Discurso durante a 44ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Críticas ao plano de saúde vitalício percebido pelos Senadores e seus familiares. Negativa de recebimento de emendas ou negociação de cargos em troca de voto favorável à indicação do Sr. Jorge Messias para Ministro do STF.

Autor
Cleitinho (REPUBLICANOS - REPUBLICANOS/MG)
Nome completo: Cleiton Gontijo de Azevedo
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Agentes Políticos, Governo Federal:
  • Críticas ao plano de saúde vitalício percebido pelos Senadores e seus familiares. Negativa de recebimento de emendas ou negociação de cargos em troca de voto favorável à indicação do Sr. Jorge Messias para Ministro do STF.
Aparteantes
Eduardo Girão, Jorge Kajuru, Plínio Valério.
Publicação
Publicação no DSF de 30/04/2026 - Página 17
Assuntos
Administração Pública > Agentes Públicos > Agentes Políticos
Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
Indexação
  • DENUNCIA, VITALICIEDADE, PLANO DE SAUDE, EX-SENADOR, SUPLENTE, FAMILIA, CRITICA.
  • DENUNCIA, GOVERNO FEDERAL, LIBERAÇÃO, EMENDA PARLAMENTAR, APROVAÇÃO, INDICAÇÃO, ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO, JORGE RODRIGO ARAUJO MESSIAS, CARGO, MINISTRO, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF).

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG. Para discursar.) – Sr. Presidente, uma boa tarde a todos os Senadores e Senadoras, à população que acompanha a gente pela TV Senado, aos servidores desta Casa.

    Quero mandar um abraço especial aqui para o nosso querido Sérgio Rodrigues, ex-Presidente do Cruzeiro, que pegou o pior momento da história do Cruzeiro – o pior momento. Coitado do Sérgio Rodrigues nessa época, mas conseguiu resgatar o maior time do Brasil, que é o Cruzeiro. É o nosso...

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Fora do microfone.) – Há controvérsias.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Não, não é assim, não. É o melhor, vai ser campeão da Libertadores este ano, viu?

    Sérgio é nosso pré-candidato a Deputado Federal, vai representar muito bem. Foi Deputado Federal aqui, estava aqui alguns meses atrás... Está ainda em exercício, Sérgio? Mas vai voltar, se Deus quiser, no ano que vem, com o nosso apoio, viu, meu irmão? Que Deus te abençoe, e conte comigo sempre.

    Sr. Presidente, eu queria muito o apoio de V. Exa. e de todos os Senadores da República. Eu tenho certeza de que do Kajuru eu vou ter, do Girão eu vou ter, também do Plínio e de todos os Senadores, porque é o seguinte, gente: aqui no Senado, há o direito a plano de saúde vitalício. E não é só para os Senadores não, tá, gente? É para a família dos Senadores também. Inclusive, se eu, agora, sair aqui e entrar o meu suplente, se ele ficar seis meses também, ele tem direito. E se o suplente sair e entrar o segundo suplente, ele também tem direito, gente! Olha que beleza! Enquanto isso – foca aqui, cameraman, vou mostrar aqui, ó –, o povo brasileiro fica até dois anos esperando uma cirurgia no SUS, enquanto aqui no Senado, que já gastou mais de R$300 milhões com plano vitalício para Senadores...

    Eu queria muito que todos os 80 Senadores, inclusive o Presidente, que está agora no cargo, pudessem falar que a gente vai apoiar o meu projeto de resolução para acabar com o plano de saúde vitalício aqui no Senado. Isso é um verdadeiro murro na cara da população brasileira. Se algum Senador aqui quiser pegar a palavra para me apoiar, ou se algum Senador quiser ir contrariamente à minha fala e quiser vir para o debate, eu quero que defenda por que recebe plano de saúde vitalício enquanto a gente ganha R$40 mil e tem condição de pagar um plano particular, como eu faço. Se tiver algum Senador que quiser pegar a palavra, fique à vontade, para apoiar ou para vir para o debate.

    O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Eu gostaria, Senador Cleitinho.

    Eu não posso julgar os demais Senadores, até porque...

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Nunca, não estou aqui para julgar, não!

    O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Para apartear.) – É, até porque eu tenho outras fontes de renda, mas eu considero esse plano de saúde vitalício uma excrescência. Inclusive, na hora em que eu fui eleito no Estado do Ceará, em outubro de 2018, a primeira atitude que eu tive foi de ir atrás do nome do Diretor-Geral e do Presidente do Senado para dizer: "Olha, acabei de ser eleito e gostaria de fazer, em caráter irrevogável, a dispensa desse custo". E de outros também, porque eu acho que de carro com motorista não tem necessidade. Você pode pegar um uber aqui, não tem problema nenhum.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Pode vir no seu carro, Girão!

    O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Não, pode! Como eu trouxe o meu.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Pode, com seu carro particular.

