Discurso durante a 52ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Críticas à escassez de investimento em políticas de segurança pública e à gestão econômica do Governo Lula.

Preocupação com o ambiente institucional no país, com expectativa de alteração desse quadro por meio do voto nas próximas eleições gerais.

Autor
Hamilton Mourão (REPUBLICANOS - REPUBLICANOS/RS)
Nome completo: Antonio Hamilton Martins Mourão
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Economia e Desenvolvimento, Governo Federal, Segurança Pública:
  • Críticas à escassez de investimento em políticas de segurança pública e à gestão econômica do Governo Lula.
Atuação do Judiciário, Eleições e Partidos Políticos:
  • Preocupação com o ambiente institucional no país, com expectativa de alteração desse quadro por meio do voto nas próximas eleições gerais.
Publicação
Publicação no DSF de 13/05/2026 - Página 27
Assuntos
Economia e Desenvolvimento
Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Defesa do Estado e das Instituições Democráticas > Segurança Pública
Outros > Atuação do Estado > Atuação do Judiciário
Outros > Eleições e Partidos Políticos
Indexação
  • CRITICA, GOVERNO FEDERAL, PROGRAMA, COMBATE, CRIME ORGANIZADO.
  • CRITICA, POLITICA SOCIO ECONOMICA, INVESTIMENTO PUBLICO, CRESCIMENTO ECONOMICO, Programa Extraordinário de Reequilíbrio Financeiro das Famílias.
  • CRITICA, GOVERNO FEDERAL, ABANDONO, AGRONEGOCIO, PRODUTOR RURAL, RENEGOCIAÇÃO, DIVIDA.
  • PREOCUPAÇÃO, SITUAÇÃO, NATUREZA POLITICA, BRASIL, CONFLITO, PODERES CONSTITUCIONAIS, DIVISÃO, CONSERVADORISMO.

    O SR. HAMILTON MOURÃO (Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - RS. Para discursar.) – Obrigado, Presidente.

    Sr. Presidente, Sras. e Srs. Senadores, amigas e amigos do meu Rio Grande do Sul, cidadãos brasileiros que nos acompanham pela TV Senado e pelas redes sociais, o Brasil, infelizmente, assiste hoje a um espetáculo bizarro de um Governo que entrou, definitivamente, em modo eleitoral; um Governo que perdeu a pouca capacidade de planejamento que tinha e passou a agir movido pelo desespero político, diante da queda de popularidade, da inflação persistente, do avanço do crime organizado e da deterioração da confiança da população nas instituições.

    O Governo do Presidente Lula anuncia agora um pacote de R$11 bilhões para a segurança pública, sob o slogan "Brasil contra o crime organizado" – parece que o Governo está começando agora –, mas a pergunta que precisa ser feita aqui é simples: onde estava esse Governo enquanto o crime organizado se fortalecia e ocupava cada vez mais territórios no país? Não falo só deste Governo do Presidente Lula, mas lembro também a inação de outras gestões de governos petistas.

    Onde estava o Governo quando as facções passaram a controlar serviços básicos da população? Os noticiários registram que o crime organizado já vende sinal de internet em 40% das cidades lá do Rio de Janeiro. Isso não é apenas um problema de segurança pública: é insurgência armada que ameaça o Estado e é a evidência concreta da falência desse mesmo Estado em determinadas regiões do Brasil.

    O que vemos agora é uma reação tardia, feita às pressas, a poucos meses do calendário eleitoral, porque perceberam que nada fizeram e nem a narrativa na segurança pública conseguiram manter. O povo brasileiro sente medo na rua, o cidadão comum percebe que o crime avançou e o Governo tenta responder com propaganda, marketing e anúncios bilionários.

    Na economia, a contradição também é evidente. Enquanto integrantes do Planalto viajam pelo mundo, nos discursos atacam os juros altos, mas a verdade é que o próprio Governo adota medidas que pressionam a inflação e aumentam o consumo artificialmente, obviamente em pleno período pré-eleitoral. Notícias apontam que foram anunciados R$140 bilhões em medidas que, em tese, iriam aumentar o crescimento, mas se esquecem de dizer que tais medidas vão só pressionar a demanda e, consequentemente, a inflação.

    Ora, minha gente, não existe fórmula mágica na economia; não existe populismo fiscal sem consequências. O Governo teima em expandir o crédito subsidiado, amplia programas eleitoreiros, cria linhas de financiamento artificial e, depois, culpa aqueles de sempre – o Banco Central, os empresários –, devido aos efeitos inflacionários produzidos por sua própria irresponsabilidade fiscal.

    Nesse pacote, meu amigo Senador Kajuru, ficam de lado os nossos agricultores, que, desde dois anos atrás, não conseguem o apoio do Governo na renegociação das dívidas. Espero que, agora, uma luz se faça sobre essa questão.

    O novo Desenrola 2.0, Senador Laércio, é apresentado como a solução social para os pobres endividados, mas é cristalino perceber que o programa tem uma única finalidade: tentar melhorar a popularidade do Presidente em ano eleitoral. E isso é grave! Programas públicos não podem ser transformados em instrumentos de sobrevivência política de um governo.

    Enquanto isso, o brasileiro continua pagando caro nos alimentos, nos combustíveis, nos serviços, nos juros do cartão de crédito, no cheque especial, etc. e tal. A população sente na pele que o discurso do Partido dos Trabalhadores não corresponde à realidade econômica do país.

    O ambiente institucional brasileiro também preocupa profundamente. Vivemos uma escalada de judicialização nunca vista na política, e a tensão entre os Poderes não para de crescer. Povo e oposição devem reagir; não podemos ficar calados enquanto o Governo se aproxima seletivamente de setores do Judiciário e os cidadãos de bem assistem perplexos a um cenário de injustiças e instabilidade permanente.

    Já disse e vou repetir: o Brasil precisa de equilíbrio institucional, não de conflito contínuo alimentado por escusos interesses eleitoreiros.

    Em relação ao nosso campo político, da direita, observo temeroso uma fragmentação crescente, enquanto o progressismo tenta explorar divisões para se consolidar no poder. Precisamos estar unidos! Conforta-me, entretanto, saber que a sociedade brasileira continua majoritariamente conservadora em valores, defensora da ordem, da responsabilidade fiscal, da segurança pública e do fortalecimento das instituições.

    O Governo atual não está governando: olha as pesquisas, fica com medo da derrota eleitoral e abandona as prioridades nacionais. Age única e exclusivamente no afã de recuperar a popularidade, e não para enfrentar estruturalmente os problemas do país.

    O Brasil precisa voltar a discutir crescimento sustentável, atração de investimentos, combate firme ao crime organizado, segurança jurídica, previsibilidade econômica e fortalecimento das instituições republicanas.

    Não se combate inflação com populismo fiscal. Não se combate crime organizado com propaganda, discursos academicistas e um ramalhete de flores na mão. Não se constrói estabilidade institucional boicotando prerrogativas dos Poderes, nem estimulando a polarização permanente.

    Por derradeiro, registro aqui que o povo brasileiro merece mais do que um governo em campanha antecipada e que só olha para o próprio umbigo. Nossos cidadãos merecem seriedade, responsabilidade e compromisso verdadeiro com os interesses nacionais.

    Deixo claro aqui que, para o bem das futuras gerações, um país que não se planeja com 25, 30 anos de profundidade não vai chegar a lugar nenhum, vai continuar estagnado. E, para isso, o voto é a ferramenta de que dispomos neste ano. Precisamos votar por um projeto de Brasil e pelo futuro das próximas gerações.

    Obrigado, Presidente.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 13/05/2026 - Página 27