Pronunciamento de Oriovisto Guimarães em 27/05/2026
Pela ordem durante a 65ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal
Críticas às políticas econômicas e sociais do Governo Federal, por considerá-las ações eleitoreiras e fiscalmente insustentáveis, com destaque para as ampliações de benefícios sociais e a mudança na escala de trabalho 6x1.
- Autor
- Oriovisto Guimarães (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira/PR)
- Nome completo: Oriovisto Guimaraes
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Pela ordem
- Resumo por assunto
-
Economia e Desenvolvimento,
Eleições,
Finanças Públicas,
Governo Federal,
Política Social:
- Críticas às políticas econômicas e sociais do Governo Federal, por considerá-las ações eleitoreiras e fiscalmente insustentáveis, com destaque para as ampliações de benefícios sociais e a mudança na escala de trabalho 6x1.
- Publicação
- Publicação no DSF de 28/05/2026 - Página 18
- Assuntos
- Economia e Desenvolvimento
- Jurídico > Direito Eleitoral > Eleições
- Economia e Desenvolvimento > Finanças Públicas
- Outros > Atuação do Estado > Governo Federal
- Política Social
- Indexação
-
- DEFESA, RESPONSABILIDADE, NATUREZA FISCAL, CRITICA, EXPANSÃO, PROGRAMA, NATUREZA SOCIAL, BOLSA FAMILIA, Auxílio Gás do Povo, Programa Emergencial de Renegociação de Dívidas de Pessoas Físicas Inadimplentes - Desenrola Brasil, Programa Pé de Meia, BENEFICIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA (BPC), FUNDO DE FINANCIAMENTO AO ESTUDANTE DE ENSINO SUPERIOR (FIES), PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS (PROUNI), PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA (PMCMV), SUBSIDIOS, COMBUSTIVEL, ENERGIA ELETRICA, PROPOSTA, ALTERAÇÃO, JORNADA DE TRABALHO, AUSENCIA, CONTRAPRESTAÇÃO, NATUREZA ECONOMICA, COMENTARIO, MOTIVO, INTERESSE, GOVERNO FEDERAL, ELEIÇÕES.
O SR. ORIOVISTO GUIMARÃES (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - PR. Para discursar. Por videoconferência.) – Presidente, está me ouvindo?
A SRA. PRESIDENTE (Roberta Acioly. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - RR) – Sim.
O SR. ORIOVISTO GUIMARÃES (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - PR. Por videoconferência.) – Posso, então, usar a palavra e depois o Girão fala?
A SRA. PRESIDENTE (Roberta Acioly. Bloco Parlamentar Aliança/REPUBLICANOS - RR) – Pode, sim.
O SR. ORIOVISTO GUIMARÃES (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - PR. Por videoconferência.) – Então está bem.
Sra. Presidente, é um prazer tê-la aí, presidindo esta sessão. Quero lhe dar os parabéns pela sua chegada ao Senado e pela sua atuação e quero também aproveitar este momento para falar não com os meus colegas Senadores – porque eu sei que estamos em reunião virtual e a maioria não se faz presente –, mas a TV Senado tem a sua audiência, e é efetivamente com o povo, com os nossos eleitores do Brasil todo, de todos os estados, que eu queria fazer este pronunciamento – e quero fazer este pronunciamento.
Sra. Presidente, eu quero estabelecer aqui a diferença entre bondade com responsabilidade e bondade sem responsabilidade. A bondade sem responsabilidade é causa do mal, é causa da pobreza, é causa do desastre, é causa da euforia momentânea ou do crescimento não sustentável. A bondade com responsabilidade é causa do bem – é desenvolvimento, progresso; é futuro melhor.
As duas são bondades, mas uma leva a um crescimento sustentado, contínuo; a outra leva a um desastre. As duas têm um período de euforia. A bondade irresponsável dá mais euforia do que a bondade com responsabilidade. Olha, eu acho muito importante que a nossa população entenda esses dois conceitos. Isso é fundamental; nós estamos nos aproximando de uma eleição.
Eu quero, ainda, fazer uma pequena comparação. Imagina uma empresa que tenha mil funcionários – mais fácil de entender. E aí o dono dessa empresa resolve ser bondoso sem responsabilidade. Então, sem responsabilidade, ele consegue empréstimos, paga juros, vai endividando a empresa e, a cada vez, dá mais benefício aos funcionários: cada vez concede um salário maior, concede privilégios para financiamento, concede bolsa de estudo para todos os filhos de funcionário, resolve subsidiar a conta de energia ou dar uma verba para ele colocar gasolina no carro, e vai fazendo bondades, bondades. Só que a empresa não tem lucro para isso, não tem receita para isso.
O que acontece com a empresa? Ele quer ser um patrão bom, ele quer ser o provedor de todos, e ele toma mais dinheiro emprestado – e a empresa deve cada vez mais. E aí os bancos, percebendo que essa empresa não tem fundamento lógico, começam a cobrar juros cada vez maiores dessa empresa – os juros vão para dez, vão para 15, vão para 20 –, isso vira uma bola de neve, a empresa quebra e todos os funcionários perdem o emprego. Esse seria o exemplo clássico de bondade sem responsabilidade. Levou a quê? A uma euforia momentânea e, depois, a um desastre, ao desemprego.
