Pronunciamento de Hermes Klann em 28/05/2026
Discurso durante a 66ª Sessão de Debates Temáticos, no Senado Federal
Sessão de Debates Temáticos destinada a discutir os fenômenos climáticos como o “El Niño” e os desastres naturais cada vez mais frequentes no País e analisar propostas que tenham capacidade de aprimorar ferramentas de prevenção e reação por parte da sociedade e dos órgãos de Estado e de Defesa Civil. Crítica à falha estrutural do Estado brasileiro por priorizar ações de reação em detrimento da prevenção, com apontamento do ciclo permanente de reconstrução enfrentado por municípios catarinenses em áreas de risco.
- Autor
- Hermes Klann (PL - Partido Liberal/SC)
- Nome completo: Hermes Artur Klann
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Meio Ambiente,
Mudanças Climáticas:
- Sessão de Debates Temáticos destinada a discutir os fenômenos climáticos como o “El Niño” e os desastres naturais cada vez mais frequentes no País e analisar propostas que tenham capacidade de aprimorar ferramentas de prevenção e reação por parte da sociedade e dos órgãos de Estado e de Defesa Civil. Crítica à falha estrutural do Estado brasileiro por priorizar ações de reação em detrimento da prevenção, com apontamento do ciclo permanente de reconstrução enfrentado por municípios catarinenses em áreas de risco.
- Publicação
- Publicação no DSF de 29/05/2026 - Página 16
- Assuntos
- Meio Ambiente
- Meio Ambiente > Mudanças Climáticas
- Matérias referenciadas
- Indexação
-
- SESSÃO DE DEBATES TEMATICOS, DISCUSSÃO, EVENTO, CLIMA, EL NINO, DESASTRE, NATUREZA, FREQUENCIA, ANALISE, PROPOSTA, MELHORAMENTO, FERRAMENTA, PREVENÇÃO, SOCIEDADE, DEFESA CIVIL, SEGURANÇA CLIMATICA.
- CRITICA, FALHA, ESTRUTURA, ESTADO, PAIS, BRASIL, GOVERNO FEDERAL, ATUAÇÃO, PREJUIZO, PREVENÇÃO, PERMANENCIA, RECONSTRUÇÃO, MUNICIPIO, AREA.
O SR. HERMES KLANN (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC. Para discursar. Por videoconferência.) – Bom dia, Senador Amin. O senhor não precisa pedir desculpa nunca, o.k.?
Meu amigo Senador Amin, cumprimento e parabenizo V. Exa. pela importante iniciativa de promover este debate tão necessário diante dos desafios climáticos que o Brasil enfrenta. Cumprimento também os demais componentes da mesa e convidados.
Trazemos ao debate os desastres climáticos, um tema... (Falha no áudio.) Hoje o fazemos com evidências, dados e mais preocupações.
Os desastres naturais deixaram de ser exceção no Brasil, eles viraram parte da rotina. Em maio de 2026, o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas alertou que o retorno do fenômeno El Niño pode fazer de 2027 o ano mais quente já registrado na história. Ou seja, não estamos falando de passado, estamos falando de um futuro muito próximo. O Brasil não está mais lidando com eventos climáticos isolados, está lidando com uma nova realidade climática.
No mesmo sentido, nota técnica conjunta do Inpe, Inmet, Funceme e Censipam indica aumento da probabilidade de formação de El Niño ainda em 2026, com chance superior a 80% de consolidação no segundo semestre. A própria ciência está dizendo ao Estado brasileiro: o fenômeno está em formação. E aqui está o ponto central deste debate: nós já sabemos. A pergunta é: o que faremos com essa informação? O problema não é a falta de previsão, o problema é a falta de prevenção.
Sr. Presidente, Santa Catarina conhece essa realidade como poucos estados. Enchentes, enxurradas, deslizamentos deixaram de ser eventos raros, tornaram-se recorrentes. Municípios do Vale do Itajaí, do norte e do litoral já convivem com a reconstrução como se fosse um ciclo permanente, e isso revela uma falha estrutural do Estado brasileiro. Nós seguimos mais preparados para reagir do que para prevenir.
Em termos legislativos, este Senado tem avançado em medidas importantes, como o PL 636, de 2023, que reforça a obrigatoriedade de planos de contingência da defesa civil e fortalece o planejamento municipal em áreas de risco. Isso é essencial, mas ainda não é o suficiente, porque muitos municípios brasileiros, especialmente os menores, não têm estrutura técnica, equipe permanente ou capacidade de acessar recursos federais com rapidez. E isso cria um gargalo federativo perigoso. A tragédia é local, mas a resposta chega tarde. O município sofre a tragédia, mas o sistema público só chega depois de a água baixar. Enquanto isso, seguimos repetindo o ciclo: desastre, reconstrução, novo desastre.
A ciência já nos alerta que esses eventos vão se intensificar. Portanto, a pergunta que este debate nos impõe não é se novos desastres vão acontecer. Eles vão acontecer. A pergunta é simples: o Estado brasileiro vai continuar chegando depois da tragédia ou finalmente vai aprender a chegar antes dela? Porque prevenção não é...
(Soa a campainha.)
O SR. HERMES KLANN (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – ... mas é ela que impede que o fato exista.
Presidente, eu não posso finalizar minha fala sem registrar que Santa Catarina possui uma das Defesas Civis mais preparadas e respeitadas do Brasil. O estado se tornou referência nacional em monitoramento, alerta, mapeamento de áreas de risco e respostas rápidas às emergências. A Defesa Civil catarinense tem investido em tecnologia, centros de monitoramento, sistema de alerta via celular e capacitação permanente das equipes municipais, salvando vidas e reduzindo danos em momentos críticos. Por isso deixo aqui meu reconhecimento e parabéns a todos os profissionais da Defesa Civil de Santa Catarina, homens e mulheres que atuam muitas vezes sob pressão extrema em madrugadas, temporais e situações de risco, protegendo a população catarinense.
Muito obrigado.