Pronunciamento de Chico Rodrigues em 15/04/2026
Discurso durante a 37ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Comentários sobre a iniciativa do Congresso do Peru para instituir o Dia da Confraternização entre Peru e Brasil, a ser celebrado em 3 de fevereiro, para marcar as relações diplomáticas entre os dois países.
- Autor
- Chico Rodrigues (PSB - Partido Socialista Brasileiro/RR)
- Nome completo: Francisco de Assis Rodrigues
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
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Relações Internacionais:
- Comentários sobre a iniciativa do Congresso do Peru para instituir o Dia da Confraternização entre Peru e Brasil, a ser celebrado em 3 de fevereiro, para marcar as relações diplomáticas entre os dois países.
- Publicação
- Publicação no DSF de 16/04/2026 - Página 43
- Assunto
- Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Relações Internacionais
- Indexação
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- REGISTRO, PROPOSTA, CONGRESSO NACIONAL, PERU, CRIAÇÃO, DIA, COMEMORAÇÃO, RELAÇÕES DIPLOMATICAS, BRASIL, IMPORTANCIA, INTEGRAÇÃO, FRONTEIRA, COMERCIO EXTERIOR.
O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR. Para discursar.) – Eu quero agradecer a V. Exa., enquanto aguarda a vinda do Congressista peruano. Gostaria também de cumprimentá-lo e de dizer que é um motivo de alegria nossa a presença do Congressista Luis Gustavo Cordero Jon Tay, que foi convidado por V. Exa., Senador Confúcio Moura, que preside a sessão, para se sentar ao seu lado à mesa dos trabalhos da Câmara Alta do país.
Eu, inicialmente, trato também de um tema que é recorrente em relação à presença do convidado aqui, meu caro Presidente Confúcio Moura e meus colegas Senadores e Senadoras. Eu subo a esta tribuna para registrar, com grande satisfação, uma iniciativa do Congresso da República do Peru, apresentada pelo Congressista Luis Gustavo Cordero Jon Tay, que propõe a instituição do Dia da Confraternização entre Peru e Brasil, a ser celebrado em 3 de fevereiro de cada ano.
A escolha dessa data é especialmente significativa. Foi em 3 de fevereiro de 1827 – 3 de fevereiro de 1827 – que, no Paço Imperial do Rio de Janeiro, o Imperador D. Pedro recebeu o Diplomata peruano José Domingos Cáceres, designado Cônsul-Geral e encarregado de negócios do Peru, ato que marcou o estabelecimento formal das relações diplomáticas entre o Império do Brasil e a então recém-independente República do Peru. Desde então, são quase dois séculos de uma relação construída com base no respeito e na cooperação, além da busca por objetivos comuns.
Como representante do Estado de Roraima, tenho a oportunidade de vivenciar, na prática, a realidade das relações transfronteiriças. A convivência com a Venezuela e a Guiana nos ensina, diariamente, que as fronteiras não são apenas linhas geográficas; são espaços vivos, onde circulam pessoas, culturas, economias e desafios complexos que exigem coordenação permanente entre os países.
Essa experiência nos mostra que a integração entre nações vizinhas não se faz apenas por tratados ou declarações formais, mas, sobretudo, pela construção cotidiana de confiança, diálogo institucional e presença do estado que, nas regiões de fronteira, faz limites.
É exatamente essa lógica que também orienta as relações entre o Peru e o Brasil. Nossos países compartilham uma extensa faixa de fronteira amazônica, marcada por oportunidades estratégicas e responsabilidades comuns. Ao longo dos anos, avançamos juntos na integração física, com destaque para os corredores interoceânicos; no fortalecimento do comércio bilateral; e na cooperação em áreas sensíveis, como segurança, proteção ambiental e desenvolvimento sustentável.
