Discurso durante a 77ª Sessão Deliberativa Ordinária, no Senado Federal

Defesa da soberania econômica nacional diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos e das críticas ao Pix.

Preocupação com a possível censura às pesquisas eleitorais, com manifestação a favor da liberdade de atuação dos institutos de pesquisa, e com a necessidade de regras que restrinjam a divulgação de levantamentos eleitorais no período de 45 dias anteriores às eleições.

Autor
Jorge Kajuru (PSB - Partido Socialista Brasileiro/GO)
Nome completo: Jorge Kajuru Reis da Costa Nasser
Casa
Senado Federal
Tipo
Discurso
Resumo por assunto
Relações Internacionais:
  • Defesa da soberania econômica nacional diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos e das críticas ao Pix.
Eleições e Partidos Políticos, Sistema Financeiro Nacional:
  • Preocupação com a possível censura às pesquisas eleitorais, com manifestação a favor da liberdade de atuação dos institutos de pesquisa, e com a necessidade de regras que restrinjam a divulgação de levantamentos eleitorais no período de 45 dias anteriores às eleições.
Publicação
Publicação no DSF de 11/06/2026 - Página 15
Assuntos
Soberania, Defesa Nacional e Ordem Pública > Relações Internacionais
Outros > Eleições e Partidos Políticos
Economia e Desenvolvimento > Sistema Financeiro Nacional
Indexação
  • CRITICA, ESTADOS UNIDOS DA AMERICA (EUA), PROTECIONISMO, IMPOSIÇÃO, TARIFAS, IMPORTAÇÃO, PRODUTO, BRASIL, INSEGURANÇA JURIDICA, ATAQUE, PIX.
  • CRITICA, DECISÃO JUDICIAL, TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (TSE), MINISTRO, KASSIO NUNES MARQUES, SUSPENSÃO, DIVULGAÇÃO, PESQUISA ELEITORAL, ELEIÇÕES, PRESIDENTE DA REPUBLICA.

    O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO. Para discursar.) – Inicialmente, é um prazer revê-lo, amigo Senador Humberto Costa, se Deus quiser, certamente reeleito pelo amado Estado de Pernambuco.

    Brasileiras e brasileiros, minhas únicas vossas excelências, o meu assunto na tribuna, neste 10 de junho de 2026, é a decisão dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros, somada às pressões e críticas dirigidas ao sistema Pix. Trata-se de situação que, a meu ver, impõe o debate sobre uma questão estratégica para o futuro do país: a defesa da soberania econômica e da capacidade do Brasil de decidir seus próprios rumos.

    É nosso dever rechaçar com veemência a adoção de medidas unilaterais que dificultam o acesso de produtos brasileiros ao mercado internacional, afetando diretamente a produção nacional, os empregos, os investimentos e a competitividade da economia brasileira.

    A substituição da cooperação por barreiras protecionistas cria um ambiente de insegurança para empresas, trabalhadores e investidores, comprometendo a previsibilidade necessária ao desenvolvimento econômico.

    Abro um parêntese para lamentar que agressões externas ao Brasil sejam aceitas e, por vezes, até festejadas por cidadãos aqui nascidos, numa postura que considero incompatível com a defesa dos interesses nacionais.

    Sobre o tarifaço norte-americano, destaco que a reação brasileira deve ser conduzida com firmeza, racionalidade e visão estratégica. Defender os nossos interesses não significa alimentar confrontos ideológicos nem promover escaladas diplomáticas desnecessárias. Importa proteger a economia nacional, preservar mercados e assegurar condições justas de concorrência.

    Neste contexto, ressalto a tradição diplomática brasileira construída ao longo de décadas com base no diálogo, na negociação e no respeito às instituições internacionais. O Brasil possui credibilidade suficiente para defender seus direitos nos fóruns multilaterais e buscar soluções equilibradas para controvérsias comerciais.

    Merecem consideração especial as críticas dirigidas ao Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central, que se tornou uma das mais importantes inovações tecnológicas da história recente do país. Reconhecido internacionalmente, o Pix ampliou a inclusão financeira, reduziu custos para empresas e consumidores e democratizou o acesso aos serviços bancários.

    Assim, não parece descabido interpretar as investidas contra o sistema como uma tentativa de enfraquecer uma solução nacional que ampliou a concorrência e reduziu a dependência de modelos tradicionais de pagamento, historicamente dominados por grandes corporações internacionais.

