Discurso durante a 29ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Alerta sobre o risco de escalada da violência internacional com o conflito no Irã, ressaltando a defesa da paz e dos direitos humanos.

Preocupação com os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) do IBGE, que revelam quadro alarmante de sofrimento psíquico entre jovens brasileiros.

Autor
Paulo Paim (PT - Partido dos Trabalhadores/RS)
Nome completo: Paulo Renato Paim
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Assuntos Internacionais, Direitos Humanos e Minorias, Relações Internacionais:
  • Alerta sobre o risco de escalada da violência internacional com o conflito no Irã, ressaltando a defesa da paz e dos direitos humanos.
Crianças e Adolescentes, Educação, Saúde:
  • Preocupação com os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) do IBGE, que revelam quadro alarmante de sofrimento psíquico entre jovens brasileiros.
Aparteantes
Chico Rodrigues.
Publicação
Publicação no DSF de 08/04/2026 - Página 38
Assuntos
Outros > Assuntos Internacionais
Política Social > Proteção Social > Direitos Humanos e Minorias
Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Relações Internacionais
Política Social > Proteção Social > Crianças e Adolescentes
Política Social > Educação
Política Social > Saúde
Indexação
  • PREOCUPAÇÃO, AUMENTO, VIOLENCIA, MUNDO, GUERRA, CONFLITO, PAIS ESTRANGEIRO, IRÃ, DEFESA, PAZ, DIREITOS HUMANOS.
  • PREOCUPAÇÃO, DADOS, PESQUISA, BRASIL, SAUDE, ESCOLA, INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICA (IBGE), QUADRO GERAL, ALARME, DOENÇA MENTAL, JOVEM, CRIANÇA, ADOLESCENTE.

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Para discursar.) – Muito bem, Presidente Chico Rodrigues, Senador Kajuru, Senador Plínio Valério e Senador Esperidião Amin.

    Sr. Presidente, eu estou com um discurso pronto que trata da saúde mental dos jovens do Brasil, mas não tem como eu subir à tribuna, Sr. Presidente, e não falar sobre aquilo que é a manchete hoje em todo o mundo. Não tem como se calar.

Este aqui, Presidente, é apenas um resumo do Twitter que eu já passei hoje pela manhã. Vou ler o Twitter:

Não há como se calar quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que vai destruir uma civilização inteira esta noite [eu vejo grandes líderes mundiais calados; não tem como se calar], referindo-se ao Irã. Se isso acontecer [...] [nós estamos falando de milhões de pessoas que poderão ser mortas esta noite].

Isso é uma ameaça concreta de barbárie, de genocídio. Nada justifica. É [...] inaceitável.

Quantos ainda terão que morrer para que os donos do poder compreendam que nada, absolutamente nada, está acima da vida?

A prepotência mata. A arrogância destrói sonhos, famílias, histórias. E o silêncio consente.

E [aí eu indago, Sr. Presidente] se os nossos filhos estivessem lá? [É importante], é preciso se colocar no lugar do outro, sentir suas dores. Porque só o amor – e apenas ele – tem a força de interromper [...] [um] ciclo de insanidade.

Os direitos humanos não têm fronteiras.

    Presidi a Comissão – presidi quando era Deputado Federal e, inúmeras vezes, como Senador – e, em nome dos direitos humanos, eu tenho que protestar. O que vai acontecer esta noite? Pode não acontecer nada! Mas se acontecer? Ah, vão falar que o que houve em Hiroshima e Nagasaki voltou a acontecer. Não quero que aconteça! E, por isso, eu repito, os direitos humanos não têm fronteira. O mundo precisa de políticas humanitárias. A vida em primeiro lugar, a paz.

    Sr. Presidente, vou ao meu pronunciamento de hoje.

    Presidente, estou com o coração apertado por um outro motivo: a pesquisa do IBGE sobre a saúde mental da nossa juventude. Os dados divulgados pelo IBGE sobre a saúde mental dos nossos adolescentes não são apenas números. Eles são um retrato doloroso de uma geração que está pedindo socorro, ajuda, muitas vezes em silêncio. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) – o nome é PeNSE –, ouviu 119 mil adolescentes, de 4.667 escolas públicas e privadas em todo o Brasil no ano de 2024, uma amostra robusta, representativa, que não deixa margens para dúvidas. E o que ela revela é alarmante em relação à nossa juventude. Três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmam que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes. Repito, três em dez.

