Pronunciamento de Leila Barros em 27/05/2026
Pela Liderança durante a 65ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Indignação contra supostas irregularidades relacionadas ao Banco de Brasília (BRB) e ao Banco Master, com cobrança de apuração das responsabilidades dos envolvidos no caso e preocupação quanto à utilização de recursos públicos do Governo do Distrito Federal como garantia de empréstimo ao banco distrital.
- Autor
- Leila Barros (PDT - Partido Democrático Trabalhista/DF)
- Nome completo: Leila Gomes de Barros Rêgo
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Pela Liderança
- Resumo por assunto
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Crime Contra a Administração Pública, Improbidade Administrativa e Crime de Responsabilidade,
Finanças Públicas,
Governo do Distrito Federal,
Sistema Financeiro Nacional:
- Indignação contra supostas irregularidades relacionadas ao Banco de Brasília (BRB) e ao Banco Master, com cobrança de apuração das responsabilidades dos envolvidos no caso e preocupação quanto à utilização de recursos públicos do Governo do Distrito Federal como garantia de empréstimo ao banco distrital.
- Publicação
- Publicação no DSF de 28/05/2026 - Página 69
- Assuntos
- Outros > Crime Contra a Administração Pública, Improbidade Administrativa e Crime de Responsabilidade
- Economia e Desenvolvimento > Finanças Públicas
- Outros > Atuação do Estado > Governo do Distrito Federal
- Economia e Desenvolvimento > Sistema Financeiro Nacional
- Indexação
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- INDIGNAÇÃO, IRREGULARIDADE, BANCO DE BRASILIA (BRB), BANCO PRIVADO, CONTROLADOR, DANIEL VORCARO, OPERAÇÃO, INVESTIGAÇÃO POLICIAL, RISCOS, PATRIMONIO PUBLICO, DISTRITO FEDERAL (DF), QUESTIONAMENTO, RESPONSABILIDADE, NATUREZA POLITICA, NATUREZA ADMINISTRATIVA, COBRANÇA, TRANSPARENCIA, CELERIDADE, INVESTIGAÇÃO, REJEIÇÃO, RECURSOS PUBLICOS, COBERTURA, PREJUIZO.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF. Pela Liderança.) – Obrigada, Sr. Presidente. Cumprimento as Sras. Senadoras e os Srs. Senadores.
Sr. Presidente, eu subo a esta tribuna, hoje, movida por muita indignação. Uma indignação profunda diante de um dos episódios mais graves da história recente aqui do Distrito Federal. Um escândalo que ameaça o patrimônio dos brasilienses, compromete recursos públicos e expõe, mais uma vez, como decisões irresponsáveis podem transferir para o povo a conta de erros, ou, talvez, de algo muito pior.
Eu estou falando, Sr. Presidente, caros Senadores e Senadoras, do caso BRB-Master. Um banco público, patrimônio da população do Distrito Federal, que foi colocado no centro de uma operação cercada por alertas, suspeitas e sinais evidentes de que algo estava profundamente errado. Ainda assim, insistiu-se. Insistiu-se com a obstinação, insistiu-se contra alertas técnicos, insistiu-se para salvar interesses privados utilizando uma instituição pública que pertence aos cidadãos do DF.
Eu acompanhei esse caso de perto desde o início. Nós atuamos, dialogamos com autoridades, fui ao encontro do Presidente do Banco Central em oportunidades decisivas, defendi que o BRB jamais poderia ser transformado em instrumento para socorrer operações suspeitas ou interesses particulares à custa, é claro, da nossa população. O Banco Central vetou a operação, e o fez porque havia riscos evidentes.
Mas o que vimos depois? Vimos o escândalo crescer. Vimos operações policiais. Vimos suspeitas alcançarem dirigentes de banco, empresários envolvidos e indícios que apontam para relações políticas que precisam ser investigadas profundamente. Vimos notícias sobre possíveis conexões envolvendo autoridades, parlamentares e figuras centrais da política local aqui do Distrito Federal. Vimos a Polícia Federal afirmar que o BRB, através da sua cúpula diretiva, não é vítima das operações do Master; mas, sim, é cúmplice.
Enquanto tudo isso acontece, o cidadão comum continua pagando os impostos, esperando vaga no hospital, aguardando atendimento na assistência social e esperando que o Estado, o Governo do Distrito Federal, cumpra o básico.
