Discurso durante a 66ª Sessão de Debates Temáticos, no Senado Federal

Sessão de Debates Temáticos destinada a discutir os fenômenos climáticos como o “El Niño” e os desastres naturais cada vez mais frequentes no País e analisar propostas que tenham capacidade de aprimorar ferramentas de prevenção e reação por parte da sociedade e dos órgãos de Estado e de Defesa Civil. Crítica à falha estrutural do Estado brasileiro por priorizar ações de reação em detrimento da prevenção, com apontamento do ciclo permanente de reconstrução enfrentado por municípios catarinenses em áreas de risco.

Autor
Hermes Klann (PL - Partido Liberal/SC)
Nome completo: Hermes Artur Klann
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Meio Ambiente, Mudanças Climáticas:
  • Sessão de Debates Temáticos destinada a discutir os fenômenos climáticos como o “El Niño” e os desastres naturais cada vez mais frequentes no País e analisar propostas que tenham capacidade de aprimorar ferramentas de prevenção e reação por parte da sociedade e dos órgãos de Estado e de Defesa Civil. Crítica à falha estrutural do Estado brasileiro por priorizar ações de reação em detrimento da prevenção, com apontamento do ciclo permanente de reconstrução enfrentado por municípios catarinenses em áreas de risco.
Publicação
Publicação no DSF de 29/05/2026 - Página 16
Assuntos
Meio Ambiente
Meio Ambiente > Mudanças Climáticas
Matérias referenciadas
Indexação
  • SESSÃO DE DEBATES TEMATICOS, DISCUSSÃO, EVENTO, CLIMA, EL NINO, DESASTRE, NATUREZA, FREQUENCIA, ANALISE, PROPOSTA, MELHORAMENTO, FERRAMENTA, PREVENÇÃO, SOCIEDADE, DEFESA CIVIL, SEGURANÇA CLIMATICA.
  • CRITICA, FALHA, ESTRUTURA, ESTADO, PAIS, BRASIL, GOVERNO FEDERAL, ATUAÇÃO, PREJUIZO, PREVENÇÃO, PERMANENCIA, RECONSTRUÇÃO, MUNICIPIO, AREA.

    O SR. HERMES KLANN (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC. Para discursar. Por videoconferência.) – Bom dia, Senador Amin. O senhor não precisa pedir desculpa nunca, o.k.?

    Meu amigo Senador Amin, cumprimento e parabenizo V. Exa. pela importante iniciativa de promover este debate tão necessário diante dos desafios climáticos que o Brasil enfrenta. Cumprimento também os demais componentes da mesa e convidados.

    Trazemos ao debate os desastres climáticos, um tema... (Falha no áudio.) Hoje o fazemos com evidências, dados e mais preocupações.

    Os desastres naturais deixaram de ser exceção no Brasil, eles viraram parte da rotina. Em maio de 2026, o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas alertou que o retorno do fenômeno El Niño pode fazer de 2027 o ano mais quente já registrado na história. Ou seja, não estamos falando de passado, estamos falando de um futuro muito próximo. O Brasil não está mais lidando com eventos climáticos isolados, está lidando com uma nova realidade climática.

    No mesmo sentido, nota técnica conjunta do Inpe, Inmet, Funceme e Censipam indica aumento da probabilidade de formação de El Niño ainda em 2026, com chance superior a 80% de consolidação no segundo semestre. A própria ciência está dizendo ao Estado brasileiro: o fenômeno está em formação. E aqui está o ponto central deste debate: nós já sabemos. A pergunta é: o que faremos com essa informação? O problema não é a falta de previsão, o problema é a falta de prevenção.

    Sr. Presidente, Santa Catarina conhece essa realidade como poucos estados. Enchentes, enxurradas, deslizamentos deixaram de ser eventos raros, tornaram-se recorrentes. Municípios do Vale do Itajaí, do norte e do litoral já convivem com a reconstrução como se fosse um ciclo permanente, e isso revela uma falha estrutural do Estado brasileiro. Nós seguimos mais preparados para reagir do que para prevenir.

    Em termos legislativos, este Senado tem avançado em medidas importantes, como o PL 636, de 2023, que reforça a obrigatoriedade de planos de contingência da defesa civil e fortalece o planejamento municipal em áreas de risco. Isso é essencial, mas ainda não é o suficiente, porque muitos municípios brasileiros, especialmente os menores, não têm estrutura técnica, equipe permanente ou capacidade de acessar recursos federais com rapidez. E isso cria um gargalo federativo perigoso. A tragédia é local, mas a resposta chega tarde. O município sofre a tragédia, mas o sistema público só chega depois de a água baixar. Enquanto isso, seguimos repetindo o ciclo: desastre, reconstrução, novo desastre.

    A ciência já nos alerta que esses eventos vão se intensificar. Portanto, a pergunta que este debate nos impõe não é se novos desastres vão acontecer. Eles vão acontecer. A pergunta é simples: o Estado brasileiro vai continuar chegando depois da tragédia ou finalmente vai aprender a chegar antes dela? Porque prevenção não é...

(Soa a campainha.)

    O SR. HERMES KLANN (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC) – ... mas é ela que impede que o fato exista.

    Presidente, eu não posso finalizar minha fala sem registrar que Santa Catarina possui uma das Defesas Civis mais preparadas e respeitadas do Brasil. O estado se tornou referência nacional em monitoramento, alerta, mapeamento de áreas de risco e respostas rápidas às emergências. A Defesa Civil catarinense tem investido em tecnologia, centros de monitoramento, sistema de alerta via celular e capacitação permanente das equipes municipais, salvando vidas e reduzindo danos em momentos críticos. Por isso deixo aqui meu reconhecimento e parabéns a todos os profissionais da Defesa Civil de Santa Catarina, homens e mulheres que atuam muitas vezes sob pressão extrema em madrugadas, temporais e situações de risco, protegendo a população catarinense.

    Muito obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 29/05/2026 - Página 16