Discurso durante a 69ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Preocupação com alterações regulatórias acerca do limite de gordura permitido na tradicional linguiça Blumenau, produto reconhecido por indicação geográfica, concedido pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e símbolo da cultura catarinense, que podem descaracterizar o produto que é considerado um patrimônio cultural local. Defesa da preservação das tradições regionais, da segurança jurídica para produtos típicos e da proteção aos produtores locais, aos empregos e à identidade cultural do Vale do Itajaí-SC.

Autor
Hermes Klann (PL - Partido Liberal/SC)
Nome completo: Hermes Artur Klann
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Comércio, Cultura:
  • Preocupação com alterações regulatórias acerca do limite de gordura permitido na tradicional linguiça Blumenau, produto reconhecido por indicação geográfica, concedido pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) e símbolo da cultura catarinense, que podem descaracterizar o produto que é considerado um patrimônio cultural local. Defesa da preservação das tradições regionais, da segurança jurídica para produtos típicos e da proteção aos produtores locais, aos empregos e à identidade cultural do Vale do Itajaí-SC.
Publicação
Publicação no DSF de 02/06/2026 - Página 22
Assuntos
Economia e Desenvolvimento > Indústria, Comércio e Serviços > Comércio
Política Social > Cultura
Indexação
  • PREOCUPAÇÃO, PORTARIA, MINISTERIO DA AGRICULTURA PECUARIA E ABASTECIMENTO (MAPA), LIMITAÇÃO, GORDURA ANIMAL, PRODUTO ALIMENTICIO, BLUMENAU (SC), VALE DO ITAJAI, NECESSIDADE, PRESERVAÇÃO, CULTURA, TRADIÇÃO, SEGURANÇA JURIDICA, EMPREGO.

    O SR. HERMES KLANN (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - SC. Para discursar.) – Sr. Presidente Senador Chico Rodrigues, Senador Izalci, Sras. e Srs. Senadores, subo a esta tribuna para tratar de um tema que, à primeira vista, pode parecer simples, mas que, na verdade, toca em algo muito mais profundo: o respeito à história, à cultura, à identidade e às tradições do povo catarinense.

    Estamos assistindo com preocupação a uma mudança regulatória que ameaça descaracterizar um dos maiores símbolos gastronômicos de Santa Catarina: a tradicional linguiça Blumenau. Uma portaria editada para adequação a normas federais reduziu o limite de gordura permitido na receita de 42% para 30%. Pode parecer apenas um número, mas não é! Essa alteração mexe diretamente nas características que tornaram a linguiça Blumenau um produto único, reconhecido e preservado há gerações. Estamos falando de uma receita trazida pelos imigrantes alemães, aperfeiçoada ao longo de décadas no Vale do Itajaí, e que se tornou parte da memória afetiva de milhares de famílias catarinenses. Não é apenas um alimento, é um patrimônio cultural, é história, é identidade. E o mais grave: em 2024, a linguiça Blumenau recebeu o selo de indicação geográfica, concedido pelo INPI, justamente por possuir características próprias e tradicionais que a diferenciam de qualquer outro produto do país.

    Ora, como pode o poder público reconhecer, oficialmente, uma tradição e, depois, criar exigências que levam à sua descaracterização? Que segurança jurídica é essa? Que lógica é essa? De um lado, o Estado reconhece o produto como patrimônio e como expressão da cultura regional; de outro, exige mudanças que afetam exatamente os elementos que justificaram esse reconhecimento. Não estamos discutindo flexibilização sanitária, não estamos discutindo redução de qualidade, estamos discutindo o direito de uma região preservar sua história e sua forma tradicional de produção, desde que respeitadas todas as exigências de segurança alimentar.

    O Brasil é grande demais para ser tratado de forma padronizada em tudo. Nossa força está justamente na diversidade das nossas regiões, está no que faz o queijo da Canastra ser diferente, está no que faz o vinho da Serra Gaúcha ser diferente, está no que faz a linguiça Blumenau ser diferente. Quando a burocracia passa a desconsiderar cultura local, ela deixa de ser um instrumento de organização e passa a ser um instrumento de destruição de identidades. E não é apenas a cultura que está em jogo, estão em jogo pequenas e médias empresas, estão em jogo empregos, está em jogo a renda de famílias que há décadas produzem essa iguaria e ajudam a movimentar a economia do Vale do Itajaí.

    Por isso, manifesto minha solidariedade aos produtores catarinenses e a todos que estão mobilizados na defesa da autenticidade da linguiça Blumenau. Defender essa tradição não é defender apenas uma receita, é defender a memória dos nossos antepassados, é defender a cultura dos imigrantes que ajudaram a construir Santa Catarina, é defender a liberdade das comunidades de preservarem sua história diante de decisões distantes da sua realidade.

    Que o bom senso prevaleça. Que haja diálogo com os produtores. Que haja respeito à indicação geográfica já reconhecida oficialmente. E que ninguém, em nome de uma frieza burocrática, apague o sabor da nossa história.

    Muito obrigado.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 02/06/2026 - Página 22