O Brasil, como maior economia da América do Sul, tem desempenhado papel relevante na promoção da integração regional. Ao mesmo tempo, encontra no Peru um parceiro estratégico para a conexão com o Pacífico, para ampliação de fluxos comerciais e para a consolidação de uma agenda comum voltada ao desenvolvimento da Região Amazônica. Trata-se, portanto, de uma relação de complementariedade, que gera benefícios concretos para ambos os países e que precisa ser permanentemente valorizada. Por isso, Sr. Presidente Confúcio Moura, entendo que a iniciativa do Parlamento peruano merece não apenas o nosso reconhecimento, mas também a nossa reciprocidade.
Informo a esta Casa que apresentarei – porque já está formatado – projeto de lei de igual teor, com o objetivo de instituir no Brasil o Dia da Confraternidade Brasil-Peru, reforçando este vínculo histórico e projetando-o para o futuro. Mais do que uma data simbólica, estamos criando uma oportunidade de fortalecer a integração entre os nossos povos, de estimular iniciativas econômicas e culturais e de reafirmar o compromisso do Brasil com uma América do Sul mais integrada, mais próspera e mais solidária. Ao fazê-lo, estaremos também reconhecendo que o desenvolvimento das nossas nações passa necessariamente pelo fortalecimento das relações de vizinhança, especialmente na nossa Amazônia. Onde os desafios são comuns, as soluções precisam ser compartilhadas.
Quero fazer um registro da presença do Senador Lauro, do Sergipe, que por algum tempo esteve aqui nesta Casa e que tem sido um vetor para trazer essas grandes alianças, essas conquistas, representando e apresentando ao Brasil oportunidades que vão irrigar a nossa economia; vão irrigar a nossa política; vão irrigar, acima de tudo, os laços entre países irmãos.
Nas relações comerciais, meu caro Senador Lauro, a relação entre o Brasil e o Peru é marcada por forte complementariedade. O Brasil exporta principalmente produtos industrializados e energia, enquanto o Peru, minérios estratégicos como cobre, além de gás natural e produtos agrícolas.
Gostaria só de fazer um breve relato das principais exportações brasileiras para o Peru, como o diesel, a gasolina e os derivados de petróleo. Essas representam uma das maiores parcelas de exportação brasileiras, além de automóveis, autopeças, tratores, máquinas, equipamentos industriais e agrícolas, ferro e aço, carne bovina e de frango, açúcar e café. E as exportações peruanas para o Brasil são minérios como: cobre, zinco, prata e ouro.
O Peru é um dos maiores produtores minerais do mundo. Gás natural liquefeito, derivados energéticos, farinha de peixe e óleo de peixe também importamos. Esses são muito usados na ração animal, o que obviamente nos fortalece como o maior banco de proteína do planeta, para o nosso país, para orgulho nosso. Também exportam para o Brasil uvas, abacates, aspargos, fertilizantes e outros compostos químicos industriais.
Como se vê, nós temos uma relação muito próxima pela fronteira longa entre os dois países, uma relação histórica também conhecida e de parceria. E, hoje, no Concerto das Nações, nós vemos, meu caro congressista Luis Gustavo Cordero Jon Tay, que está aqui à mesa, que a sua presença aqui é simbólica, é fundamental para que a diplomacia parlamentar cada vez mais...
(Soa a campainha.)
O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) – ... se estenda para que os governos tenham a compreensão desse papel de aproximação e, acima de tudo, das relações sociais, políticas e econômicas que nelas se encerram.
Portanto, é um orgulho para nós hoje termos a sua presença aqui no Plenário. O nosso Presidente está atento, está acompanhando e teve a gentileza – o Presidente Confúcio Moura, lá de Rondônia, da nossa Amazônia – de convidá-lo para que nós pudéssemos ter o prazer de, no nosso pronunciamento, termos a sua presença aqui acompanhando esse discurso que, mais do que um discurso, é uma relação de aproximação e de amizade com o Peru. Portanto, parabéns a V. Exa. e ao nosso Presidente!
Quero dizer aos brasileiros e peruanos que essa relação é fundamental para ampliar cada vez mais as relações econômicas, políticas e diplomáticas...
(Soa a campainha.)
O SR. CHICO RODRIGUES (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) – ... dos nossos países.
Muito obrigado, Sr. Presidente.