    O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Eu trouxe o meu.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – É.

    O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Então, quer dizer... Outra coisa: o apartamento funcional, né? Porque, geralmente, o Senador passa dois, três dias no máximo aqui, então pode ficar num hotel, em vez de ter um apartamento com cinco quartos, às vezes; quatro, cinco quartos que ficam sete dias à disposição, e não tem ninguém.

    Então, por que não vende isso para o dinheiro entrar no Erário, para colocar as filas do SUS – cada vez maiores – em dia?

    Então, tem também a questão, por exemplo, que me deixa muito preocupado, que a gente percebe que existe dentro do Congresso Nacional, quando você tem, por exemplo, a questão da quantidade grande de funcionários dentro do gabinete. Não tem uma necessidade tão grande disso. Eu fiz um pacto com o cearense de que eu iria usar 50% desse valor, e é o que eu estou usando e eu acredito que estou dando resultado. Eu sei que tenho minhas imperfeições e limitações, mas acho muito. Como também acho muito que se tenha R$80 milhões por ano, o Senador, para emendas parlamentares. Isso não é função nossa. A função nossa é o quê? É legislar e fiscalizar. Isso aqui somos nós que recebemos...

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Oitenta, Girão? Tem uns aqui que têm muito mais.

    O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – São cem.

    O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Somos nós que recebemos as constitucionais, mas tem gente que recebe o secreto. Então, tinha que acabar.

    Eu tenho uma PEC, Senador Cleitinho, para acabar com emenda parlamentar. Não consegui as assinaturas ainda...

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – A minha você sempre vai ter.

    O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Mas eu espero que nós deixemos essa semente para as próximas legislaturas. Eu não estarei mais aqui a partir do ano que vem, mas eu acho que a semente ficou plantada.

    Eu quero cumprimentá-lo. Eu não sabia do valor de R$300 milhões...

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Trezentos milhões.

    O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Quer dizer... Durante quantos anos isso?

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Acho que foi agora, de 12 anos para cá.

    O Sr. Eduardo Girão (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE) – Meu Jesus. Então, o meu apoio total ao senhor.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Kajuru.

    O Sr. Jorge Kajuru (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Para apartear.) – Senador Cleitinho, querido, o seu pronunciamento é oportuno, e eu lhe agradeço, além de acompanhá-lo em rigorosamente tudo, porque dá a mim uma chance de apresentar um rápido desabafo aqui.

    Eu tenho amigos em Minas, que são amigos em comum, no Rio de Janeiro, em São Paulo, um deles famoso, que Girão conhece. Na semana passada agora, em São Paulo, ele me deu uma bronca, ele é meu padrinho de casamento: o músico Ivan Lins.

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Fora do microfone.) – Sim.

    O Sr. Jorge Kajuru (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – Ele e a Valéria Lins, minha madrinha.

    O Ivan Lins comentou com muita gente do meio artístico a minha decisão e todo mundo passou a me ligar, me repudiando, dizendo que é um absurdo o que eu estou fazendo, porque eu não vou continuar na vida pública, voltarei apenas ao meu ramo, o jornalismo.

    E o plano de saúde que o Senador tem, sabe quanto custa por mês? Custa R$9,8 mil. Quem é que tem condições de pagar R$9,8 mil? E eu abri mão, graças a Deus. E, mesmo contra a vontade desses meus amigos e amigas, eu vou, até o fim, manter essa minha posição. E tem gente que fala: "Ainda dá tempo de você se arrepender" – eu não vou me arrepender.

    E, graças a Deus, pode entrar aí no Portal da Transparência do Senado Federal quem quiser e colocar meu nome lá, Senador Jorge Kajuru, o Girão sabe disto: na história dos 200 anos do Senado, nunca nenhum Senador custou zero no seu mandato; eu custei zero, nem um centavo nos oito anos de mandato. E olhe que teve Senador aqui, inclusive do seu estado, que o portal Metrópoles denunciou que gastou, numa viagem, na estrada, R$60 com lanche e pediu reembolso.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Fique à vontade, Plínio.

    O Sr. Plínio Valério (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM. Para apartear.) – Meu futuro Governador de Minas Gerais, eu só vou me ater aqui a esse dado. Estão me enganando, eu estou sendo enganado, porque eu cheguei aqui... Eu assinei um regime previdenciário para ter direito à aposentadoria, que não é integral. Sabe quanto eu pago por mês? São R$8,6 mil, que são descontados do meu salário, para me dar direito a essa aposentadoria lá na frente, o que não é nem metade; logo, ela não é vitalícia porque, se eu não pago, já era.

    Então eu até ensaiei e falei: "Caramba, eu posso economizar". Ensaiei dois meses não fazer, e você perde tudo que tinha feito. Então eu desconto, Girão, do meu salário aqui, R$8.8 mil para o plano previdenciário de saúde. Então não existe mais aposentadoria vitalícia aqui. Ou então eu estou sendo enganado. Ou então estão me enganando.

