Pronunciamento de Dr. Hiran em 21/05/2026
Discurso proferido da Presidência durante a 60ª Sessão Especial, no Senado Federal
Sessão especial destinada a celebrar os 58 anos da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt). Destaque para a evolução da medicina do trabalho, a prevenção de acidentes laborais e os desafios relacionados à saúde mental dos trabalhadores. Ênfase na atuação da entidade na qualificação profissional, na produção científica e na promoção da saúde ocupacional.
- Autor
- Dr. Hiran (PP - Progressistas/RR)
- Nome completo: Hiran Manuel Gonçalves da Silva
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso proferido da Presidência
- Resumo por assunto
-
Homenagem,
Saúde e Segurança do Trabalho:
- Sessão especial destinada a celebrar os 58 anos da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt). Destaque para a evolução da medicina do trabalho, a prevenção de acidentes laborais e os desafios relacionados à saúde mental dos trabalhadores. Ênfase na atuação da entidade na qualificação profissional, na produção científica e na promoção da saúde ocupacional.
- Publicação
- Publicação no DSF de 22/05/2026 - Página 7
- Assuntos
- Honorífico > Homenagem
- Política Social > Trabalho e Emprego > Saúde e Segurança do Trabalho
- Matérias referenciadas
- Indexação
-
- SESSÃO ESPECIAL, CELEBRAÇÃO, ANIVERSARIO DE FUNDAÇÃO, ASSOCIAÇÃO NACIONAL, MEDICINA DO TRABALHO, COMENTARIO, DADOS, ACIDENTE DO TRABALHO, PREVENÇÃO, RISCOS, DEFESA, AUMENTO, PROTEÇÃO, SAUDE, SEGURANÇA, TRABALHADOR, REGISTRO, AFASTAMENTO, SAUDE MENTAL, DESTAQUE, ATUAÇÃO, ENTIDADE, DIALOGO, CONGRESSO NACIONAL, FRENTE PARLAMENTAR, MEDICINA, QUALIFICAÇÃO, ATIVIDADE PROFISSIONAL.
O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR. Para discursar - Presidente.) – Agradeço a todos os Senadores signatários do Requerimento nº 85, de 2026, já nominados por mim, no início desta sessão, que contribuíram para a realização desta sessão especial em homenagem aos 58 anos da Associação Nacional de Medicina de Tráfico. Do Trabalho, desculpem. É porque nesta semana, a medicina de tráfico me deu tanto trabalho aqui, que eu fiquei com a medicina de tráfico na minha cabeça, não é, Presidente Hiran?
Senhoras e senhores, a medicina do trabalho não nasceu num laboratório; nasceu numa pergunta. No fim do século XVII, na Itália, o médico Bernardino Ramazzini observou que Hipócrates havia ensinado a interrogar o doente sobre quase tudo, mas se esquecera de uma pergunta fundamental. Ramazzini propôs, então, acrescentar uma só linha à anamnese clássica, que mudaria a história da medicina: qual é o seu ofício? Em 1700, esse grande humanista publicou o primeiro tratado sobre medicina do trabalho.
Para mim, quando um médico pergunta a alguém pelo seu ofício, ele não está apenas colhendo um dado clínico; ele está dizendo também algo silencioso e enorme: eu te reconheço. Reconheço o que você faz para sustentar a sua família e para mover este país.
A medicina do trabalho começa, portanto, com um gesto de cidadania. No Brasil, esse gesto demorou para encontrar uma casa. Foi preciso esperar até 26 de março de 1968, quando um grupo de médicos, reunidos na Associação Médica Paulista, fundou a Anamt, por iniciativa do Dr. Oswaldo Paulino, a sociedade científica que colocaria os médicos do trabalho à altura do debate internacional.
Em 1972, tornaram-se obrigatórios, nas empresas, os serviços especializados em engenharia de segurança e medicina do trabalho, mas o reconhecimento formal pelo Conselho Federal de Medicina só viria – pasmem, senhores – em 2002.
Hoje a Anamt é a maior associação de medicina do trabalho da América Latina, com 27 entidades federadas em todos os estados e no Distrito Federal, e dialoga com este Congresso pela Frente Parlamentar Mista da Medicina (FPMED), a qual tenho a honra de presidir.
