Discurso proferido da Presidência durante a 73ª Sessão Não Deliberativa, no Senado Federal

Reflexão sobre a saúde como expressão da proteção social e sobre a necessidade de fortalecimento do SUS, com ampliação do acesso, valorização da prevenção e redução das desigualdades territoriais nos serviços de saúde.

Autor
Confúcio Moura (MDB - Movimento Democrático Brasileiro/RO)
Nome completo: Confúcio Aires Moura
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso proferido da Presidência
Resumo por assunto
Ciência, Tecnologia e Informática, Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Educação, População Indígena, Proteção Social, Saúde Pública:
  • Reflexão sobre a saúde como expressão da proteção social e sobre a necessidade de fortalecimento do SUS, com ampliação do acesso, valorização da prevenção e redução das desigualdades territoriais nos serviços de saúde.
Publicação
Publicação no DSF de 09/06/2026 - Página 27
Assuntos
Economia e Desenvolvimento > Ciência, Tecnologia e Informática
Política Social > Proteção Social > Desenvolvimento Social e Combate à Fome
Política Social > Educação
Política Social > Proteção Social > População Indígena
Política Social > Proteção Social
Política Social > Saúde > Saúde Pública
Indexação
  • DEFESA, SISTEMA UNICO DE SAUDE (SUS), AUMENTO, POLITICAS PUBLICAS, SAUDE PUBLICA, DESIGUALDADE SOCIAL, ACESSO, SAUDE, COMUNIDADE RIBEIRINHA, COMUNIDADE INDIGENA, COMENTARIO, SISTEMA, PANDEMIA, NOVO CORONAVIRUS (COVID-19), IMPORTANCIA, CIENCIA, VACINAÇÃO, EXPOSIÇÃO, PRIORIDADE, PREVENÇÃO, OBSERVAÇÃO, EDUCAÇÃO, DESIGUALDADE REGIONAL.

    O SR. PRESIDENTE (Confúcio Moura. Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO. Para discursar - Presidente.) – Não há mais oradores presentes, eu tenho aqui um... Eu me inscrevi, e o meu discurso é também sobre saúde.

    O SR. PAULO PAIM (Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - RS. Fora do microfone.) – Vou ficar aqui para ouvir o seu discurso.

    O SR. PRESIDENTE (Confúcio Moura. Bloco Parlamentar Democracia/MDB - RO) – Ah, tá! Muito obrigado.

    Estou fazendo uma série de reflexões sobre avaliações de políticas públicas, e hoje o meu tema é saúde também. Dando continuidade a essa sequência de reflexões, chego hoje a um tema que me toca de forma particular, pela minha formação como médico e, acima de tudo, pela sua profundidade humana.

    No discurso anterior, falamos sobre a distância entre o tempo da vida real e a capacidade de resposta das estruturas públicas. Quando essa distância alcança a saúde, ela deixa de ser um problema administrativo e passa a atingir diretamente a dignidade da pessoa, porque existem situações em que as pessoas conseguem esperar, mas existem outras em que esperar significa sofrimento, e talvez nenhuma área revele isso de forma tão profunda quanto a saúde.

    A doença desorganiza a vida por inteiro, desorganiza a rotina, o trabalho, o equilíbrio emocional de quem sofre e de quem acompanha o sofrimento. Nesses momentos, o cidadão não procura apenas atendimento: ele procura amparo, procura a segurança de saber que não está sozinho diante da própria fragilidade. É exatamente aí que a saúde deixa de ser apenas uma política pública e se transforma em uma das expressões mais concretas da proteção social.

    O Brasil construiu, ao longo das últimas décadas, um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, e isso precisa ser reconhecido. Milhões de brasileiros dependem diariamente do Sistema Único de Saúde para consultas, exames, vacinação, tratamentos e atendimento básico, uma estrutura de alcance nacional que representa uma conquista histórica da sociedade brasileira.

    Ao mesmo tempo, sabemos que o país ainda convive com desigualdades no acesso ao cuidado, especialmente nas regiões mais distantes dos centros urbanos. No interior profundo, nas comunidades ribeirinhas, nos territórios indígenas e tantos lugares onde a presença institucional ainda enfrenta limitações geográficas históricas, uma consulta simples pode exigir horas de deslocamento, e o acesso a especialistas ou a procedimentos mais complexos permanece um desafio real para parcelas significativas da população.

    Essa distância territorial, quando se converte em distância do cuidado, é uma das formas mais silenciosas da desigualdade.

    A pandemia deixou marcas profundas na sociedade brasileira. Ela pressionou estruturas, produziu perdas e revelou fragilidades que existiam antes dela, mas também deixou lições, mostrou o valor insubstituível da ciência, da vacinação, da capacidade de coordenação pública diante de crises e revelou algo que nunca deveria ter sido esquecido: saúde não é apenas serviço, é proteção social, é estabilidade humana, é a condição que permite à sociedade continuar funcionando mesmo nos momentos mais difíceis.

    Fortalecer a saúde exige olhar além dos hospitais. A saúde começa antes, na prevenção, no acompanhamento contínuo, na presença do profissional próximo de onde o povo vive. Quando o cuidado chega cedo, evita sofrimento maior depois. Programas que levam profissionais de saúde a regiões historicamente com menor acesso não representam apenas expansão de serviço, representam a presença concreta do Estado onde ela é mais necessária e muitas vezes mais esperada.

    Quando a saúde falha, a vida perde a estabilidade, a família perde tranquilidade, o trabalhador perde segurança e os mais vulneráveis sentem primeiro o peso da ausência. Talvez seja por isso que a saúde revele tanto sobre o país, porque é justamente nos momentos de maior fragilidade que as pessoas descobrem se são amparadas. E nenhum projeto nacional será verdadeiramente sólido enquanto o acesso ao cuidado ainda depender da região onde a pessoa nasceu ou da distância que a pessoa precisa percorrer para ser atendida.

    Saúde é aquilo que sustenta a dignidade humana quando todo o resto perde o equilíbrio. Fortalecê-la é assumir de forma concreta o papel de proteção social que qualquer Estado deve ao seu povo. Há, porém, uma verdade que também precisa ser considerada: muitas das desigualdades que aparecem nos hospitais começaram muito antes, na ausência de oportunidades e de perspectivas desde o início da vida. E talvez seja exatamente aí que começa a próxima reflexão, porque transformar o país exige escolher onde a igualdade começa a ser construída de forma concreta. E esse caminho passa, inevitavelmente, também pela educação.

    Era só isso.

    Muito obrigado.

    Encerramento desta sessão.

    A Presidência informa às Senadoras e aos Senadores que estão convocadas as seguintes sessões: sessão especial hoje, às 16h, destinada a celebrar o Dia Mundial dos Oceanos; sessão especial amanhã, terça-feira, 9h, destinada a homenagear as instituições pró-vida e celebrar a realização da 19ª Marcha pela Vida; e sessão deliberativa ordinária, também amanhã, às 14h, com pauta divulgada pela Secretaria-Geral da Mesa.

    Cumprida a finalidade desta sessão não deliberativa do Senado Federal, a Presidência declara o seu encerramento.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 09/06/2026 - Página 27