Pronunciamento de FERNANDO PAULO NAGLE GABEIRA em 28/05/2026
Exposição de convidado durante a 66ª Sessão de Debates Temáticos, no Senado Federal
Sessão de Debates Temáticos destinada a discutir os fenômenos climáticos como o “El Niño” e os desastres naturais cada vez mais frequentes no País e analisar propostas que tenham capacidade de aprimorar ferramentas de prevenção e reação por parte da sociedade e dos órgãos de Estado e de Defesa Civil. Proposição do modelo japonês de simulações periódicas em escolas e bairros para superar a cultura do improviso, acompanhada do apoio à iniciativa de S. Exa. para a criação de premiações institucionais aos municípios que apresentarem os melhores avanços em governança e prevenção ambiental.
- Autor
- FERNANDO PAULO NAGLE GABEIRA
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Exposição de convidado
- Resumo por assunto
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Meio Ambiente,
Mudanças Climáticas:
- Sessão de Debates Temáticos destinada a discutir os fenômenos climáticos como o “El Niño” e os desastres naturais cada vez mais frequentes no País e analisar propostas que tenham capacidade de aprimorar ferramentas de prevenção e reação por parte da sociedade e dos órgãos de Estado e de Defesa Civil. Proposição do modelo japonês de simulações periódicas em escolas e bairros para superar a cultura do improviso, acompanhada do apoio à iniciativa de S. Exa. para a criação de premiações institucionais aos municípios que apresentarem os melhores avanços em governança e prevenção ambiental.
- Publicação
- Publicação no DSF de 29/05/2026 - Página 23
- Assuntos
- Meio Ambiente
- Meio Ambiente > Mudanças Climáticas
- Matérias referenciadas
- Indexação
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- SESSÃO DE DEBATES TEMATICOS, DISCUSSÃO, EVENTO, CLIMA, EL NINO, DESASTRE, NATUREZA, FREQUENCIA, ANALISE, PROPOSTA, MELHORAMENTO, FERRAMENTA, PREVENÇÃO, SOCIEDADE, DEFESA CIVIL, SEGURANÇA CLIMATICA.
- PROPOSIÇÃO, MODELO, PAIS ESTRANGEIRO, COMPARAÇÃO, JAPÃO, SIMULAÇÃO, ESCOLA, BAIRRO, CULTURA, MANIFESTAÇÃO, APOIO, INICIATIVA, PARLAMENTAR, ATUAÇÃO, CRIAÇÃO, MUNICIPIO, PREVENÇÃO, MEIO AMBIENTE, CLIMA, INUNDAÇÃO, DESASTRE.
O SR. FERNANDO PAULO NAGLE GABEIRA (Para exposição de convidado. Por videoconferência.) – Alô, é... Eu creio que estou com a palavra. O.k., eu não estava ouvindo, não estava ouvindo bem o auditório, temos um problema técnico, mas eu agradeço muito essa possibilidade e queria cumprimentá-lo, Senador Esperidião Amin, por essa iniciativa. Aliás, é uma iniciativa praticamente tradicional. Nós estamos juntos nesse trabalho de preparação para o El Niño desde aquela famosa Comissão relatada pelo Senador Waldeck Ornelas, que foi a primeira Comissão feita no Brasil a respeito desse tema, e uma Comissão que acabou sendo, do ponto de vista de relatório, uma visão técnica básica sobre o que é o fenômeno El Niño, quais são as suas consequências e como nós deveríamos, teoricamente, nos preparar para ele.
Nós fizemos também uma reunião antes daqueles acontecimentos no Rio Grande do Sul. Infelizmente, a nossa reunião não foi capaz de tratar de um fenômeno tão grave quanto aquele, mas nós estamos evoluindo, estamos cada vez mais, graças à sua persistência, Senador, evoluindo nesse trabalho de reunir pessoas, reunir órgãos do Governo para trabalhar na questão do El Niño.
Eu acredito, e tenho pensado muito, que nós podíamos dar um passo maior. Já demos alguns passos na defesa civil, a própria Defesa Civil de Santa Catarina já evoluiu, ela esteve no Japão aprendendo também com os japoneses a recuperação rápida depois de um desastre, enfim, todas as providências também preparatórias para evitar o desastre, e isso foi muito bom.
No próprio Estado do Rio Grande do Sul, tive um contato com o Governador Eduardo Leite para falar sobre o nosso encontro, e ele me disse que já tinha um plano acabado, um plano completo, e que talvez apresentasse nessa nossa reunião esse plano do Rio Grande do Sul para a eventualidade do El Niño.
