Pronunciamento de Izalci Lucas em 29/05/2026
Discurso proferido da Presidência durante a 68ª Sessão Especial, no Senado Federal
Sessão Especial destinada a celebrar o Dia Nacional do Líder Comunitário. Elogios à atuação dos líderes comunitários como pontes indispensáveis entre o cidadão e o poder público, destacando sua capacidade de converter demandas coletivas em ações concretas de cidadania nas regiões administrativas do Distrito Federal.
- Autor
- Izalci Lucas (PL - Partido Liberal/DF)
- Nome completo: Izalci Lucas Ferreira
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso proferido da Presidência
- Resumo por assunto
-
Homenagem,
Movimento Social:
- Sessão Especial destinada a celebrar o Dia Nacional do Líder Comunitário. Elogios à atuação dos líderes comunitários como pontes indispensáveis entre o cidadão e o poder público, destacando sua capacidade de converter demandas coletivas em ações concretas de cidadania nas regiões administrativas do Distrito Federal.
- Publicação
- Publicação no DSF de 30/05/2026 - Página 12
- Assuntos
- Honorífico > Homenagem
- Outros > Movimento Social
- Matérias referenciadas
- Indexação
-
- REALIZAÇÃO, SESSÃO ESPECIAL, CELEBRAÇÃO, Dia Nacional do Líder Comunitário, MES, MAIO.
- ELOGIO, ATUAÇÃO, LIDER, COMUNIDADE, CIDADÃO, PODER PUBLICO, CAPACIDADE, CONVERSÃO, DEMANDA, CIDADANIA, REGIÃO ADMINISTRATIVA, DISTRITO FEDERAL (DF).
O SR. PRESIDENTE (Izalci Lucas. Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - DF. Para discursar - Presidente.) – Quero cumprimentar aqui o nosso querido Deputado Distrital Rogério Morro da Cruz; o Sr. Presidente Nacional da Confederação Brasileira das Entidades e Lideranças Comunitárias, Wellington Andrade; o Sr. Presidente da Federação Brasiliense das Entidades e Lideranças Comunitárias, Antonio Benjamin de Morais; o Sr. Presidente da Associação Nacional de Líderes Comunitários do Brasil, Ilço Firmino Neto; o Sr. fundador da Projetus, Tito Santana. Quero cumprimentar cada um dos líderes comunitários aqui presentes, convidados, servidores.
Há um tipo de liderança que raramente aparece nas manchetes – que não disputa palco, não busca holofote, não aguarda aplauso; uma liderança que acorda cedo, percorre ruas, bate de porta em porta, escuta problemas que ninguém mais escuta e só descansa quando a dor de um se transforma em responsabilidade de todos.
Essa liderança tem nome, tem rosto, tem endereço: é o líder comunitário. Porque liderar uma comunidade exige uma combinação rara de virtudes: a paciência de quem ouve sem julgar, a coragem de quem cobra sem recuar e a sabedoria de quem entende que os recursos são poucos, mas as urgências são muitas.
Não existe manual para isso, não existe salário proporcional ao esforço, não existe garantia de reconhecimento. Existe apenas uma decisão silenciosa e profundamente humana: a decisão de cuidar das pessoas do lugar onde esse vive. E isso, para esses homens e mulheres, é mais que o suficiente para agir.
Ao longo da minha trajetória pública, sendo Deputado Distrital, Deputado Federal e agora Senador, eu tive o privilégio de conviver com centenas de líderes comunitários – pessoas simples, mas gigantes na missão que exercem. Cada um chegava trazendo uma demanda, mas nunca era uma demanda individual: era sempre a necessidade que a própria comunidade havia debatido e filtrado – priorizado o problema real daquela quadra, a urgência concreta daquela região.
Com o tempo, eu aprendi algo importante: quando o líder comunitário fala, ele não fala sozinho. Ele carrega consigo a voz de muita gente, que normalmente não consegue chegar até o poder público. E isso tem um valor imenso para a democracia, porque existem regiões no Brasil – inclusive aqui no Distrito Federal – onde o líder comunitário não é apenas um representante informal. Muitas vezes, ele é a única ponte entre o cidadão e o Estado.
