Pronunciamento de JOSÉ ANTONIO ARAVÉQUIA em 28/05/2026
Exposição de convidado durante a 66ª Sessão de Debates Temáticos, no Senado Federal
Sessão de Debates Temáticos destinada a discutir os fenômenos climáticos como o “El Niño” e os desastres naturais cada vez mais frequentes no País e analisar propostas que tenham capacidade de aprimorar ferramentas de prevenção e reação por parte da sociedade e dos órgãos de Estado e de Defesa Civil. Apresentação da previsão climatológica conjunta para o trimestre de junho, julho e agosto, com alertas de temperaturas acima da média no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, risco de estiagem na porção norte do país e indicativo de chuvas superiores ao normal na Região Sul e no Mato Grosso do Sul.
- Autor
- JOSÉ ANTONIO ARAVÉQUIA
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Exposição de convidado
- Resumo por assunto
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Meio Ambiente,
Mudanças Climáticas:
- Sessão de Debates Temáticos destinada a discutir os fenômenos climáticos como o “El Niño” e os desastres naturais cada vez mais frequentes no País e analisar propostas que tenham capacidade de aprimorar ferramentas de prevenção e reação por parte da sociedade e dos órgãos de Estado e de Defesa Civil. Apresentação da previsão climatológica conjunta para o trimestre de junho, julho e agosto, com alertas de temperaturas acima da média no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, risco de estiagem na porção norte do país e indicativo de chuvas superiores ao normal na Região Sul e no Mato Grosso do Sul.
- Publicação
- Publicação no DSF de 29/05/2026 - Página 14
- Assuntos
- Meio Ambiente
- Meio Ambiente > Mudanças Climáticas
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- SESSÃO DE DEBATES TEMATICOS, DISCUSSÃO, EVENTO, CLIMA, EL NINO, DESASTRE, NATUREZA, FREQUENCIA, ANALISE, PROPOSTA, MELHORAMENTO, FERRAMENTA, PREVENÇÃO, SOCIEDADE, DEFESA CIVIL, SEGURANÇA CLIMATICA.
- APRESENTAÇÃO, PREVISÃO, CLIMA, TRIMESTRE, JUNHO, JULHO, AGOSTO, TEMPERATURA, MEDIA, REGIÃO NORTE, REGIÃO NORDESTE, SECA, CHUVA, INUNDAÇÃO, REGIÃO SUL.
O SR. JOSÉ ANTONIO ARAVÉQUIA (Para exposição de convidado.) – Bom dia a todos. Bom dia, Srs. Senadores e Sras. Senadoras, estimados colegas; bom dia, audiência.
Inicialmente, em nome do Diretor do Inpe, Dr. Antonio Miguel Vieira Monteiro, eu quero agradecer a oportunidade e o convite que nos possibilitam aqui apresentar subsídios técnicos e científicos sobre o evento El Niño.
Eu gostaria de ressaltar que, entre as atividades do Inpe, nós temos várias atividades conjuntas e complementares com o Instituto Nacional de Meteorologia, com o Cemaden, com instâncias do Ministério do Meio Ambiente e com diversas outras instituições que têm atribuições em que o impacto dos eventos climáticos é relevante.
Quero também ressaltar que temos respondido a diversos questionamentos relativos ao fenômeno El Niño em diversas instâncias governamentais do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.
Eu falarei brevemente sobre as características do El Niño, o monitoramento global sobre esse aspecto, a previsão do El Niño para os próximos meses, o monitoramento das chuvas sobre o Brasil e a previsão das chuvas e da temperatura para o próximo trimestre.
O El Niño é um fenômeno de escala global, de interação entre oceano e atmosfera, que se caracteriza por anomalias persistentes da temperatura na superfície das águas do Oceano Pacífico Equatorial, na região do Niño 3.4, que é próxima ao oeste da América do Sul.
O monitoramento do clima global aponta que as anomalias da temperatura da superfície do mar, na região do Niño 3.4, já superam 2ºC.
A variação, verificada entre março e abril, aponta uma intensificação dessas anomalias. As previsões dos modelos, como já mencionado pela Regina Alvalá, apontam para a continuidade das anomalias positivas nas regiões monitoradas para o El Niño no trimestre de junho, julho e agosto. A maioria dos modelos aponta que essas anomalias estejam entre 1°C e 3°C até pelo menos outubro e novembro deste ano, e, com isso, as possibilidades de o El Niño persistir até o final do ano são superiores a 90%, como também já mencionado pelo Dr. Carlos Nobre.
Por outro lado, o nosso clima também é afetado pelos padrões de anomalias da superfície do mar no Oceano Atlântico, onde as anomalias de temperatura da superfície estão positivas no Atlântico Sul, o que gera um gradiente de norte para o sul que é favorável às chuvas na Região Nordeste e parte da Região Norte, pois permite o posicionamento da banda de nebulosidade chamada de Zona de Convergência Intertropical ao sul da sua normal climatológica, e isso tem, até o momento, minimizado a ação do El Niño para aquelas regiões.
O monitoramento das chuvas sobre o Brasil durante a primeira quinzena do mês de maio mostrou a ocorrência de chuvas...
(Soa a campainha.)
O SR. JOSÉ ANTONIO ARAVÉQUIA – ... acima do esperado em parte da Região Nordeste e na porção norte da Região Norte. As chuvas estiveram próximas do normal em boa parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste, porém, isso não afeta as chuvas acumuladas nessa época do ano, porque pouco se espera mesmo, é uma época do ano mais seca.
Falando agora sobre previsões, o próximo trimestre, de junho, julho e agosto, na previsão conjunta emitida pelo Inpe, Inmet e a Fundação Cearense de Meteorologia traz correlações para a temperatura nas Regiões Norte e Nordeste e para parte do Centro-Oeste. Em termos de temperatura, ela deve ficar ao redor de um grau acima do normal nessa época do ano para essas regiões que eu mencionei, e em termos de chuva...
(Soa a campainha.)
O SR. JOSÉ ANTONIO ARAVÉQUIA – ... as previsões têm correlação mais elevada na porção equatorial e na Região Sul do Brasil neste próximo trimestre.
As previsões indicam chuvas abaixo da média no norte da Região Norte, à exceção do Amapá, e boa parte do Nordeste, incluindo porções centrais do Estado da Bahia. As previsões também indicam chuvas superiores ao normal no Rio Grande do Sul, no centro do Mato Grosso do Sul e no sul do Estado do Amazonas.
Eu agradeço a atenção e permaneço à disposição para questionamentos. Muito obrigado.