Agora, surge uma solução mediada pelo Supremo Tribunal Federal para administrar os efeitos e evitar que o BRB seja liquidado. E aí eu chamo a atenção da população de Brasília para esse absurdo. Um banco, que era celebrado e reconhecido como pilar no desenvolvimento econômico da cidade há menos de dois anos, hoje corre sérios riscos de quebrar e ser liquidado.
Senhoras e senhores, Senadoras e Senadores, é inadmissível que a saída construída para o problema, criado por decisões políticas e por possíveis crimes, recaia apenas sobre os ombros da população do DF. Discute-se, agora, um empréstimo ao BRB de cerca de R$6,6 bilhões, em que o GDF ofereceria, como garantia, recursos provenientes do Fundo de Participação dos Estados e do Fundo de Participação dos Municípios, o FPE e o FPM.
Nós estamos falando, caros amigos, de receitas que somam aproximadamente R$1,5 bilhão por ano! Dinheiro público, dinheiro que deveria fortalecer as escolas, dinheiro que deveria financiar hospitais, dinheiro que deveria ampliar políticas sociais, dinheiro que deveria garantir assistência aos mais vulneráveis, se essas garantias forem executadas.
E o risco é enorme, justamente porque o Distrito Federal apresenta baixa capacidade de pagamento. Isso quer dizer que estaremos diante de uma tragédia anunciada. Recursos destinados à população poderão ser utilizados para cobrir, pessoal, prejuízos produzidos pelos desmandos e pelas escolhas de poucos. Eu quero dizer para vocês que isso é muito cruel, injusto e, é claro, inaceitável.
Por causa dos erros ou, se comprovado, dos crimes de determinados agentes, toda a sociedade do Distrito Federal é colocada para pagar a conta. A mãe que espera consulta no SUS pagará pelo rombo do BRB; o estudante da escola pública pagará pelo rombo do BRB; o idoso que depende da assistência também pagará pelo rombo do BRB; o trabalhador que recolhe os impostos, esse também pagará. A população vulnerável do Distrito Federal, aqueles que precisam das políticas e dos serviços públicos do DF, todos pagarão. E aqueles que participaram das decisões seguem disputando poder, mantendo influência ou tentando convencer a sociedade de que possuem as soluções.
Eu faço aqui uma pergunta muito simples, Sr. Presidente: até quando o Brasil aceitará socializar prejuízos enquanto responsabilidades individuais permanecem sem respostas? Até quando autoridades errarão – ou pior, cometerão crimes, como esse que nós estamos vendo – e a conta será enviada para quem trabalha, paga imposto e depende do Estado? Até quando?
O Supremo Tribunal Federal possui papel essencial para garantir estabilidade institucional, porém, diante de um escândalo desta magnitude, preocupa ver a energia institucional do Supremo dedicada à construção de acordos financeiros, enquanto permanecem pendentes, dentro da própria corte, respostas proporcionais sobre a responsabilidade, as responsabilidades individuais, porque o centro desse caso deveria ser outro.
Afinal, eu gostaria de saber e tenho certeza de que toda a população do Distrito Federal deseja saber: quem decidiu, quem autorizou, quem pressionou, quem se beneficiou, quem ignorou os alertas e quem sabia de tudo isso? Quem? Ninguém traz as respostas. Quem abriu espaço para que um banco público, o banco público do Distrito Federal, assumisse riscos incompatíveis com o interesse público coletivo? Quem participou da transformação de uma instituição financeira pública em instrumento de interesse privado? Quem participou dessa transformação? Todos querem saber.
Sr. Presidente, caros Senadores e todos que nos escutam, essas perguntas precisam ser respondidas e precisam ser respondidas rapidamente.
Recentemente, nós vimos investigações avançarem sobre autoridades do Rio de Janeiro e de outros estados, de outras unidades da Federação. Vimos operações alcançarem figuras influentes, mas aqui, no DF, parece persistir uma sensação que me preocupa – e ela é muito preocupante, Senador Girão –: a sensação de blindagem. Existe, para mim, uma clara sensação de blindagem, a sensação de proteção aos poderosos desta cidade, a sensação de que determinados nomes permanecem intocáveis, intocáveis para a Justiça, intocáveis aos olhos de todos. Isso aqui é um absurdo, é a capital do país! Isso precisa acabar, gente! Isso aqui é um absurdo! Não dá mais para ficar calada.
