Pronunciamento de RIAN LOPES em 02/06/2026
Discurso durante a 70ª Sessão Especial, no Senado Federal
Sessão Especial destinada a comemorar os 50 anos do Teste do Pezinho no Brasil e os 65 anos de atuação do Instituto Jô Clemente. Registro de sua trajetória pessoal de diagnóstico e superação dentro da instituição, ressaltando que as suas condições não se tornaram barreiras para a inserção no mercado de trabalho graças às metodologias de inclusão do instituto.
- Autor
- RIAN LOPES
- Casa
- Senado Federal
- Tipo
- Discurso
- Resumo por assunto
-
Crianças e Adolescentes,
Data Comemorativa,
Saúde Pública:
- Sessão Especial destinada a comemorar os 50 anos do Teste do Pezinho no Brasil e os 65 anos de atuação do Instituto Jô Clemente. Registro de sua trajetória pessoal de diagnóstico e superação dentro da instituição, ressaltando que as suas condições não se tornaram barreiras para a inserção no mercado de trabalho graças às metodologias de inclusão do instituto.
- Publicação
- Publicação no DSF de 03/06/2026 - Página 16
- Assuntos
- Política Social > Proteção Social > Crianças e Adolescentes
- Honorífico > Data Comemorativa
- Política Social > Saúde > Saúde Pública
- Matérias referenciadas
- Indexação
-
- SESSÃO ESPECIAL, CELEBRAÇÃO, ANIVERSARIO DE FUNDAÇÃO, INSTITUIÇÃO BENEFICENTE, MUNICIPIO, SÃO PAULO (SP), CINQUENTENARIO, EXAME MEDICO, RECEM NASCIDO, DIAGNOSTICO, DOENÇA, DOENÇA RARA, REGISTRO, CARATER PESSOAL, AUTISMO, INSERÇÃO, MERCADO DE TRABALHO, ADVOCACIA.
O SR. RIAN LOPES (Para discursar.) – Vocês estão me ouvindo? Cumprimento a mesa com um bom dia.
Queria agradecer já à Deputada por esse convite, à nossa Daisy por ter me convidado também.
Irei fazer minha autodescrição para as pessoas com deficiências que estão assistindo ou que podem assistir. Sou uma pessoa com deficiência intelectual e uma pessoa autista de nível suporte 1. Estou de roupa social branca, uma calça preta, jeans, cabelo jogado de lado, preto, usando óculos. Sou uma pessoa alta. Irei entrar um pouco no tema, vou falar um pouco sobre a importância do diagnóstico do pezinho, que foi para mim.
A minha família identificou a minha deficiência, que eu tinha uma dificuldade, quando eu comecei a ter alguns atrasos. Eu tive atraso no desenvolvimento de fala, no desenvolvimento de andar. E ali eles começaram a observar, não acharam normal. Quando eu fui para a creche, para ali ter um convívio social com outras crianças, eu não conseguia. Eu era aquela pessoa mais quieta, aquela pessoa mais fechada. Eu não conseguia ter um desenvolvimento comum. Nisso, me encaminharam para a instituição, para o Instituto JC, e ali começaram a fazer alguns testes de intelectualidade, para saber o que eu tinha. Foi ali quando veio o diagnóstico da minha deficiência intelectual. Ali o Instituto acolheu a minha mãe, começou a mostrar para ela que não significava que, porque eu tinha uma deficiência intelectual, aquilo ia me fazer parar de me desenvolver; que aquilo não ia me impedir de chegar aonde eu queria chegar.
Nisso, a gente continuou descobrindo algumas dificuldades que não batiam com a deficiência intelectual. Eu tinha muita crise sensorial. Então, às vezes, dependendo do que eu estava fazendo, eu chegava em casa cansado e ia dormir. A gente não entendia por que era aquilo. Voltei para o Instituto, o Instituto fez uns novos testes, e ali foi identificado o autismo. Foi quando os médicos falaram que eu tinha um autismo, mas isso também não vai ia me impedir de trabalhar e de me desenvolver. O Instituto me fez o convite para ir para um trabalho apoiado, que é um trabalho que é para pessoas com deficiência, que tem o apoio de psicólogos, que desenvolvem as pessoas com deficiência, de acordo com a necessidade delas, para estar dentro da área de trabalho e também de acordo com o sonho.
Então, ali eu fui para o meu primeiro emprego, me desenvolvi lá, onde também eu tenho alguns amigos com deficiência, que eu conheci, que me chamaram para fazer parte do grupo de autodefensoria. O grupo de autodefensoria é o quê? É um grupo formado por pessoas com deficiência, em que, ali, a gente tem profissionais que desenvolvem essas pessoas com deficiência para conhecer os seus direitos, ter a sua própria autonomia, mostrar que ela tem o direito de usar o bilhete, o direito de andar. Então, ali eu comecei a ter minha própria autonomia: eu aprendi a ir para o trabalho sozinho, aprendi a me desenvolver, comecei a aprender a usar o transporte público sem a minha mãe, comecei a aprender a desenvolver outras atividades, conhecendo também outros direitos. Ali eu desenvolvi algumas atividades com o grupo de autodefensoria, então eu pratiquei algumas atividades...
(Soa a campainha.)
O SR. RIAN LOPES – ... com o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência e o Conselho Municipal da Juventude, ajudando essas pessoas a serem eleitas dentro desses espaços públicos.
Também, no ano passado, ajudei o grupo de autodefensoria a participar de um conselho que foi criado de rede nacional aqui em Brasília com todas as autodefensorias, junto com a Federação de Síndrome de Down. Ali a gente estava conversando e discutindo sobre a importância da escola educacional com o ensino comum, sem ser a sala especial, mostrando qual a importância de a gente falar sobre o capacitismo dentro desses espaços públicos.
E hoje eu trabalho junto com a equipe de autodefensoria no setor de advocacy. Não sou mais voluntário, agora sou funcionário. Eu trabalho no...
(Interrupção do som.)
(Soa a campainha.)
O SR. RIAN LOPES – ... que é sobre rede, é um trabalho de rede em 12 municípios. O nosso tema este ano é sobre prevenção à violência e a autonomia das pessoas com deficiência. Ali eu trabalho fazendo palestra, então eu levo um pouco do meu conhecimento sobre ter a própria autonomia e de que a pessoa tem esse direito de ela mesma falar por ela.
Desde já agradeço à Mesa, agradeço a todos que convidaram a instituição para estar aqui. Também agradeço à instituição de ter aberto esse espaço para a gente estar aqui.
E eu queria deixar uma frase de reflexão: para as pessoas com deficiência terem sua própria autonomia, devemos tirar o preconceito do nosso gesto de tratar as pessoas. Temos que ter mais instituições trazendo o protagonismo da pessoa com deficiência, pensando e...
(Interrupção do som.)
(Soa a campainha.)
O SR. RIAN LOPES – ... promovendo a autodefensoria, mostrando a capacidade das pessoas com deficiência dentro da sociedade.
Agradeço a todos e um bom dia.