    Outra coisa, a gente tem... Estou falando... Isto é o que eu queria ponderar. Então para que o brasileiro saiba, enfim, do que nós estamos falando, nós estamos falando de um salário de R$46 mil, que é o teto. Sabe quanto eu recebo líquido? R$27 mil. Aí vão dizer, mas continua sendo bom. Beleza, mas são R$27 mil, não são R$46 mil, porque tem INSS, tem Imposto de Renda, tem sistema previdenciário.

    Por que é que eu estou dizendo isso, Cleitinho? Para que não olhem para mim, lá no Amazonas... Eu digo isso sempre... Eu só estou dizendo, Cleitinho, não é nem rebatendo, só dizendo o que eu digo no Amazonas.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Não, não, tranquilo.

    O Sr. Plínio Valério (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – Lá no Amazonas, eu digo: "Olha, o salário é R$46 mil, mas eu só recebo R$27 mil, porque nove e tanto são de Imposto de Renda, seis e tanto são de INSS, oito e tal". Beleza. Continua sendo bom o salário? Continua. Mas fosse eu jornalista, eu não teria cem pedidos por dia de ajuda; quando eu sou Senador, tem. E eu tenho que me quedar quando chega um doente precisando de um remédio; e eu tenho que me quedar quando chega um faminto pedindo uma cesta básica.

    Eu só estou dizendo o que eu digo lá no Amazonas. Portanto, é só... Eu estou dando satisfação, tá, Cleitinho, ao meu público lá.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Ótimo.

    O Sr. Plínio Valério (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – Não tem, não tem aposentadoria vitalícia.

(Soa a campainha.)

    O Sr. Plínio Valério (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – Eu não... Viu, Kajuru? Nesses oito anos, eu não usei nada para comer. Alimento, eu tenho como me alimentar onde eu estiver; então não preciso. Celular, onde eu estiver, onde eu preciso. Mas de carro eu preciso. Se eu for alugar um carro, de R$27 mil, lá se vão mais 5, ficam 22. Se eu for alugar apartamento, lá se vão mais 5, já ficam 17. Portanto, eu, desde que não seja ilegal, imoral, eu tenho que aceitar.

    As emendas parlamentares são o único instrumento que eu tenho de poder ajudar, de verdade, a quem precisa. Quando eu cheguei aqui, eu abdiquei de todo o meu orgulho, em nome da necessidade do meu povo. Então sempre que vem emenda, eu recebo de bom grado.

    É só um esclarecimento, está bom, Cleitinho? Eu não estou nem rebatendo-o, nem nada.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Não, tranquilo.

    O Sr. Plínio Valério (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - AM) – E boa sorte lá em Minas Gerais, irmão.

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Obrigado, obrigado, Senador.

    Mas eu quero deixar claro aqui que, como V. Exa. disse, que o nosso salário é 46, que tem desconto, e se a gente for ter que alugar um apartamento, ter que pagar gasolina, isso, qualquer trabalhador brasileiro faz. A gente não está acima dos trabalhadores brasileiros, não. Pelo contrário, a gente está abaixo, porque o verdadeiro patrão é o povo. E nós somos empregados. Então é uma questão de consciência.

    Então eu canso de falar aqui, já passaram várias reformas. A maior reforma que tem que passar aqui é uma reforma moral, uma reforma de consciência política, para o político entender que nós somos empregados, e que quem é o patrão, de verdade, é o povo. E o povo não aguenta mais pagar essa conta.

    Eu quero aqui falar também, deixar claro aqui, porque saiu matéria dizendo aí que o Governo está comprando Senadores para a votação hoje do Messias, com R$12 bilhões em emendas. Eu não recebi nada, eu não negociei nada. Ah, cargo não sei onde, cargo no ministério... Eu não!

    Eu queria que todos os Senadores pudessem subir aqui também e fala: "Não, não recebemos. Não recebemos". Que fique claro isso aqui. A toda hora é essa ladainha. Aí a população cobra, com direito de cobrar mesmo. Espera aí, tem Senador recebendo emenda para poder votar? Eu nunca vou fazer isso na minha vida, não, nunca vou negociar voto, não, gente. Meu voto minha consciência.

(Interrupção do som.)

    O SR. CLEITINHO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - MG) – Quem manda no meu voto aqui sou eu e o povo. Eu escuto o povo. Se o povo mandou votar "sim", eu voto "sim"; se o povo mandou votar "não", eu voto "não" e pronto, acabou. Agora, essa ladainha?

    Eu espero trazer transparência, porque há um princípio da administração pública que se chama transparência. Parar com esse negócio de falar que fulano recebeu emenda, que beltrano recebeu cargo. Eu não recebi nada.

    Muito obrigado, Sr. Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 30/04/2026 - Página 17