Pronunciamento de Jorge Kajuru em 07/04/2026
Discurso durante a 29ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Comentários sobre a condenação do empresário William Pereira Rogatto por manipulação de resultados e apostas esportivas, com destaque para o papel da CPI que investigou os fatos, presidida por S. Exa. Defesa da importância das CPIs para a democracia e para o pleno funcionamento do Poder Legislativo.
- Autor
- Jorge Kajuru (PSB - Partido Socialista Brasileiro/GO)
- Nome completo: Jorge Kajuru Reis da Costa Nasser
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Atuação do Senado Federal,
Desporto e Lazer,
Processo Penal:
- Comentários sobre a condenação do empresário William Pereira Rogatto por manipulação de resultados e apostas esportivas, com destaque para o papel da CPI que investigou os fatos, presidida por S. Exa. Defesa da importância das CPIs para a democracia e para o pleno funcionamento do Poder Legislativo.
- Publicação
- Publicação no DSF de 08/04/2026 - Página 41
- Assuntos
- Outros > Atuação do Estado > Atuação do Senado Federal
- Política Social > Desporto e Lazer
- Jurídico > Processo > Processo Penal
- Indexação
-
- COMENTARIO, CONDENAÇÃO, EMPRESARIO, MANIPULAÇÃO, RESULTADO, CASA DE APOSTA ESPORTIVA, DESTAQUE, ATUAÇÃO, CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas (CPIMJAE), PRESIDENCIA, ORADOR, DEFESA, IMPORTANCIA, COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), DEMOCRACIA, FUNCIONAMENTO, LEGISLATIVO.
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Para discursar.) – Inicialmente, Senador Chico Rodrigues, meu querido amigo – você é tão querido em Roraima –, receba um abraço do meu irmão cantor goiano Leonardo, que esteve lá em Boa Vista, e você o recebeu no aeroporto.
Eduardo Girão, meu irmão, obrigado pela permuta.
E o pronunciamento tem tudo a ver com a gente, Girão. O Chico também fez parte da nossa CPI da manipulação de resultados de jogos de futebol. Finalmente, uma CPI que terminou provocando condenação, cadeia, 13 anos, para o maior envolvido em manipulação de jogos e apostas esportivas neste país, e foi exclusivamente por causa da nossa CPI que ele, na semana passada, recebeu a condenação. Portanto, brasileiras e brasileiros, minhas únicas vossas excelências, neste 7 de abril de 2026, é a condenação do empresário de futebol William Pereira Rogatto a 13 anos de prisão por chefiar o esquema que fraudou jogos de futebol no Brasil.
O processo ocorreu na Vara Federal do Distrito Federal, e a sentença saiu na semana passada. Além de Rogatto, foram condenados o seu braço direito Amauri Pereira dos Santos e os atletas Alexandre Batista Damasceno e Nathan Henrique Gama da Silva. Dayana Nunes Feitosa, Presidente do time usado nas fraudes, o Santa Maria, foi absolvida. Os condenados poderão recorrer em liberdade, menos William Rogatto, o maior corrupto, sob prisão preventiva desde que foi extraditado dos Emirados Árabes Unidos, em setembro.
Só posso aplaudir o envio para a cadeia de quem manipulou resultados de jogos de futebol para obter lucro em apostas esportivas. Meus cumprimentos ao Ministério Público do Distrito Federal, que ofereceu a denúncia, e ao Juiz Germano Oliveira Henrique de Holanda, que condenou o Rogatto e companhia. Destaco o fato de o Juiz Germano Oliveira considerar, como elemento importante na condenação de William Rogatto, o depoimento que ele prestou, em outubro de 2024, à CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, presidida por mim e relatada pelo meu amigo e irmão Romario de Souza Faria.
Primeiro, o juiz rechaçou o argumento da defesa do empresário, que tentou impugnar a menção, pelo Ministério Público, de trechos do seu depoimento – do acusado à CPI, à nossa CPI –, sob a alegação de que se trataria de inclusão de fatos externos ao processo não discutidos em audiência. Reconhecendo a legitimidade da nossa CPI, que, segundo ele, Juiz, guarda semelhança com o inquérito policial, o Juiz Germano Oliveira enfatizou – abrem-se aspas: "Não há qualquer impedimento de que os trechos do depoimento do acusado sejam utilizados como elementos de prova, inclusive em sede de confissão" – fecham-se aspas.
