campainha.)
A SRA. DANIELLA RIBEIRO (Bloco Parlamentar Aliança/PP - PB) – ... e que está chegando no Brasil; mas é para vocês entenderem o porquê de tudo isso e dessa homenagem.
Então, eu queria pedir para o pessoal colocar aí, por gentileza.
(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
A SRA. DANIELLA RIBEIRO (Bloco Parlamentar Aliança/PP - PB) – Professor Heleno, venha receber seu prêmio. Obrigada por tudo que você tem feito pelo Antes que Aconteça e pelo que você ainda vai fazer, não tenho dúvida alguma.
Obrigada a todos. Quem quiser conhecer mais sobre o programa, acesse @antesqueacontecabr – sem cedilha.
Obrigada, gente.