Discurso durante a 68ª Sessão Especial, no Senado Federal

Sessão Especial destinada a celebrar o Dia Nacional do Líder Comunitário. Apelo ao Congresso Nacional para a ampliação de políticas públicas direcionadas a lares chefiados por mulheres e a famílias neurodivergentes.

Autor
MARIA LAURA RIBEIRO
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Homenagem, Movimento Social:
  • Sessão Especial destinada a celebrar o Dia Nacional do Líder Comunitário. Apelo ao Congresso Nacional para a ampliação de políticas públicas direcionadas a lares chefiados por mulheres e a famílias neurodivergentes.
Publicação
Publicação no DSF de 30/05/2026 - Página 27
Assuntos
Honorífico > Homenagem
Outros > Movimento Social
Matérias referenciadas
Indexação
  • REALIZAÇÃO, SESSÃO ESPECIAL, CELEBRAÇÃO, Dia Nacional do Líder Comunitário, MES, MAIO.
  • SOLICITAÇÃO, CONGRESSO NACIONAL, AMPLIAÇÃO, POLITICA PUBLICA, CHEFE, MULHER, FAMILIA, NEURODIVERGENCIA.

    A SRA. MARIA LAURA RIBEIRO (Para discursar.) – Exmos. Senadores, autoridades presentes, senhoras e senhores, me chamo Maria Laura Ribeiro, sou amapaense, fundadora e Presidente da Associação de Mulheres do Itapoã Parque e Região, a primeira associação criada dentro do Itapoã Parque, no Distrito Federal.

    Ocupo esta tribuna com profunda emoção, porque, durante muitos anos, este lugar pareceu distante demais da minha realidade em que nasci e cresci.

    Eu sou mais uma mulher brasileira que nasceu à beira do esgoto; mais uma menina periférica que aprendeu cedo sobre escassez, dificuldade e sobrevivência; mais uma mãe que deixou sua terra carregando sonhos, medo e a esperança de encontrar oportunidades de transformar a vida dos seus filhos.

    Eu faço questão de dizer, eu não sou uma exceção, eu não caminhei sozinha até aqui. A minha trajetória representa milhares de mulheres invisíveis que diariamente sustentam seus lares, enfrentam dores silenciosas e continuam, mesmo quando tudo parece impossível. Aprendi sobre força observando minha mãe Odete Lima, que nunca desistiu da vida. Foi através dela que compreendi que dignidade não depende do lugar onde nascemos, mas da coragem que temos para continuar, apesar das dificuldades.

    Mais tarde, foi através da deficiência visual da minha filha Ana Cora que eu enxerguei a dura realidade de ser o suporte, de lutar por acolhimento, acesso e dignidade para famílias que muitas vezes são esquecidas pelo sistema. Foi ali que a dor deixou de ser apenas dor e se transformou em propósito. E foi deste propósito que nasceu a nossa associação, uma associação criada para apoiar mulheres, incentivar o empreendedorismo feminino e acolher mães e famílias atípicas que precisam, acima de tudo, ser vistas, ouvidas e respeitadas. A periferia não precisa de pena, precisa de oportunidade.

    Quero registrar aqui meu profundo agradecimento ao Senado Federal, esta Casa do povo, pelo importante trabalho desenvolvido na aproximação entre o poder público e as mulheres líderes das comunidades. Quando a Casa abre espaço para as mulheres ocuparem lugares de fala, representatividade, ela fortalece a democracia, dá voz a histórias que durante muito tempo permanecem invisíveis.

    Também deixo, com muito respeito, um apelo para que o Congresso continue ampliando políticas públicas voltadas às famílias atípicas, às famílias neurodivergentes e às mulheres que sustentam seus lares em condições extremamente difíceis.

    Meu agradecimento ao Presidente desta Casa, ao Senador Izalci Lucas pelo apoio, escuta e pelo incentivo ao trabalho social desenvolvido dentro da minha comunidade.

    Dedico este reconhecimento ao meu esposo Luiz Eduardo, aos meus filhos Ana Cora e Bartolomeu, às minhas irmãs Priscila e Lila e aos meus sobrinhos Felipe, Luísa, Isabela e Antonella. E dedico especialmente a todas as mulheres da periferia brasileira que continuam resistindo, mesmo cansadas, mesmo dilaceradas, mesmo diante das maiores dificuldades. Que nenhuma mulher permita que sua origem determine o limite dos seus sonhos, porque uma oportunidade pode transformar uma vida inteira. E, quando uma mulher se levanta, ela nunca se levanta sozinha, ela leva outras consigo.

    Muito obrigada.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 30/05/2026 - Página 27