    Uma proporção semelhante revelou que já teve vontade de se machucar de propósito. Isso é um grito. Não é um dado frio. É dor. O quadro se agrava ainda mais quando vemos que 42,9% dos alunos disseram que se sentem irritados, nervosos, mal-humorados por qualquer coisa; 18,5% pensam sempre, ou na maioria das vezes, que, abro aspas, "a vida não vale a pena ser vivida" – vozes da nossa juventude. Que sociedade é essa em que quase um a cada cinco jovens perdeu o sentido da vida?

    E mais, Sr. Presidente: 26,1% dos estudantes disseram sentir constantemente que ninguém se preocupa com eles. Isso é desamparo. Isso é abandono emocional. Pouco mais de um terço afirmou que os pais ou os responsáveis não entendem seus problemas. E 20% relataram ter sido agredidos fisicamente pelo pai, mãe ou responsável ao menos uma vez nos últimos 12 meses.

    Sr. Presidente Chico Rodrigues, quando olhamos para dentro das escolas, a situação também preocupa. Menos da metade dos alunos frequentava uma escola com algum tipo de suporte psicológico: na rede privada, 58,2%; na rede pública, apenas 45,8%. E a presença de profissionais de saúde mental nas escolas alcança somente 34,1% dos estudantes, ou seja, a maioria dos nossos jovens não têm apoio adequado onde passa grande parte do seu tempo – onde? –: na escola.

    E os dados revelam ainda uma desigualdade que não podemos ignorar: entre meninas e meninos, o sofrimento é muito, muito maior entre elas. Sentem-se – elas – tristes: 41% das meninas, contra 16,7% dos meninos. Já quiseram se machucar: 43,4% das meninas do nosso país, contra 20,5% dos meninos. Sentem-se irritadas ou nervosas: 58,1% das meninas, contra 27,6% dos meninos. Pensam que a vida não vale a pena: 25% das meninas – os números são graves, Sr. Presidente –, contra 12% dos meninos. Sentem que ninguém se preocupa com eles: 33% das meninas, contra 19% dos meninos.

    A pesquisa, Presidente, também mostra que cerca de 100 mil estudantes brasileiros tiveram alguma lesão autoprovocada nos 12 meses anteriores, o que representa 4,7% de todos os que sofreram algum tipo de lesão. Entre esses jovens, a dor é ainda mais profunda: 73% se sentem tristes de forma constante; 67,6% ficam irritados ou nervosos por qualquer razão; 62% não veem sentido na vida, dados da pesquisa; 69,2% já sofreram o chamado bullying.

    Bullying não é brincadeira...

(Soa a campainha.)

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – ... violência dentro de casa não é disciplina, violência não é ausência de sofrimento. Tudo isso, Sr. Presidente, adoece.

    Até a relação com o próprio corpo está piorando: a satisfação com a imagem corporal caiu de 66,5%, em 2019, para 58%. Mais de um terço das meninas se dizem insatisfeitas com a própria aparência. Estamos falando de autoestima destruída.

    Diante desse cenário, não basta só lamentar. Precisamos ampliar urgentemente o atendimento em saúde mental para crianças e adolescentes no SUS; fortalecer os Caps, as unidades básicas de saúde e a atenção psicossocial nas comunidades; garantir a presença de psicólogos e assistentes sociais, nas escolas públicas e particulares...

(Interrupção do som.)

(Soa a campainha.)

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – ... incluindo, Sr. Presidente, investir na formação de educadores para lidar com o sofrimento emocional, com o bullying, e prevenção ao suicídio; apoiar as famílias, porque, muitas vezes, elas também estão perdidas, sem saber como ajudar os filhos; e, acima de tudo, precisamos reconstruir laços, porque ninguém – nenhum jovem – pode crescer acreditando que ninguém se importa com ele.

    Quero aqui também reforçar, Presidente, que quem estiver passando por sofrimento pode e deve buscar ajuda: o Centro de Valorização da Vida atende pelo telefone 188, 24 horas por dia, gratuitamente. Há também os Caps, as unidades de saúde, os hospitais, o Samu.

    Ainda, Sr. Presidente, destaco, se três...