O que seria a bondade com responsabilidade? Um patrão ou um dono dessa empresa que concedesse algum benefício aos funcionários, sem dúvida, mas sempre observando que a empresa fosse saudável, que ela não fizesse muita dívida, que ela tivesse dinheiro para comprar maquinários mais novos e não ser ultrapassada pela concorrência, que ela pudesse investir mais para exportar mais, que ela criasse mais empregos. Isso demoraria mais tempo, demandaria mais esforços. Talvez ele enfrentasse até algumas greves de gente querendo, imediatamente, benefício, mais aumento de salário, mas isso levaria a uma empresa maior, a empregos mais garantidos, a salários melhores; a uma empresa sustentável que, se tivesse que tomar dinheiro para fazer algum investimento, tomaria a juros mais baratos. Então, é importante notar claramente estes dois caminhos: bondade irresponsável e bondade com responsabilidade; um leva ao desastre, outro leva ao sucesso.
Eu estou fazendo essa comparação para explicar um pouco do nosso Governo, principalmente nesta época de eleição. Olha o que o Governo brasileiro, olha o que Lula tem feito: nós temos no Brasil o Bolsa Família, que não é de hoje, só que agora com valor mais alto do que nunca; nós temos também o Auxílio Gás; nós temos o benefício de prestação continuada; nós já tivemos um Desenrola Brasil 1 – "Ah, você está devendo? Deixa comigo, eu vou arrumar um jeito de você pagar só 10% do que você deve e tudo vai ficar bem" –, que não deu muito certo, estamos tendo agora o Desenrola Brasil 2; nós temos o Pé-de-Meia; nós temos o Fies e o Prouni; nós temos o Minha Casa, Minha Vida; nós temos o Farmácia Popular; nós temos financiamento especial para reforma da casa; agora nós temos uma medida provisória que cria um subsídio para a gasolina, de R$0,44 por litro – então, Sra. Presidente, se a senhora, por acaso, for proprietária de um BMW, vá ao posto e encha o tanque do seu carro com gasolina subsidiada com dinheiro do Governo Federal em R$0,44 por litro; isso é irresponsabilidade! –; nós temos o Programa Luz do Povo; nós temos o seguro-desemprego. E agora nós temos a joia da Coroa, o patrão da nossa empresa Brasil, Sr. Lula da Silva, diz assim: "Você vai continuar ganhando o mesmo salário, mas vai trabalhar menos. Você trabalhava em escala 6x1 e agora vai trabalhar em escala 5x2"; todo mundo bate palma: "Que maravilha, vamos trabalhar menos e ganhar a mesma coisa", só que isso é irreal, isso é irresponsável. Não houve aumento de produtividade e investimento em máquinas que justificassem isso. As consequências são terríveis.
Só para pensar no descanso semanal remunerado, imagine alguém que ganhasse R$30 mil por mês – R$30 mil ou qualquer coisa que o valha. Na escala 6x1, se ele é horista, se ele é radialista ou se ele é jornalista, uma série de profissões que ganham com base num salário-hora, como professor e outros, como é que se calcula o descanso semanal remunerado? Ora, se eu trabalho seis dias e descanso um, eu pego o salário do mês e divido por seis. Então, se o meu salário era 30 e divido por 6, o meu descanso semanal remunerado vai ser 5. Se eu continuo ganhando os mesmos 30 e passo para uma escala 5x2, eu vou ter que remunerar dois dias de descanso e não um. Então, eu vou dividir por 5 e multiplicar por 2. Olhe, se eu dividir por 5, 30 por 5 dá 6 e, multiplicando por 2, dá 12. Percebe? O descanso semanal remunerado pula imediatamente de 5 para 12.
Isso tem um efeito devastador em escola privada e em muitas prefeituras e estados que remuneram por hora, que contratam por CLT. Ninguém para para pensar nisso. O que interessa agora é simplesmente o seguinte: "Vai ter eleição, eu tenho que ficar bem na fotografia" – isso é irresponsabilidade. Nós estamos diante de um Governo que claramente quer comprar votos fazendo benesses irresponsáveis. É o fim do mundo. E a maioria da população, me parece, mesmo entre os Parlamentares, não percebe essas contas óbvias, não diferencia crescimento sustentável de crescimento que não é crescimento.
(Soa a campainha.)
O SR. ORIOVISTO GUIMARÃES (Bloco Parlamentar Democracia/PSDB - PR. Por videoconferência.) – Estou terminando, Sra. Presidente. Muito obrigado.
Não diferenciam uma coisa da outra. E o Brasil fica se debatendo entre dois polos totalmente superados: de um lado, temos alguém que já mostrou que não dá certo em três governos; de outro lado, temos alguém que tenta se explicar com o Vorcaro. E ex-Governadores, dois pelo menos, Zema e Caiado, Governadores bem-sucedidos, com histórico bonito, fazem traço nas pesquisas, não têm conhecimento.
O Brasil está num caminho muito ruim, e o povo, só o povo com mais consciência, é que pode mudar este país.
Muito obrigado, Sra. Presidente.