Eu acredito que também o Rio Grande do Sul se preparou, mas, na minha experiência, pensando bem no assunto, eu acho que a preparação vai precisar transcender a preparação do próprio Governo. Ainda que haja uma preparação do Governo Federal, uma preparação do Governo estadual e municipal, e uma articulação desses três, ainda faltará um ator fundamental nesse processo, que é a própria sociedade. Faz muito tempo que eu penso na necessidade de nós avançarmos na preparação da sociedade, na preparação das áreas de risco, dos setores que são mais atingidos, para que eles possam realmente reagir também, junto com o Governo e junto com a defesa civil.
Já tive experiência em alguns lugares do Estado do Rio de Janeiro, já vi algumas experiências de pessoas tentando elaborar uma espécie de defesa da própria região, uma lista, por exemplo, fundamental, daquelas pessoas que não podem se mover e que precisam de uma ajuda num momento como esse, uma lista das pessoas que precisam de tratamento médico inadiável e que também, nesses momentos, precisam de uma atenção especial. Às vezes, elas têm que fazer diálise, nós já tivemos aqui no Rio de Janeiro uma situação semelhante, tivemos que transportar de helicóptero as pessoas que dependem de diálise. Nós observamos também que, em algumas áreas, é possível preparar as pessoas para a reação com a subida das águas. É preciso que haja uma noção bastante rápida de onde estão algumas barcas, algumas canoas que possam funcionar nesse momento. Isso também é fundamental, que a gente tenha, em alguns lugares, umas canoas guardadas, sabendo as pessoas já onde elas podem ser usadas e a utilização dessas canoas. E a retirada, como eu disse, essa retirada imediata dos que não podem se mover e daqueles que precisam de tratamento médico inadiável.
O Japão faz algo em que, no meu entender, nós teríamos que avançar muito no Brasil. Nós avançamos aqui um pouco na questão nuclear. Nós fizemos algumas tentativas, alguns ensaios de desastre nuclear para mobilizar a população, mas eu acho que essa proposta japonesa, esse costume japonês de ensaiar nas escolas, ensaiar nos bairros, ensaiar sempre que possível uma reação a esses fenômenos me parece fundamental. As pessoas já sabem para onde ir, já sabem que comportamento ter nesse momento e adquirem uma certa capacidade mesmo de tratar com o fenômeno muito mais desenvolvida do que sendo surpreendidas por um grande temporal sem saber exatamente o que fazer.
Nós avançamos em alguns lugares com as sirenes. Já temos sirenes em alguns lugares, desde aquele grande desastre no Estado do Rio, em 2011, já temos algumas sirenes, mas o processo ainda é muito lento, e eu acredito que a gente tenha que avançar.
O Senador Esperidião Amin lançou uma ideia que eu considero também, uma ideia que não foi realizada, mas que é uma ideia que deve ser mantida e pensada ainda que é aquela de nós fazermos um concurso para as cidades que melhor se preparam para essas eventualidades climáticas, aquelas cidades que estão se preparando melhor, e premiá-las, dentro dos limites – para que o próprio Senado Federal ou alguma empresa mesmo que queira, de uma certa maneira, bancar essa iniciativa –, que a gente possa premiar municípios que avancem na sua preparação. Isso seria já para nós uma possibilidade muito grande, porque nós envolveríamos os municípios e certamente, nesse processo de premiação, eles pensariam muito também na mobilização da sociedade, na preparação da sociedade.
Eu agradeço muito a possibilidade de participar deste encontro, exatamente trazendo esta ideia de articulação dos setores federais, estaduais, municipais à presença do Senado, através da iniciativa sempre solícita do Senador Esperidião Amin, e acrescento essa visão de como preparar a sociedade para esse fenômeno. Agradeço muito a existência desta reunião. Em nome de todos que trabalhamos no meio ambiente, agradecemos muito a existência desta reunião e o avanço já...
(Soa a campainha.)
O SR. FERNANDO PAULO NAGLE GABEIRA (Por videoconferência.) – ... que o Brasil manifesta no sentido de se preparar. Nós somos uma sociedade, ou fomos uma sociedade, até certo ponto, marcada muito pelo improviso, e um tipo de reunião como esta e iniciativas que a gente possa tomar realmente superam essa nossa limitação e, de uma certa maneira, nos condicionam para problemas que precisam de um ensaio, precisam de uma preparação.
Muito obrigado.
Espero que a reunião continue e que me devolvam um pouco o áudio da reunião, porque eu não estou ouvindo bem.
Obrigado.