    A defesa do Pix, portanto, transcende a esfera financeira. Trata-se da defesa da capacidade brasileira de inovar, desenvolver tecnologia própria e criar soluções eficientes para seus desafios internos. Preservar essa conquista significa proteger um patrimônio econômico e tecnológico construído pelo país.

    Os acontecimentos recentes evidenciam, sobretudo, a necessidade de fortalecer a autonomia nacional. Um país soberano é aquele que protege sua produção, estimula sua inovação e preserva suas instituições diante de pressões externas, independentemente de sua origem.

    É fundamental, meus amigos, ampliar a diversificação dos mercados internacionais, reduzir vulnerabilidades externas e fortalecer a competitividade da economia brasileira. Investimentos em infraestrutura, segurança jurídica, simplificação burocrática e aumento da produtividade são instrumentos essenciais para tornar o Brasil menos dependente das decisões de qualquer parceiro comercial.

    A discussão também possui inevitáveis reflexos políticos, pois temas ligados à soberania nacional mobilizam a opinião pública. Todavia, a defesa dos interesses brasileiros deve permanecer acima das disputas partidárias e eleitorais caracterizadas pelo emocionalismo. Mais importante do que divergências ideológicas é a construção de um consenso nacional em torno da proteção da produção brasileira, da valorização das conquistas tecnológicas do país e da preservação da nossa capacidade de decisão.

    Acredito, Sr. Presidente Humberto Costa, que os desafios impostos pelo tarifaço e pelas pressões sobre o Pix constituem uma oportunidade para o Brasil reafirmar sua posição no cenário mundial. O país deve responder com maturidade, firmeza e confiança em suas instituições, reforçando uma estratégia baseada no desenvolvimento econômico, na inovação e na defesa permanente da sua soberania.

    Para mim – concluindo –, o que está em jogo não é apenas uma disputa comercial ou tecnológica. Trata-se da afirmação do direito do Brasil de definir seu próprio destino, proteger seus trabalhadores, valorizar suas conquistas e exercer plenamente, no cenário global, a sua condição de nação soberana.

    Presidente, como sempre, eu não ouço a campainha. Quanto tempo ainda tenho?

    O SR. PRESIDENTE (Humberto Costa. Bloco Parlamentar Pelo Brasil/PT - PE. Fora do microfone.) – Dois minutos e meio.

    O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – Dois minutos e meio. Não vou...

    Oh, é ele? Desculpe-me pela visão. (Risos.) Tudo bom, Girão?

    O SR. EDUARDO GIRÃO (Bloco Parlamentar Vanguarda/NOVO - CE. Fora do microfone.) – Tudo bom, meu amigo.

    O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – Parabéns pela sua opinião, mostrando a sua neutralidade em relação ao caso Bolsonaro e Vorcaro.

    O que eu quero dizer ao Brasil, como jornalista e tendo uma carreira há 50 anos, carreira nacional, é que me preocupa muito a censura às pesquisas eleitorais. O que estamos vendo é um perigo. Abre-se um precedente gravíssimo. É preciso que todo instituto tenha a sua liberdade e que o cidadão brasileiro decida em qual instituto de pesquisa ele vai confiar, ele vai acreditar. Para mim, o Supremo Tribunal Federal deveria estar preocupado é com inteligência artificial, é com fake news, e é lamentável que a decisão veio de um ministro indicado pelo ex-Presidente Jair Bolsonaro.

    Eu tenho um projeto... É claro que não vai ser votado, mas está aqui já há algum tempo.

(Soa a campainha.)

    O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – Eu falei para o Girão em 2019 isto: que eu proibiria as pesquisas até 45 dias antes da eleição, ou seja, só liberaria resultado de pesquisa por 45 dias. Sabe por quê, Girão? Porque, um ano antes, instituto, segundo o Tancredo Neves e segundo o José Sarney, na maioria das vezes, negocia. É um partido que compra a pesquisa, logo o partido pode ser beneficiado – é evidente, ele que é o pagador da pesquisa. E aí, quando chega a hora da eleição, 45 dias antes, o instituto começa a fazer a pesquisa séria para não perder a credibilidade e ir à falência.

    Então, eu, Kajuru, adoraria que só se liberasse pesquisa 45 dias antes da eleição. Mas, agora...

(Soa a campainha.)

    O SR. JORGE KAJURU (Bloco Parlamentar da Resistência Democrática/PSB - GO) – ... não tendo isso liberado... Por gentileza, censura a esta hora é realmente preocupante.

    Agradecidíssimo.


Este texto não substitui o publicado no DSF de 11/06/2026 - Página 15