Mantém revista científica de referência e recém-promovida à categoria B1 pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação.
Publicar em um periódico B1 é considerado uma realização positiva para pesquisadores e alunos de pós-graduação. Essa classificação significa que o periódico avaliado possui boa qualidade dentro do contexto da produção científica dos programas de pós-graduação no Brasil.
Levou 58 anos para que uma especialidade tão importante se tornasse uma causa nacional, e é precisamente por isso que a medicina do trabalho se vê hoje diante de uma fronteira absolutamente nova. No primeiro semestre do ano passado, mais de 1,6 mil brasileiros morreram em decorrência de acidentes do trabalho – uma morte a cada três horas e meia. E, ao lado dessa dor que se vê, cresce outra mais silenciosa: em 2024, o Ministério da Previdência Social registrou 472 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, o maior número da última década, um salto de 70% sobre o ano anterior.
São números que não cabem inteiros num discurso, mas cabem numa pergunta, a mesma de Ramazzini, atualizada para o nosso tempo: "Qual é o teu ofício e o que ele te custa por dentro?". Há um sofrimento, hoje, que não deixa marca visível no corpo. Não há membro decepado, não há queimadura, não há fratura. Existe apenas uma pessoa que, num dia qualquer, descobre que não consegue mais entrar pela porta do trabalho, e é para enxergar esse invisível que a medicina do trabalho existe.
A Anamt, nesses 58 anos, tem sido isto: a casa que prepara o médico para enxergar o que os olhos comuns não veem, pela educação continuada, pela produção científica, pela articulação federativa e pela disposição de dialogar com o Parlamento sem se confundir com nenhum partido. Cada vida poupada por uma boa medicina do trabalho é uma família inteira que continua à mesa.
Senhoras e senhores, colegas, médicos aqui presentes nesta solenidade, à entidade, fundada em 1968, presente em todos os estados, referência na América Latina, parceira deste Congresso, o Senado Federal manifesta o seu reconhecimento. Que esta sessão sirva mais do que para celebrar uma data, mas para registrar uma direção, a de um país que se importa genuinamente com a saúde de cada trabalhador e de cada trabalhadora.
Aos médicos e médicas do trabalho de todo o Brasil – esses profissionais muitas vezes anônimos, dispersos por canteiros, hospitais, fábricas, frigoríficos, plataformas e escritórios –, fica aqui o mais profundo e respeitoso agradecimento desta Casa. O Senado abre a porta para vocês.
Muito obrigado e que Deus os abençoe. (Palmas.)
Eu solicito, em seguida, à Secretaria-Geral da Mesa, a exibição de um filme institucional alusivo a esta data.
(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Dr. Hiran. Bloco Parlamentar Aliança/PP - RR) – Seguindo aqui o registro das presenças ilustres que abrilhantam esta sessão solene, eu quero registrar a presença do Dr. José Luiz Pedro de Barros, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Consultor de Segurança e Saúde do Trabalho da Firjan.
Onde é que está o Dr. José Luiz?
Seja muito bem-vindo, doutor. (Palmas.)
Dr. Alexandre Omena, Médico do Trabalho, Gerente de Saúde Ocupacional do Hospital das Forças Armadas. (Palmas.)
Quero também registrar aqui a presença de um querido amigo, de um craque da ortopedia. Ele acabou de operar o meu filho Hamir, que joga futebol com ele. Meu filho rompeu tudo que tinha de ligamento, de tudo, no joelho. Ele remendou tudo e está funcionando.
Paulo Lobo, seja muito bem-vindo. (Palmas.)
E também não posso deixar de registrar a presença do meu querido amigo, irmão, o Dr. Carlos Fernando, do Sindicato dos Médicos de Brasília. (Palmas.)
Você que é uma pessoa sempre disposta a ajudar quem precisa, meu amigo, abrilhanta com muita importância esta nossa sessão. Seja muito, muito bem-vindo ao Senado da República. Deus o abençoe.
Quero também agora conceder a palavra ao nosso Presidente, Dr. Francisco Cortes Fernandes, Presidente da Anamt e o dono da festa.
A palavra é com V. Exa., por favor.
Por cinco minutos, hein?