Discurso durante a 59ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Insatisfação com as declarações do Senador Flávio Bolsonaro sobre o caso do Banco Master, com destaque para a necessidade de evitar generalizações.

Homenagem póstuma ao radialista esportivo Milton Naves, com destaque para sua trajetória no jornalismo esportivo mineiro.

Comentários sobre a convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026.

Autor
Jorge Kajuru (PSB - Partido Socialista Brasileiro/GO)
Nome completo: Jorge Kajuru Reis da Costa Nasser
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Eleições e Partidos Políticos, Fiscalização e Controle da Atividade Econômica:
  • Insatisfação com as declarações do Senador Flávio Bolsonaro sobre o caso do Banco Master, com destaque para a necessidade de evitar generalizações.
Homenagem:
  • Homenagem póstuma ao radialista esportivo Milton Naves, com destaque para sua trajetória no jornalismo esportivo mineiro.
Desporto e Lazer:
  • Comentários sobre a convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026.
Publicação
Publicação no DSF de 21/05/2026 - Página 49
Assuntos
Outros > Eleições e Partidos Políticos
Economia e Desenvolvimento > Fiscalização e Controle da Atividade Econômica
Honorífico > Homenagem
Política Social > Desporto e Lazer
Indexação
  • DEFESA, ABERTURA, COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUERITO (CPI), INVESTIGAÇÃO, BANCO PRIVADO, DANIEL VORCARO, FRAUDE, CORRUPÇÃO, COBRANÇA, ESCLARECIMENTOS, SENADOR, FLAVIO BOLSONARO.
  • HOMENAGEM POSTUMA, VOTO DE PESAR, JORNALISTA, ESPORTE.
  • CRITICA, CONVOCAÇÃO, TECNICO, SELEÇÃO, BRASIL, CAMPEONATO MUNDIAL, FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE FUTEBOL ASSOCIATION (FIFA).

    O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Para discursar.) – Senador Chico Rodrigues, voz querida da nossa Roraima; brasileiras e brasileiros, minhas únicas vossas excelências, eu queria, respeitosamente, iniciar me dirigindo ao Senador colega Flávio Bolsonaro – sua assessoria certamente está assistindo a este início de sessão.

    Senador, o senhor sabe muito bem do respeito, do carinho com que sempre o tratei – recíproco. Nunca usei a tribuna para usar qualquer adjetivo contra o senhor, inclusive nos seus momentos mais difíceis, porque eu aprendi nessa vida a não ser oportunista, porque só o senhor sabe o que está vivendo. E, se o senhor faltou ou não com a verdade com os seus aliados ou com a sociedade brasileira, não cabe a mim fazer julgamento.

    Agora, cabe a mim fazer uma correção em suas constantes declarações e, hoje, lamentavelmente, o meu amigo, Senador Magno Malta, repetiu o seu erro, e eu, Magno, espero que você seja justo comigo quando aqui estiver e entenda que eu não faria isso contigo. Fui solidário a você num momento difícil, recentemente, porque em nenhum segundo acreditaria numa atitude que não tem a ver com o seu perfil, que conheço há mais de uma década.

    Senador Flávio Bolsonaro, pare – e você também, Magno – de colocar todo mundo na mesma vala.

    Quando o senhor se prestar a dar entrevista aos jornalistas, diga a eles as exceções, seja da base do Governo ou da esquerda. Eu não sou de esquerda, eu não sou de direita, eu sou eu, um simples ser humano.

    Agora, Senador Flávio, Senador Magno, eu, Kajuru, fui o primeiro Senador a assinar a CPMI do Banco Master, proposta pela Deputada Federal, que é da base do Governo na Câmara dos Deputados, ex-Senadora Heloísa Helena; eu fui o primeiro.

    Quando, aqui no Senado, o cearense Eduardo Girão, Deus queira, futuro Governador do Estado do Ceará, apresentou a sua CPI, no caso, do Senado, eu fui, e não sei se estou enganado, o terceiro a assinar. O Girão está aqui e confirma – eu fui o terceiro a assinar.

    Eu não quero perguntar ao Girão e não quero perguntar a ninguém, mas vou contar, porque eu sou jornalista, o que eu sei: o senhor não assinou, Sr. Flávio Bolsonaro. Uma CPI do Banco Master, que 53 Senadores assinaram – o senhor não assinou. Se o senhor quiser assinar agora, o senhor será o 54º, depois de tudo o que aconteceu.

    Então, por gentileza, vamos usar da boa-fé, do bom coleguismo. Se não somos amigos, não somos inimigos. E não colocar, repito, todo mundo no mesmo balaio, até porque há diferenças. E você mesmo tem dito, nas entrevistas: separar os culpados dos inocentes.

    Bem, eu subo à tribuna, neste 20 de maio de 2026, para prestar homenagem póstuma a um amigo querido e um dos maiores nomes do rádio que conheci em mais de quatro décadas no jornalismo esportivo. Falo, Sr. Presidente, de Milton Amaral Naves, que morreu no último sábado, em Belo Horizonte, aos 67 anos.

    Milton Naves nasceu em Ilicínea, no Sul de Minas Gerais, em 1958, três anos antes de mim. Começou no jornalismo aos 17 anos, quando foi selecionado pela Rádio Cultura de Alfenas. Aos 19 anos, narrou sua primeira partida de futebol, um fato determinante em sua trajetória profissional.

    Ao longo da carreira, passou a introduzir as partidas em que trabalhava com a seguinte frase: “Estou fazendo o que gosto, transmitindo um jogo de bola”. E como Milton Naves fez o que gostava, foram jogos e mais jogos de futebol, marcando história no rádio mineiro.