É quem ajuda uma mãe a conseguir um atendimento médico para o seu filho, é quem organiza os moradores quando falta água, transporte, iluminação ou segurança. É quem acompanha obras, cobra promessas, reúne documentos, orienta famílias e organiza abaixo-assinados, mobiliza vizinhos. É quem transforma indignação em ação.
No Distrito Federal, esse trabalho ganha uma dimensão ainda mais simbólica. Brasília nasceu planejada, mas cresceu rapidamente, e cresceu também com desigualdades entre o centro político do país e muitas regiões administrativas. Há distâncias que não se medem apenas em quilômetros – medem-se em acesso a direitos, oportunidades e dignidade.
Iniciativas como os prefeitos de quadra, que eu quero colocar em prática em todo o Distrito Federal, ajudam a diminuir essa distância entre os moradores e o poder público, levando mais segurança e também cuidados específicos que cada lugar precisa. É uma forma de criar lideranças locais em cada comunidade. Porque são justamente os líderes comunitários de todas as outras regiões administrativas que ajudam a diminuir essa distância entre o Estado e a população todos os dias. São eles que conhecem a realidade antes dos relatórios oficiais. São eles que sabem onde falta remédio, onde o ônibus não passa, onde a escola precisa de atenção, onde o asfalto ainda não chegou. Nenhuma pesquisa substitui a sensibilidade de quem vive o problema junto com a comunidade.
Por isso, afirmo, sem exagero: os líderes comunitários são guardiões da cidadania concreta. Não daquela cidadania abstrata, bonita apenas nos discursos, mas da cidadania vivida no dia a dia. A cidadania que nasce quando alguém reúne moradores para lutar por melhorias; quando alguém dedica tempo da própria vida para defender direitos coletivos; quando alguém decide servir sem esperar recompensa. E talvez seja exatamente aí que esteja a grandeza dessa missão.
Porque as grandes transformações de um país nem sempre começam nos gabinetes; muitas começam numa associação de moradores, numa reunião simples da quadra, numa conversa de calçada, num líder comunitário que decidiu não aceitar o abandono como destino inevitável. Esses homens e mulheres nos lembram de algo essencial: desenvolvimento não se mede apenas em grandes obras ou indicadores econômicos; desenvolvimento também é a capacidade de uma comunidade se organizar, reivindicar direitos e construir soluções. Em escala menor, talvez, mas com um enorme impacto humano.
Vivemos tempos em que muitas pessoas perderam confiança na política, nas instituições e até na possibilidade de mudança. E é justamente nessas horas que o trabalho das lideranças comunitárias se torna ainda mais valioso, porque elas mantêm viva a ideia de participação, mantêm viva a ideia de solidariedade, mantêm viva a ideia de que ninguém melhora de vida sozinho. O líder comunitário é, muitas vezes, o primeiro a chegar quando o problema aparece, e o último a desistir quando a solução demora.
Por isso, esta homenagem não é apenas simbólica. Ela é um reconhecimento público de que o Brasil precisa olhar com mais respeito para essas lideranças. O poder público precisa ouvir mais quem conhece a realidade de perto. Precisa caminhar ao lado das comunidades. Precisa compreender que nenhuma política pública será verdadeiramente eficiente se não dialogar com quem vive diariamente os problemas da população.
A todos os líderes comunitários aqui do Distrito Federal e do Brasil, eu deixo aqui o meu respeito, a minha admiração e a minha gratidão. Vocês são o elo entre a esperança e a ação; entre a necessidade e a solução; entre o Estado e as pessoas, que, muitas vezes, o Estado ainda não aprendeu plenamente a alcançar.
O Brasil que queremos construir, mais justo, mais humano e mais solidário já existe em miniatura em cada comunidade onde há alguém disposto a servir ao próximo sem exigir reconhecimento em troca. Que esse dia sirva não apenas para homenagear essas lideranças, mas também para renovar o nosso compromisso de ouvi-las, valorizá-las e também caminhar junto delas, porque onde existir um líder comunitário comprometido, existe também uma comunidade que se recusa a perder a esperança.
Parabéns aos líderes comunitários! (Palmas.)
Eu solicito aqui à Secretaria-Geral da Mesa a exibição de um vídeo institucional.
(Procede-se à exibição de vídeo.) (Palmas.)
Neste momento, eu convido o Sr. Deputado Distrital Rogério Morro da Cruz e dou a palavra a ele.