A população do Distrito Federal (DF) merece respostas. E, se houver participação de agentes políticos, que seus nomes sejam conhecidos. Afinal, senhoras e senhores, todos sabem que 2026 é um ano eleitoral e o eleitor do Distrito Federal tem o direito de chegar às urnas sabendo exatamente quem protegeu o patrimônio público e quem participou da sua destruição. Eu estou falando do BRB. Democracia, caros amigos, exige informação; voto consciente exige verdade. Não se trata de antecipar culpa, mas se trata de exigir investigação rápida, profunda e, acima de tudo, nesse caso do BRB-Master, transparente – transparente. Está um absurdo. Então, transparência nós exigimos nessa investigação. Quem for inocente, é claro, deve ser absolvido, quem for culpado tem que responder, mas ninguém pode permanecer protegido pelo silêncio. É o que a gente está vendo aqui. A gente está vendo em Brasília isso.
Não é aceitável que o mesmo Governo, cujas decisões colocaram o BRB sob tamanho risco, tente agora apresentar-se como a solução para uma crise produzida por suas próprias escolhas. Não se provoca uma crise dessa dimensão e depois, gente, se assume o papel de salvador. Olha ao que nós estamos assistindo no Distrito Federal: o Governo coloca a principal instituição, o principal banco do Distrito Federal – o banco que tinha a finalidade de desenvolvimento – para entrar nessa maracutaia, nesse caos, nessa bagunça, nesse crime e agora esse próprio Governo se julga o salvador da pátria.
O Distrito Federal, meu povo, poderá conviver por anos – eu quero deixar bem claro para vocês – com consequências fiscais decorrentes desse escândalo: menos capacidade de investimento, pressão sobre os serviços públicos, que já estão caóticos – as contas públicas do Distrito Federal estão caóticas –; restrição orçamentária; deterioração da capacidade do estado de atender a população; possível retenção ou comprometimento de receitas que pertencem a nós, cidadãos. Olha que loucura que nós estamos vivendo na capital do país! Tudo isso por escolhas políticas – mais uma vez, eu reforço – erradas que colocaram em risco um patrimônio coletivo.
Eu faço um apelo, neste exato momento, ao Supremo Tribunal Federal, ao Ministério Público, à Polícia Federal e a todos os órgãos competentes: acelerem essa investigação! Deem os nomes daqueles que estão envolvidos nesse escândalo do BRB-Master. Sigam os fatos e protejam o que é missão de vocês: o interesse público. Assegurem à população do Distrito Federal o direito da verdade, da transparência; não está acontecendo e ela precisa acontecer, porque, quando crimes de grande magnitude permanecem sem respostas, o dano ultrapassa o aspecto financeiro, meus amigos: a confiança é destruída, a esperança é corroída e a crença nas instituições é enfraquecida. E nós não podemos aceitar isso.
O BRB pertence ao povo do Distrito Federal. os recursos que estão sendo negociados agora para pagar essa dívida absurda são da população do Distrito Federal, e quem trai essa confiança – a confiança do eleitor que votou, que acreditou – precisa responder por isso. E sem blindagem! Não o que está acontecendo aqui, porque é vergonhoso o que está acontecendo aqui: uma blindagem escancarada de gente muito poderosa, mas que traiu a população do Distrito Federal...
O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES) – Pela ordem.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) – ... e nos colocou no caos.
O SR. MAGNO MALTA (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - ES) – Pela ordem, não. Um aparte.
A SRA. LEILA BARROS (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PDT - DF) – Isso não pode, e nós não podemos aceitar.
Então, eu quero que essas pessoas... E vou trabalhar muito, no tempo em que eu ficar neste Senado, para que essas pessoas, esses nomes, essas caras apareçam e paguem por colocar o nome do Distrito Federal nesse absurdo que está acontecendo aqui com relação ao BRB, por colocar o Distrito Federal no caos – as nossas contas públicas e toda a prestação de serviço, inclusive o dinheiro que é nosso –, para pagar o rombo que eles fizeram dentro do banco BRB (Banco Regional de Brasília).
Então, Sr. Presidente, eu peço desculpas aos colegas, porque quem me conhece sabe que eu vou segurando, vou segurando, vou segurando, e chega uma hora em que não dá. E o que a gente tem visto é um Governo que causou o que causou e que agora se põe de bom samaritano, salvador da pátria, colocando a conta no colo de todos nós do Distrito Federal. Nós não podemos aceitar e não vamos aceitar!
Obrigado, Sr. Presidente.