Ao aceitar o depoimento na nossa CPI como confissão extrajudicial, o Juiz ainda ressaltou que a versão apresentada por Rogatto na CPI foi mais compatível com o conjunto probatório do que as declarações prestadas por ele no interrogatório final e judicial. Em outras palavras – aspas: "A versão judicial se revela claramente mais seletiva, autocontida e baseada em retratação estratégica, ao passo que a oitiva na CPI, embora exagerada em alguns pontos, mostra-se muito mais coerente com o restante da prova reunida, ao descrever o modelo de negócio criminoso efetivamente demonstrado nos autos" – fecham-se aspas.
William Rogatto, na CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, agiu como réu confesso e detalhou seu modus operandi, identificando clubes em dificuldade financeira, oferecendo gestão no futebol e, posteriormente, aliciando jogadores com o objetivo de lucrar com apostas esportivas baseadas em derrotas no campo. Chegou a autodenominar-se Rei do Rebaixamento, vangloriando-se de ter provocado a queda de divisão de 42 clubes.
Segundo o Juiz, apesar dos exageros – aspas –, "a fala na CPI coincide com o que a prova dos autos efetivamente revela" – fecham-se aspas. Isso significa que o depoimento de Rogatto não foi utilizado de forma isolada, mas integrado a outros elementos, para formar um conjunto probatório coerente.
Quem não se lembra da minha pergunta de quanto ele havia faturado de corrupção, de manipulação? Ele confessou, rindo, que tinha recebido quase R$300 milhões. Podemos dizer que, em outubro de 2024, o fraudador William Rogatto perdeu a aposta ao afirmar, na minha pergunta – ironicamente ele –, que a sua oitiva não daria em nada. E deu, canalha. Deu. O que falou foi considerado, pelo Juiz Germano Oliveira Henrique de Holanda, como um dos pilares da convicção condenatória, ou seja, contribuiu decisivamente para que Rogatto garantisse um lugar na cadeia por 13 anos. Que lá mofa!
Conclusão.
A nossa CPI da manipulação não acabou em pizza, como tantas, o que muito me orgulha como seu Presidente, e tenho certeza de que esse sentimento é compartilhado pelo meu amigo e irmão Romário Faria, o Relator, que, antes de todo mundo, tinha a convicção de aquele corrupto vir à nossa CPI e confessar tudo, como aconteceu. Girão, Chico, Portinho merecem aplausos, e o resultado alcançado reforça a importância de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, direito das minorias no Poder Legislativo, que vem sofrendo repetidas tentativas de desmoralização.
A propósito, transcrevo aqui trecho de recente editorial do jornal O Estado de S. Paulo sobre CPI – aspas: "O instrumento permanece no texto constitucional. Mas seu funcionamento depende de condições políticas que estão se deteriorando tanto mais aceleradamente quanto mais as investigações incomodam os núcleos do poder" – fecham aspas.
Precisamos recolocar no lugar o que está fora da ordem. Democracia é separação de Poderes: Executivo, Judiciário e Legislativo, cada um em seu trilho, e Parlamento sem CPI funcionando em plenitude é sinal vermelho para a democracia.
Portanto, Presidente Chico, Girão, Plínio, Paim, Amin, querida Zenaide, se Deus quiser reeleita no Rio Grande do Sul como Senadora...
(Soa a campainha.)
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – ... essa nossa CPI deu um exemplo, porque ela sofreu também, Girão, como a sua lá do crime organizado, com habeas corpus toda hora. Roberto Campos, ex-Presidente do Banco Central, não virá. Não quer falar, porque ele sabe que o caso dele é batom na cueca com o dono do Banco Master. Foi ele que deu o banco a esse corrupto, desde 2014, que poderia ter sido preso lá atrás, e nada disso teria acontecido sobre o Banco Master.
Portanto, eu não poderia deixar de registrar hoje, com alegria, o resultado da CPI de que eu fui o Presidente, em que trouxemos aqui o maior corrupto do futebol brasileiro em manipulação de resultados de futebol e o colocamos na cadeia. Eu o fiz confessar que ele era corrupto mesmo...
(Soa a campainha.)
O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – ... e ele disse: "Sou.", e falou que não ia adiantar nada a nossa CPI. Adiantou. Neste momento, ele está lá na cadeia. Mofa na cadeia, seu canalha, seu patife!
Agradecidíssimo.