(Soa a campainha.)

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – ... em cada dez jovens são tristes, não é um problema individual, é um problema coletivo, é falta de perspectiva individual, é falta de perspectiva coletiva, é não ver um futuro promissor pela frente. Quantos e quantos jovens não conseguem entrar no mercado de trabalho? Quantos e quantos levam a porta na cara? Isso dói, machuca e entristece. Temos que dar condições aos nossos jovens para se qualificarem e o ensino técnico é um caminho.

    Termino, Presidente.

    O Brasil precisa cuidar melhor da sua juventude. Não podemos naturalizar o sofrimento, não podemos ignorar esse grito que a pesquisa mostra. Não podemos falhar com quem representa o nosso futuro.

    É isso, Presidente.

(Interrupção do som.)

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Fora do microfone.) – Obrigado pela tolerância de V. Exa.

(Soa a campainha.)

    O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR. Para apartear.) – Senador Paulo Paim, V. Exa. estava tratando de temas importantíssimos no mundo em que nós vivemos: essa manifestação do Presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, ontem, praticamente abalou o sentimento e a natureza humana do mundo inteiro. Não se pode compreender como o dirigente da maior nação do planeta, a maior potência bélica do planeta, a maior potência econômica do planeta – na verdade, talvez por meio de espasmos alucinatórios – pode fazer uma manifestação como essa. E essa inquieta.

    Talvez, não sei... Podemos imaginar qual o momento em que o Presidente Donald Trump se manifestou e... Lógico que nós ficamos estarrecidos, o mundo todo ficou estarrecido quando ele falou que iria destruir toda uma civilização em apenas quatro horas. Talvez tenha sido uma ameaça, mas uma ameaça velada. Foi uma ameaça velada em função da questão do petróleo, única e exclusivamente aquilo que, na verdade, dá ao ser humano essa grandeza. O desenvolvimento do mundo hoje depende ainda dessa fonte de energia que abala as economias, as sociedades, as relações entre países, enfim...

    Mas nós nunca poderíamos aceitar que o Presidente dos Estados Unidos, que nós admiramos – a maior nação do planeta, que é uma referência global, que tem o poder de conduzir o destino de outras nações –, pudesse, na verdade, se manifestar de uma forma tão dura e tão inoportuna como essa. Portanto, nós esperamos que não haja, na verdade, nenhuma reação do Governo americano determinada pelo seu Presidente, não pelo seu povo, que também está estarrecido.

    E, como V. Exa. disse, só temos a condenar essa manifestação, que é explosiva para o mundo, afinal de contas, o Irã é um país enorme, de tradições, é um país de cultura milenar e não poderia realmente ser tomado de assalto por uma decisão tão dura como essa provocada ontem pelo Presidente da maior nação do planeta, os Estados Unidos, o Presidente Donald Trump.

    E V. Exa. falou de uma questão também que é fundamental. Essa questão, na verdade, dos índices alarmantes com os jovens brasileiros precisa ter não apenas no seio das famílias, que é onde, na verdade, está o foco, pois é exatamente no núcleo familiar que esses jovens começam a se formar para o mundo, mas também no poder público, que tem o direito, a obrigação e o dever de fazer com que esses atendimentos de saúde possam ser programa de Estado e não programa de governo pela gravidade e pelos números percentuais que V. Exa. acaba de apresentar...

    Portanto, mais uma vez, V. Exa. continua, no meu conceito, no conceito dos gaúchos e no conceito do Brasil, sendo essa grande referência política para a sociedade.

    Parabéns a V. Exa.

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – Obrigado, Presidente.

(Interrupção do som.)

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS) – Pode ter certeza de que... (Fora do microfone.) V. Exa. complementou o meu pronunciamento. Eu faço questão que esteja anexado à minha fala sobre essas realidades tanto essa ameaça de matar milhões de pessoas esta noite, vinda de um Presidente de um país que é uma potência mundial. Eu sei que não é a posição do povo dos Estados Unidos.

    Presidente, eu tenho uma filha que mora lá, mas nem por isso eu ia me omitir de não concordar com isso, não tem como concordar com uma ameaça como essa. Olhe o terror que cria na população do mundo todo.

    Por isso, meus cumprimentos a V. Exa.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 08/04/2026 - Página 38