    Dono de voz marcante, dicção perfeita, cobriu nove Copas do Mundo, assim como eu, como apresentador e narrador da gigantesca Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, onde trabalhei e me tornei nome nacional lá. Foi na Itatiaia, onde trabalhei por cinco anos, que conheci Milton Naves: uma cumplicidade à primeira vista.

    Ficamos amigos fraternos, passamos vários Natais juntos, em família. O último deles em Alfenas.

    Segui a carreira por São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, mas nunca deixei de manter contato com Milton, a quem visitava quando ia a Belo Horizonte.

    A amizade com Milton Naves é um dos principais motivos de orgulho na minha trajetória como jornalista. Nunca esquecerei seu bordão "show de bola", que, com sua voz marcante, embalava as emoções dos jogos dos times mineiros e da seleção brasileira.

    Descanse em paz, querido amigo. Deus o recebeu, com certeza, no colo.

    Em referência a Milton Naves e seu vínculo com Copas do Mundo, aproveito para falar aqui sobre os convocados brasileiros para o mundial de 2026, que começa em três semanas nos Estados Unidos, México e Canadá, ridícula Copa do Mundo com 38 países. Isso não me agrada.

    Mas o técnico italiano Carlo Ancelotti, que renovou o contrato por mais quatro anos, um erro gravíssimo da Confederação Brasileira de Futebol, a meu ver, divulgou há dois dias a lista com 26 nomes, em solenidade no Rio de Janeiro, marcada por um tom ufanista, para não falar uma palhaçada, um circo desnecessário. Soou fora da realidade.

    O clima de festa deu a impressão de que o Brasil vem de várias conquistas no futebol. Precisamos lembrar a realidade. Ficamos em quinto lugar nas eliminatórias sul-americanas. E não podemos esquecer, Girão se lembra bem, Chico também, Amin, Dueire, pernambucano: faz 24 anos que ganhamos o último título mundial.

    Então, temos que comemorar o quê? Foi em 2002, o último.

    Depois, só decepções: Alemanha, África do Sul, Brasil, Rússia, Catar.

    Otimismo, sim. Ufanismo e pachequismo, não tem a ver comigo. O único pachequismo meu é o Senador Rodrigo Pacheco. Da lista de 26 de Carlo Ancelotti, 15 jogadores atuaram pela seleção sob o comando de Tite na Copa de 2022, no Catar. Estão quatro anos mais cansados ou quatro anos mais experientes. Fica a dúvida, a conferir.

    Como curiosidade, o grupo tem idade média de 28 anos. Oscila entre os 38 do goleiro Weverton e os 19 anos dos atacantes Rayan e Endrick.

    Cabe uma menção à convocação do mais notório jogador brasileiro, Neymar, 34 anos, craque, de talento inegável. Sua inclusão no grupo foi recebida por muitos como a de alguém que vai realizar agora o milagre não alcançado em três Copas anteriores. O desempenho em campo não justifica tanta euforia. Lembremos que, por causa de contusões, desde 2023, Neymar não consegue disputar oito jogos seguidos.

    Detalhe: para o Brasil ficar entre os quatro melhores da Copa de 26, agora, terá de fazer oito partidas, Neymar.

    Assim, convém destacar que futebol é, por definição, associação, um jogo essencialmente coletivo.

    Vamos torcer, sim, pelo grupo escolhido por Ancelotti, que virou também garoto-propaganda e que ganhou contrato novo até 2030, como eu disse, quatro dias antes da convocação – estranho, e erro do Presidente da CBF –, e que os 26 atletas formem uma seleção unida, resiliente e determinada, capaz de fazer o país dividido se unir – quem sabe? – na comemoração do hexa.

    Agradecidíssimo, Presidente Chico. Passei só um pouquinho do tempo, como sempre.

    O SR. PRESIDENTE (Chico Rodrigues. Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - RR) – Nobre Senador Jorge Kajuru, V. Exa., quando faz aqui uma homenagem ao seu colega de profissão, o saudoso Milton Naves – jornalista, radialista, que se destacou no cenário nacional –, mostra exatamente o seu carinho e, acima de tudo, o seu gesto com alguém com quem teve a oportunidade de conviver por tantos anos no jornalismo, que é, na verdade, a sua marca registrada no Brasil. Quem não conhece o radialista, jornalista, político, hoje, Jorge Kajuru?

    E essa homenagem a um colega dessa ordem, eu acho que fica tatuada na memória de todos os seus colegas de jornalismo e – por que não dizer também? – da população brasileira. Qualquer um de nós tivemos a oportunidade de, em vários momentos da vida, acompanhar as transmissões do Milton Naves, mostrando exatamente a sua competência e o seu profissionalismo.

    Portanto, fica aqui esse registro e ficará também marcada aqui, nos Anais do Senado da República, essa homenagem de V. Exa. ao grande jornalista e radialista Milton Naves.

    O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Pela ordem.) – Presidente, como o Senador Amin disse que eu gosto de quebrar o protocolo, fosse um jornalista de São Paulo ou do Rio, certamente haveria o pedido de um minuto de silêncio em homenagem ao seu falecimento. Mas ele é de Belo Horizonte, mas ele é de uma rádio nacionalmente reconhecida, que é a Rádio Itatiaia – hoje, Rede Itatiaia. E o seu talento não era um talento mineiro; era um talento nacional: cobriu nove Copas do Mundo.

    Então, eu pediria ao senhor, se for possível, que a gente faça aqui o que faríamos com um jornalista esportivo de São Paulo ou do Rio, fosse, por exemplo, o Milton Neves, meu companheiro, talento irretocável, que felizmente está vivo e vivendo com saúde.

    Então, se for possível, eu pediria ao senhor um minuto de silêncio em função do falecimento do mineiro nacionalmente conhecido da Rede Itatiaia, Milton Amaral Naves.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 21/05/2026 - Página 49