Discurso durante a 45ª Sessão Especial, no Senado Federal

Sessão Especial destinada a celebrar o Dia do Trabalhador e das Trabalhadoras. Defesa da negociação, como diálogo preventivo, não apenas como instrumento de poder sindical, mas como uma poderosa ferramenta de gestão pública.

Autor
JOÃO DOMINGOS GOMES DOS SANTOS
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Homenagem, Trabalho e Emprego:
  • Sessão Especial destinada a celebrar o Dia do Trabalhador e das Trabalhadoras. Defesa da negociação, como diálogo preventivo, não apenas como instrumento de poder sindical, mas como uma poderosa ferramenta de gestão pública.
Publicação
Publicação no DSF de 05/05/2026 - Página 38
Assuntos
Honorífico > Homenagem
Política Social > Trabalho e Emprego
Matérias referenciadas
Indexação
  • SESSÃO ESPECIAL, COMEMORAÇÃO, Dia do Trabalho, DIA INTERNACIONAL, TRABALHADOR, MES, MAIO.
  • DEFESA, NEGOCIAÇÃO, DIALOGO, CARATER PREVENTIVO, SINDICATO, GESTÃO.

    O SR. JOÃO DOMINGOS GOMES DOS SANTOS (Para discursar.) – Senador Paulo Paim, demais autoridades da mesa, senhoras e senhores aqui presentes e os que nos assistem pela internet.

    Literalmente, em todas as oportunidades – e foram várias, centenas talvez, que eu tive – de falar em qualquer público, na sua presença, eu sempre procurei dimensionar exatamente o que significa o Senador Paulo Paim. Eu sempre fiz questão de destacar que o senhor é muito mais do que um Senador, o senhor representa muito mais do que uma bancada de Senadores; eu sempre disse que o senhor representa, na prática, uma verdadeira instituição de defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras, do mundo social como um todo. Por isso, Senador, lembrando disso, e é assim que eu penso, deu-me um aperto no coração o seu discurso hoje; pensar que, a partir do ano que vem, nós não estamos perdendo um Senador, nós estamos perdendo uma instituição. E a mais guerreira nos últimos 40 anos aqui no Congresso Nacional, desde a Constituinte, como já foi bem lembrado aqui.

    Isso é particularmente preocupante, porque nós estamos vendo a tendência... Nós já temos uma ridícula correlação de forças aqui no Congresso Nacional, e estamos vendo uma tendência de ter muito mais dificuldade.

    Mas nós respeitamos, apoiamos a sua decisão. Só esperamos que não percamos você, o Senador, mas a instituição que continue a nos proteger e a nos honrar, como sempre fez.

    Mas, Senador, aqui é uma sessão de homenagem ao Dia dos Trabalhadores, e todos os trabalhadores do Brasil têm que comemorar, no mínimo, a possibilidade concreta da redução da jornada.

    Mas uma categoria de trabalhadoras e trabalhadores, aqui no Brasil, está especialmente num momento de muito entusiasmo, de muita mobilização, de muita comemoração. É porque, depois de 48 anos... Eu, particularmente, estou nessa luta há muito mais do que isso, porque eu participei da luta pela homologação da Convenção 151, que traz o tripé das relações de trabalho no setor público, com ênfase na negociação coletiva.

    Pois bem, Senador: depois de 48 anos, o Presidente Lula, no dia da nossa marcha, assinou o decreto-lei, já tramita na Câmara dos Deputados, que estabelece a negociação coletiva no setor público.

    Às vezes, fica incompreensível, porque meio século para conseguir algo tão natural, que somente os servidores públicos não têm, que é o simples direito à negociação, mas nós compreendemos a dificuldade e estamos em fase de comemoração.

    Por isso, Senador, eu queria trazer mais um desafio para o senhor.

    Nós começamos uma jornada e vamos fazer cinco grandes eventos pelo país inteiro, em cada região, durante a tramitação na Câmara dos Deputados, e vamos repetir essas mesmas jornadas durante a tramitação aqui no Senado. Então, Senador, esse desafio consiste basicamente em que o senhor empreste, mais uma vez, para nós a sua energia, o seu poder de articulação, a sua credibilidade, reivindicando, desde já, para que possamos também articular, como fizemos na relatoria da Câmara dos Deputados, que o senhor reivindique a relatoria do projeto que tramita na Câmara com o número de 1.893, se não me engano, para que possamos, ao mesmo tempo, ter essa sinergia, mas também uma troca de oportunidades. O senhor nos empresta todo o seu poder de articular aqui nesta Casa, o seu fácil trânsito em todos os partidos, em todas as lideranças, e, em troca, nos oferece a oportunidade de fazer mais uma jornada conosco pelo Brasil, para que os servidores e as servidoras públicas, os trabalhadores em geral, possam expressar, pessoalmente, na sua presença, a enorme gratidão que têm.

    Todas as lutas importantes, civilizatórias, humanitárias, de alto impacto no mundo do trabalho...

(Soa a campainha.)

    O SR. JOÃO DOMINGOS GOMES DOS SANTOS – ... passaram por suas mãos, desde a luta do salário mínimo, a valorização do salário mínimo, que foi sua primeira luta, passando pelos negros, passando pelos idosos, pelas crianças, pelos servidores públicos. Eu rememoro aqui, inclusive, que uma grande sessão de homenagem ao cinquentenário da nossa confederação foi de sua autoria. E juntos nós já percorremos este país defendendo as pautas dos servidores públicos.

    Então, nós gostaríamos muito de ter essa oportunidade, de um lado, de os servidores públicos expressarem a sua eterna gratidão e, de outro, de o senhor nos ajudar a aprovar algo tão fundamental, mas tão difícil, como é a negociação coletiva. Por quê? Porque os governos, os gestores não conseguem. Eles só enxergam a negociação coletiva como sendo um instrumento de poder do sindicato, e o é, de fato. Mas antes disso, negociação coletiva é a mais importante e poderosa ferramenta de gestão...

(Soa a campainha.)

    O SR. JOÃO DOMINGOS GOMES DOS SANTOS – ... o instrumento de gestão que pacifica as relações de trabalho, que antecipadamente e preventivamente supera os conflitos. E isso tudo é traduzido em produtividade, é traduzido a bem da gestão pública e, sobretudo, dos usuários do serviço público.

    Então, Senador, terminando, eu quero, em nome dos servidores públicos, antecipar essas homenagens.

    Irei pedir que o senhor seja, no mínimo, o construtor máster do movimento sindical junto a esta Casa aqui, nessa nova fase de vida. Eu não pediria isto, mas me deu vontade de pedir, "não nos abandone". Mas o senhor jamais faria isso; não é justo eu pedir isso, é como se eu previsse uma coisa dessa. Só continue a nos orientar, a nos liderar; a nos liderar e a nos agraciar com tantas vitórias, como o senhor já o fez.

    Muito obrigado. Parabéns, meu eterno Senador! (Palmas.)


Este texto não substitui o publicado no DSF de 05/05/2026 - Página 38